Dissertações/Teses

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2024
Descrição
  • RAQUELINE CRISTINA PEREIRA MONTEIRO
  • INGESTÃO DE PLÁSTICO PELA BIOTA E O COMPARTILHAMENTO DE DADOS CIENTÍFICOS NA ERA DO PLÁSTICO

  • Data: 01/03/2024
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  • A poluição plástica se tornou uma ameaça global que, até o presente momento, mais de 1.400 espécies já ingeriram plástico pelo menos uma vez. De pequenos invertebrados a grandes mamíferos, diariamente, listas e listas de espécies que ingeriram plásticos são publicadas e amplamente divulgadas em diversos meios de comunicação, entre artigos científicos e sites especializados no tema. Contudo, essas listas não são atualizadas à medida que novas publicações são feitas. Além disso, essas publicações são geralmente inacessíveis pela linguagem técnica e paywalls das editoras tornando o acesso à informação restrito a um seleto grupo dificultando a disseminação de informação científica de qualidade. Desse modo, o primeiro capítulo desta tese trata sobre o compartilhamento de dados em ingestão de plástico, a plataforma intitulada GLOVE (Global Plastic Ingestion Initiative), disponível em https://gloveinitiative.shinyapps.io/Glove/, é uma database aberta que permite a visualização de dados através de dashboards interativos com foco em fornecer informações sobre a ingestão de plástico e apoiar ações a nível local e global para diferentes stakeholders, incluindo cientistas, pesquisadores, agentes governamentais e o setor privado. A plataforma permite o monitoramento de dados de ingestão de plástico por grupo biológico e espécies de acordo com uma gama de descritores (e.g., tipologia, cor e polímero). Com o desenvolvimento da plataforma foi possível fazer o levantamento de registros de ingestão de plástico por espécies brasileiras, incluído da costa amazônica. Desdobramentos a partir do GLOVE são apresentados no capítulo 02 desta tese que incluem dados inéditos para a região amazônica de ingestão de plástico para as aves estuarinas Garça-branca-grande (Ardea alba Linnaeus, 1758), este exclusivamente para a Amazônia, e Garça-branca-pequena (Egretta thula Molina, 1782). A extração das partículas de plásticos foi realizada através digestão do trato gastrointestinal dos indivíduos para recuperação de partículas maiores que 63 µm. As partículas foram caracterizadas quanto a densidade (partículas ind-1), frequência de ocorrência (FO%), tipologia (e.g., fragmentos e fibras), cor e tamanho das partículas. Dessa forma, o GLOVE e os resultados gerados nessa tese trazem novas abordagens e registros para a poluição plástica colaborando em prol das metas propostas na Agenda 2030, em especial ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14 - Vida na água.

2023
Descrição
  • FÁBIO ANDREW GOMES CUNHA
  • Ecologia trófica e vulnerabilidade de quelônios de água doce em diferentes sistemas fluviais da amazônia central.

  • Data: 23/10/2023
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  • A amazônia brasileira é considerada uma área prioritária para a conservação do grupo Testudines (tartarugas-marinhas, cágados e jabutis), principalmente pela grande diversidade taxonômica e alto endemismo. Porém, toda essa biodiversidade regional vem sendo fortemente ameaçada, em grande parte, por atividades antrópicas, resultando na alteração da paisagem natural, redução dos serviços ecossistêmicos, perda de hábitats, redução da biodiversidade e diminuição da diversidade funcional ocasionado por represamentos de rios para construção de hidrelétricas, grandes projetos de mineração, construção de estradas e hidrovias, queimadas, assoreamentos dos rios, poluição do leito por metais pesados, desmatamento, pecuária, exploração petrolífera e mudança climática. Há muito a conhecer quanto se trata dos impactos negativos dessas atividades nas comunidades de quelônios que habitam os rios, lagos, poças e igarapés amazônicos, porém, antes disso, torna-se necessário consolidar o conhecimento acerca da identificação precisa das espécies já descritas, descrever novos táxons e realizar estudos sobre a estrutura populacional dessas espécies. O presente estudo foi direcionado a dois grupos distintos altamente vulneráveis, neste caso – as tartarugas de rios (Podocnemididae) e as tartarugas de igarapés (Chelidae). Baseando-se na taxonomia dos Chelids, o estudo focou no grupo Mesoclemmys spp., uma vez que é um grupo altamente diverso e com inúmeros conflitos taxonômicos que perduram por décadas. Uma nova espécie de Mesoclemmys sp. nov. foi descrita para a região sudeste do estado do Pará, conhecida como Arco do Desmatamento, além disso, foi apresentada uma revisão e imagens de todos os Mesoclemmys brasileiros. Na seara da conservação e monitoramento populacional, o presente estudo apresentou um método alternativo para marcação individual de quelônios amazônicos, contribuindo assim para estudos populacionais e conservacionistas. Este estudo foi realizado com quatro espécies Podocnemididae na região oeste do estado do Pará, no baixo-amazonas. Para analisar o impacto direto em populações silvestres do médio rio negro, avaliou-se o nível de contaminação por metal pesado da espécie topo de cadeia (Chelidae: Chelus fimbriata). Essa espécie como modelo biológico foi utilizada para descrever e analisar os níveis de mercúrio total, bem como o posicionamento trófico da espécie através de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio em toda sua cadeia trófica. O estudo avaliou a ecologia trófica desses quelônios com base no comportamento alimentar, fluxo de energia e posição trófica. Sendo conservar o passo a posteriori a conhecer, o presente estudo é uma análise integrativa abordando taxonomia morfológica e molecular, método de monitoramento populacional e avaliação do impacto antrópico às populações silvestres de quelônios, contribuindo assim para amplificar o conhecimento sobre o taxa, grandemente ameaçado nos dias atuais e contribuir para a conservação das espécies brasileiras.

     

  • PAULO ARTHUR DE ABREU TRINDADE
  • Ecologia trófica da arraia de água doce, Potamotrygon leopoldi (Myliobatiformes, Potamotrygonidae) espécie endêmica do rio Xingu, uma abordagem integrada com análise de conteúdo estomacal, isótopos estáveis e insights sobre poluição por plástico.

  • Data: 13/09/2023
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  • Os ecossistemas aquáticos são fortemente impactados por vários estressores como eutrofização, pesca, introdução de espécies, assoreamento, construção de barragens, poluição etc. Entre os organismos aquáticos destacam-se as arraias de água doce que são importantes componentes da ictiofauna Neotropical e estão fortemente ameaçados por essas ações antrópicas, principalmente ao comércio de ornamentais, degradação de habitats, construção de barragens e agora poluição por plástico. O conhecimento sobre a ecologia alimentar das arraias ainda é limitado e isso é mais marcante no rio Xingu que se contrapõe a uma série de modificações ambientais. Além disso, a quantidade crescente de plástico lançado no meio ambiente, especialmente em ecossistemas de água doce, remete um cenário preocupante para a preservação e conservação da fauna aquática, principalmente para este grupo de peixe que está cada vez mais ameaçado. Objetivou-se estudar a ecologia trófica de Potamotrygon leopoldi no Trecho de Vazão Reduzida (TVR) do rio Xingu, onde avaliou-se possíveis alterações na alimentação entre os períodos hidrológicos (cheia e seca), vazão, sexo, tamanho e fase ontogenética. Adicionalmente, investigou-se a ocorrência de partículas plásticas no trato gastrointestinal de P. leopoldi. O estudo foi realizado no Médio Rio Xingu, particularmente, no TVR, localizado na área de influência da UHE Belo Monte. As arraias, capturadas por espinhel e tarrafa em campanhas trimestrais entre os anos de 2020 e 2022, foram medidas, pesadas, uma fração de músculo (~5g) foi retirado para análise isotópica e o trato gastrointestinal foi removido para análise de seu conteúdo. A importância de cada presa foi determinada através do índice de importância alimentar. Ordenações foram utilizadas para investigar os fatores e presas que influenciam na alimentação da espécie. Modelos mistos foram usados para calcular a teia alimentar, bem como o tamanho e a diversidade das dietas. Foram analisadas as assinaturas isotópicas de carbono (ẟ13C) e nitrogênio (ẟ15N) de cada indivíduo capturado, assim como das fontes basais e consumidores primários para identificar gradientes ambientais. Os plásticos identificados no trato gastrointestinal foram fotografados, medidos, classificados de acordo com a forma, cor e a composição polimérica. Ao total analisou-se 37 estômagos e registrou-se 7853 itens alimentares. A espécie P. leopoldi foi considerada como onívora e generalista, tendo como presas mais importantes: moluscos, crustáceos, peixes e insetos aquáticos. Quanto a teia alimentar, observou-se que densidade de presas modifica de acordo com a fase ontogenética da espécie. O tamanho e diversidade de presas apresentaram uma relação positiva significativa com o tamanho da arraia. Já a vazão apresentou relação negativa significativa com a diversidade de presas. A amplitude de nicho isotópico mostrou diferenças entre as fases ontogenéticas
    (juvenil e adulto). Os valores médios de ẟ13C e ẟ15N do músculo de P. leopoldi foram -27,7‰ (± 0,97‰) e 11,8‰ (± 1,24‰), respectivamente. O ẟ13C variou significativamente apenas para a vazão do rio. Já ẟ15N apresentou relação negativa com o tamanho. Registrou-se um total de 81 partículas plásticas, 66,6% dos tratos gastrointestinais continham plástico, o tipo de partícula dominante foi fibra (64,2%) de cor azul (33,3%) e o polímero mais frequente foi fibra de celulose artificial (59,7%). A espécie P. leopoldi explora grande diversidade de itens alimentares e a disponibilidade deles está diretamente associada aos períodos hidrológicos e/ou vazão do rio e a conservação de seu habitat. Este estudo revelou o primeiro registro de ingestão de plástico por elasmobrânquios de água doce no mundo. Todos os nossos resultados fornecem uma importante contribuição para elaborar medidas e ações que possam auxiliar na tomada de decisões quanto a conservação desta espécie, além de estimular o desenvolvimento de novas pesquisas com as arraias de água doce neotropicais.

  • MAURA DA SILVA COSTA FURTADO
  • MODELOS DE DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DAS PESCARIAS DE PEQUENA ESCALA DO BAIXO AMAZONAS

  • Data: 06/07/2023
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  • A pesca artesanal é uma atividade difundida ao redor do mundo. No Brasil, a pesca de pequena escala em águas continentais é uma atividade complexa e de importância socioeconômica. As crises econômicas do país tornam a atividade pesqueira, que é de baixo investimento, a primeira opção de renda, principalmente em locais mais afastados dos centros urbanos e com pouco desenvolvimento. No entanto, a elevação nas temperaturas globais e as alterações antropogênicas, como o desmatamento e a construção de hidrelétricas, ameaçam os regimes hidrológicos dos rios, comprometendo a conservação e a diversidade de peixes. Nesse estudo analisamos a variabilidade espaço-temporal da pesca artesanal da Amazônia a partir de um extenso banco de dados, sobre as capturas de 42 etnoespécies de peixes. O trabalho foi estruturado em três capítulos. No primeiro associou-se a captura total de peixes ao ciclo hidrológico, à tendência temporal do esforço e às principais artes de pesca (redes e linhas), em ambientes alagáveis e em canais de rios do Baixo Amazonas (1993 a 2011). Os maiores volumes de capturas foram com as redes de emalhe (98.65%) e nos ambientes de lagos (64.98%). A produção e o esforço apresentam tendência significativa decrescente na pesca com redes, tanto em ambientes alagáveis como nos rios. A influência do ciclo de inundações explica a variabilidade das capturas ao longo do ano. O pulso de inundação controla a lógica da produtividade pesqueira da região, que é aproveitada pelos pescadores. As alterações nesta dinâmica podem afetar a tradicionalidade pesqueira e a economia dos pescadores. No segundo capítulo, analisou-se os efeitos da variabilidade climática nas pescarias, utilizando um grupo de espécies de peixes capturados na região do Baixo Amazonas (1993 a 2005). A umidade, o calor latente e a temperatura da superfície do mar influenciaram a produtividade com redes e linhas. A CPUE das redes sofreu efeito negativo e imediato do El Niño, enquanto nas linhas o efeito foi positivo com defasagem de oito meses. Os resultados sugerem que os eventos climáticos modulam os resultados das pescarias, influenciando o ecossistema, o habitat e os nichos ecológicos e afetando assim o sucesso do recrutamento dos peixes à pesca. O terceiro capítulo analisou a dinâmica espaçotemporal dos maparás (Hypophthalmus spp.) e mandubés (Ageneiosus spp.) em lagos de várzea e rios amazônicos e as relações das capturas com variáveis pesqueiras e ambientais (1993 a 2004). A pesca dos maparás e mandubés é uma pescaria sazonal do período de águas altas, com pico de produção em março. Os volumes de produção se mantêm estáveis ao longo dos anos. Os locais de captura de maparás e mandubés sofreram alteração ao longo do tempo, isto é, locais que eram bem produtivos no início do período estudado tornaram-se menos produtivos ao final do período. O número de viagens aos locais de pesca e a distância dos pesqueiros aos portos de desembarques foram as variáveis que melhor definiram a variabilidade das capturas. Locais mais próximos dos municípios dos portos de desembarque resultaram menos produtivos em todo o período. Esses resultados são relevantes para entender a dinâmica da pesca e subsidiar medidas eficazes de manejo e conservação.

  • LAYSE RODRIGUES DO ROZARIO TEIXEIRA LINS
  • IMPACTO DA EXPOSIÇÃO AGUDA A MFPET EM OSTRAS Crassostrea gasar (Adanson, 1757): ANÁLISE DA ACUMULAÇÃO E DEPURAÇÃO DAS MICROFIBRAS ATRAVÉS DE BIOMARCADORES

  • Data: 30/06/2023
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  • O objetivo desta pesquisa consistiu em investigar os potenciais efeitos do Polietileno Tereftalato (MFPET)
    na espécie nativa de ostra, Crassostrea gasar, bem como avaliar a possibilidade de contaminação por
    microplásticos de MFPET na cadeia alimentar humana.  Para esse propósito, investigou-se a presença de
    MF PET em forma de microfibras, avaliando experimentalmente os possíveis efeitos biológicos dessas
    microfibras na saúde desses animais, após exposição a uma concentração de 0,5 mg/L de MFPET por 24
    horas, seguido de um período de depuração de 48 horas em água limpa. Foram analisados aspectos como a
    ocorrência de MF PET nas brânquias e glândulas digestivas, a análise das atividades de enzimas antioxidantes,
    como como glutationa peroxidase (GPx), glutationa-S-transferase (GST) e catalase (CAT) e cortes
    histológicos para verificar a presença de MFPET. Adicionalmente, foi realizada uma etapa de depuração para
    aprofundar a compreensão dos mecanismos de eliminação de MFPET, bem como investigar a ação das
    enzimas oxidantes analisadas. De acordo com os resultados obtidos, verificou-se a presença de MFPET nas
    brânquias e glândulas digestivas das ostras. Notavelmente, constatou-se um maior acúmulo nas glândulas
    digestivas em comparação às brânquias. Além disso, a técnica de depuração empregada demonstrou eficácia
    na eliminação das MFPET das ostras. No entanto, as análises das atividades das enzimas antioxidantes não
    demonstraram diferenças significativas nas glândulas digestivas. Através das análises histológicas, foi
    constatado a presença de MFPET na região do estômago das ostras, sugerindo uma possível relação com
    prevalência de células marrons nessa área. Este estudo é de suma importância para compreender os efeitos
    dos microplásticos em organismos aquáticos. No entanto, é crucial ressaltar que ainda existem muitos
    aspectos a serem investigados a fim de compreender completamente os impactos desses poluentes no meio
    ambiente e na saúde humana. Além disso, é importante ressaltar que os dados indicam que o possível
    impacto que os consumidores poderiam enfrentar ao consumir esses moluscos, em termos de potenciais
    riscos associados às microfibras plásticas, é insignificante quando comparado a outras vias de exposição.

  • BIANCA LIMA PAIVA
  • Uso do gene mitocondrial 16S rDNA na identificação molecular de espécies de lulas (Mollusca: Cephalopoda) comercializadas em feiras e mercados na América Latina.

  • Data: 27/06/2023
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  • Os cefalópodes são amplamente comercializados, principalmente as lulas onde as principais espécies exploradas são membros da família Loliginidae e Ommastrephidae, no entanto durante as várias formas de comercialização, ocorrem o processamento do animal, que inclui a retirada e a separação da cabeça do indivíduo, braços ou mesmo são cortados em anéis, o que acaba dificultando a identificação morfológica e facilitando substituições intencionais ou não intencionais, sendo necessário procedimentos mais eficientes para uma correta identificação. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo demonstrar a eficácia do fragmento do 16S rDNA para identificar geneticamente as espécies de lulas comercializadas em mercados e feiras da América Latina. Foram coletadas amostras de supermercado e diretamente de pescadores em feiras. Cada sequência gerada foi submetida ao site Genbank para comparação molecular e incluídas no banco de dados para posterior identificação genética, principalmente as amostras que estavam sendo vendidas processadas. Foram gerados um total de 552pb do fragmento mitocondrial 16S rDNA de 181 lulas. A comparação das sequências por meio do Blastn revelou a presença de oito espécies que são amplamente comercializadas na região Latino Americana. Todas as sequências avaliadas no presente estudo, quando comparadas aos dados do Genbank, obtiveram uma identificação a nível de espécie com similaridade >98%. As sequências identificadas no Blastn foram recuperadas em clados altamente suportados, separando duas famílias, sendo elas Loliginidae e Ommastrephidae, com cinco e três espécies identificadas, respectivamente. Nossos resultados indicam erro de rotulagem em algumas amostradas do estado do Pará que continham a espécie Dosidicus gigas d’ Orbigny, 1823 encontradas somente no Oceano Pacífico, que estavam rotuladas genericamente como “Lula Nacional”. As sequências que foram identificadas como Urouteuthis duvaucelii d’ Orbigny, 1835 demonstraram indícios de forte estruturação de agrupamento diferentes com sequências advindas do Genbank. Dessa forma, os nossos resultados demonstram a eficácia do fragmento 16S rDNA para a identificação de espécies e avaliação de erros de rotulagem, tais práticas de substituição e fraudes comerciais se tornaram uma problemática tanto na perspectiva econômica como ambiental, que poderiam ser sessados no Brasil com leis mais rigorosas no qual se exijam o nome comum e científico das espécies, assim como mecanismos eficientes de identificação, afim de se permitir uma negociação honesta com o consumidor.

  • VIVIANE CRISTINA DA COSTA SANTOS
  • UTILIZAÇÃO DA MALHA QUADRADA PARA A REDUÇÃO DA CAPTURA ACIDENTAL DE CRUSTÁCEOS DECÁPODES NA COSTA NORTE DO BRASIL

  • Data: 31/05/2023
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  • As atividades pesqueiras camaroeiras na Costa Norte brasileira utilizam redes de arrasto-defundo
    com baixa seletividade, pois apreendem uma enorme quantidade de espécies não-alvo,
    também conhecidas como fauna acompanhante (bycatch), configurando um dos problemas
    ambientais que demandam solução urgente. As modificações das redes tradicionais tem sido a
    opção mais utilizada para melhorar a seletividade das pescarias e diminuir o bycatch. Os
    dispositivos de redução de fauna acompanhante, Bycatch Reduction Device (BRD), são
    modificações tecnológicas instaladas nas redes-de-arrasto com o intuito de minimizar a
    mortalidade das espécies não-alvo, permitindo o escape de alguns grupos. Na zona costeira
    amazônica não há informações acerca da utilização desse dispositivo para reduzir a captura de
    crustáceos da Ordem Decapoda, que compõe o segundo maior grupo da fauna acompanhante
    dessa modalidade de pesca, e que não possuem medidas protetivas de conservação na legislação
    brasileira, exceto pelo período de defeso do camarão-rosa Penaeus subtilis, espécie-alvo dessa
    pescaria. Dessa forma, o presente trabalho investiga a eficiência do BRD (malha quadrada) para
    mitigar os efeitos na captura acidental de crustáceos decápodes. O estudo ocorreu na Plataforma
    Continental Amazônica (PCA), acompanhando o deslocamento da frota pesqueira para captura
    da espécie-alvo. No local foram realizados 34 arrastos em diferentes latitudes ao longo da PCA,
    totalizando 1480 indivíduos (1069 na rede controle e 411 na rede BRD), incluindo 12 famílias,
    33 espécies e um grupo de camarões penaeídeos não identificados. Cinco espécies foram muito
    abundantes (Frequência de ocorrência - FR: >5,1%) e seis espécies abundantes (FR: 1| - 5%),
    sendo as demais consideradas raras devido à baixa frequência de ocorrência (< 1%). O BRD
    não interferiu na captura da espécie-alvo, no entanto, o painel de malha quadrada não foi
    eficiente para excluir todas as espécies de decápodes. Em função da exclusão de espécies como
    Anasimus latus e Persephona punctata, constatamos que o dispositivo de redução de fauna foi
    eficiente apenas para espécies de menor tamanho. Dessa forma, sugerimos a utilização de outros
    dispositivos para minimizar as capturas acessórias, além de outras medidas de manejo para
    conter os impactos causados por essa pescaria, principalmente por ocorrer nas proximidades
    dos recifes de corais mesofóticos da Amazônia.

  • VALERIA MARTINS DE ANDRADE
  • BIOGEOGRAFIA DE BAIACUS NEOTROPICAIS DO GÊNERO Colomesus Gill, 1884 REVELA A AÇÃO DO MIOCENO NA VICARIANCIA E ESPECIAÇÕES CRÍPTICAS.

