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Banca de DEFESA: BENEDITO LELIO CALDAS COSTA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: BENEDITO LELIO CALDAS COSTA
DATA: 09/09/2020
HORA: 15:00
LOCAL: Webconferência
TÍTULO:

MARI ERRÊ ARRÁ: MANIFESTAÇÃO RELIGIOSA AFRO-BRASILEIRA E A SIMBOLOGIA POÉTICA DE AFIRMAÇÃO DO SER NEGRO.


PALAVRAS-CHAVES:

Marierrê do Rosário; cultura e religiosidade negra; símbolo de afirmação;


PÁGINAS: 145
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Educação
RESUMO:

Todo texto deveria ser uma espécie de conversa (poética ou não) entre o escritor e o sujeito que se dispor a lê-lo. Este texto é conversa-poética tecida – pós-pesquisa de campo de cunho etnográfico – de ritos, cantos, batuques e corpos que dançam ao ritmo afro-brasileiro do Marierrê, manifestação cultural-religiosa do povo negro habitante da Vila de Carapajó, município de Cametá, região do Baixo-Tocantins- Pa, corpos que, no exercício mórfico de sua religiosidade e cultura, produzem uma simbologia ímpar, rica em subjetividade, ternura, comunhão, beleza e teor de afirmação étnica e comunitária, como polo oposto de uma sociedade preconceituosa, estigmatizadora, racista que busca homogeneizar, no Brasil, tudo o que é cultural, religioso e étnico pelo prisma eurocêntrico branco e cristão. O intuito maior é mostrar como O Marierrê e sua linguagem simbólica, ritualística e poética se tornou entre-lugar mórfico de afirmação de homens e mulheres negras, em Carapajó, Cametá-Pa. Por isso, o problema em torno do qual este texto caminha é responder ao seguinte questionamento: como sujeitos negros, superaram estigmas, preconceitos e passaram a esculpir para si um exitir afirmativo, a partir do ritual Marierrê? Os objetivos que nortearam nossa pesquisa, nos ajudaram a ter uma visão mais bem definida de nosso objeto, tais seja: descrever linguagens orais, gestuais, musicais simbólico/poéticas que são desenvolvidas durante o ritual Marierrê, no sentido de um novo jeito do ser negro quilombola; descortinar o que há de simbólico, poético e político no rito cultural afro-religioso Marierrê, bem como esse rito se manifesta no sentido da afirmação social do povo quilombola; fundamentar nossa compreensão sobre as teorias por trás do racismo no mundo e no Brasil, para afinar nossa conversa poética no intuito da desconstrução do discurso científico, hegemônico e etnocêntrico sobre as raças/etnias humanas, que deu origem ao racismo, principalmente contra o povo negro, e ao mito da superioridade do povo branco; depois, entender como o Marierrê reflete o empoderamento de comunidades negras em um ritual que reflete a beleza, a inteligência, a coragem e a importância de homens e mulheres afro-brasileiras para a história de resistência social, cultural e religiosa deste país. Para tal fim, o caminho percorrido foi o da etnografia, no bojo da qual fomos vislumbrar, ouvir, sentir – no rito, no canto, na dança, no tocar dos instrumentos – o acontecer das poéticas quilombolas, da simbologia do Marierrê e como elas produzem afirmação de novos homens e mulheres negras. No campo de pesquisa, em nome da mais fina etnografia e da construção do mais plausível rizoma, nos deixamos (re)contaminar por cantos, ritmos, danças e ritos que rementem ao que há de mais sagrado na vida: a libertação das correntes do não ser e a afirmação do ser humano. As análises realizadas são do tipo histórico e dialético, as quais buscam enxergar a raiz e a importância dessa manifestação afro-cultural-religiosa para a afirmação do novo ser negro na comunidade quilombola de Carapajó, no âmbito da memória, da ancestralidade, da resistência, da afirmação da história e da cultura afro-brasileira, antes sufocadas pela ação do estado. Para esta conversa contribuíram importantes teóricos das relações étnico-raciais como Todorov (1993), Skidmore (1976), Neuza Santos (1983), Frantz Fanon (2008) e Paul Gilroy (2001); celebres autores da Literatura Negra e do campo poético como Sergio Alberto Alves (2008), Edison Carneiro (1964), Castro Alves e Ana Maria Gonçalves (2006); e como aporte teórico-metodológico, nos ancoramos em Camarrof (2010) e Angrosino (2009); autores que nos guiaram pelos caminhos da etnografia. Constatou-se que o Marierrê, na comunidade quilombola observada, produz uma poética que subverte ideologias racistas, ritos religiosos e concepções sobre o ser negro que pode reverberar dali e ressoar na sociedade atual, em uma estratégia de resistência e afirmação na qual a inteligência é o símbolo central.  

 


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1456264 - ELANIR FRANCA CARVALHO
Interno - 2299112 - JOSE VALDINEI ALBUQUERQUE MIRANDA
Externo à Instituição - RAIMUNDO NONATO ASSUNÇÃO VIANA
Presidente - 1740753 - VILMA APARECIDA DE PINHO
Notícia cadastrada em: 06/08/2020 11:15
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