News

Banca de DEFESA: RAIMUNDO NONATO GAIA CORREA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RAIMUNDO NONATO GAIA CORREA
DATA: 26/06/2018
HORA: 10:00
LOCAL: Sala 001 - predio Orlando Cassique - Campus Cametá-UFPA
TÍTULO:

PRÁXIS PRODUTIVA E PROCESSOS DE CONSTITUIÇÃO DE IDENTIDADE ENTRE OS PESCADORES ARTESANAIS DA COLÔNIA Z-16 DE CAMETÁ/PA


PALAVRAS-CHAVES:

Práxis produtiva; contradições capital-trabalho; identidade; pescadores artesanais.


PÁGINAS: 192
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Educação
RESUMO:

A pesquisa objetiva responder como ocorre a relação entre práxis produtiva e processos de constituição de identidades entre os pescadores artesanais filiados à Colônia Z-16 de Cametá/PA. A metodologia pauta-se em revisões bibliográficas e pesquisa de campo e os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada (PÁDUA, 2012). As análises foram estruturadas a partir da dialética singular-particular-universal (LUKÁCS, 1978) entendendo-se que os fenômenos sociais não se limitam à expressão imediata e factual, mas vinculam-se, por uma série de mediações, às leis gerais que condicionam o funcionamento da sociedade capitalista como uma totalidade (KOSIK, 1976). Com base em Dubar (2005), Lukács (2010; 2012; 2013), Marx (2013), Marx & Engels (2009), Vázquez (2011), dentre outros, conclui-se: no plano ontológico, a identidade de ser social pescador artesanal é constituída no seu processo de socialização mediada pelas relações de trabalho. No plano histórico-existencial, o processo de constituição de identidades entre os pescadores artesanais da Colônia Z-16 ocorre em meio a uma materialidade de disputa entre capital e trabalho pelo controle da práxis produtiva. O capital se utiliza de formas de identificação fundamentadas na forma-mercadoria para atribuir identidades pautadas na mercantilização das relações sociais, no individualismo, na sobreposição do valor de troca em relação ao valor de uso, na exploração da força de trabalho e na busca incessante de lucro, como forma de impedir que os pescadores artesanais vislumbrem outras formas de relações sociais para além do capital e sejam inseridos na lógica do sistema capitalista. Por outro lado, vivenciando a precarização de suas condições de trabalho devido aos impactos ambientais decorrentes da construção da Hidrelétrica de Tucuruí, os pescadores artesanais negam as identidades que lhes são atribuídas pelo capital e iniciam um processo de fortalecimento político-organizativo enquanto fração de classe trabalhadora. A necessidade de implementação de alternativas produtivas à pesca decadente lhes direciona para a conquista da gestão da Colônia Z-16, então, sob controle das elites econômicas e políticas de Cametá. Os pescadores artesanais impuseram-se em seu espaço de vida e trabalho e ainda exigiram negociar com o Estado capitalista a efetivação de políticas assistenciais de modo a auxiliá-los em seu processo de reorganização de sua práxis produtiva. Embora nos interstícios dessas alternativas a lógica de mercantilização da produção e da distribuição da riqueza se façam presentes, o capital ainda não consegue controlar a totalidade dos processos de trabalho dos pescadores. No interior da práxis produtiva, além da constituição de identidades de resistência, os pescadores ensaiam formas emancipadas de produção e distribuição da riqueza, tal como ocorre na gestão coletiva e repartição igualitária do pescado nos Acordos de Pesca, constituindo, assim, identidades numa perspectiva contrahegemônica. Contudo, apesar da resistência ao capital e dos avanços, em termos de expressão político-organizativa, o processo de constituição da identidade de classe para si não se completou, pois, a fração de classe dos pescadores artesanais vivencia, nos últimos anos, avanços e retrocessos tanto em sua organização política, quanto em termo de manutenção das alternativas de produção e/ou em termo de luta por questões mais abrangentes para além dos interesses imediatos.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2524613 - BENEDITA CELESTE DE MORAES PINTO
Externo ao Programa - 2153549 - DENISE MACHADO CARDOSO
Presidente - 2321894 - DORIEDSON DO SOCORRO RODRIGUES
Interno - 2190546 - GILMAR PEREIRA DA SILVA
Externo ao Programa - 1152796 - RONALDO MARCOS DE LIMA ARAUJO
Notícia cadastrada em: 30/05/2018 18:02
SIGAA | Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC) - (91)3201-7793 | Copyright © 2006-2024 - UFPA - jatoba.ufpa.br.jatoba2