  • Data: 31/05/2023
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  • A ordem Tetraodontiforme está distribuída em mares e águas doces de clima tropical e temperado. Possuem notável diversidade em forma, tamanho e estilo de vida. Esta ordem abriga peixes popularmente conhecidos como “baiacus” pertencentes as famílias, Diodontidae e Tetraodontidae. O gênero Colomesus está presente em parte da América do Sul, sendo atualmente constituído por apenas três espécies válidas (C. asellus. C. tocantinensis e C. psittacus), sendo as duas primeiras de ambiente dulcícola, e a última associada a ambientes com influência de salinidade do mar, como estuários. As espécies estão associadas a ambientes aquáticos e são consideradas como um indicativo de qualidade ambiental. Devido ao fato de sua ampla distribuição e estilo de vida, várias hipóteses sobre possíveis especiações dentro do gênero foram levantadas nos últimos anos, levando a descrição de C. tocantinensis limitada a uma região do Rio Tocantins, necessitando de inferências em regiões e drenagens mais distantes. O objetivo do presente estudo é, inferir o padrão biogeográfico das espécies do gênero Colomesus na América do Sul, investigando uma possível influência de eventos biogeográficos como o Mioceno e o Pleistoceno em moldar a distribuição atual das espécies, focando em Colomesus asellus, espécie com maior área de distribuição do gênero, além de verificar a presença de linhagens genéticas distintas. Foram utilizados indivíduos provenientes de várias drenagens da região Neotropical, tanto do Brasil, quanto Peru e Guiana. Foram implementadas no banco de dados, sequencias de dois genes mitocondriais (COI e ATPase 6/8) além do gene nuclear (Rodopsina) que foram amplificados para os espécimes do presente estudo, bem como sequencias adicionais presentes no portal Genebank, sendo possível realizar inferências filogenéticas e análises de tempo de divergência e origem de área ancestral.  Os resultados do presente estudo indicam que o gênero Colomesus abriga uma alta diversidade críptica, onde todas as espécies validas atuais, possuem ao menos um grupo críptico. Nosso resultados indicam que o gênero divergiu do ancestral marinho a ~16 milhoes de anos na região atual do Rio Orinoco, com dispersões posteriores a outras bacias neotropicais. Adicionalmente sequencias provenientes da localidade tipo de C. asellus indicam que esta espécies não está presente no Brasil, sendo restrita a porção norte da Guiana. As incursões marinhas do Mioceno, bem como as flutuações e glaciações durante o Pleistoceno/Plioceno, moldaram a distribuição das linhagens atuais do gênero na região neotropical.

  • FELIPE MOREIRA DE SOUZA
  • Meros  [Epinephelus itajara (Lichtenstein, 1822)] da Amazônia: pesca sustentabilidade e futuro

  • Data: 31/05/2023
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  • Em 2002 o governo brasileiro instituiu a moratória da atividade de pesca de meros - Epinephelus itajara (Lichtenstein, 1822) - por cinco anos consecutivos, sendo essa a primeira espécie a ter uma portaria específica no Brasil.  A respectiva portaria foi renovada, dado que os estoques da espécie não apresentaram sinais de recuperação. Atualmente a atividade de pesca de meros continua proibida até 2023 por meio da portaria nº 13/2015. Desde a implementação da moratória, estima-se uma redução de aproximadamente 70% das capturas de E. itajara na costa brasileira. Este dado, no entanto, possivelmente não reflete uma redução real nas capturas, uma vez que muitas delas podem não ter sido reportadas, mesmo antes da moratória. Esta pesquisa teve por objetivo contribuir na identificação de peculiaridades que envolvem a atividade ilegal da pesca do mero no litoral Amazônico, assim como a identificação de comportamentos positivos ou negativos relacionados, sugerindo perfis de sustentabilidade dos pescadores, de forma a relacioná-los aos problemas de gestão e manejo que envolvem a captura do mero na costa paraense. O trabalho buscou compreender as motivações pelas quais a captura clandestina ainda acontece, dentro de uma perspectiva social e econômica envolvendo os pescadores artesanais da costa paraense. O trabalho fez uso de questionários na sua metodologia, sendo marcada por abordagem quali-quantitativa para a descrição de um cenário da pesca na região estudada, identificando problemas envolvendo a pesca ilegal e formas mais construtivas de elaborar um manejo mais eficiente da espécie. Posteriormente através dos testes estatísticos de PSA e Cluster foi possível identificar atributos comportamentais positivos e negativos relacionados à prática junto aos pescadores dos municípios de Bragança e Augusto Correa, PA. Os resultados apontaram para perfis moderados e negativos de sustentabilidade frente à moratória e a captura ilegal da espécie, apontando para a inefetividade desse sistema de manejo proposto nos últimos 20 anos. Na tentativa de construir um cenário possível e eficiente diante das políticas de proibição envolvendo a captura da espécie, propõe-se a integração de medidas mais holísticas e intervenções que busquem no pescador e na cooperatividade deles medidas mais justa e positivas do controle da pesca.

  • HANA CAROLINA SALEIRA PINTO
  • DINÂMICA SAZONAL DA ECOLOGIA REPRODUTIVA DE Triportheus albus (CHARACIFORMES: TRIPOTHEIDAE) EM UM TRECHO DE VAZÃO REDUZIDA RESULTANTE DA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA UHE NO MÉDIO RIO XINGU

  • Data: 31/05/2023
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  • Os peixes de águas continentais representam metade das espécies de peixes conhecidas no mundo e apresentam inúmeras estratégias e táticas ecológicas que que estão diretamente relacionadas as variações das condições ambientais, o pulso de inundação tem se mostrado a principal variação ambiental natural preditora das táticas e estratégias ecológicas dos peixes. Contudo, alterações antrópicas estão afetando diretamente ecossistemas aquáticos, com destaque para a implantação de empreendimentos hidrelétrico. Assim sendo, o objetivo do estudo é avaliar o efeito do pulso de inundação na ecologia reprodutiva da espécie Triportheus albus Cope, 1872, em trecho de vazão reduzida (TVR) do Rio Xingu resultante da implementação da UHE Belo Monte, Pará, Brasil. Os espécimes foram coletados mensalmente entre dezembro/2020 e novembro/2021, utilizando malhadeiras. Após a coleta, os indivíduos foram mensurados quanto ao comprimento padrão, massa total e eviscerados para remoção das gônadas, avaliação visual da gônada dos espécimes, foram baseados em características macroscópicas como tamanho e coloração. A avaliação da ecologia reprodutiva de T. albus foi avaliado através da proporção sexual, onde houve diferença significativa somente no mês de junho com 1,7 machos para cada fêmea, tamanho médio de primeira maturação sexual (L50), para machos de 10 cm, enquanto para fêmeas foi de 9,7 cm. O índice gonadossomático (IGS%), para machos a maior atividade em janeiro e março, com um declínio em abril e maio, as fêmeas em dezembro e aumento na atividade em julho e setembro. A frequência dos estágios de maturação gonadal evidenciaram, para machos, os maduros em dezembro e janeiro e os espermiados em fevereiro e março, as fêmeas os maduros em outubro, novembro e dezembro e desovado em janeiro. A relação massa- comprimento, os machos e as fêmeas apresentaram crescimento alométrico positivo (b = 3,12) representado pelo modelo (R2 = 0,93). Para testar a influência da variação da vazão na atividade reprodutiva foi aplicado os modelos lineares generalizados (GLM). A vazão utilizada foi a média dos 5 dias que antecederam a coleta de cada indivíduo, porém, não houve diferença nos modelos apresentados. A espécie T. albus não demostrou ser afetada diretamente com as mudanças repentinas da vazão do rio ao longo do estudo.

  • KERLY CRISTINA MELO PEREIRA
  • Sistemática integrativa revela a presença de uma nova linhagem críptica dentro do complexo de espécies da arraia ocelada Potamotrygon motoro (Müller & Henle, 1841) (Myliobatiformes: Potamotrygonidae) na região da baixada maranhense, nordeste do Brasil

  • Data: 31/05/2023
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  • A subfamília Potamotrygoninae (Chondrichthyes: Elasmobranchii) é o único clado existente de elasmobrânquios exclusivos de ambientes de água doce, abrange quatro gêneros e 38 espécies que habitam a maior parte das grandes bacias hidrográficas da América do Sul e apresentam características morfológicas e fisiológicas que estão relacionadas com a sua história evolutiva em ambientes dulcícolas. A arraia-de-fogo Potamotrygon motoro é a espécie mais amplamente distribuída do gênero e ocorre nas bacias hidrográficas dos rios Amazonas, Paraná-Paraguai, Orinoco, Parnaíba e Pindaré-Mearim, incluindo nessa última bacia os Lagos de Viana. O presente estudo tem por objetivo utilizar uma abordagem de sistemática integrativa, caracterizar a linhagem arraia de água doce Potamotrygon cf. motoro na bacia dos rios Pindaré-Mearim. Os resultados do presente estudo demonstram que a linhagem de P. motoro que está presente na região dos Lagos de Viana é geneticamente distante de sequências de indivíduos da localidade tipo (Rio Paraguai) bem como, forma um clado distinto em relação às sequências genéticas de espécimes inferidas até o momento. É demonstrada a formação de complexos crípticos dentro de algumas linhagens do gênero Potamotrygon, especialmente as espécies que possuem ampla distribuição como P. orbignyi e P. motoro, sugerindo a presença de cinco e quatro linhagens crípticas dentro de cada uma destas espécies, respectivamente. Morfologicamente as arraias dos Lagos de Viana diferem de P. motoro no número de dentes, muito maior nas arcadas superior e inferior 37-56/32-69 (n = 15) para fêmeas e 32-46/34-52 (n = 9) para machos, e com dentes proporcionalmente menores, estrutura mais delgada e reta da cartilagem palatoquadrado e na morfologia dos dentículos dérmicos em forma de estrela com seis carenas coronais lisas contínuas, dispostas de forma desigual ao redor da coronal pontiaguda, e predominantemente simples.

  • MARIA LETICIA MARQUES MORAES
  • Efeitos bioquímicos e moleculares de nanopartículas de dióxido de titânio utilizando o peixe amazônico Hyphessobrycon heterorhabdus como modelo.

  • Data: 30/05/2023
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  • As nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2 NP) podem ser liberadas através de processos biogeoquímicos ou mecânicos, sem ligação direta ou indireta com alguma atividade humana. Na região amazônica ocorre a presença natural de Ti, pelo fato deste elemento ser um dos constituintes majoritários na formação geológica local, o que favorece a presença de TiO2 NP de origem natural. Somada a essa carga ambiental potencial de TiO2 NP temos o seu uso crescente na indústria farmacêutica e de dermocosméticos. Sendo assim, esses fatores influenciam claramente no acúmulo e transporte de TiO2 NP presentes nos corpos d’água da região, aumentando sua concentração e exposição de organismos aquáticos residentes. Com isso, o objetivo do presente estudo é avaliar respostas bioquímicas e moleculares de uma espécie de peixe nativa exposta às nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2 NP) em concentrações ambientalmente realistas para o estuário amazônico. Para isso, foram realizadas abordagens experimentais in vivo e in vitro utilizando a espécie amazônica H. heterorhabdus. Para o teste in vitro, foram utilizadas células da linhagem HHE derivada de nadadeira caudal de H. heterorhabdus semeadas em placa de 96 poços, separada em quatro tratamentos experimentais: controle, 0,2 mg/L, 0,6 mg/L e 1 mg/L de TiO2 NP. A viabilidade celular foi avaliada em 24, 48 e 72h. A expressão de genes relacionados com as defesas antioxidantes (nrf2, gst, gsr e gclc) e sequestro de metais (mtf1 e mt) foram avaliados para cada concentração em 6 e 12h de exposição. Para o teste in vivo, 80 peixes foram distribuídos nos tratamentos experimentais já citados. Cada tratamento continha cinco réplicas. O experimento teve duração de 96 horas. Foram analisadas a Capacidade antioxidante total (ACAP), concentração de glutationa reduzida (GSH), atividade das enzimas glutationa S-transferase (GST), glutamato cisteína-ligase (GCL), glutationa redutase (GR), atividade da catalase (CAT) e lipoperoxidação (LPO). Para o teste in vitro, verificamos que nenhuma das concentrações testadas interferiu na viabilidade celular que permaneceu próxima a 100% em todos os tratamentos ao longo das 72h de exposição. A expressão gênica tanto dos genes relacionados com a defesa antioxidante quanto com o sequestro de metais também não apresentou diferenças significativas nem entre os tratamentos nem nos diferentes tempos de exposição (6 e 12h), embora algumas tendências tenham sido verificadas. O mesmo padrão de ausência de diferenças significativas entre tratamentos foi verificado no estudo in vivo. As atividades da GST, GR, CAT, GCL, a concentração de GSH e a capacidade antioxidante total, não apresentaram diferença significativa entre grupos experimentais dentro das 96h de exposição ao TiO2 NP. Da mesma forma, não foram registradas diferenças no conteúdo de lipídeos peroxidados ao longo das concentrações testadas. De forma geral, foi verificado que as concentrações ambientalmente realistas testadas neste estudo não afetaram a expressão e as atividades das enzimas antioxidantes, tão pouco ocasionaram incremento nos danos oxidativos a lipídios ou alteração nas concentrações de GSH em H. heterorhabdus no estudo in vivo Tais resultados podem sugerir uma adaptação à essas concentrações, pois se trata de um peixe nativo da região amazônica, que naturalmente tem o potencial de ser exposto a concentrações de Ti nos níveis testados. No entanto, novos testes empregando outros tipos celulares para o estudo in vitro, a análise órgão específica nos estudos in vivo, bem como maiores tempos de exposição em ambas as abordagens são recomendados para a verificação do nível de tolerância da espécie nativa ao dióxido de titânio

  • RUY RODRIGUES SANTIAGO NETO
  • ANTROPOGÊNICO X NATURAL: ESTUDO DE BASELINE DE METAIS EM UMA REGIÃO AMAZÔNICA

  • Data: 30/05/2023
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  • Barcarena é um grande polo de beneficiamento mineral na Amazônia. As atividades mineradoras na região, o beneficiamento e refino, podem mobilizar metais nos ambientes adjacentes, principalmente para os corpos d’água. Uma vez liberados no ambiente, esses metais sofrem processos químicos que podem causar acumulação tanto em componentes bióticos como abióticos. Fatores naturais como sazonalidade, hidrodinâmica e geologia também afetam a mobilidade e as concentrações de metais no ambiente. Nesse sentido, é necessário investigar, na região de Barcarena, se as concentrações de metais estão mais relacionadas com fatores naturais, antrópicos ou ambos, com influência heterogênea no espaço. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho é quantificar as concentrações de metais em água e sedimento de uma região no estuário do Rio Pará próximo a Barcarena para gerar baselines ambientais compatíveis com a realidade regional. Para tanto, água e sedimento foram coletados em nove pontos ao longo das margens do Estuário do Rio Pará, em diferentes períodos sazonais (transição estiagem-chuvoso, chuvoso, transição chuvoso-estiagem e estiagem). Em cada ponto foram coletadas 3 réplicas durante a enchente e vazante para as análises dos metais/metaloide (Al, Ba, Mn, Cr, Ni, Pb, As, Cd, Fe e Hg) em água (fração total e dissolvida) e em sedimentos superficiais. Os metais foram analisados por Espectrometria de Absorção Atômica com atomização em Chama, Forno de Grafite, Vapor Frio de Mercúrio e Geração de Hidretos. As concentrações dos elementos foram calculadas em μg/L (ppb) para água e mg/kg (ppm) para sedimento. Os resultados encontrados demonstram similaridades entre as concentrações de metais ao longo de pontos com níveis de antropização distintas, além disso houve um incremento na concentração de todos os metais no sedimento durante o período chuvoso o que já era esperado devido a forte pluviosidade amazônica sendo os metais mais abundantes encontrados, constituintes da estrutura geológica da região. Em adição, a quantificação de metais na região do Estuário do Rio Pará pode gerar subsídios teóricos para a geração de valores limites compatíveis com a realidade local. Como consequência, tais resultados também podem contribuir com a legislação local, auxiliando no gerenciamento ambiental da região.

  • LAYSE RODRIGUES DO ROZARIO TEIXEIRA LINS
  • EXPOSIÇÃO AGUDA A MICROFIBRAS DE POLIETILENO TEREFTALATO (MFPET) EM OSTRAS Crassostrea gasar: ABORDAGEM COM BIOMARCADORES

  • Data: 26/05/2023
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  • Este estudo teve como objetivo investigar a presença de microfibras de Polietileno Tereftalato (MFPET) em ostras da espécie Crassostrea gasar, bem como avaliar os possíveis efeitos dessas partículas na saúde desses animais de forma experimental. O experimento foi de 24h de exposição, a quantidade de MFPET utilizada foi de 0,5 mg/L, os animais não foram alimentados durante a exposição. Os grupos de depuração foram mantidos por mais 48 horas com a renovação de água duas vezes ao dia. Foram analisados aspectos como a ocorrência de (MFPET) nas brânquias e glândulas digestivas, peroxidação lipídica como indicador de dano celular, atividades de enzimas antioxidantes, como glutationa peroxidase (GPx), glutationa-S-transferase (GST) e catalase (CAT), e cortes histológicos para verificar a presença de (MFPET). Além disso, foi utilizado o método de depuração para entender melhor os mecanismos de eliminação de (MFPET) e a ação antioxidante das enzimas estudadas. Os resultados indicam que as ostras submetidas a diferentes tratamentos experimentais apresentaram microfibras plásticas nas brânquias e glândulas digestivas. A técnica de depuração foi eficaz na eliminação das (MFPET) da ostra. Observou-se que a concentração média de (MFPET) na glândula digestiva foi maior do que nas brânquias em todos os tratamentos testados. Após um período de depuração de 48 horas, MFPET foi removido das ostras. No entanto, as análises de peroxidação lipídica e atividades enzimáticas não foram significativas nas glândulas digestivas. Foi observada a presença de (MFPET) na região do estômago de duas ostras através de cortes histológicos, o que sugere uma possível relação com a prevalência de células marrons nesta região. Este estudo é importante para entender os efeitos

  • VICTORIA MARENA DO REGO HENRIQUES
  • Fecundidade do camarão exótico-invasor Macrobrachium rosenbergii (DE MAN, 1879) no estuário amazônico.

  • Data: 25/04/2023
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  • Os aspectos reprodutivos relacionados a uma espécie são um importante indicativo do sucesso
    reprodutivo e adaptação ao ambiente. A fecundidade é considerada ainda importante quando se objetiva avaliar
    um possível processo de colonização por uma espécie em novos habitats. O camarão Macrobrachium
    rosenbergii, nativo da região Indo-Pacífica foi introduzido para o cultivo em diversos países de região tropical e
    subtropical devido ao seu potencial zootécnico, alta rusticidade e grande porte. Existem diversos estudos
    relacionados aos aspectos reprodutivos do camarão-da-Malásia. Uma importante lacuna quanto as informações
    dessa espécie invasora da costa brasileira se referem a ausência de dados da fecundidade dessa espécie no
    estuário amazônico, apesar dessa espécie ser relevante fonte de subsistência para muitas famílias amazônidas.
    Dessa forma, para monitorar essa espécie invasora que pode representar uma ameaça para espécies nativas, o
    presente trabalho objetiva estimar a fecundidade desse camarão exótico-invasor no estuário amazônico. A área
    de estudo está inserida em um estuário oligohalino amazônico, onde os camarões foram coletados com tarrafa,
    petrecho de pesca confeccionado artesanalmente pelos pescadores locais, de abril de 2019 a março de 2021. Em
    laboratório, os camarões foram aferidos quanto ao comprimento total, da carapaça e a massa corporal. A
    fecundidade foi calculada com base no número de ovos exteriorizados por fêmea. Os ovos foram contabilizados
    e medidos para cálculo de volume. Três estágios de desenvolvimento ovocitário foram avaliados: inicial, em
    desenvolvimento e avançado. No entanto, somente os ovos em estágios iniciais de desenvolvimento foram
    considerados para a estimativa de volume, tendo em vista que não possuem morfologia alterada. A fecundidade
    foi comparada em relação ao tamanho e massa corporal das fêmeas. Das 60 fêmeas analisadas, 44 apresentaram ovos em estágio inicial, 9 em e desenvolvimento e 7 em estágio final. A fecundidade média foi de 49.553 ± 36.806 para ovos em estágio inicial, 89.099,44 ± 34.495,98 para ovos em desenvolvimento e 40.443 ± 23.189 em estágio final. Observou-se correlação linear tanto para a fecundidade em relação ao tamanho das fêmeas (r 2 : 0,432) quanto para a massa corporal (r 2 : 0,556). Os valores relacionados a fecundidade do camarão Macrobrachium rosenbergii no estuário amazônico são semelhantes aos valores encontrados no ambiente onde a espécie ocorre naturalmente, além de apresentar alta frequência de fêmeas ovígera, tendo em vista que são coletadas em todos os meses analisados o que sugere reprodução contínua e o estabelecimento de uma população de M. rosenbergii no estuário estudado.

  • DIEGO GOMES TRINDADE
  • Análise da variabilidade climática marinha sobre a abundância relativa de Lutjanus purpureus (POEY, 1866) na Plataforma Continental Amazônica.

  • Data: 31/03/2023
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  • O objetivo deste trabalho foi estudar a relação da produção pesqueira do pargo com a variabilidade ambiental (meteoceanográfica, hidrológica e climática) em três áreas da Plataforma Continental Amazônica. Para isso foram utilizados dados mensais de desembarque e esforço obtidos através do banco de dados do ESTATPESCA (ICMBIO/CEPNOR) no período de 1997 a 2007. Os dados oceanográficos foram derivados da reanálise GLORYS (COPERNICUS). As séries temporais de Descarga média do Rio Amazonas e Pluviosidade média foram extraídas da plataforma Hidroweb v3.2.6 da Agência Nacional de Águas (ANA) e os índices climáticos foram obtidos por meio do banco de dados NCEP/NCAR Reanalysis Project e Reanalysis 2 (NOAA). Os dados ambientais foram testados quanto a significância e submetidos aos testes estatísticos: Modelo Aditivo Generalizado (GAM) para modelar o efeito parcial das variáveis sobre a CPUE e posteriormente à uma análise de Espectro cruzado de ondeletas (Crosswavelet) para identificar possíveis correlações na frequência, espaço e tempo. Os resultados descritivos indicaram que pesca do pargo teve uma maior produção em média no terceiro trimestre do ano (H=197,4; p<0,01), em contrapartida, a menor produção ocorre no primeiro trimestre. O modelo aditivo generalizado elaborado, explicou uma variação de 85,7% (R² = 0,746) para o Setor Sul, 75,4% (R² = 0,619) para o Setor Central e 81,4% (R² = 0,703) para o Setor Norte. Dentre as variáveis que mais contribuíram para o efeito parcial do modelo destacam-se: CHL e SSH no Setor Sul, ARD no Setor Central e SST, SSS, e CLH no Setor Norte. Em relação aos índices climáticos, ONI, NIN34, TNA, GITA e AMM, também influenciaram parcialmente no modelo escolhido. A análise espectral indicou um sinal anual de alta frequência entre a CPUE e as variáveis meteoceanográficas e hidrológicas ocorrendo de 1998 a 2004. Um sinal mais fraco também foi observado na escala de 4 anos para ARD (fase inversa), SST (fase direta), SSH (fase inversa) e CHL (fase de impulso). 

