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Banca de DEFESA: ELLEN RODRIGUES DA SILVA MIRANDA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ELLEN RODRIGUES DA SILVA MIRANDA
DATA: 11/06/2019
HORA: 15:00
LOCAL: sala 004 PPGEDUC/CUNTINS
TÍTULO:

DOS MUTIRÕES AOS PIMENTAIS:  A [Re] Construção das Identidades no Confronto Trabalho versus Capital, em Comunidade Quilombola no Nordeste Paraense


PALAVRAS-CHAVES:

materialidades produtivas, capital versus trabalho, resistências econômico-cultural, [re]construção das identidades.


PÁGINAS: 180
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Educação
RESUMO:

Esta pesquisa analisa, a partir de materialidades produtivas realizadas por homens e mulheres da Comunidade Quilombola Tambaí-Açu, Mocajuba-Pará, a [re]construção de identidades, no confronto capital versus trabalho, buscando-se responder à indagação de como esses sujeitos constroem processos de resistência ou não às determinações do modo de produção capitalista, considerando as reproduções ampliadas da vida e as reproduções ampliadas do capital, que lhes possibilitam estabelecer, conforme Marx (2013), mediações que [re]constroem suas identidades como classe. Para tanto, adotamos a abordagem qualitativa pautada no materialismo histórico-dialético, pois entendemos, conforme Araújo (2007), que os fenômenos sociais correspondem a dimensões tanto quantitativas como qualitativas, constituindo-se também culturais, de acordo com Thompson (2001), não seguindo os fenômenos econômicos à distância, pois são partes da mesma rede de relações consideradas como totalidade social, unidade do diverso (MARX, 2008).  Metodologicamente, procedemos levantamento documental, observações e anotações de campo, além da realização de entrevistas semiestruturadas (TRIVIÑOS, 1987), tratadas em termos de significância pela análise do conteúdo (BARDIN, 1977). A investigação nos levou à conclusão de que as identidades da Comunidade Quilombola Tambaí-Açu se [re]constroem na mediação dos saberes sociais do trabalho versus capital, disputa configurada entre o trabalho nos mutirões e trabalho nos pimentais, base da constante formação da classe econômico-cultural que vive do trabalho nessa comunidade. Para se chegar a tal conclusão, constatou-se, a partir de entrevista junto a quatro mulheres e cinco homens da Comunidade Quilombola Tambaí-Açu, que os saberes do trabalho caracterizados de identidade quilombola se entrecruzam na prática colaborativa, festiva, não assalariada, humanizante do mutirão, como culturas do trabalho que se [re]constroem no contexto das relações sociais de produção, na perspectiva de luta de classes (THOMPSON, 1987). Identificamos ainda que, a partir das materialidades tanto objetivas como subjetivas (ARAÚJO, TEODORO, 2006) dos sujeitos, as transformações na reprodução ampliada da vida em face da disputa em relação à reprodução ampliada do capital ocorreram através do monocultivo intensivo da pimenta-do-reino, observado no entorno da comunidade. Desta forma, compreendeu-se que a relação dialética entre aderência e resistências à tentativa de homogeneização da comunidade, para suprir objetivos do mercado, [re]criou experiências que possibilitaram, por conseguinte, um [re]criar identidades, na luta capital versus trabalho. Assim, desde um passado de formação político-cultural, social e econômico até o presente os quilombos têm sido alvo de diversas tentativas de aniquilamento tanto material como simbólico (REIS, GOMES 2012), [re]construindo-se no constante fazer-se quilombola a partir das reproduções ampliadas da vida, ao unir forças para diminuir o dispêndio do trabalho que produz subsistência e valores que destoam das reproduções ampliadas do capital, caracterizadas pela produção em larga escala e divisão do trabalho (MARX, 2013) que nega experiências humanizantes, presentes em comunidades tradicionais, produções comunitárias, cooperativas, associações, produções agroecológicas, economia e cultura popular (VENDRAMINI, TIRIBA, 2014). E neste constante vir-a-ser (THOMPSON, 1987), [re]constroem outras reais possibilidades de viver bem (TIRIBA, 2018), como culturas do trabalho que se manifestam em experiências, a exemplo do mutirão quilombola que, além da produção de objetividades, produz subjetividades permeadas de valores como cuidar do outro, numa resistência econômico-cultural à produção individualista, fragmentada, parcelada, não festiva, assalariada, desumanizante, capitalista (THOMPSON, 1987).


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2524613 - BENEDITA CELESTE DE MORAES PINTO
Presidente - 2321894 - DORIEDSON DO SOCORRO RODRIGUES
Notícia cadastrada em: 09/04/2019 17:04
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