  • DOUGLAS DOS SANTOS MARCELINO
  • Avaliação genética e bioquímica em Geophagus surinamensis (Teleostei: Cichlidae) de uma área da Amazônia historicamente impactada pela atividade mineradora

  • Data: 28/03/2023
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  • Os ecossistemas aquáticos amazônicos enfrentam graves problemas de degradação devido a ações antrópicas como a mineração. Esse tipo de atividade na região do município de Barcarena, tem envolvimento com derramamentos acidentais de rejeitos em rios, como o de caulim, que contém altas concentrações de metais capazes de afetar os organismos aquáticos. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar possíveis alterações genéticas e bioquímicas ocasionadas por metais no peixe Geophagus surinamensis do entorno da região de Barcarena (Barcarena e Abaetetuba). Para isso, foram avaliados os níveis da expressão de genes envolvidos com metilação do DNA (DNMTs e TETs), a atividade enzimática da Glutationa S-transferase (GST) e níveis de peroxidação lipídica (LPO). Os resultados foram comparados com os da região de Breves, área distante, e que historicamente seria menos impactada por metais. Em oposição ao esperado, Breves mostrou maior concentração de manganês comparado com a região de Barcarena. As brânquias demonstraram ter defesa antioxidante suscetível ao estresse oxidativo, mas resistentes a sofrer alterações na expressão gênica. Fígado e músculo, opostamente, demonstraram uma defesa antioxidante eficiente, mas suscetíveis a sofrer alterações na expressão gênica. As principais alterações ocorreram coincidentemente na região com maior incidência de manganês, município de Breves. Assim, as alterações podem estar relacionadas com a presença deste metal no ambiente aquático, porém sem relação com as regiões de abrangência da mineração. É possível ainda que Breves esteja sendo impactada por outros tipos de atividades. Os resultados reforçam a necessidade de monitorar a qualidade da água em áreas expostas à contaminação e a implementação de medidas preventivas para minimizar os impactos da exposição dos metais em organismos aquáticos.

     

  • GABRIEL SOARES SANTOS
  • Fecundidade do caranguejo ermitão Clibanarius symmetricus em um afloramento rochoso da costa amazônica.

  • Data: 27/02/2023
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  • Espécies de ermitões Clibanarius são comuns em águas rasas e no entremarés de praias
    arenosas tropicais e temperadas. Para os crustáceos a fecundidade é um parâmetro importante pois se
    refere a capacidade reprodutiva das populações e é um fator de resposta das adaptações reprodutivas
    às condições ambientais. O presente trabalho pretende estudar a fecundidade de uma população de
    Clibanarius symmetricus na costa tropical do Brasil. Além de estimada a fecundidade, ou seja, número
    médio de ovos produzidos pelas fêmeas, será determinado o volume dos ovos ao longo de diferentes
    estágios embrionários. Serão analisadas as relações do número e volume dos ovos com fatores
    morfológicos das fêmeas e com medidas das aberturas de conchas ocupadas, bem como parâmetros
    ambientais (temperatura e salinidade). Os exemplares foram coletados mensalmente (outubro 2015 –
    setembro 2016), no período de maré baixa de sizígia, num terraço baixo de substrato rochoso no médio
    litoral da praia do Farol Velho na costa amazônica do estado do Pará ao norte do Brasil. Em uma faixa
    de 30 m x 30 m, foram determinados três transectos perpendicular à linha d’água, ao longo dos quais
    foram retiradas amostras em cinco níveis separados entre si em 6 metros. Em cada nível, os ermitões
    foram coletados em quadrantes (0,25 m²). Os indivíduos foram identificados quanto ao sexo e medidos
    o tamanho tanto dos indivíduos quanto das dimensões da concha ocupada. As fêmeas ovígeras
    tiveram seus ovos removidos dos pleópodos, contabilizados e classificados de acordo com três
    estágios de desenvolvimento (I. inicial, II. intermediário e III. final). No total, foram coletadas 98 fêmeas
    ovígeras, as quais em sua maioria (78 fêmeas) apresentaram ovos no estágio Inicial. Para demais, 17
    fêmeas apresentaram ovos nos estágios II e 3 fêmeas apresentaram ovos no estágio III, o período seco
    demonstrou maiores fecundidades que o período chuvoso. A regressão exponencial entre tamanho das
    fêmeas e quantidade de ovos demonstrou ser positiva e significativa (r² = 0.5446), outra relação mais
    fraca, porém significativa foi observado para o comprimento da concha (r²= 0.2008).

  • NIEDJA LUANA DA COSTA MESCOUTO
  • INDICADORES DE DESEMPENHO DA PESCA DO PARGO NA PLATAFORMA AMAZÔNICA BRASILEIRA: é o início do fim de um sistema de pesca?

  • Data: 24/02/2023
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  • A pesca do pargo (Lutjanus purpureus) se configura como importante atividade pesqueira para a
    economia do Brasil devido a sua exportação, que gerou ao país mais de US$ 100 milhões em vendas
    de 2012 a 2022. A escassez de informações atualizadas sobre a ecologia, economia e social, torna
    difícil de mensurar todas as dimensões do desenvolvimento dessa pescaria. Nos últimos anos, algumas
    metodologias vêm sendo desenvolvidas para garantir uma melhor integração de fatores ambientais e
    socioeconômicos nas análises de pesca. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho consistiu em analisar
    se a pescaria comercial do pargo na plataforma continental brasileira é socio-ecologicamente
    sustentável. O presente trabalho utilizou uma ferramenta de avaliação que pode ser aplicada em
    sistemas pesqueiros com poucos dados, os Indicadores de Desempenho Pesqueiro (FPIs), avaliando
    as condições multidimensionais da pesca. O FPI permite estudar o status do estoque, as condições
    ambientais da área de pesca, o desempenho dos setores de captura de pós-captura, bom como os
    aspectos do mercado e da gestão de recursos. O banco de informações foi preenchido com dados de
    2016 a 2018, concedidos pelo projeto Fisheries Improvement Projects (FIP Pargo), com dados oficiais
    públicos, publicações científicas, consultas in loco, agentes de produção e bases de dados de projetos
    de pesquisa. Os resultados mostraram que os pontos críticos dessa atividade estão relacionados
    principalmente ao indicador Ecológico (2,37), por conta da sobreexplotação de juvenis e embarcações
    ilegais, seguido do indicador Econômico (2,88), que pontuou abaixo do esperado para uma pescaria
    que obtém altos valores de exportação porquê o setor pesqueiro (indústria) não é transparente com os  dados repassados. Ambos obtiveram nota inferior a outras pescarias avaliadas. O melhor indicador foi o Comunidade (3,88), que dentre os três, foi o que mais se aproximou da média dos países em desenvolvimento. A limitada participação dos atores da cadeia produtiva também restringe a eficácia das medidas de gestão, o que dificulta a gestão bem-sucedida dos recursos. Os resultados sugerem que a pesca do pargo necessita, com a maior brevidade possível, que o tamanho de primeira maturação da espécie seja incluído nos planos de ordenamento, assim como um recadastramento das embarcações e fiscalização mais assídua na pesca IUU do pargo. Além disso, para o manejo pesqueiro obter avanços positivos, todos os setores pesqueiros atuantes precisam estar integralizados e com participação ativa.

  • ALAN DA SILVA FONSECA
  • Avaliação da eficiência de BRDs (Bycatch Reduction Devices) na pesca Industrial de arrasto de camarões marinhos da Plataforma Continental Amazônica

  • Orientador : BIANCA BENTES DA SILVA
  • Data: 14/02/2023
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  • As redes de arrasto de fundo, projetadas para capturar camarões, são fonte significativa de perturbação no fundo do mar, geram impactos ambientais substanciais, resultando na fragmentação de habitats e na morte de espécies não comerciais, conhecidas como bycatch. Nesse contexto, os Dispositivos de Redução de Fauna Acompanhante (BRD) surgem como solução, visando melhorar a seletividade da pesca. O estudo avaliou a eficácia de 4 diferentes BRDs na pesca de arrasto de camarões marinhos na Plataforma Continental Amazônica (PCA), considerando as especificidades da região e determinando os benefícios de cada dispositivo. As capturas de camarões, do bycatch e do byproduct foram utilizadas como índice de abundância relativa e calculadas para arrasto e rede (controle vs. BRD). Os índices ecológicos de diversidade de Shannon-Wiener (H’), de diversidade de Simpson (D) e de equabilidade (ou equitabilidade) de Pielou (J’) foram calculados por arrasto no software R (RCore team). As médias e os desvios dos índices foram calculados e estabelecidos para cada tipo de BRD e as variações foram testadas com o produzido nas redes controle. Em todos os casos, o uso dos BRDs foi graficamente efetivo na redução do bycatch, com média de redução de 15% (20,89kg±35,7) (F=1,56; p>0,05). As capturas de camarões não foram afetadas pelo uso de nenhum dos dispositivos de redução de fauna acompanhante (F=0,67; p>0,05). A maior redução nas capturas de bycatch foi o ABRD (F=2,75; p<0,05) e a menor proporção de captura de camarões e bycatch foi o PCI (F=4.5; p<0,01). O percentual de exclusão com maior redução de espécies ameaçadas e a mais baixa ou nenhuma redução das capturas dos camarões foi o RBRD com média de 28,64% (±33,15%). Esses resultados têm implicações práticas e positivas para a gestão sustentável das pescarias. A efetividade dos BRDs em reduzir o bycatch, aliada à não interferência nas capturas de camarões, sugere que essa tecnologia pode ser uma ferramenta valiosa para promover a conservação das espécies não alvo e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade das atividades pesqueiras.

  • RUINERIS ALMADA CAJADO
  • Efeito da hidrologia sazonal e dos eventos climáticos anômalos na estrutura da comunidade de larvas de peixes no baixo Rio Amazonas

  • Data: 09/02/2023
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  • A reprodução dos peixes Amazônicos é altamente dependente das variações hidrológicas anuais causadas pelo pulso de inundação. Além disso, a ocorrência de eventos climáticos anômalos tem sido indicado como outro fator preponderante em afetar a dinâmica reprodutiva dos peixes. Embora exista alguma evidência do efeito da hidrologia sazonal e dos eventos climáticos anômalos sobre os parâmetros reprodutivos dos peixes, estudos por uma perspectiva funcional do ictioplâncton (ovos e larvas de peixes) são incipientes na Amazônia. Nesse sentido, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da variação sazonal e dos eventos climáticos anômalos na estrutura taxonômica e funcional de larvas de peixes no trecho baixo do Rio Amazonas. A captura das larvas foi realizada utilizando redes de plâncton cônicas, em torno de uma ilha aluvial localizada próximo a Santarém, Pará. Para avaliar o efeito da hidrologia sazonal, utilizou-se dados de capturas mensais durante dois ciclos hidrológicos entre janeiro e dezembro de 2013 e entre maio de 2017 e abril de 2018. Para as análises referentes aos eventos climáticos anômalos, os dados foram obtidos através de capturas mensais de janeiro a abril em quatro períodos reprodutivos durante os anos de 2013, 2014 (Neutro), 2018 (La Niña) e 2019 (El Niño). Após a identificação, os indivíduos foram classificados de acordo com traços de cada espécie em quatro grupos funcionais (e.g. estratégia de história de vida, hábito alimentar, tipo de migração e uso de micro-‘habitat’/posição na coluna d’água). As relações entre a hidrologia sazonal, eventos climáticos anômalos, variáveis ambientais e a estrutura da comunidade das larvas foram avaliadas por análises multivariadas. Os dados evidenciam intensa variabilidade na estrutura da comunidade de larvas entre as diferentes fases hidrológicas e períodos climáticos (Neutro, La Niña e El Niño), com alta influência de variáveis ambientais. As espécies parecem responder a combinações de diferentes variáveis que refletem condições ambientais propícias ao recrutamento biológico de acordo com suas características ecológicas, permitindo a perpetuação ou declínio de sua abundância em cada fase hidrológica e período climático. Alterações na estrutura das assembleias de larvas indicam que a variação do regime hidrológico e a incidência de eventos climáticos anômalos atuam como um filtro na estrutura funcional das assembleias locais e reflete estratégias adaptativas para reduzir a competição interespecífica por espaço e alimento, e maximizar o recrutamento biológico. Portanto, este estudo evidencia a importância da manutenção do regime hidrológico e a necessidade de considerar os eventos climáticos anômalos para a conservação da biodiversidade e dos padrões reprodutivos e de recrutamento dos peixes, que representam importante fonte de alimentação e renda para as populações.

  • SUELLEN FURTADO VINAGRE
  • Ecofisiologia dos insetos: seleção de microhabitat e padrões de termorregulação de libélulas em riachos amazônicos.

  • Data: 07/02/2023
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  • Conhecer os aspectos ecofisiologicos dos insetos é importante para entender suas respostas contra as
    constantes mudanças no seu habitat e elaborar planos eficazes de conservação. Estimamos a
    temperatura média da superfície torácica de 20 espécies de Odonata e as classificamos dentro das
    categorias de termorregulação existentes para este táxon, para avaliar a diferença de temperatura
    entre elas. Testamos a influência de duas variáveis ambientais, de temperatura do ar e cobertura de
    dossel, e seis métricas morfológicas relacionadas ao tamanho do tórax e do abdômen para averiguar
    qual destes parâmetros tem efeito sobre a temperatura destes insetos. (i) Esperávamos que as
    espécies heliotérmicas, sendo mais robustas, exibissem temperatura corporal mais elevada em relação
    às espécies termoconformadoras; (ii) que as principais subordens (Anisoptera e Zygoptera)
    apresentassem respostas termorregulatórias distintas em relação aos fatores ambientais devido as
    diferenças ecofisiológicas: em que Anisoptera fosse mais influenciada pela entrada de radiação solar
    no ambiente e Zygoptera pela temperatura do ar; (iii) e que o volume do tórax influenciasse no aumento
    da temperatura corporal de Odonata e o comprimento do abdômen na diminuição. Fizemos isto em 18
    córregos de baixa ordem, na Amazônia. Como previsto, houve uma relativa diferença de temperatura
    corpórea entre as espécies heliotérmicas de aproximadamente um grau acima das
    termoconformadoras. As subordens Anisoptera e Zygoptera apresentaram respostas distintas aos
    mesmos fatores. A média da temperatura corpórea das espécies de Zygoptera oscilou próxima e
    abaixo da temperatura ambiente, a temperatura do ar teve maior influência na sua temperatura corporal
    e apenas o aumento do comprimento do abdômen teve relação com a diminuição da temperatura
    torácica. Enquanto que a temperatura de Anisoptera se manteve acima da temperatura do ar, a sua
    regulação térmica foi mais afetada pela cobertura de dossel e somente as métricas torácicas tiveram
    influência na sua regulação térmica, no qual o volume do tórax mostrou expressiva contribuição com o
    aumento da temperatura. As subordens utilizam parâmetros morfológicos e ambientais distintos para
    controle da sua temperatura que variam conforme o tamanho. Embora este tenha sido importante nas
    respostas termorregulatórias delas, há ressalvas entre as características térmicas de muitas espécies.
    Sendo importante avaliar a influência da interação de outros aspectos morfológicos e comportamentais
    na regulação da temperatura.

  • IZABELLA CRISTINA DA SILVA PENHA
  • Ecologia trófica de Doras higuchii (Siluriformes: Doradidae) na área de influência
    da UHE Belo Monte, rio Xingu, Brasil

  • Data: 30/01/2023
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  • A notável variação sazonal no nível da água durante as estações seca e chuvosa fazem do rio Xingu
    um sistema único, tanto em relação as suas paisagens quanto a biodiversidade registrada. Os peixes
    dessa região possuem uma enorme variedade de estratégias ecológicas, que estão diretamente
    relacionadas com essas variações ambientais. Desta forma, o objetivo deste trabalho é avaliar o efeito
    do pulso de inundação na ecologia alimentar de peixes no trecho de vazão reduzida (TVR) da UHE
    Belo Monte, rio Xingu, Pará, utilizando o bagre Doras higuchii (Siluriformes: Doradidae) como modelo
    de avaliação. As coletas dos espécimes ocorreram mensalmente entre dezembro/2020 e
    novembro/2021 por meio de redes de emalhar. Os indivíduos capturados foram biometrados e
    eviscerado para remoção do estômago. Amostras de tecido muscular também foram extraídas. O
    conteúdo estomacal foi inspecionado, identificado e pesado para avaliação da composição de dieta,
    amplitude de nicho trófico e intensidade alimentar, testando a influência dos períodos hidrológicos
    nesses parâmetros (Modelos Lineares Generalizados). Adicionalmente, avaliamos a influência do pulso
    de inundação nas razões isotópicas de carbono (δ13C) e nitrogênio (δ15N) na dieta da espécie
    (ANOVA Two-Way) e a variação ontogenética de δ15N (GLM). Foram analisados 362 exemplares de
    D. higuchii (tecidos coletados de 109 indivíduos), constatando uma dieta baseada principalmente em
    sedimento (74,9% IAi) e insetos aquáticos (24,8% IAi), não variando ao longo dos períodos
    hidrológicos, assim como a amplitude de nicho trófico. Por sua vez, observamos variação na
    intensidade alimentar, com maior média de ingestão de alimentos na cheia. A composição isotópica
    (δ13C e δ15N) também não diferiu ao longo dos períodos hidrológicos. Por fim, não evidenciamos
    variação de δ15N pelas classes comprimento. Essas informações nos auxiliam na compreensão da
    interface entre fatores ambientais e biológicos, preenchendo lacunas no conhecimento da ecologia
    alimentar de peixes doradídeos na Amazônia.

2022
Descrição
  • TAMYRIS PEGADO DE SOUZA E SILVA
  • Resíduos sólidos e poluente orgânicos persistentes na zona costeira brasileira

  • Data: 14/12/2022
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  • É considerado resíduo sólido qualquer tipo de material persistente, processado ou fabricado que são descartados de maneira acidental ou intencional alcançando o meio ambiente e podendo ser proveniente de fontes terrestres ou marítimas. Nas últimas décadas, os resíduos sólidos têm se acumulado de maneira crescente nos ambientes costeiros e praiais, gerando impactos negativos a vida marinha, a pesca, ao turismo e a saúde humana. Dentre os resíduos sólidos, os plásticos ganham destaque por compor cerca de 87% dos resíduos encontrados em zonas costeiras, constituindo uma das fontes mais abundantes de poluição marinha. Os plásticos são classificados, de acordo com seu tamanho, em macro (>25 mm), meso (5-25 mm) e microplásticos (<5 mm). A presença de meso e microplásticos no ambiente costeiro podem resultar tanto da degradação de objetos maiores, geralmente devido à fotodegradação ou degradação física, como de insumos diretos de processos industriais e uso doméstico. Independente do tamanho, os plásticos geram conseqüências físicas adversas a fauna aquática pelos potenciais riscos de emaranhamento e de ingestão. Além disso, os plásticos podem ter em sua composição ou adsorvidos em sua superfície, poluentes orgânicos persistentes (POP’s), servindo assim como via de exposição destes para os organismos que os ingerem. Quando ingeridos, os POP’s também causam efeitos negativos nos organismos, principalmente ligados à reprodução e ao sistema neurológico e ainda são perigosos por biomagnificarem ao longo da cadeia alimentar, podendo chegar ao homem através do consumo dos recursos pesqueiros. Tendo em vista este cenário, o objetivo do trabalho é avaliar os níveis de poluição por resíduos sólidos, detritos plásticos e poluentes orgânicos persistentes de maneira padronizada ao longo da zona costeira do Brasil. Para isso, foram coletados resíduos sólidos em oito transectos ao longo de 44 praias, sedimentos superficiais de 22 praias e serão coletados organismos de cinco diferentes níveis tróficos com importância econômica para a análise de POP’s, todas as coletas realizadas ao longo da costa brasileira. A partir das análises de resíduos sólidos espera-se encontrar quantidades e categorias diferentes ao longo das principais cidades da zona costeira brasileira, demonstrando diferença nas atividades antrópicas e uso das regiões amostradas. Enquanto que para as análises químicas de POP’s, espera-se que os organismos de maiores níveis tróficos apresentem maiores valores, já que esses poluentes apresentam capacidade de biomagnificar ao longo da cadeia alimentar. Ainda, baseando-se nos resultados da concentração de poluentes, será feita uma inferência em termo de segurança alimentar, uma vez que os organismos estudados são recursos consumidos pelo homem e apresentam importância econômica. Uma perspectiva mais ampla, que visa comparar padrões de poluição nas praias e organismos em escala regional ou continental, é dificultada pela falta de levantamentos sistemáticos e pela grande variabilidade nas abordagens metodológicas dos dados. Adicionalmente, o monitoramento do ambiente aquático é uma ferramenta essencial para avaliar os problemas requeridos para a implementação de medidas de mitigação.

  • MARIA CLARA PINHEIRO DE SOUZA
  • PESCA DE EMALHE: UM OLHAR MULTIDIMENSIONAL

  • Data: 31/08/2022
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  • A pesca artesanal apresenta grande importância para a região amazônica, uma vez que é por meio dessa atividade que a maioria da população ribeirinha obtém sua fonte de proteína e renda. Porém a pesca artesanal apresenta vários sistemas de pescas que possuem diferentes níveis organizacionais, à exemplo, temos a pesca de emalhe que tem insuficientes medidas que visem beneficiar as espécies capturadas tão pouco o pescador que a pratica, assim é importante o levantamento de informações referentes a pesca artesanal para contribuir com dados que auxiliem um melhor ordenamento pesqueiro para a costa Norte do Brasil. Nesse sentido a pesca artesanal necessita ser caracterizada em seus diversos aspectos para a compreensão da ocupação, levantando dados relevantes como as embarcações da frota pesqueira, o perfil socioeconômico do pescador, bem como as espécies mais capturadas e sua fauna acompanhante. O objetivo desse trabalho é esclarecer como funciona a cadeia produtiva do pescado advindo da pescaria de emalhe, descrevendo os atores sociais e testando a viabilidade econômica direcionada a captura da pescada amarela com rede de emalhar, visando fornecer dados que possam futuramente embasar medidas para uma gestão mais adequada possibilitando a continuação dos estoques e da pescaria.

  • LUIZ FILIPE BRITO DE OLIVEIRA
  • SEQUENCIAMENTO E AVALIAÇÃO DA MONTAGEM DE GENOMAS MITOCONDRIAIS VIA LONG READS PARA TRÊS ESPÉCIES DE PEIXES DE ÁGUA DOCE DA AMAZÔNIA

  • Data: 30/08/2022
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  • A bacia amazônica contém a fauna de peixes de água doce mais diversa do planeta. A utilização de marcadores genéticos mitocondriais incluindo o COI possibilitou que identificações baseadas em ferramentas moleculares atuassem na discriminação da riqueza desse grupo. O monitoramento desta diversidade requer novas ferramentas como o metabarcoding, porém, dificuldades com bancos de dados referenciais incompletos ainda tornam sua aplicação um desafio. A implantação de diversas tecnologias de sequenciamento permite a obtenção de todos os possíveis marcadores mais abundantes, por exemplo, por meio da montagem de genomas mitocondriais completos utilizando abordagens de custo-benefício como o genome skimming. Atualmente, isto vem sendo realizado principalmente com técnicas tradicionais ou usando short reads, reduzindo o potencial reconhecimento de possíveis regiões problemáticas dentro do genoma. Desse modo, foi testada a produção de mitogenomas de três espécies usando sequenciamento via long reads, para verificar o potencial ganho de informação em comparação com sequências referências já existentes em diferentes condições de ordem taxonômica. Foi possível recuperar o mitogenoma completo de Gymnorhamphichthys rondoni, e quase completo para Carnegiella strigata e Potamorrhaphis guianensis. Além disso, a montagem obtida possibilitou confirmar que a região controle de C. strigata possui tamanho maior em relação a referência, contendo sequências com diferentes padrões de repetições in tandem. Os resultados mostraram a conservação geral da estrutura e organização de mitogenomas para estas espécies. Em conclusão, as long reads foram capazes de auxiliar na obtenção de mitogenomas completos, bem como elucidar regiões ainda problemáticas e pouco exploradas. Atualmente, a combinação de métodos de sequenciamento por short e long reads para a realização de montagens híbridas se faz muito necessária para gerar sequências com maior confiabilidade, visto que este último apresenta taxas de erro levemente maiores do que o primeiro. O contínuo avanço de tecnologias para sequenciamento e redução de erros de leituras longas deve torná-lo a ser um dos principais métodos a serem adotados no futuro.

  • LUARA HANNA OLIVEIRA FALCÃO
  • Dados quantitativos e qualitativos para uma inspeção adequada no comércio de produtos de pescado

  • Data: 29/08/2022
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  • Produtos de pescado são economicamente importantes em muitos países, e estão entre os itens alimentícios mais comercializados globalmente, mas não se sabe muito sobre o conhecimento de consumidores sobre o que estão comprando, deixando a perguntar se estão seguindo preferências pessoais, tradições ou simplesmente os menores preços entre produtos disponíveis. Produtos de pescado variam bastante em como são comercializados, tanto em termos de distribuição (nacional e internacional), quanto na forma que são processados e vendidos. Nas últimas décadas o aumento da demanda tem coincidido com maior conscientização sobre a segurança alimentar, rastreabilidade e sustentabilidade da pesca. Um dos problemas mais comuns é a fraude, onde o produto não é compatível com a identidade indicada. Isso pode ser intencional ou acidental, eventualmente causando prejuízo econômico ou riscos para conservação de espécies ou na saúde dos consumidores. Processos onde o peixe perde suas principais características morfológicas, como no caso dos filés e conservados, dificulta a identificação tradicional, sendo que técnicas moleculares têm sido adotadas para a investigação de fraudes nesses itens. Entretanto, produtos altamente processados requerem técnicas específicas, capazes de identificar a presença de múltiplas espécies em uma única amostra (bulk sample). Porém, o conhecimento de como fatores diversos (incluindo por exemplo, a degradação de DNA durante o processamento) podem influenciar os resultados ainda é pouco investigado. Com o intuito de melhor entender as cadeias no conceito de suprimento e demanda no mercado internacional, investigamos: 1) o conhecimento de consumidores sobre os produtos de pescado; 2) a influência do tipo de mercado e rotas de distribuição na ocorrência de substituição e/ou fraude em três produtos com características comerciais distintas (cação, merluza e linguado); e, 3) a sensibilidade da técnica de metabarcoding na identificação de espécies em amostras mistas considerando amostras artificialmente preparadas (mock community) e amostras originais processadas de formas distintas. Como resultado, identificamos que: 1) há uma falta de conhecimento entre consumidores até sobre a identidade das espécies que eles consomem, mesmo sem descaracterização do produto; 2) o mercado influencia a probabilidade de encontrar produtos substituídos e/ou fraude considerando o grau de fiscalização, as variações de legislação e as oportunidades; e, 3) existem vieses na amplificação de DNA de espécies altamente processadas considerando o tipo de processamento do produto nas fábricas e o processamento de amostra no laboratório, mas que isso não impede entender riscos de contaminantes raros e até permite rastrear tendências entre conjuntos de amostras. Estes resultados devem influenciar o conhecimento global do uso de ferramentas moleculares para detecção de substituição e fraude em produtos da pesca, contribuindo para a melhoria e modificações de legislação, campanhas de conscientização e técnicas laboratoriais que visam combater atividades ilegais, diminuindo seus efeitos negativos.
  • HELUSA KYARA SILVA BARROS
  • ECOLOGIA REPRODUTIVA E ALIMENTAR DE MOENKHAUSIA COLLETTII (STEINDACHNER, 1882) (CHARACIFORMES: CHARACIDAE) EM RIACHOS NA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 01/07/2022
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  • Os peixes de riachos da região tropical possuem uma enorme variedade de estratégias ecológicas, que estão diretamente relacionadas às características ambientais desses sistemas e às suas variações no tempo e no espaço. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a influência de variações ambientais em aspectos da ecologia reprodutiva e alimentar de Moenkhausia collettii em riachos na Amazônia Oriental. A coleta dos espécimes e a obtenção das variáveis ambientais ocorreram mensalmente, entre abril de 2019 e março de 2020, de maneira padronizada. Os indivíduos foram mensurados quanto ao comprimento padrão, massa corporal e eviscerados para a retirada e avaliação de suas gônadas e estômagos. As gônadas foram caracterizadas macro e microscopicamente quanto ao sexo e estágio de maturação para definir a proporção sexual, tamanho médio de primeira maturação sexual, período de atividade reprodutiva, tipo de desova e fecundidade. Os estômagos foram analisados e seus itens devidamente identificados, sendo avaliados aspectos alimentares como: Índice de Importância Alimentar (%), Amplitude de Nicho Trófico e Índice de Repleção Estomacal. A relação dos aspectos reprodutivos e alimentares com a variação temporal das condições ambientais dos riachos foram avaliados através de Modelos Lineares Generalizados. Quanto aos aspectos reprodutivos, a proporção sexual diferiu ao longo do período estudado, onde a espécie apresentou um crescimento alométrico positivo com machos maturando em menor comprimento que as fêmeas (♀: 25,12mm; ♂:  24,23mm), ambos com maior atividade de maturação gonadal durante os meses com maiores precipitações acumuladas. Foi observado a desova total bem como baixa fecundidade (616,9 ± 116,15; vitelogênicos) e oócitos pequenos (0,66 ± 0,06mm). Os GLMs mostraram as variáveis oxigênio dissolvido, condutividade, precipitação, vazão, profundidade, cobertura de dossel e raiz como fatores importantes para a reprodução a espécie, especialmente fêmeas, explicando 73% da variação do IGS. A dieta de M.collettii foi considerada onívora com tendência à insetivoria, Formicidae foi a categoria mais importante, seguida por Diptera imaturo e Material vegetal. Os GLMs mostraram a relação da sua dieta com um conjunto de variáveis ambientais como oxigênio dissolvido, condutividade, vazão, largura, profundidade, madeira, banco de folha e comprimento padrão. A amplitude de nicho aumentou com o comprimento da espécie, enquanto a intensidade alimentar obteve relação inversa.

  • FÁBIO ALEXANDRE TRAVASSOS
  • BIOLOGIA PESQUEIRA E DINÂMICA POPULACIONAL DE QUATRO ESPÉCIES DE PEIXES NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DA UHE TUCURUÍ (PA), BRASIL

  • Data: 21/06/2022
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  • A construção de reservatórios é uma atividade que provoca alterações qualitativas e quantitativas no meio aquático. A UHE de Tucuruí se destaca por ter sido o primeiro grande barramento construído na Amazônia, na década de 80 e por sua dimensão e capacidade de geração de energia. O objetivo deste estudo é avaliar o impacto da usina sobre a os estoques do Botinho (Hassar wilderi, Doradidae - Kindle, 1895), Mandubé (Ageneiosus ucayalensis, Auchenipteridae - Castelnau, 1855), Sardinha Papuda (Triportheus trifurcatus, Characidae - Castelnau, 1855) e a Uêua Cachorrinho (Acestrorhynchus falcirostris - Cuvier, 1819). A escolha dessas quatro espécies foi devido a terem taxonomias distintas e serem bastante abundantes nas amostragens das pescarias experimentas da equipe do Programa de Pesca e Ictiofauna da ELETRONORTE/ELETROBRÁS, além de haver poucas informações biológicas sobre elas. Os dados desta tese estudo provêm das pescarias subsidiadas pela ELETRONORTE/ELETROBRÁS, abrangendo a região de influência da usina, relacionando o período entre os anos de 2000 a 2010. A tese está dividida em sete capítulos: introdução e revisão da literatura, material e métodos, biologia pesqueira, fator de condição, dinâmica populacional e crescimento corporal, seletividade de malhadeiras e rendimento por recruta. Particularmente são descritas a composição e a frequência do comprimento (total e padrão), peso e sexo; relação peso-comprimento, fator de condição e proporção sexual; estimação dos parâmetros de crescimento da curva de von Bertalanffy (K e L∞), a idade inicial e de primeira maturação, mortalidades (total, por pesca e natural), longevidade, índice de desempenho do crescimento e taxa de explotação (E); determinação das curvas de seletividade das redes utilizadas nos experimentos; determinadas as curvas de crescimento; estimados os modelos de rendimento por recruta de Beverton & Holt. Portanto, o sucesso do manejo depende do conhecimento integrado da biologia das espécies exploradas e das características do ambiente onde vivem, pois, a falta destas informações, prejudica o auxílio no processo de implementação de um manejo eficiente da atividade pesqueira.

  • FLAVIA DOS SANTOS TAVARES
  • MAPEAMENTO GENÔMICO POR PINTURA CROMOSSÔMICA EM PEIXE-BOI DA AMAZÔNIA (TRICHECHUS INUNGUIS_, SIRENIA: TRICHECHIDAE)

  • Data: 15/06/2022
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  • Os sirênios são mamíferos exclusivamente aquáticos que habitam nas águas tropicais e subtropicais do planeta, representados por duas famílias: Dugongidae (dugongos) e Trichechidae (peixes-boi atuais). Os peixes-boi agregam bastantes questionamentos sobre a sua rápida divergência evolutiva. Estudos morfológicos, genômicos e citogenéticos tem contribuído para esclarecer os pontos de radiação dos peixes-boi e quais fatores levaram a sua permanência no planeta. Os peixes-boi atuais são representados pelo gênero Trichechus, os quais são: o peixe-boi da Índias Ocidentais, T. manatus, que vive nos costeiros americanos do Atlântico; o peixe-boi da Amazônia, T. inunguis, endêmico dos rios amazônicos; e o peixe-boi africano, T. senegalensis, vive nos rios e costeiros na costa-oeste africana. Análises citogenéticas anteriores em peixes-boi mostraram o número diploide (2n) de T. manatus (TMA 2n=48) e T. inunguis (TIN 2n=56), com variação cariotípica de quatro rearranjos robertsonianos. A pintura cromossômica pode verificar rearranjos cromossômicos, e avaliar a diversidade evolutiva e possíveis relações filogenéticas entre os táxons. Este estudo investigou o cariótipo de peixe-boi da Amazônia com sondas de cromossomo total de Trichechus manatus latirostris - TML para descobrir possíveis homeologias e (re)organização genômica a nível cromossômico entre esses sirênios. Os resultados mostraram 31 segmentos homeólogos em peixe-boi da Amazônia, sendo dezenove cromossomos autossomos inteiros, além dos sexuais X e Y. Quatro cromossomos TML apresentaram dois sinais de hibridização em peixe-boi da Amazônia, totalizando 8 pares acrocêntricos, a saber, TML 4 (TIN 16 e 26), TML 6 (TIN 15 e 27), TML 8 (TIN 19 e 22) e TML 9 (TIN 24 e 25). Sinais de hibridização semelhantes foram identificados em elefante africano (Loxodonta africana) e hyrax (Procavia capensis), o que define ser um caráter compartilhado no clado Paenungulata, portanto, o cariótipo de T. m. latirostris sofreu quatro rearranjos de fusão. A pintura cromossômica em peixe-boi da Amazônia também confirmou associações cromossômicas do cariótipo ancestral Eutheria com as sintenias HSA 3/21, 7/16, 12/22, 14/15 e 16/19; e a sintenia HSA 5/21 do clado Afrotheria. Peixe-boi da Amazonia manteve as sintenias HSA 2/3, 8/22 e 18/19, associações compartilhadas em Paenungulata. informações apresentadas são um importante avanço para os estudos de evolução dos peixes-boi, para esclarecer os aspectos taxonômicos e filogenéticos, fornecendo dados importantes para futuras análises do gênero Trichechus.

  • JESSICA SARAIVA DE OLIVEIRA
  • TAXONOMIA DE TERSCHELLINGIA (NEMATODA, LINHOMOEIDAE) NA PLATAFORMA CONTINENTAL DA BACIA DO ESPÍRITO SANTO (BRASIL) E REVISÃO TAXONÔMICA DO GÊNERO

  • Data: 31/05/2022
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  • O filo Nematoda são os metazoários mais simples, pequenos e um dos grupos mais abundantes no reino animal. No ambiente marinho são importantes no processo de ciclagem de nutrientes e decomposição de matéria orgânica. Observou-se que o gênero Terschellingia já esteve presente em em 50% dos estudos. Este gênero é cosmopolita, comumente encontrados em estudos bentônicos e associado a fundos lamacentos. Na maioria dos estudos o gênero não é identificado ao nível de espécie. Isso pode estar ocorrendo devido as morfologias das espécies serem parecidas e devido à ausência de descrições detalhadas. Desta forma, esta dissertação analisa o gênero Terschellingia da plataforma continental da Bacia do Espírito Santo e na foz do Rio Doce (Brasil), identifica as espécies novas, além de realizar uma revisão taxonômica do gênero. Para isso, as coletas na Bacia do Espírito Santo foram realizadas em duas áreas de amostragem, plataforma continental do Espírito Santo e Foz do Rio Doce. Para a macroavaliação da plataforma continental da Bacia do Espírito Santo foram planejadas 28 estações de coleta. E na foz do Rio Doce estabeleceu-se 20 estações, distribuídas num grid regular. As amostras biosedimentológicas para o estudo da meiofauna (que inclui a nematofauna) e da granulometria do sedimento foram coletadas com um Mega van Veen 231L (92x80x40cm). Em cada estação, o equipamento foi lançado três vezes sendo retirada uma réplica por lançamento para a meiofauna com auxílio de um sub-amostrador de metal. Posteriormente, as amostras foram transferidas para potes plásticos e fixadas com formaldeído a 10% tamponadas com bórax. No laboratório realizou-se o processo de peneiramento úmido, extração da meiofauna e nematofauna. Após a triagem, as lâminas foram montadas com parafina e glicerina. A identificação dos indivíduos ao nível de gênero foi realizada com o auxílio de um microscópio óptico e chave pictórica. Para a identificação a nível de espécie utilizou-se as revisões taxonômicas anteriores, além de descrições e medidas bibliográficas disponíveis. Nesta dissertação foram identificadas quatro espécies novas do gênero Terschellingia, além de três já descritas (T. longicaudata, T. communis, T. stenocephala). E, das 26 espécies nominais, verificou-se 15 espécies válidas, novas 3 espécies sinonimizadas e 8 espécies inquerendae.  Nesta revisão está disponibilizado tabelas comparativas da morfologia das espécies, medidas corpóreas, além da lista das novas espécies inquerendae e sinonimizadas.

     

  • LUCIANE CAVALCANTE DAS NEVES
  • FOTOPIGMENTOS VISUAIS  DO PEIXE-BOI-DA-AMAZÔNIA (TRICHECHUS INUNGUIS) E DO  PEIXE-BOI MARINHO (THICHECHUS MANATUS)

  • Data: 30/05/2022
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  • Peixes-bois são mamíferos da Ordem Sirenia compostas atualmente por três espécies, duas dessas espécies ocorrem no Brasil: o peixe-boi-da-Amazônia (T. inunguis), encontrada em toda a bacia Amazônica e no rio Orinoco, e o peixe-boi marinho (T. manatus), que habita a costa Norte e Nordeste do país. Na foz do rio Amazona as espécies coabitam (simpátricas) e são capazes de reproduzir, gerando híbridos. Os mamíferos aquáticos possuem uma ampla faixa no pico de absorção máxima dos fotopigmentos que esta relacionado a quantidade de luz que cada organismo recebe. Com isso, neste trabalho testamos a hipótese de que o ʎmax dos fotopigmentos visuais dos peixes-boi, que ocorrem no Brasil, possam diferir, por habitarem ambientes fóticos diverso. Este estudo teve como objetivo comparar as sequências dos fotopigmentos peixe-boi-da-Amazônia e peixe-boi marinho e estimar mudanças espectrais nesses fotopigmentos. Os exons de interesse de cada fotopigmento foram amplificados com uso de primers específicos por meio de reação em cadeia de polimerase (PCR). Após purificação dos produtos de PCR foi realizado o sequenciamento. O ʎmax de cada fotopigmento foi estimada a partir de aminoácidos presentes em posições importantes para o deslocamento espectral descrito na literatura. Dentre os sítios de aminoácidos analisados, nenhuma diferença foi observada entre as duas espécies. O lmax  do SWS foi  estimado em ~410 nm  e para o  LWS, em ~556 nm para  T.inunguis, mesmo já determinado pra o T. Manatus. Os exons, analisados, do gene da rodopsina mostraram dois alelos que diferem em quatro substituições sinônimas, onde um é predominante na espécie amazônica e outro, nas espécies marinhas, contudo dois indivíduos amazônicos apresentavam ambos os alelos. O que pode ser explicado pela hibridização entre as duas espécies. O que é reforçado com os resultados do SWS, que também apresentou dois alelos com heterozigotos tanto amazônicos, quanto marinhos. Acreditamos que o ambiente de água doce exerceu uma pressão seletiva na rodopsina e no SWS, mas não no LWS, uma vez que, o espectro de luz ambiente favorece esse fotopigmento.  O presente estudo é o primeiro a investigar os fotorreceptores do peixe-boi amazônico e verificar as posições criticas responsáveis por moldar o ajuste espectral dos fotopigmentos dos  mamíferos aquáticos

  • YAN RAFAEL GILLET SANTA BRIGIDA
  • ESTRUTURA POPULACIONAL DOS CAMARÕES MARINHOS CAPTURADOS COMO FAUNA ACOMPANHANTE NA PLATAFORMA CONTINENTAL DO AMAZONAS.

  • Data: 26/04/2022
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  • Uma assembleia de camarões é tratada como bycatch da própria pesca industrial do camarão-rosa (Farfantepenaeus subtilis) na costa norte brasileira, e descartada sem qualquer aproveitamento, desde a década de 60 do século passado. Essa atividade pesqueira extrativista causa um profundo impacto no ecossistema aquático, uma vez que retira do ambiente um conjunto importante de espécies de invertebrados pouco estudados na área costeira amazônica, região inconspícua e de grande diversidade de espécies. O objetivo dessa pesquisa foi descrever a estrutura populacional, a razão sexual e a distribuição espacial das espécies de camarões capturados como fauna acompanhante pela pesca industrial do camarão-rosa na Plataforma Continental Amazônica. A amostragem foi realizada em 124 arrastos, com 430.30 horas de observação. Um total de 14 espécies foram capturadas como fauna acompanhante da pesca de arrasto do camarão-rosa, distribuídas em 05 famílias e 09 gêneros. A espécie de maior abundância foi Rimapenaeus similis com 3788 indivíduos capturados (44,34%), seguido por Xiphopenaeus spp. (25,9%) e Farfantepenaeus subtilis (19,7%), a espécie-alvo da pescaria. As demais espécies contribuíram com aproximadamente 10% do total de camarões capturados. A estrutura populacional das espécies foi descrita, bem como a razão sexual cuja maioria não diferiu de 1:1. Em geral, foram coletados juvenis e adultos, entre 0,08. S e 4,95. N de latitude, 35 a 85 m de profundidade, em diferentes substratos. Esse é o primeiro trabalho a descrever a estrutura populacional de espécies de camarões não comerciais na região, tais como R. similis, e apontar para a insustentabilidade da pesca como é praticada uma vez que a frota subtrai 14 espécies das quais a espécie-alvo é apenas a terceira mais abundante, com total descarte das demais. Os resultados obtidos fornecem dados básicos a respeito da biologia e da ecologia dos camarões em uma vasta região equatorial, na qual figuram como recursos intensamente explotados pela pesca, fornecendo subsídios para elaboração de futuras políticas de manejo pesqueiro em relação a essa arte de pesca.

  • YURE JEFFERSON DA CRUZ DO NASCIMENTO
  • USO INTEGRADO DE BIOMARCADORES NA AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO ALUMÍNIO NO PEIXE AMAZÔNICO HYPHESSOBRYCON HETERORHABDUS (CHARACIDAE: CHARACIFORMES)

  • Data: 30/03/2022
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  • A região amazônica apresenta altas concentrações naturais de Alumínio (Al) em seu ambiente. Além disso, devido ao teor ácido de suas águas, o Al presente nos seus corpos d’água torna-se biodisponível para os organismos aquáticos que ali residem, sendo os peixes um dos mais afetados pela toxicidade do Al. Com isso, o objetivo do presente trabalho é avaliar os efeitos de diferentes concentrações de Al no peixe amazônico Hyphessobrycon heterorhabdus, em nível molecular, avaliando biomarcadores de estresse oxidativo e danos genético. Para tal, foram analisados biomarcadores de exposição (Capacidade antioxidante total (ACAP), concentração de glutationa reduzida (GSH), atividade das enzimas glutationa S-transferase (GST), glutamato cisteína-ligase (GCL), e glutationa redutase (GR)) e biomarcadores de efeito (lipoperoxidação (LPO) e o biomarcador genotóxico - Ensaio cometa (EC)). Para a realização do ensaio ecotoxicológico foi utilizado uma solução estoque de Sulfato de Alumínio, a qual foi diluída para chegar nas concentrações de exposição. Os animais foram divididos em cinco grupos experimentais: grupo controle em pH neutro [7]; grupo controle em pH ácido [5]; e três grupos de exposição em pH ácido com as concentrações 0,1, 1 e 10 mg/L de Al. Cada grupo foi composto por 10 réplicas com um animal por béquer contendo 200 mL de meio experimental, com aeração constante e com fotoperíodo (14C:10E) e temperatura (25º) controlados. Após 96 horas de exposição, foi retirado sangue dos animais para a análise genotóxica. Em seguida, os peixes foram crioanestesiados e eutanasiados para as análises bioquímicas. A exposição ao alumínio não causou alterações na ACAP, GST, GSH e GR dos peixes. No entanto, houve queda na GCL nos grupos expostos a 1 e 10 mg/L de Al, o que pode indicar uma diminuição na produção de GSH, ocasionalmente diminuindo os padrões do sistema de defesa antioxidante (SDA). Ocorreu LPO no tratamento com 1 mg/L de Al, uma vez que, com a queda da GCL, o SDA fica comprometido e efeitos deletérios nas células começam a surgir. EC mostrou que teve dano no DNA dos peixes na concentração mais elevada (G10), este resultado corrobora com o fato de que concentrações elevadas de Al ocasionam quebras no material genético dos organismos e pode surtir efeitos nocivos como mutações deletérias, ameaçando a homeostase dos indivíduos e o equilíbrio das comunidades aquáticas. Os resultados encontrados ajudam na compreensão dos efeitos da combinação do Al e do baixo pH sobre os peixes residentes de regiões onde a disponibilidade deste metal é alta aliado a corpos d’água com pH ácido, como o ecossistema amazônico.

     

  • IVANA KERLY DA SILVA VIANA
  • DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA TESTICULAR E DO COMPLEXO FOLICULAR NOS ÓOCITOS DE PEIXES SILURIFORMES DA REGIÃO AMAZÔNICA

  • Data: 25/03/2022
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  • Conhecer a morfologia das células da linhagem germinativas em peixes teleósteos é o primeiro passo para estabelecer diversas relações entre as espécies e as estratégias reprodutivas. Nesse contexto foram utilizadas espécies de peixes de importância socioeconômico para região amazônica, os ornamentais e os de consumo humano. Então, o objetivo do presente estudo foi descrever pelas análises morfológicas a estrutura testicular de H. zebra, P. oligospila e B. xanthellus e verificar as similaridades e diferenças entre a família. Verificar as diferenças morfológicas no complexo folicular dos oócitos de P. oligospila, B. xanthellus,  P. Tankey, A. longimanus, A. ucayalensis e H. marginatus  e comparar com as estratégias de reprodução de cada espécie. Para tanto os  peixes foram coletados em quatro rios amazônicos. Após a coleta, as gônadas foram submetidas as técnicas de microscopia de luz, microscopia eletrônica de transmissão e varredura. Na sequência foram realizadas análises morfométrica das células de linhagem espermatogênicas e das camadas que recobrem os oócitos maduros que formam o complexo folicular. Pelas análises morfológicas dos testículos de  H. zebra, P. oligospila e B. xanthellus demonstraram que possuem diferenças nas células da linhagem espermatogênica, apesar de fazerem parte de uma mesma família. Também há diferenças nas estruturas que formam o complexo folicular dos óocitos, como a espessura da zona radiata, células foliculares e camada da teca entre P. oligospila, B. xanthellus,  P. Tankey, A. longimanus, A. ucayalensis e H. marginatusas, sugerindo que as diferenças nas estuturas do complexo folicular podem estar relacionada com as diferentes estratégias reprodutivas das espécies. O resultado deste estudo pode subsidiar o desenvolvimento de pacotes tecnológicos que auxiliem na  fertilização in vitro e por conseguinte à manutenção dessas espécies em cativeiro.

  • LUIZ FERNANDO GOMES DOS PASSOS
  • EFEITOS DO BARRAMENTO DO RIO XINGU SOBRE AS CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS DE CINCO ESPÉCIES DE PEIXE DA FAMÍLIA SERRASALMIDAE, BACIA AMAZÔNICA, BRASIL.

  • Data: 18/02/2022
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  • O baixo rio Xingu é um dos maiores tributários da Amazônia e apresenta características geográficas bastante peculiares. Essas características favorecem a diversidade de microambientes que levam o isolamento das populações, causando alteração no ciclo de vida da ictiofauna local. As ações antrópicas causam efeitos sobre a biodiversidade aquática, efeitos esses que podem comprometer a estrutura dessas comunidades. Essas ações têm levado com que as espécies de peixes adotem novas estratégias que favoreçam o seu ciclo de vida e que continue garantindo a perpetuação das espécies. Com isso, o presente trabalho investigou as possíveis alterações nas estratégias reprodutivas das assembleias de peixes pertencentes a família Serrasalmidae do Baixo Rio Xingu após o barramento do rio após a construção da usina hidrelétrica Belo Monte. Um total de 5799 peixes distribuídos em 2 gêneros e 5 espécies entre os períodos pré e pós-barramento que compreende coletas entre os anos de 2012 a 2020 foram amostrados. Esses peixes foram identificados quanto ao sexo, estágio de maturação gonadal, e foram verificados quanto a proporção sexual, tamanho de primeira maturação, frequência dos estágios de maturação e relação entre peso e comprimento no período pré e pós-barramento e para todos os ciclos hidrológicos e nos diferentes setores (montante e jusante). As relações peso e comprimento para as espécies apresentaram correlação forte positiva para todos os períodos e setores amostrados, a proporção sexual se diferiram significativamente no período de cheia para M.rubripinni e M.schomburgkii no pré-barramento, para S.rhombeus no pós-barramento setor montante e S.manueli em todos os períodos e setores, no período da seca as espécies M.arnoldi e M.rubripinnis diferiram significativamente no período de pré-barramento, M.schomburgkii e S.rhombeus no pós nos dois setores e S.manueli em todos os períodos e setores. O tamanho de primeira maturação aumentou para Myloplus no pós-barramento, enquanto que para Serrasalmus diminuiu, houve uma sincronia na desova para as espécies, que ocorre no final do período da seca e início do período da cheia. Assim, nossos resultados indicam que os padrões de crescimento e reprodução das populações foram impactados e esses resultados fornecem informações importantes para a melhoria do monitoramento dos recursos pesqueiros.

  • ROSANA SANCHEZ ROBLEDA
  • DINÂMICA E AVALIAÇÃO DA PESCA ARTESANAL DO LITORAL AMAZÔNICO DO BRASIL

  • Data: 27/01/2022
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  • A pesca artesanal tem importância na segurança alimentar e na erradicação da pobreza, fornecendo comida, renda e emprego a milhões de pessoas no mundo inteiro. Porém, é reconhecida a falta de informação e a precariedade das estatísticas destas pescarias, devido a sua dispersão e complexidade, evidenciada pelo uso de diversas artes de pesca na captura de recursos multiespecíficos. A situação não é diferente no litoral amazônico, onde a pesca artesanal sofre de uma carência generalizada de informações biológicas e, socioeconômicas. É por isso que neste trabalho de avaliação de estoques pesqueiros se descreve a dinâmica das capturas das espécies mais abundantes, os portos com maior produção, as artes de pesca utilizadas e por fim aplicam-se modelos para estimar o estado de explotação das espécies mais abundantes, através de modelos de produção pesqueira. Para isso utilizaremos uma série histórica de dados coletados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis-IBAMA, entre os anos de 1997 a 2007. Estes dados correspondem a praticamente a única série histórica sobre a pesca artesanal paraense disponível. Análises descritivas e a aplicação do modelo de produção geral segundo Schaeffer (1957) e Fox (1970), permitirem realizar um diagnóstico da situação da pesca nesse setor do litoral amazônico. Apresentando sobre-explotação das espécies pescada amarela e a serra assim como a pescaria com pescadeira para o ano 2007, e a pescada gó encontrou-se no equilibrio. A recomendação mais adequada para o manejo da pescada amarela e para a serra seria regular o tamanho das malhas ou diminuir o esforço, além de implantar uma licença de pesca especifica para cada espécie, para o caso da pesca com pescadeira a melhor solução seria reduzir o esforço em 47% aproximadamente do nível que estava no ano 2007, e para a pescada gó a recomendação seria manter o esforço em nível aproximado ao que estava em 2007.

2021
Descrição
  • MANOELLA GEMAQUE CAVALCANTE
  • ESTUDOS SOBRE A DINÂMICA ORGANIZACIONAL DE DNA'S REPETITIVOS EM QUELÔNIOS

  • Orientador : RENATA COELHO RODRIGUES NORONHA
  • Data: 07/12/2021
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  • Estudos citogenéticos revelam uma ampla variação cariotípica entre quelônios (ordem Testudines) (2n=26–68), atribuída principalmente ao número de microcromossomos. Estudos sobre DNAs repetitivos têm o potencial de fornecer dados importantes sobre a dinâmica dessas sequências e como elas podem caracterizar e influenciar na organização doss genoma. Os genomas eucarióticos exibem um acúmulo substancial dessas sequências repetitivas, as quais podem participar de eventos de reorganização cromossômica, sofrer cooptação molecular, e interferir na função e evolução dos genomas. Em quelônios, as sequências repetitivas de DNA parecem se acumular em prováveis pontos de quebra e participar de eventos como recombinação não homóloga e rearranjos cromossômicos. Nesse sentido, na presente tese investigamos a dinâmica organizacional de diferentes sequências de DNAs repetitivos (rDNA 45S, 5S, snRNA U2, genes de Histonas, telômeros, e transposon Tc1 / Mariner) nos genomas de três espécies de quelônios (Rhinoclemmys punctularia, Podocnemis expansa e Podocnemis unifilis). Nossos resultados trazem dados inéditos sobre a localização in situ dessas sequências nos genomas das espécies investigadas, além de levantar importantes questionamentos e inferências sobre rearranjos genômicos e inserções de elementos transponíveis em outros genes.

  • IRINA SOFIA CARDOSO DE CARVALHO
  • Influencia de fatores ambientais sobre respostas bioquímicas e eletrofisiológicas da ostra-do-mangue Crassotrea gasar de duas reservas extrativistas amazônicas

  • Data: 31/08/2021
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  • O objetivo geral desta dissertação é avaliar os efeitos dos fatores ambientais sobre as respostas de estresse oxidativo e parâmetros cardíacos nas ostras-do-mangue Crassostrea gasar. A dissertação está estruturada em três capítulos: (I) Avaliação do efeito da sazonalidade sobre biomarcadores bioquímicos em tecidos da ostra-do-mangue Crassostrea gasar de duas regiões de cultivo; (II) Avaliação da influência de metais presente em água, sedimento e tecidos dos organismos no cultivo das ostras de áreas de Reservas Extrativistas a partir dos níveis de biomarcadores bioquímicos de estresse oxidativo e (III) um estudo experimental, onde se caracterizou os registros basais do eletrocardiograma da ostra-do-mangue Crassostrea gasar, avaliando-se funcionamento cardíaco durante a imersão na água e emersão, simulando os ciclos de maré como mais um fator ambiental de estresse. Para os capítulos I e II, as ostras e as amostras de água e sedimento foram coletadas em duas RESEX (SISBIO N°: 71444-1) área I (Nazaré do Seco - NS) (município de Maracanã), área II (Lauro Sodré – LS) (município de Curuçá). As coletas foram realizadas em períodos de: Jan/19 (transição I), Abr/19 (chuvoso), Jul/19 (transição II), Out/19 (seco) e Jan/20 (transição III) para o capitulo I e Ago/19 (estiagem), Nov/19 (transição), Mar/20 (chuvoso), para o capítulo II para análise de metais (Alumínio, Arsênio, Cádmio, Chumbo, Cobre, Ferro e Mercúrio) e análises bioquímicas. Para o capítulo III, as ostras foram obtidas na área II, e aclimatadas em laboratório para a realização do experimento. Os biomarcadores de estresse oxidativo medidos nos capítulos I e II foram a capacidade antioxidante total (ACAP), a atividade da enzima glutationa-S-transferase (GST) e a lipoperoxidação (LPO). Os parâmetros cardíacos analisados no capítulo III foram a potência espectral da frequência cardíaca (mV2/Hz x 10 -3), amplitude (mV), frequência cardíaca em batimentos por minuto (BPM), duração do complexo QRS (s) e intervalos P-Q (s) e R-R (s). No capítulo 1, a ACAP e GST foram menores nas brânquias do período de transição I e III para ambas as áreas e aumento do LPO no período de transição III para os organismos da área I. Ocorreu aumento da ACAP no período chuvoso e diminuição do LPO na gônada. Houve diminuição da ACAP e do LPO no período de transição I na glândula digestiva. Já no músculo a ACAP se diferenciou entre os organismos da área I e II no período de transição I. A GST na gônada, glândula digestiva e no músculo apresentaram aumento no período de transição II. No capítulo 2, as concentrações de metais no sedimento estavam abaixo dos valores permitidos pela legislação ambiental, exceto o alumínio e ferro, que foram encontrados em altas concentrações em ambas as áreas. As brânquias das ostras tiveram baixa ACAP e aumento do LPO no período chuvoso, período esse que ocorreu maior quantidade de alumínio, a GST não foi acionada. Na gônada a ACAP e o LPO não foram acionados, tendo uma diminuição da enzima GST no período chuvoso. A glândula digestiva apresentou aumento da GST no período chuvoso e aumento do LPO no período seco. O músculo não foi um órgão responsivo. No estudo experimental (capítulo 3), o traçado do ECG normal das ostras do grupo imerso apresentou ritmo sinusal sem alterações com todas as ondas e intervalos. Já as ostras do grupo emerso, o traçado do ECG manteve o ritmo sinusal, mas com modificações nos padrões do traçado como período isoelétrico prolongado e apresentou duas fases. Na fase I a frequência cardíaca aumentou com aumento da potência e consequentemente o intervalo R-R diminuiu. Na fase II a frequência cardíaca diminuiu com diminuiu da potência e consequentemente o intervalo R-R aumentou. O intervalo P-Q foi semelhante entre os grupos indicando que após atividade atrial o tempo para ativação ventricular é mantido nas ostras. O complexo QRS das ostras emersas diminuiu em ambas as fases em comparação ao grupo imerso. Em geral, conclui-se que as alterações bioquímicas encontradas nas ostras de ambas as áreas não foram capazes de evitar o estresse oxidativo, demostrando a que a variação sazonal junto com a salinidade e os metais influenciam diretamente nas respostas dos biomarcadores bioquímicos analisados nas ostras em cultivo. Os resultados do ECG ainda ilustram claramente as adaptações significativas de um bivalve para a vida em áreas entremarés em nível fisiológico, demonstrando de forma indireta, o gasto metabólico envolvido na sobrevivência em áreas com grandes variações ambientais.

  • NAIARA RAIOL TORRES
  • A transformação da paisagem e os efeitos sobre a biodiversidade de peixes amazônicos

  • Data: 31/08/2021
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  • Os riachos são considerados os habitats mais ameaçados do planeta e o avanço dos usos de terra sobre as bacias hidrográficas amazonicas desses ecossistemas hídricos torna ainda maior as ameaças negativas sobre os mesmos. Essas ameaças modificam o habitat e por consequência as características alimentares, reprodutivas, competitivas e predatórias da biodiversidade íctica. A investigação dessas mudanças através da ecologia de comunidade é fundamental para direcionar os esforços de conservação desses ambientes ameaçados, servindo para propor formas de contenção dos avanços dos impactos sobre esses ecossistemas aquáticos. No entanto, esses estudos não tem aliado a avaliação no enfoque da diversidade funcional e na avaliação de perda de funções ecossistêmicas. Nesse sentido esta tese alia simultaneamente a avaliação através da diversidade funcional e avaliação de perdas de funções ecossistêmicas, sendo um dos primeiros na região amazônica. Esta tese teve o objetivo principal de realizar uma avaliação das alterações causadas pelas mudanças da paisagem e climáticas sobre a diversidade de peixes de riacho. A tese foi dividida em três capítulos, no primeiro mostra-se como a Modelagem de Distribuição de Espécies – MDE vem auxiliando na avaliação dos efeitos antrópicos sobre as comunidades; no segundo realizamos a investigação dos efeitos da paisagem das áreas urbanas sobre o habitat de riacho e, por consequência, sobre a diversidade funcional de assembleias de peixes; e no terceiro utilizamos algoritmos de MDE para prever a distribuição futura de grupos funcionais, assim como, realizamos a determinação de áreas prioritárias para a conservação da diversidade de grupos funcionais de peixes de riacho em uma bacia no leste amazônico. O estudo foi desenvolvido nas bacias do Acará – Capim, que possui uma intensa influência antrópica, devido ao desmatamento histórico em larga escala e sua posição geográfica em uma zona de transição ecológica. No capitulo um realizamos uma cienciometria utilizando a base de dados ISI da Web Of Science; no capitulo dois realizamos um estudo ecológico através do protocolo de habitat físico avaliando efeitos sobre a diversidade taxonômica e funcional de peixes de riachos; e no capitulo três utilizamos algoritmos de modelagem para prever perda de funções ecossistêmicas para 2050, além da proposição de áreas prioritárias de conservação da diversidade funcional de peixes de riacho.  Observamos com tese que o avanço dos efeitos negativos da mudança da paisagem e climática causam transformações presentes e futuras nos ecossistemas de riachos, sendo necessários mais esforços para estabelecimento de medidas para conter as perdas de funções ecossistêmicas fundamentais para manutenção do habitat de riachos e benéficas para os seres humanos.

  • ANDRESSA SANTOS GONÇALVES
  • Chromatic polymorphism and convergent mimicry in the genus Bryconops Kner, 1858 (Ostariophysi: Characiformes: Iguanodectidae) from the Amazon.

  • Data: 27/08/2021
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  • A fauna de peixes presentes em águas claras, águas pretas e águas brancas tendem a ser distintas em cada uma delas. Muitos peixes de pequeno porte na Amazônia apresentam uma variação no padrão de cor que ajuda na defesa contra predadores quando formam cardumes. Entre essas espécies temos membros do gênero Bryconops, Kner (1858), que necessita de revisão taxonômica, que inclui dois subgêneros claramente distinguidos por características morfológicas. Cada subgênero inclui espécies amplamente distribuídas como B. caudomaculatus e B. melanurus que apresentam variações em padrão de cor entre populações. Para determinar se o padrão de cor pode ser considerado útil para revisão taxonômica, analisamos as cores em relação à filogenia usando testes de independência de sinal filogenético e o teste de Wheatsheaf para verificar se estes caracteres apresentam convergência evolutiva. Os testes de sinal filogenético indicaram independência filogenética para a coloração das nadadeiras acima da linha mediana do corpo e o teste de Wheatsheaf apoia fortemente que dentre estas cores, a cor da nadadeira dorsal foi significantemente convergente entre espécies encontradas no mesmo tipo de água e a cor do lobo dorsal da nadadeira caudal mostrou uma tendência de convergência similar. Os resultados mostram que dependendo do tipo de água em que as espécies são encontradas eles podem apresentar uma coloração específica. A convergência de padrão de cor é esperada a refletir a seleção comum entre espécies porque deve ser resultado de seleção por predação, e assim incorporar as capacidades visuais dos predadores e a influência do ambiente visual local. Portanto a cor em si não deve ser considerada um caractere confiável para revisões taxonômicas nestes táxons.

  • ALANA PATRICIA MEGUY GUTERRES
  • Influência do ambiente, espaço e dismorfismo sexual na diversidade de insetos semiaquáticos (Hemiptera, heteroptera, Gerromorpha) na Amazônia oriental

  • Data: 25/08/2021
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  • A região Amazônica é conhecida como uma das áreas de maior diversidade do mundo, mas que está muito ameaçada pelo avanço de atividades antrópicas cada vez mais constante no bioma. Avaliar como essas alterações antrópicas afetam a biodiversidade, são de extrema importância para melhor a eficácia das medidas conservacionistas. Neste plano de doutorado o objetivo é avaliar o efeito da retirada de madeira (convencional e manejada), pastagem e da mineração na comunidade de Gerromorpha (Heteroptera), nas diferentes facetas da diversidade. Vamos utilizar como métricas de respostas, riqueza, abundância e composição de espécies; diversidade funcional e diversidade filogenética. O trabalho está estruturado em três capítulos onde: No primeiro capítulo nós vamos identificar os efeitos dos usos do solo na riqueza, abundância e composição das espécies de Gerromorpha. No segundo capítulo o objetivo central será identificar os efeitos dos usos do solo na diversidade funcional de Gerromorpha (Heteroptera) e quais os atributos funcionais (traits) estão sendo filtrados pelas alterações ambientais. Por fim, no terceiro capítulo nosso objetivo é verificar os efeitos dos usos do solo na diversidade filogenética da comunidade dos heteropteros semiaquáticos e quais os táxons podem ser extintos localmente.

  • CARLOS EDUARDO VASCONCELOS DOS SANTOS
  • Mapeamento físico de DNA’S repetitivos em espécies de Loricarídeos pertencentes a subfamília Hypostominae

  • Data: 23/08/2021
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  • A família Loricariidae (Siluriformes) é um grupo de peixes neotropicais que apresenta uma grande diversidade de espécies, e uma filogenia em constante reformulação, com muitos integrantes ainda não propriamente caracterizados. Grande parte do genoma dos organismos eucariontes é constituído por DNA repetitivo, e o uso dessas sequências como marcadores citogenéticos no estudo de peixes neotropicais, têm fornecido dados importantes sobre sua organização e diversificação, e seu papel na evolução genômica, auxiliando na identificação e caracterização taxonômica de espécies e gêneros. Para este estudo foi realizado o mapeamento físico de retroelementos ERV1, famílias multigênicas DNAr 18S, Histonas H1 e H3, snRNA U2 e microssatélite (GATA)n em espécies de loricarídeos, pertencentes a subfamília Hypostominae, com representantes dos gêneros Hypostomus (Hypostomus sp.), Hypancisrus (Hypancistrus sp. e H. zebra) e Peckoltia (P. vittata), visando observar o padrão de distribuição dessas sequências repetitivas no cariótipo dessas espécies, compará-los entre si e compreender a dinâmica genômica destes DNAs repetitivos. Os resultados obtidos revelaram que Hypostomus sp. apresenta 2n = 64, enquanto Hypancistrus zebra, Hypancistrus sp. “pão” e Peckoltia vittata apresentam 2n = 52, com fórmulas cariotípicas divergentes. O bandeamento C revelou a presença de dois ou mais pares cromossômicos apresentando blocos heterocromáticos, localizados nas regiões terminais ou ao longo de braços dos cromossomos. Quanto ao mapeamento de DNAs repetitivos, registramos a presença de sinais dispersos de ERV1, Histona H3 e (GATA)n no cariótipo das quatros espécies, com Histona H1 distribuída ao longo dos cromossomos em H. zebra, Hypancistrus sp. “pão” e Hypostomus sp., enquanto que P. vittata apresentou um cluster de H1 na região heterocromática intersticial do par 18; a maior parte das espécies apresentou um par de sinais DNAr 18S, exceto Hypancystrus sp. “pão”, com 5 clusters;  associação de sítios DNAr 18S-ERV1 foi observada em todas as espécies; o mapeamento de snRNA U2 em Hypancistrus zebra mostrou clusters terminais nos pares 1,10 e 19. A presença de pelo menos um par cromossômico com sinais de DNAr 18S em Hypostomus sp., P. vittata e H. zebra foi observada em Loricariidae e outros grupos de peixes, contrastando com Hypancistrus sp. “pão” que mostrou presença deste multigene em pares não descritos previamente. A colocalização dos sinais de DNAr 18S e ERV1 indica a interação entre família multigênicas e elementos móveis. A distribuição dispersa das sequencias (GATA)n e Histona H1 e H3 corrobora estudos anteriores, sendo, possivelmente, resultante de interferência de TEs. Quanto ao mapeamento de U2 snRNA em H. zebra, a presença de clusters em múltiplos pares cromossômicos também foi relatada em outros grupos de peixes e atribuída a ação de eventos de transposição. Os dados obtidos indicam que diversos processos como rearranjos cromossômicos e ação de TEs podem influenciar a dinâmica cariotipica em Hypostominae.

  • LEONARDO CESAR PORTAL PINTO
  • FATORES QUE AFETAM A MOVIMENTAÇÃO TERRESTRE DO PEIXE ANFÍBIO AMAZÔNICO Anablepsoides micropus (Cyprinodontiformes: Cynolebiidae): PRESENÇA DE PREDADOR, SEXO E OUSADIA

  • Data: 30/07/2021
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  • A movimentação animal é de extrema importância em diferentes níveis de organização ecológica, do indivíduo às comunidades bióticas. Ela garante que grupos de indivíduos tenham acesso a novos recursos, novas oportunidades de acasalamento, itens alimentares, garante o fluxo gênico, dentre outros processos. Porém, mover-se não é energeticamente barato e nem existe garantia do sucesso na investida. Sendo essa situação um claro trade-off na ecologia, pois existem consequências antagônicas que regulam a tomada de decisão por permanência ou movimentação. Nos peixes anfíbios que vivem em poças, a movimentação é ainda mais crucial, já que envolve sair da água para alcançar outras poças. Nesse estudo, investigamos qual o papel do predador, da personalidade e do sexo sobre a movimentação terrestre de um peixe anfíbio amazônico, o rivulus da floresta Anablepsoides micropus (Cyprinodontiformes: Cynolebiidae). Para tal, foi realizado um experimento de microcosmos em aquário para determinação da ousadia e subsequentemente um experimento de mesocosmos para determinação da movimentação terrestre. O experimento de mesocosmos foi feito na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, Amazonas. Encontramos que os peixes permaneceram mais tempo em poças grandes em relação às poças pequenas e na presença do predador a frequência de uso de poças grandes aumentou. Quanto à personalidade, indivíduos mais ousados foram relacionados a maiores áreas de movimentação terrestre. O sexo do peixe não afetou nenhuma das variáveis estudadas.

  • GLEYCE GABRIELLE DO ESPIRITO SANTO AQUINO
  • Ingestão de plástico por peixes estuarinos na maior área de manguezais do mundo, Brasil

  • Data: 31/05/2021
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  • Esta é a primeira evidência de ingestão de plástico por peixes na maior faixa de manguezais do mundo. Os plásticos são facilmente encontrados no nosso cotidiano, onde muitas vezes são descartados irregularmente no meio ambiente e como consequência acabam por entrar na cadeia trófica alimentar. Nosso estudo foi realizado na maior faixa de manguezais do mundo durante os períodos hidrológicos de seca e de cheia entre os anos de 2015 e 2018 nos estuários dos rios Pará e Caeté (Estado do Pará), e no Delta do rio Parnaíba (Piauí). Os peixes foram coletados com redes de arrasto manual, redes de tapagem e peneiras. Vinte espécies de peixes foram selecionadas para análises do conteúdo estomacal que revelaram consumo de plástico em todas as guildas tróficas analisadas (i.e., peixes onívoros, carnívoros e planctívoros). Um total 1.538 itens foram recuperados dos estômagos de 736 peixes de onde  152 polímeros plásticos foram encontrados. Quanto a classificação por tamanho dos plásticos encontrados, 128 são microplásticos, 23 mesoplásticos e apenas 1 macroplástico que foi encontrado no estuário do Marajó. Os filamentos plásticos foram mais abundantes no conteúdo estomacal (84%), com predominância dos plásticos de coloração azul e transparente e a frequência de ocorrência dos polímeros plásticos variou de 7,69% a 62,5% nos três estuários. Além dos plásticos, os peixes analisados consumiram invertebrados aquáticos e terrestres, moluscos e algas como principais itens alimentares. Nosso estudo foi o primeiro a analisar a ingestão de plásticos na maior faixa de manguezais do mundo, onde os plásticos foram confirmados em 100% das espécies de peixes coletadas, que são em sua maioria peixes de topo de cadeia. Isso nos revela que todo nosso ambiente aquático está vulnerável a contaminação por partículas de plástico. Infelizmente estamos longe de reduzir o uso de itens plásticos, mas precisamos tartar cada vez mais sobre esse tema e focar no grande causador dessas partículas nos oceanos, a pesca industrial.

  • ALAN ERIK SOUZA RODRIGUES
  • A influência do Pleistoceno na especiação do gênero Hypoclinemus (Günther, 1862): um conto não monofilético de linhagens de peixes neotropicais.

  • Data: 30/05/2021
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  • No que diz respeito a biodiversidade, é possível observar que os maiores índices estão concentrados nas regiões Neotropicais, tendo a fauna ictiológica da região que corresponde América do Sul uma das mais diversas do mundo. A Ordem Pleuronectiformes é um grupo de peixes que possui características morfológicas muito distintivas e plausíveis, por conta disso, é notável o interesse de pesquisadores a fim de compreender a história evolutiva, biologia e distribuição dos indivíduos pertencentes à Ordem. Hypoclinemus mentalis originalmente descrito como Solea mentalis, foi movido a um novo gênero devido a estar presente apenas em ambientes de água doce e não salobros, como o restante das espécies do gênero Achirus, sendo a única espécie dentro do gênero. Está amplamente distribuída ao longo da América do Sul, ocupando rios rasos e bacias de água doce, tendo sua presença limitada até a porção sul do estado do Pará. O presente trabalho, tem por objetivo principal utilizar a espécie H. mentalis, como organismo modelo para estudos de biogeografia na América do Sul, testando a hipótese da presença de linhagens crípticas desta espécie associadas as principais drenagens Sul-Americanas, através de marcadores mitocondriais e nuclear além de realizar a primeira filogenia molecular com todos os gêneros validos da família Achiridae. Uma árvore de Máxima Verossimilhança foi estimada utilizando-se o RAxML e outra árvore de espécie foi estimada utilizando-se o *BEAST com o modelo de relógio molecular estrito, para análise de tempo de divergência, nós estimamos o tempo do ancestral comum mais recente (TMRCA) com o Birth-Death model como parâmetro tree prior. As nossas inferências geradas demonstraram que o gênero Hypoclinemus é válido, entretanto, não é monotípico, pois em nosso trabalho foram recuperadas quatro linhagens crípticas dentro da área de ocorrência e diferente do que foi observado em estudos prévios, o gênero Hypoclinemus demonstra maior similaridade com Apyonichthys, ambos de água doce. As nossas análises também indicaram uma possível colonização das espécies de água doce por vias que conectavam o mar do Caribe com o Lago Pebas em ~21,28ma e as diferenciações das linhagens dentro do gênero Hypoclinemus poderiam ter sido afetadas por flutuações no nível do mar acentuadas durante o Plio/Pleistoceno, demonstrando a influência das glaciações-interglaciações no padrão biogeográfico do gênero, Apesar de que nossas inferências tenham mostrados estruturações dentro do grupo, faz-se necessário uma maior cobertura amostral para compreender mais a fundo principalmente as relações filogenéticas intraespecíficas.

  • EMANUEL DAMASCENO CORRÊA PEREIRA
  • Dinâmica da frota pesqueira que captura Gurijuba Sciades parkeri (Trail, 1832) na costa Norte do Brasil

  • Data: 28/05/2021
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  • A pesca artesanal de larga escola em toda a costa Norte do Brasil tem importância econômica e social marcantes e, reconhecer a dinâmica das capturas é imperativo para o estabelecimento de políticas pesqueiras coerentes e de sucesso na manutenção dos estoques. A pesca da gurijuba ainda é pouco conhecida e explorada em seus aspectos de produção, locais de captura e possíveis causas da variabilidade dos desembarques, embora tenhamos indícios fortes de redução dos estoques e aumento considerável do esforço. Neste sentido, este trabalho agregou informações disponíveis no último banco de dados oficial do governo do estado Pará e enalisou as informações das capturas de acordo com os dados de produtividade e esforço. Uma variedade de espécies é captura pelo bycatch e pouco se conhece sobre a estrutura e impactos gerados. Adicionalmente, a pluviosidade local não foi significativa na determinação da produtividade do sistema, mas as áreas de captura têm relação forte com a vazão do Rio Amazonas. As áreas mais ao Norte são as mais produtivas em todos os trimestres do ano e se igualam às capturas mais costeiras nos períodos de menor vazão do Amazonas. Os modelos lineares gerados por arte de pesca podem auxiliar na predição de capturas e na elaboração de políticas pesqueiras voltadas à redução do esforço.

  • JANAYNA GALVÃO DE ARAÚJO
  • Economia e sustentabilidade da pesca industrial do camarão rosa Penaeus Subtilis (Pérez-Farfante, 1967) na plataforma norte do Brasil

  • Data: 28/05/2021
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  • O camarão-rosa (Penaeus subtilis) corresponde a um importante recurso pesqueiro utilizado pela frota industrial da costa norte do Brasil. Esta atividade possui mais de 40 anos de existência e envolve diversos atores sociais em inúmeros níveis da cadeia produtiva que dependem dos resultados econômicos das pescarias como fonte de renda. As capturas têm oscilado nos últimos anos, o que acarreta insegurança para os trabalhadores do setor. Outros tensores ambientais como poluição e mudanças globais ameaçam a atividade. Não há estudos anteriores sobre as características econômicas desta atividade e sua resiliência perante possíveis crises. A presente tese tem como objetivo compreender a dinâmica econômica da pesca industrial do camarão-rosa realizando um estudo da cadeia produtiva, comportamento das exportações, estimativa da viabilidade econômica das pescarias e metodologias de avaliação dos processos de gestão. Para realizar a pesquisa foram utilizados dados provenientes de diversos canais já disponíveis em plataformas online ou já coletados anteriormente, bem como por meio de coleta direta de informações, junto às empresas e agentes de comercialização do seguimento, através da aplicação de questionários semiestruturados. Através do levantamento realizado foi possível compreender a situação atual da atividade e realizar projeções sobre a viabilidade econômica dessas pescarias para os próximos anos, frente a cenários de adversidade econômica e possíveis indicativos de baixa produção, bem como discutir sobre a adoção de políticas publicas que podem contribuir para melhoria das medidas de manejos da atividade.

  • LUCIO DAVI MORAES BRABO
  • Contaminação por resíduos sólidos e micro plásticos nos ecossistemas marinhos do Nordeste do Brasil

  • Data: 25/05/2021
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  • A gestão de resíduos sólidos é um dos desafios mais importantes para garantir a conservação e integridade dos ecossistemas. O manejo inadequado de resíduos causa alterações nos ecossistemas incluindo a poluição do ar, água e solo, representando uma ameaça real a fauna e a saúde humana. Entender as características dos resíduos nos diferentes ambientes marinhos e terrestres é fundamental para dar suporte aos gestores na tomada de decisão. Os materiais plásticos são os principais componentes dos resíduos no ambiente e sua capacidade de fragmentação em microplásticos representa um grande risco de ingestão para os animais marinhos. Esta dissertação é composta por dois artigos científicos (i.e., capítulos) sendo um publicado em revista cientifica e outro em processo de submissão. O primeiro capítulo avalia a abundância, composição e distribuição dos resíduos sólidos nas praias do Parque Nacional de Jericoacoara (Ceará). Um total de 7.549 itens de resíduos sólidos foram coletados em dezesseis praias estudadas. Os plásticos rígidos e flexíveis foram os itens mais abundante e através da aplicação de modelos aditivos generalizados (GAMs) foi possível prever pontos críticos de maior concentração de resíduos sólidos nas praias do parque. O segundo capítulo apresenta o primeiro registro de ingestão de microplásticos pela raia-lixo (Hypanus Guttatus) no oceano atlântico ocidental. Os microplásticos mais frequentes foram as fibras (82%), os de cor azul (47%) e os compostos por tereftalato de polietileno (PET) (35%). Estes resultados fornecem informações importantes para estudos futuros de ingestão de microplásticos por raias e contribuem para o entendimento mais amplo das dimensões espaciais e temporais da poluição por resíduos plásticos nos ecossistemas marinhos.

  • RODRIGO ARISON BARBOSA RIBEIRO
  • AS CONDIÇÕES DO HABITAT DENTRO DOS RIACHOS INFLUENCIAM AS ASSEMBLEIAS DE ODONATA (INSECTA) IMATUROS NA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 27/02/2021
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  • O crescimento das atividades agrícolas e de mineração na Amazônia impactam e o uso da terra e causam fortes mudanças nas condições ambientais locais dos riachos. Diante dessas mudanças, nosso estudo teve como objetivo avaliar como as mudanças ambientais afetam as assembleias de Odonata imaturas em riachos da Amazônia Oriental. Nossa hipótese é que as condições do habitat no riacho são fortes preditores para as assembleias de Odonata imaturas. Amostramos 30 riachos de cabeceira (1ª a 3ª ordem) na Amazônia Oriental. Corroboramos nossas hipóteses de que mudanças ambientais em escala de habitat são importantes preditores para as assembleias de Odonata imaturas. Esses resultados indicam que as condições ambientais dentro do canal do riacho são importantes para a manutenção das assembleias de Odonata imaturas, pois fornecem recursos importantes para o seu desenvolvimento. Para novas possibilidades de estudo, recomendamos a avaliação da dinâmica temporal para avaliar se esses padrões são estáveis ao longo do tempo. Por fim, avaliar diferentes escalas ambientais de origem do impacto é extremamente relevante para prevenir ou recuperar as assembleias aquáticas dos riachos amazônicos, considerando as rápidas mudanças ambientais e o desmatamento na região. Aqui demonstramos que as condições ambientais dentro dos riachos são importantes para a estrutura da montagem das assembleias e isso deve ser considerado nos planos de restauração ambiental.

  • MYLLENA SUZI LIMA SILVA
  • MUDANÇAS DE USO DA TERRA E OS GRUPOS FUNCIONAIS ALIMENTARES DE INSETOS AQUÁTICOS EM RIACHOS DA AMAZÔNIA

  • Data: 27/02/2021
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  • As modificações feitas na vegetação do entorno dos cursos d'água afetam diretamente a entrada de material alóctone no sistema, principal fonte de alimento para diferentes Grupos Funcionais Alimentares (GFA) de insetos aquáticos, interferindo nos processos ecossistêmicos que sustentam a biodiversidade. O objetivo deste estudo é avaliar os efeitos das mudanças na paisagem sobre a distribuição de GFA de comunidades de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera de riachos da Amazônia Oriental, uma região com um mosaico de múltiplos usos do solo com muita prevalência de pastagens. A hipótese testada é que fragmentadores e coletores-coletores, naturalmente prevalentes em riachos preservados de primeira ordem, serão mais afetados pelas mudanças ambientais dos riachos causadas pelo desmatamento da mata ciliar, uma vez que as mudanças restringiriam a disponibilidade de recursos alimentares para estes grupos. Para este estudo, 30 riachos amazônicos (1ª a 3ª ordens) localizados na Bacia do Rio Capim, município de Paragominas, Pará, Brasil, foram amostrados. Os fragmentadores foram os insetos mais afetados pelo gradiente ambiental. A reduzida abundância de fragmentadores pode reduzir a fragmentação foliar, afetando toda a rede trófica. Aqui nós evidenciamos que a sensibilidade dos fragmentadores as mudanças ambientais podem ser utilizadas como ferramenta de biomonitoramento da qualidade ambiental. Portanto, é importante estimular o reflorestamento das áreas alteradas e intensificar as fiscalizações para o combate ao desmatamento ilegal das matas ciliares determinadas pelo Código Florestal Brasileiro e para a preservação dos recursos naturais e da biodiversidade.

  • SILDIANE MARTINS CANTANHEDE
  • BIOMARCADORES DE POLUIÇÃO AQUÁTICA EM PEIXES DE RIACHOS DA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 26/02/2021
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  • A região da Amazônia brasileira ocupa o terceiro lugar na produção mineral de bauxita, minério rico em Alumínio (Al). O Al é um agente pró-oxidante, capaz de induzir estresse oxidativo e causar alterações cardiovasculares nos organismos. Nesse contexto, o objetivo geral desta tese é analisar os efeitos do Al e outros estressores sobre respostas de estresse oxidativo e funções cardíacas da espécie de peixe amazônica Bryconops caudomaculatus. A tese está estruturada em 3 capítulos: Capítulo 1) um estudo de campo, no qual avaliou-se a toxicidade de metais mobilizados pela atividade de mineração de bauxita por meio de biomarcadores de estresse oxidativo na espécie de peixe amazônica B. caudomaculatus, relacionando com os níveis de metais em tecidos, água e sedimento; Capítulo 2) um estudo experimental, onde descreveu-se técnicas de registros eletromiográfico e eletrocardiográfico de respostas normais, durante indução à toxicidade e recuperação a curto prazo na espécie de peixe amazônica B. caudomaculatus. Esta técnica foi desenvolvida para ser aplicada no capítulo três; Capítulo 3) um estudo experimental, no qual avaliou-se os efeitos agudos de diferentes concentrações de Al na espécie de peixe amazônica B. caudomaculatus por meio de biomarcadores de estresse oxidativo e respostas cardíacas. No estudo de campo, os peixes e amostras de água e sedimento foram coletados em riachos de uma área de mineração de bauxita na bacia do rio Capim (PA), Amazônia Oriental, para as análises de metais (Alumínio, Bário, Chumbo, Cromo, Manganês e Níquel) e análises bioquímicas. Para os estudos experimentais, os peixes foram coletados em riachos longe de interferências antrópicas, localizados na bacia do rio Taiassuí (PA), e aclimatados em laboratório para a realização dos experimentos. No capítulo dois a substância utilizada foi o anestésico eugenol e no capítulo três foi o Sulfato de Alumínio. Os biomarcadores de estresse oxidativo medidos foram a capacidade antioxidante total (ACAP), a atividade da enzima Glutationa S-transferase (GST) e a lipoperoxidação (LPO). Os parâmetros cardíacos analisados foram a frequência cardíaca, duração do complexo QRS e dos intervalos PQ, RR e QT. No estudo de campo, as concentrações dos metais no sedimento e na água foram maiores no ponto a montante da mineração. Nos tecidos, foi maior nos pontos do entorno e a montante, principalmente nas brânquias. As concentrações dos metais estavam abaixo dos valores permitidos pela legislação local, exceto o Alumínio, encontrado em altas concentrações em todos os pontos. As brânquias dos peixes tiveram alta ACAP, o fígado teve alta atividade da GST e ambos os órgãos alta LPO, sendo maior nos peixes de dentro da área de mineração. O músculo não foi um órgão responsivo. No estudo experimental do capítulo 2, as técnicas de eletromiograma e eletrocardiograma padronizadas mostraram-se eficientes na avaliação de toxicidade a xenobióticos, as respostas eletrofisiológicas mostraram-se como excelentes biomarcadores e evidenciaram a suscetibilidade da espécie à substância testada. No capítulo 3, a concentração da maioria dos íons se manteve constante e a concentração de Al total e Al dissolvido foi maior nos tratamentos de exposição em todos os tempos experimentais. Não foi observado bioacumulação de Al no músculo dos peixes. A exposição ao Al não gerou estresse oxidativo nas brânquias, fígado e músculo. Mas, causou cardiotoxicidade em B. caudomaculatus. Os peixes expostos a menor concentração de Al apresentaram prolongamento acentuado do intervalo PQ, interferindo no automatismo das células cardíacas e os peixes expostos a maior concentração de Al apresentaram ausência da onda P, causando bloqueio atrioventricular. Em geral, conclui-se que as alterações bioquímicas encontradas nos peixes dos pontos de dentro da mineração indicam que os animais não foram capazes de evitar o estresse oxidativo, demonstrando a interferência direta da atividade mineradora na contaminação química do ambiente aquático. O Al foi altamente tóxico nas funções cardíacas de B. caudomaculatus. Os resultados gerados nesse estudo poderão subsidiar programas de recuperação e gestão ambiental em áreas de mineração da Amazônia, e fornecem informações valiosas sobre a aplicação de espécies de peixes nativas amazônicas como biomonitores em estudos de avaliação toxicológica de produtos químicos.

  • FRANCIELLY ALCANTARA DE LIMA
  • Abundância e distribuição de larvas de Brachyura (Crustacea, Decapoda) na Plataforma Continental Amazônica.

  • Data: 28/01/2021
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  • As larvas meroplanctônicas de Brachyura são um dos principais componentes do zooplâncton, sendo bastante abundantes em algumas regiões e períodos do ano. Nesse estudo, investigamos os estágios e fases larvais de caranguejos no plâncton da Plataforma Continental Amazônica em termos de composição taxonômica, frequência de ocorrência nas categorias de pluma do Amazonas, distribuição em relação às águas superficiais e coluna d’água, extensão da dispersão horizontal em relação ao estuário, e probabilidade de ocorrência e abundância prevista nos perfis de temperatura, salinidade e clorofila-a da coluna d’água. Foram analisadas 84 amostras, provenientes das 7 expedições realizadas trimestralmente de julho/2013 a janeiro/2015, em seis locais, ao longo de um transecto que partiu da Ilha do Marajó até as proximidades da quebra da plataforma (≈ 240 km, isóbata de 100m). O material biológico foi obtido através de arrastos superficiais e oblíquos com rede de plâncton cônico-cilíndrica (malha 200 μm, 60 cm de diâmetro de abertura com fluxômetro acoplado), enquanto os valores de profundidade, salinidade, temperatura e clorofila-a foram registrados por um perfilador CTD, e os dados de vazão do Rio Amazonas foram obtidos via Agência Nacional das Águas. Identificamos um total de 17.759 larvas, distribuídas em 24 táxons, pertencentes às famílias Calappidae, Grapsidae, Leucosidae, Ocypodidae, Panopeidae, Pinnotheridae, Portunidae e Sesarmidae. A espécie Panopeus lacustris foi a mais abundante (67 %), seguida por Achelous spp. (12%) e Armases rubripes (9%). Os táxons U. cordatus e megalopa de Gelasiminae 2 ocorreram exclusivamente em águas estuarinas, G. cruentata e L. cumulanta somente em pluma intermediária, enquanto Grapsidae e megalopas de Pinnotheridae e Portunidae apenas em mar aberto. Dentre as variáveis ambientais analisadas, a salinidade foi a melhor preditora da distribuição larval, e por meio de modelos de abundância prevista e probabilidade de ocorrência nela baseados, verificamos maior heterogeneidade em larvas de Panopeidae, Pinnotheridae e Portunidae, com maior probabilidade de ocorrência em camadas d’água superficiais, enquanto Ocypodidae, Sesarmidae e Calappidae tem maior probabilidade de ocorrência em camadas mais profundas. Grapsidae e Leucosidae ocorrem de forma homogênea. Verificamos também que a extensão de dispersão larval é distinta entre as famílias, de modo que Grapsidae e Sesarmidae tem dispersão concentradas até 100 km da costa, Pinnotheridae e Ocypodidae até 150 km, Portunidae de 100 a 233 km, Calappidae de 100 a 150 km, enquanto Panopeidae e Leucosidae em toda a plataforma. Além disso, destacamos que a vazão do Amazonas regula a distribuição das famílias de caranguejos estuarinas e a pluma de água doce é fundamental para as espécies da plataforma, fornecendo grande aporte de nutrientes que favorece o desenvolvimento desses grupos no planctôn.

  • RAINARA MORAES AMARAL
  • Uso do DNA barcode para investigar medidas de diversidade filogenética em comunidades de peixes amazônicos no Nordeste do Pará, Brasil

  • Data: 28/01/2021
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  • Muitos grupos de seres vivos como os peixes são extremamente numerosos e diversificados, nessa perspectiva, a diversidade ictiológica sempre foi muito estudada no meio científico, com atenção especial à fauna neotropical. Porém, os peixes da região são tão numerosos e variados que as diferenças morfológicas podem ser muito sutis e é difícil dominar a identificação de todos os grupos taxonômicos. Dessa forma, a utilização de métodos taxonômicos alternativos complementares ao morfológico, como o DNA barcode, tem sido adotado para acelerar e assegurar a discriminação correta das espécies. Os dados de DNA barcode também auxiliam na avaliação da diversidade biológica em comunidades e ecossistemas. Portanto, o objetivo deste trabalho foi produzir um banco referencial de DNA barcode para peixes da área de endemismo de Belém e verificar a importância dessa informação genética para medidas de diversidade. Entre 2008 e 2011, mais de 500 amostras de tecido foram coletadas durante coletas ecológicas trimestrais padronizadas em 12 localidades nas cinco principais bacias hidrográficas no nordeste do Pará. Ferramentas analíticas do BOLD foram aplicadas ao conjunto de dados e índices de diversidade taxonômica e filogenética foram gerados para avaliação da diversidade. Nesse primeiro banco referencial de dados de DNA barcode para peixes de água doce dessa região as identificações moleculares, em sua maioria, corresponderam às morfológicas, exceto em alguns táxons que apresentaram espécies crípticas. Este é o primeiro estudo que emprega dados de DNA barcode para a investigação da diversidade filogenética de peixes da região Amazônica, comparando comunidades de rios menores e maiores ao longo do tempo, destacando a influência da sazonalidade no comportamento dos índices. A ausência de agrupamentos sazonais de eventos amostrais, quando analisamos rios de menor ordem baseado em diversos índices de diversidade, mostra que a sazonalidade de amostragem influencia menos do que as condições abióticas distintas do ambiente. A direção de resposta dos índices taxonômicos é diferente, refletindo a tendência das métricas a responder de forma distinta as abundâncias relativas entre as espécies (maior ou menor equitabilidade), e isso é mais claro na segregação de eventos amostrais de estações do ano quando analisamos rios de maior ordem. Contudo, a porcentagem de explicação conjunta dos índices filogenéticos NTI e NRI têm a maior relevância explicativa (R² = 0.473) na estruturação das comunidades de peixes de pequenos riachos indicando que as comunidades nestes menores rios apresentam variações nas tendências de taxonomic clustering. Também indica que métricas utilizando informação filogenética devem ser consideradas informativas para interpretar mudanças na fauna de peixes nestes sistemas.

2020
Descrição
  • THUAREAG MONTEIRO TRINDADE DOS SANTOS
  • Efeitos das atividades recreacionais sobre a fauna bentônica em praias arenosas amazônicas

  • Data: 26/11/2020
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  • Praias arenosas são ambientes de fácil acesso para a população humana e por conta disso estão sujeitas a diversas pressões antrópicas, que em sua maioria estão ligadas a atividades turísticas. As praias amazônicas atraem uma grande quantidade de turistas ao longo do ano e, até o momento, não existem trabalhos avaliando impactos ambientais relacionados ao turismo na fauna bentônica para a região. Diante desse cenário, o presente trabalho averiguou os efeitos das atividades recreativas (pisoteio e tráfego de veículos) na macrofauna (Capítulo 1), assim como na meiofauna e nematofauna (Capítulo 2). Para isso, três praias com diferentes níveis de pressão recreativa (Atalaia: intensidade alta e veículos permitidos; Farol-Velho: intensidade moderada e veículos permitidos; e Corvinas: intensidade baixa e sem permissão de veículos), localizadas em Salinópolis (NE paraense), foram analisadas em 4 períodos (antes, durante, 1 mês depois e 2 meses depois da alta temporada de verão - julho) de 2017. A macrofauna apresentou uma drástica redução na densidade e na riqueza principalmente nas praias do Atalaia e Farol-Velho durante a alta temporada. Por outro lado, a praia das Corvinas permaneceu sem grandes alterações durante todo o estudo. A recuperação da fauna foi observada 2 meses após a alta temporada. Além disso, a vulnerabilidade dos poliquetas Scolelepis squamata e Paraonis sp. às atividades recreativas encontradas no estudo, indica que elas possam ser potenciais indicadores de impactos recreativos nesse ambiente. Por sua vez, meiofauna e a nematofauna apresentaram padrões similares aos da macrofauna, onde a grandes reduções na densidade e na riqueza foram observadas nas praias do Atalaia e Farol-Velho durante a alta temporada. Entretanto, a recuperação da fauna foi observada 1 mês após a alta temporada. Além disso, Copepoda, Tardigrada e os gêneros de Nematoda, Daptonema e Chromadorita apresentaram vulnerabilidade às atividades recreativas e podem ser usados como potenciais indicadores de impactos ambientais.

  • UALERSON IRAN PEIXOTO DA SILVA
  • Abordagem ecológica para os impactos da pesca de arrasto de fundo: O caso do camarão da plataforma continental amazônica

  • Data: 08/10/2020
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  • A pesca industrial de arrasto de fundo do camarão rosa na plataforma continental amazônica, é uma das atividades econômicas mais rentáveis da costa Norte do Brasil, responsável pela oferta de produtos pesqueiros em escala nacional e mundial. Apesar da sua importância econômica, esta atividade pesqueira é considerada uma das menos sustentáveis da costa Norte, principalmente devido ao método de pesca empregada, o arrasto. Os arrastos industriais de fundo são responsáveis por impactos diretos e indiretos no ambiente, como suspensão de sedimento, raspagem dos fundos oceânicos e principalmente a grande captura de espécies não alvo da pescaria, o bycatch, devido a sua baixa seletividade. Neste sentido, considerando o impacto gerado no ecossistema a presente tese, estruturada em três artigos, buscou abordar algumas questões ecológicas das pescarias. No Capítulo 2, foi investigada a distribuição da frota e da estrutura de tamanho dos camarões capturados na pesca, buscando identificar os locais e épocas do ano de maior recrutamento do camarão, o tamanho mais apropriado para uma possível unidade de conservação marinha, com o objetivo de proteger os camarões recém recrutados, assim como testar a hipótese de que o camarão rosa realiza migrações latitudinais para regiões mais profundas na plataforma continental amazônica. O Capítulo 3 buscou estimar a atual captura máxima sustentável (MSY), e fez projeções testando o potencial efeito de um aumento de esforço sobre a sustentabilidade do estoque de camarão. O capítulo 4 buscou identificar quais são os principais impactos da pesca sobre a dimensão biológica do ecossistema e identificar quais espécies de peixes mais frequentes no bycatch apresentam uma alta vulnerabilidade frente aos impactos da pesca. De uma forma geral, o período de defeso e os limites da área de exclusão de pesca não parecem adequados para a proteção dos camarões recém recrutados. O estoque não se encontra sobreexplotado e suporta um incremento no esforço sem comprometer o estoque. Porém, impactos negativos oriundos do método de pesca foram identificados, diversas espécies de peixes apresentam uma vulnerabilidade moderada a alta frente aos impactos da pesca. A presente tese reforça a importância de uma abordagem ecossistêmica para o manejo das pescarias, reforçando que o ordenamento baseado apenas em pontos de referência de espécies alvos não atinge o objetivo de sustentabilidade da atividade.  Informações relacionadas aos componentes do ecossistema devem ser inseridos nas análises em direção a uma abordagem ecossistêmica.

  • ESTHER MIRIAN CARDOSO MESQUITA
  • Entre Questões Políticas e Socioambientais: Os Efeitos da Construção da UHE Belo Monte sobre Comunidades Indígenas da Volta Grande do Rio Xingu, Pará, Brasil

  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 01/10/2020
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  • Os povos indígenas, assim como outras comunidades tradicionais, são detentores de um conhecimento detalhado sobre o meio em que vivem. Com a implantação de empreendimentos hidrelétricos na Amazônia, diversos direitos desses povos são desrespeitados ao longo do processo de licenciamento, principalmente em relação ao mecanismo de Consulta da Convenção 169 da OIT. Além de sofrerem o desrespeito ao longo do processo são ainda os primeiros a sofrer os impactos decorrentes do empreendimento, principalmente sobre a pesca artesanal, atividade da qual são altamente dependentes para consumo familiar e geração de renda. O presente estudo foi realizado junto as comunidades Juruna de três aldeias (Paquiçamba, Furo Seco e Lakarika) na Terra Indígena Paquiçamba na Volta Grande do rio Xingu. O objetivo do primeiro capítulo foi avaliar o processo de licenciamento realizado para a implantação da hidrelétrica de Belo Monte, sob a perspectiva das comunidades Juruna na região do Volta Grande do Xingu. A partir de entrevistas com perguntas norteadoras, o capítulo inicia com uma breve descrição dos mecanismos de participação e consulta dos povos indígenas, após isso é apresentado um breve histórico do processo de implantação da UHE na região da Volta Grande do Rio Xingu, seguido por uma descrição das perspectivas dos participantes sobre os temas centrais da pesquisa, que incluem os processos de Resistência, Consulta e Negociação, e concluindo com lições aprendidas e considerações finais. O segundo capítulo buscou identificar os primeiros impactos que a construção da UHE Belo Monte causou sobre a pesca indígena dos Juruna diretamente afetados pela obra. Foram utilizados dados de desembarque nas aldeias, no período de 2014 a 2015 (Pré barramento) e 2016 a 2019 (Pós barramento). Foram realizadas análises de anomalia da vazão para verificar mudanças na vazão do rio, análises de produção e CPUE para a descrição da pesca pré e pós barramento, PCOA e RDA para avaliar as mudanças na composição específica das capturas. Foi feita uma breve descrição da atividade pesqueira dos indígenas. As primeiras mudanças ocorreram nas formas e artes de pesca, com redução no uso de artes mais tradicionais e aumento no uso de malhadeiras. Assim como mudanças na composição das principais espécies capturadas, reduzindo a produção de espécies mais dependentes da cheia do rio. Outras alterações na estrutura em tamanho e peso dessas espécies também foram registradas. Dessa forma, este estudo destaca a importância de se considerar os povos indígenas e tradicionais na tomada de decisões que os afetem diretamente, pois estão mais vulneráveis aos impactos da construção de grandes empreendimentos, principalmente na Amazônia.

  • KAROLINA PAZ DE MATOS
  • SABERES E PRÁTICAS DA PESCA ARTESANAL NA RESERVA EXTRATIVISTA ARIOCA PRUANÃ, OEIRAS DO PARÁ (PA): entre ilegalidade e manejo

  • Data: 11/09/2020
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  • Entre populações tradicionais os diferentes modos de vida estão fortemente articulados com o ambiente. Para a atividade da pesca artesanal, como prática dessas populações, essa característica se potencializa, dado que se encontra marcada por um conhecimento particular sobre o ecossistema e o domínio de artes de captura. Em unidades de conservação (UC’s) de uso sustentável, como as Reservas Extrativistas (RESEX’s), a prática da pesca merece atenção especial, pois passa a ser objeto de controle diante dos planos de manejo e na interface com os órgãos de controle ambiental trazendo consequências para as relações sociais na pesca e mesmo para o ecossistema. Na Reserva Extrativista Arioca Pruanã (REAP) a população que trabalha com a pesca compõe atividade de significativa relevância econômica e ecológica, sendo que a RESEX, já com mais de uma década de instituição, ainda não conta com plano de manejo, o que causa diferentes processos de conflito e disputa por territórios pesqueiros e recursos. Diante da interface da pesca com a instituição da RESEX, esta pesquisa aborda as práticas, saberes e estratégias utilizadas na pesca artesanal diante da diminuição do pescado relatada pelos pescadores. A pesquisa tem por principal objetivo caracterizar as pescarias - artes de pesca– e os conhecimentos locais envolvidos nessa atividade. A pesquisa deposita especial atenção nas pescarias que fazem uso de petrechos e/ou substâncias de caráter ilícito, dado que tal contexto cria processos de conflito, além de impacto no ecossistema local. A UC em tela localiza-se na microrregião de Cametá, Baixo Tocantins, município de Oeiras do Pará (PA), Brasil. Com uma área aproximada de 83.445 hectares, ela tem por objetivo resguardar o modo de vida das populações tradicionais de seu interior, assim como garantir o uso sustentável dos seus recursos naturais. A metodologia utilizada para a pesquisa teve caráter qualitativo-quantitativo. A partir de pesquisa documental nos arquivos da REAP e análise bibliográfica disponível sobre a área, a metodologia fez uso da observação participante, de caráter não etnográfico, realização de entrevistas semi-estruturadas com gestores do poder público, colônia de pescadores, presidente da associação dos moradores e atores sociais do interior da REAP, ademais de entrevistas semiestruturadas junto aos pescadores artesanais de forma a capturar as percepções e conhecimentos que envolvem a pesca e o uso de artes e petrechos ilegais. Os resultados apontam para o uso frequente de artes e petrechos ilegais que tradicionalmente foram usados entre os pescadores, mas que no atual contexto provocam cenários de conflitos no interior da UC. Trabalhos com esse enfoque são necessários à medida que possibilitam o vislumbre das problemáticas que cercam o exercício da atividade, principalmente quando se trata de uma UC de uso sustentável.

  • ADAUTO DOS SANTOS MELLO FILHO
  • Dinâmica da pesca e avaliação de estoques da piramutaba Brachyplatystoma vaillantii capturada pela frota industrial na costa amazônica brasileira

  • Data: 31/08/2020
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  • A piramutaba (Brachyplatystoma vaillanti Valenciennes, 1840) é um pimelodídeo de elevada importância econômica na bacia amazônica, principalmente no estuário amazônico onde é explotado por uma frota de arrasto. Essa frota é apontada como a principal responsável pelo quadro de sobrepesca verificado para essa espécie, sendo necessária uma melhor compreensão da dinâmica pesqueira e uma avaliação mais recente da situação do estoque desse recurso. Para esse estudo foram utilizados dados de desembarque pesqueiro fornecidos pelas empresas armadoras, dados de rastreamento das embarcações obtidos com o PREPS durante os anos de 2010 a 2013. Também foram entrevistados os chefes de frota responsáveis por 56% das embarcações da frota industrial de piramutaba. Os resultados demonstraram que a frota apresenta uma tendência de diminuição dos dias de pesca por viagem, porém um aumento do número de viagens, indicando que a frota pode estar otimizando suas capturas para tentar manter a produtividade. Foi verificada também que a frota apresenta um comportamento diferenciado da temporada de pesca, associado ao comportamento da espécie e a variabilidade da descarga do rio amazonas, alocando o esforço mais ao Norte da foz amazônica no período de cheia, e se aproximando mais da costa no período de descarga mínima. Esses resultados sugerem que a frota, na tentativa de compensar problemas operacionais relacionados com o desembarque e manutenção das embarcações, está tentando otimizar o esforço praticado. A avaliação dos estoques foi realizada a partir dos dados de comprimento obtidos por observadores de bordo embarcados na frota industrial de arrasto, entre dezembro de 2008 a agosto de 2011. Para aplicar o modelo de rendimento por recruta, foram estimados os parâmetros de crescimento exigidos, utilizando uma abordagem em R que utiliza o tradicional método ELEFAN associado a um boostraping não paramétrico que permite mensurar as incertezas relacionadas as estimativas. Posteriormente foram estimadas a longevidade da espécie, as taxas de mortalidade e explotação, e com isso, a análise de rendimento por recruta foi realizada utilizando o modelo de Beverton e Holt. Os resultados indicam que a B. vaillantii é uma espécie de crescimento lento e médio porte (L∞=123,03 cm e k=0,14 ano-1), com uma longevidade de aproximadamente 20 anos. A taxa de explotação ultrapassou o limite máximo de sustentabilidade para os anos de 2008 a 2011 (F=1,28 ano-1>Fmsy=0,3 ano-1), indicando que a espécie está em sobrepesca de crescimento, sendo necessária a redução expressiva da mortalidade de pesca praticada. Os resultados encontrados no presente estudo demonstram que a frota pode estar aumentando a sua eficiência de pesca, o que pode ser prejudicial levando em consideração que a mortalidade de pesca já ultrapassou os níveis de sustentabilidade para esse recurso, sendo necessários repensar o manejo aplicado para essa espécie de maneira a retirar ela do quadro de sobrepesca sem inviabilizar a atividade na região. A a adoção de TACs seria uma opção adequada para limitar um possível aumento do poder de pesca da frota e assim também minimizar o impacto da pescaria sobre o recurso.

  • SUELLEN MARIA GALES SERRAO
  • Sistemática Molecular e biogeografia histórica do gênero Mastiglanis Bockmann, 1994 (Siluriformes: Heptapteridae)

  • Data: 20/08/2020
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  • A família Heptapteridae, endêmica da região Neotropical, é composta por indivíduos de tamanhos reduzidos, até espécies de médio porte, possuindo uma grande diversidade dentro da ordem Siluriformes. Os peixes dessa família são popularmente conhecidos como mandis e, em geral, são organismos bentônicos, onívoros e habitantes de rios rasos de pequeno porte. A maioria dos heptapterídeos apresentam problemas taxonômicos e sistemáticos devido à grande similaridade morfológica entre as espécies, o que em muitos casos está associada a presença de espécies crípticas. O gênero Mastiglanis, até recentemente monotípico, é frequentemente identificado de forma errônea em estudos de levantamento de biota e de ecologia como Imparfinis por apresentarem características morfológicas semelhantes como barbilhões maxilares longos, nadadeira caudal profundamente forcada e corpo com pouca pigmentação. O presente estudo tem como objetivo realizar a primeira inferência molecular direcionada ao gênero Mastiglanis, tendo como objetivos verificar a monofilia do gênero a partir de dados moleculares bem como inferir quais eventos biogeográficos possivelmente influenciaram na distribuição atual do gênero. As sequências produzidas para os indivíduos morfologicamente identificáveis como Mastiglanis asopos provem de diferentes bacias (Amazonas, Orinoco e Essequibo) da região neotropical. Com o auxílio das análises de delimitação de espécies (ABGD, GMYC, PTP) e de filogeografia utilizando o gene mitocondrial 16S, observamos que o gênero foi recuperado como monofilético, porém, M. asopos não foi recuperado como uma linhagem monofilética, sendo, possivelmente, um complexo de espécies contendo sete linhagens distribuídas ao longo da região Amazônica. Nossos dados indicam o provável surgimento do gênero durante o meio Mioceno, durante o período de formação do Sistema Pebas. O primeiro evento de especiação do gênero ocorreu em ~12Ma, provavelmente, devido as introgressões marinhas; as subsequentes diversificações das linhagens ocorreram durante o Mioceno tardio e o Plioceno influenciadas pelos eventos paleogeográficos; e as linhagens mais recentes podem ter diversificado sob a influência das glaciações que ocorreram durante o Quaternário. O presente estudo é primeiro a abordar os aspectos filogenéticos e biogeográficos do gênero Mastiglanis, apontando a presença de linhagens crípticas não descritas ao longo uma grande área de amostragem. Entretanto, sua ampla área de dispersão no Continente Sul Americano reforça a necessidade de amostragem adicional bem como revisões sistemáticas mais apuradas para a correta descrição e delimitação das novas linhagens, o que levará a um aumento significativo na diversidade desta espécie neotropical.
  • RAYSSA CARDOSO DA SILVA
  • Caracterização da pesca artesanal de puçá de arrasto de camarão: sustentabilidade e etnoecologia entre  pescadores artesanais em Ponta Bom Jesus - São Caetano de Odivelas (PA)

  • Data: 31/07/2020
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  • Na pesca de arrasto de camarão a fauna acompanhante constantemente aparece como um problema central a ser tratado, diante do impacto promovido por essa captura. Estudos sobre a modalidade industrial podem ser encontrados evidenciando a importância da produção de tecnologias que diminuam os impactos desse tipo de pesca. Todavia, estudos sobre a pesca artesanal de puçá de arrasto ainda não contam com uma bibliografia capaz de descrever essa atividade em toda sua riqueza. Na pesca artesanal de camarão apetrechos e atores sociais figuram como elementos centrais. Nesta, um saber particular garante o trato e uso diferenciados dessa fauna, desenhando e indicando práticas que promovem menor impacto frente a um cenário de intensa pressão sobre recursos naturais.  Diante de uma literatura limitada sobre esse tipo de captura e suas particularidades, o presente trabalho tem como objetivo principal caracterizar a pesca artesanal de puçá de arrasto de camarão e as espécies que compõem a sua fauna acompanhante a partir dos saberes e práticas de pescadoras e pescadores artesanais. Observações em campo indicam que o saber tradicional dos pescadores nesse tipo de captura tem caráter de destaque. Esta pesquisa usou como técnica metodológica a observação participante de caráter não etnográfico, ademais da utilização de uma metodologia quali-quantitativa fazendo uso de questionários e entrevistas semiestruturadas, destacando as categorias sustentabilidade e etnoecologia como orientadoras da análise.

  • JEFFERSON WILLIAN SILVEIRA DA CONCEICAO
  • Interações tróficas nas corredeiras do baixo rio Xingu, Amazônia, Brasil

  • Data: 31/07/2020
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  • Tendo em vista que o comportamento alimentar é relacionado à disponibilidade de fontes primárias, pode-se mensurar a contribuição das fontes a partir da composição dos tecidos dos seus consumidores. Desse modo, a análise de isótopos estáveis surge como uma ferramenta eficaz para inferir resultados acurados no diagnóstico de padrões tróficos dos organismos. Em especial, os isótopos do carbono (ẟ13C) e nitrogênio (ẟ15N) têm ajudado a elucidar as relações tróficas para diversos grupos taxonômicos, e contribuir na avaliação dos impactos ambientais de empreendimentos, como por exemplo, a construção de usinas hidrelétricas (UHE), responsáveis das principais alterações na estrutura trófica das comunidades aquáticas. O presente estudo determinou a estrutura trófica dos organismos das corredeiras da Volta Grande do rio Xingu na fase anterior à operação da UHE Belo Monte concluída no ano de 2016. Com base em coletas realizadas no ano de 2012, consumidores de diferentes grupos taxonômicos e três principais fontes primárias, classificadas em plantas C3, plantas C4 e microfitobentos, fizeram parte das análises. As coletas foram realizadas durante o período hidrológico de seca em julho de 2012, em ambientes encachoeirados na região conhecida como Volta Grande do rio Xingu. As amostras de tecido muscular dos peixes e fontes foram devidamente secas em estufa à 60 ºC, maceradas, posteriormente pesadas e compactadas em cápsulas de estanho e analisadas quanto aos isótopos estáveis do carbono e nitrogênio, onde os valores de contribuição das potenciais fontes, foram determinadas por intermédio de um modelo de mistura Bayesiano na plataforma R com o pacote mixSIAR. Os resultados contribuíram na identificação das interações entre recursos tróficos e os consumidores no ambiente ainda inalterado pelo empreendimento hidrelétrico, servindo portanto como um estudo referência do fluxo de energia e estrutura trófica nas corredeiras do rio Xingu. Além disso, o estudo demonstrou como as fontes autotróficas sustentam o aporte energético para a cadeia trófica e, portanto, são essenciais na tomada de decisões ao traçar estratégias para a conservação dos ecossistemas encachoeirados.

     

  • BRENDA NATASHA SOUZA COSTA
  • Metais Em Organismos Aquáticos Expostos A Chorume Das Bacias Hidrográficas Do Rio Aurá, Amazônia, Brasil

  • Data: 29/06/2020
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  • Os lixões geram lixiviados (chorume) e quando não tratado este lixiviado infiltra nos solos e chega aos rios contaminando águas e sedimentos. Uma vez introduzidos nos ecossistemas aquáticos, a biota pode acumular contaminantes, como os elementos metálicos, e resultar danos a saúde mesmo que ingeridas baixas concentrações diárias. Diante disso, neste estudo foram determinadas as concentrações de Arsênio (As), Cádmio (Cd), Chumbo (Pb), Mercúrio (Hg) e Elementos Terras Raras (REEs) em diferentes tecidos (músculo, brânquias e fígado) de peixe (Propimelodus eigenmanni), camarão (Macrobrachium amazonicum) e caranguejos (Uca mordax) dos rios Aurá e Uriboca, próximos ao lixão do Aurá da Região metropolitana de Belém. A obtenção dos organismos foi realizada em quatro pontos amostrais nos meses de novembro/2015, fevereiro/2016, maio/2016 e agosto/2016. Foi determinada a concentração de REEs em músculo das três espécies; as concentração de As, Cd, Pb e Hg foram avaliadas em músculo e brânquias de peixe, camarão de caranguejo e figado de peixes. De modo geral, os níveis de As, Cd, Pb, Hg e ∑REE nos caranguejos foram maiores que nos camarões e peixes. Sazonalmente, no período seco, Maio/2016 e Agosto/2016, os espécimes apresentaram maiores concentrações dos elementos metálicos. As concentrações de As, Pb e Hg das brânquias de camarão e caranguejo e do fígado de peixe foram significativas maiores que os demais tecidos. No acumulo de REEs, apenas os caranguejos diferiram entre os locais de coleta, e este foram significativamente maiores no ponto mais próximo da fonte poluidora (P1, P2 e P3), diminuindo na área controle (P4). Este mesmo padrão é observado no acumulo de As, Cd, Pb e Hg pelos tecidos de peixes, camarões e caranguejos. Considerando a capacidade de absorção dos metais e a influencia sazonal no acumulo deste, o caranguejo Uca mordax pode ser considerado um excelente bioindicador de ecossistemas aquáticos adjacentes às áreas urbanas.

  • RORY ROMERO DE SENA OLIVEIRA
  • DIVERSIFICAÇÃO TRÓFICA E MORFOLÓGICA DE PEIXES EM DIFERENTES SISTEMAS ESTUARINOS DO NORTE DO BRASIL

  • Data: 29/04/2020
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  • Os estuários, dentre os habitats costeiros, sustentam a maioria dos bens e serviços ecológicos para a sobrevivência de uma grande diversidade de espécies, em especial os peixes. No entanto, mesmo com o elevado crescimento no conhecimento tanto nos aspectos biológicos como ecológicos, muito ainda, precisa ser levado em consideração tratando-se de ecossistemas tão complexos. A presente tese objetivou determinar o papel estrutural e funcional de diferentes sistemas estuarinos para espécies de peixes comumente encontradas nos mesmos, a partir da utilização de abordagens multiespecíficas. Amostragens foram realizadas entre 2015 e 2017, durante a maré baixa em zonas de entremarés, utilizando metodologias ativas e passivas, a fim de obtermos representatividade em termos de riqueza das espécies, assim como das fontes autotróficas e principais presas. Um total de 33 espécies (20 famílias) foram analisadas neste estudo, dispostas de acordo com suas guildas tróficas como: bentófagos, bento-ictiófagos, herbívoras, zooplanctívoras e onívoras. A variabilidade e a utilização dos recursos alimentares foram avaliadas no capítulo 2, onde o efeito dos três sistemas estuarinos (Baía do Marajó, Caeté e Delta do Parnaíba). As associações entre os caracteres morfológicos e alimentares foram avaliados através da CCA, onde a ordenação demostrou quais traços são os mais representativos para a captura de determinado item (74,1% da explicação total). Ainda, a análise das métricas isotópicas demostraram que as amplitudes de nicho foram muito mais amplas à Baia do Marajó em relação aos outros estuários. O efeito temporal foi analisado entre a ictiofauna de dois estuários de macro-marés do norte do Brasil (Marajó e Caeté; capítulo 3), onde não foi verificado diferenças na composição da dieta das espécies entre os estuários ou estações (p > 0,05), no entanto as diferentes variações da composição isotópica das espécies de peixes foi muito mais amplo em δ13C para Marajó, já em δ15N o estuário do rio Caeté foi mais pronunciado, indicando o papel das diferentes fontes autotróficas entre os estuários. Estudo envolvendo presa-predador através da utilização de estruturas rígidas (e.g., otólitos), ainda é incipiente nos estuários tropicais. Desta forma, o capítulo 4 relacionou medidas de peixes e seus otólitos, a fim de gerar modelos robustos para estimar o comprimento e a massa de peixes encontrados em analises de conteúdos estomacais de ictiófagos. O coeficiente de determinação (r2) das relações biométricas variou entre 0,71 e 0,99. Os resultados desta tese destacam o papel complexo que distintos estuários exercem sobre os diferentes níveis tróficos ocupados por peixes comumente encontrados nos estuários do Norte do Brasil. Ainda agregam informações sobre o conhecimento de diferentes abordagens tróficas para quaisquer comparações de sistemas estuarinos e, principalmente subsidiando informações relevantes para tomadas de planos de manejo.

  • SAMEA GABRIELA DE OLIVEIRA RAMOS
  • CARACTERIZAÇÃO DA PESCA ARTESANAL E DA CADEIA PRODUTIVA DA PESCA NO PRINCIPAL PORTO DA RESEX- MAR MOCAPAJUBA, SÃO CAETANO DE ODIVELAS, PARÁ: pensando a (in)sustentabilidade da pesca em uma comunidade do estuário amazônico

     

  • Data: 24/04/2020
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  • O estuário amazônico tem sido ocupado há várias gerações, sendo a pesca a principal atividade econômica da população que nele reside. Na área do nordeste paraense historicamente São Caetano de Odivelas se destaca pela captura de caranguejo, mas também por suas águas piscosas, o que desenhou uma pesca artesanal forte para o município. Nas últimas décadas, as demandas do mercado intensificaram as pressões sobre os estoques pesqueiros de forma a alterar a organização das frotas e, particularmente, as relações de parceria que organizam as atividades da pesca artesanal no município. Por outro lado, a demanda do mercado forja novas e diferentes cadeias produtivas influenciadas pelo crescimento do mercado consumidor. A esse cenário agrega-se a instituição da RESEX-Mar Mocapajuba, cujo plano de manejo ainda não foi implementado. Este projeto tem por objetivo (re)conhecer a pesca artesanal e a cadeia da pesca no interior do Município de São Caetano de Odivelas, particularmente em suas possibilidades de (in)sustentabilidade, usando como lócus principal de pesquisa a comunidade de Cachoeira, onde localiza-se o principal porto de desembarque do município. A metodologia aplicada baseou-se em uma abordagem quali-quantitativa, utilizando pesquisa bibliográfica, aplicação de questionários e realização de entrevistas semiestruturadas junto aos pescadores que aportam em Cachoeira. A técnica de pesquisa utilizou critérios etários e de marcadores econômicos e sociais, assim como de características das embarcações. Os resultados mostram existência de diversas funções no interior das embarcações, assim como variadas formas de divisão da produção e papéis sociais que definem desde o planejamento da viagem até a chegada do pescado ao consumidor final. As pescarias podem durar entre 10 e 30 dias, navegando próximo ao Município ou ao extremo norte, em direção à Guiana Francesa. A sustentabilidade dessas pescarias encontra-se ameaçada devido a diversos fatores, entre eles a pressão do mercado, a falta de um ordenamento pesqueiro e o aumento de pescadores ao longo do tempo.

     

  • MARCELLA PRISCILA DE ALMEIDA ROCHA
  • CARANGUEJOS LEUCOSIIDAE (CRUSTACEA, DECAPODA) CAPTURADAS COMO FAUNA ACOMPANHANTE NA PESCA DO CAMARÃO-ROSA (Farfantepenaeus subtilis) NA PLATAFORMA CONTINENTAL DO AMAZONAS: Abundância, distribuição espacial e estrutura populacional

  • Orientador : JUSSARA MORETTO MARTINELLI LEMOS
  • Data: 31/03/2020
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  • A pescaria industrial que captura o camarão-rosa (Farfantepenaeus subtilis) se configura como uma das atividades de maior relevância econômica na costa norte brasileira. No entanto, esse modelo de pesca não é seletivo, capturando uma grande quantidade de espécies, impactando profundamente a fauna bentônica e, consequentemente, a cadeia trófica aquática no maior estuário do Oceano Atlântico, onde há importante banco de rodolitos e ecossistema singular, recentemente nomeado de “corais da Amazônia". Os caranguejos Leucosiidae são frequentes entre as espécies capturadas, e não se conhece a biodiversidade e estrutura populacional deste grupo de crustáceos na costa equatorial amazônica, o que impede o manejo e conservação. O objetivo deste trabalho é descrever aspectos básicos da biologia das populações de Leucosiidae afetadas pela pesca de arrasto de fundo, quais sejam: distribuição espacial, Captura Por Unidade de Esforço (CPUE), estrutura em tamanho e massa corpórea das espécies capturadas. Também será testada a influência dos fatores ambientais (temperatura, salinidade, pH, tipos de substrato, clorofila-a e profundidade) na frequência de ocorrência desses organismos. Os impactos da pesca camaroneira serão avaliados para essas populações. As coletas foram realizadas bimestralmente de julho/2015 a junho/2017, em embarcações da frota industrial que atuam sobre o camarão-rosa na Costa Norte monitoradas pelo CEPNOR/IBAMA1. Ao final de cada arrasto os caranguejos capturados como fauna acompanhante foram selecionados e levados ao laboratório para análise. A hipótese de igual proporção sexual será testada com Qui-Quadrado, a diferença de tamanho e massa corpórea entre os sexos será verificada com o Teste t, e a possível correlação da frequência de ocorrência das espécies com os fatores abióticos será estimada com a Análise de Correspondência Canônica (CCA). Foram capturadas quatro espécies de caranguejos Leucosiidae e o número de indivíduos variou entre os meses. Acanthilia intermedia foi coletada somente em set-out/2015 e ago-set/2016. Persephona lichtensteinii foi capturada em quase todos os meses: jul-ago/2015, set-out/2015, nov-dez/ 2015, jun- jul/2016 e ago-set/2016. Persephona mediterranea foi capturada em set-out/2015, nov-dez/2015, abr-mai/2016, jun-jul/2016 e ago-set/2016. Persephona punctata foi coletada em jul-ago/2015, set-out/ 2015, nov-dez/2015, jun-jul/2016, ago-set/2016. Esperamos responder se os pesqueiros com maior unidade de esforço para captura de F. subtilis são também os de maior frequência de ocorrência de Leucosiidae, assim como verificar se os fatores físico-químicos influenciam significativamente na frequência de ocorrência das espécies. Estes resultados irão elucidar como as populações dos caranguejos Leucosiidae distribuem-se espacialmente na PCA, em relação aos juvenis e à população adulta, levantando em dados essenciais para futuros modelos de conservação das espécies.

  • JULIANA DE SOUZA ARAUJO
  • ELEMENTOS TRAÇO EM PEIXES MARINHOS DA AMAZÔNIA: ASPECTOS ECOLÓGICOS E ECOTOXICOLÓGICOS

  • Data: 05/03/2020
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  • Os trabalhos que integram esta tese tratam especialmente de temas associados à contaminação por elementos traço em peixes marinhos na Costa Amazônica, fazendo estimativas quanto ao risco de exposição à saúde pública pelo consumo destes peixes, e avaliando alguns aspectos ecológicos sobre os tubarões que são comercializados ao longo da costa. Foram analisados um total de 54 espécies de peixes marinhos. De modo geral, diferentes espécies de peixes coletadas nas águas costeiras da Amazônia acumulam doses de As, Hg, Pb e Cd. O arsênico é o elemento mais abundante em todos os peixes, especialmente nos de posição trófica baixa, até acima dos limites máximos permitidos. Os peixes associados ao recife são mais suscetíveis ao acúmulo de Hg. iAs, Hg e Pb apresentaram individualmente potencial risco não carcinogênico à saúde pelo consumo de algumas espécies cartilaginosas. Espécies vulneráveis e ameaçadas de tubarão foram encontradas sendo comercializadas nos mercados de peixe. Além das altas doses de elementos tóxicos presentes, as assinaturas de 15N indicam que os tubarões capturados na costa amazônica possuem menor posição trófica do que as mesmas espécies em outras partes do mundo, o que pode ser explicado pelo fato de estes indivíduos serem retirados do ambiente ainda juvenis. Por fim, encontramos que o tubarão M. higmani descarrega grande parte dos elementos traço, essenciais e não essenciais, para a ninhada durante a gestação e que a dinâmica do suprimento de nutrientes do embrião-mãe é um reflexo direto da dieta e dos habitats da mãe durante o período gestacional. O fígado acumula mais elementos não essenciais que o músculo e a maior parte dos elementos são biodiluídos pelo crescimento dos embriões. Além disso, a proporção molar de Se: Hg sugere que o Se pode ter um papel protetor contra a toxicidade do Hg durante os estágios iniciais do desenvolvimento deste tubarão. Concluímos que, coletivamente, os elementos tóxicos foram encontrados o suficiente para serem considerados como um risco potencial à saúde humana, e que o consumo regular de carne de tubarão ao longo da costa norte do Brasil pode representar um risco para a saúde das populações humanas locais através da exposição a altos níveis de As e Hg. Por sua vez, a escala e os impactos das remoções de tubarões nesta região são desconhecidos; consequentemente, são necessários mais dados para avaliar se a pesca é sustentável.
  • RIVETLA ÉDIPO ARAÚJO CRUZ
  • PESCA, ECONOMIA E MIGRAÇÃO DOS GRANDES BAGRES NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

  • Data: 28/02/2020
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  • Os grandes bagres migradores Brachyplatystoma rousseauxii, Brachyplatystoma vaillantii e Brachyplatystoma filamentosum são importantes recursos biológicos, ecológicos e econômicos para o meio aquático e para Amazônia. Entretanto, mudanças ambientais provocadas pelo homem, como mudanças climáticas, desmatamento, degradação de habitats, superexploração de recursos hídricos e represamento de rios devido à construção de grandes projetos hidrelétricos, representam ameaças à regularidade do regime hidrológico e, portanto, à conservação desses peixes na região. Nesse estudo, analisamos a influência dos fatores ambientais e aspectos econômicos sobre a pesca dos grandes bagres, bem como, investigamos os padrões de migrações desses peixes na Amazônia brasileira. A presente tese de doutorado foi estruturada em 3 (três) capítulos, sendo estes escritos em formatos de artigos científicos. No primeiro capítulo, foram investigados os efeitos de variáveis ambientais regionais (hidrológicas) e globais (meteorológicas e climatológicas) na série temporal de captura de três bagres (B. rousseauxii, B. vaillantii e B. filamentosum) capturados na região amazônica. Para todas as espécies, a temperatura da superfície do mar (TSM) foi a variável ambiental que mais explicou (entre 19% e 38%) a variabilidade das capturas, com preditor negativo. Assim, o impacto global do aumento da TSM, acarretará danos a abundância e consequentemente a captura desses bagres na Amazônia. No segundo capítulo, foram analisados os aspectos microeconômicos da pescaria dos grandes bagres, com o intuito de verificar a rentabilidade, viabilidade e os custos envolvidos na atividade. O investimento para iniciar na atividade é alto, em torno de R$153.000,00. O custo com combustível foi o principal item a onerar a atividade, assim como, a manutenção dos petrechos. Contudo, apesar dos altos custos empregados na atividade, os indicadores mostram que esta pescaria apresenta viabilidade econômica, bons rendimentos para o pescador e dono do barco, além de boas taxas de retorno do investimento. No terceiro capítulo, foram investigados os processos migratórios de B. rousseauxii em tributários do Solimões/Amazonas (rio Tapajós e rio Negro), a partir da razão de 87Sr:86Sr dos otólitos. Verificou-se que a dourada apresentou três comportamentos migratórios distintos: residência, homing natal e straying. A maioria dos indivíduos nasceram no rio Amazonas e apresentaram migração entre as bacias (Amazonas –> Negro, e Amazonas ->Tapajós). As informações geradas, comprovam a importância dos grandes bagres no aspecto econômico, ecológico e social para Amazônia. Desta forma, os resultados encontrados neste estudo ajudam a compreender os padrões espaciais e temporais desta pescaria, sendo estes, fundamentais para subsidiar na elaboração de estratégias de manejo e conservação das espécies, bem como, formular políticas públicas efetivas para o desenvolvimento da atividade.

  • CARINE GOMES MORAES
  • Partição de nicho entre os mustelídeos Lontra longicaudis e Pteronura brasiliensis no rio Xingu, Bacia Amazônica

  • Data: 28/02/2020
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  • Na amazônia são encontrados duas espécies de mustelídeos simpátricos, Pteronura brasiliensis e Lontra longicaudis, pertencentes a subfamília Lutrinae. São espécies carnívoras que têm os peixes como o seu principal fonte alimentar. O presente estudo evidencia a dieta dos dois mustelídeos no baixo rio Xingu em período pré-construção da Usina Hidrelétrica  (UHE) Belo Monte. Supondo que mustelídeos coocorrem no mesmo ambiente mediante partição de nicho trófico, o objetivo do estudo é verificar a partição de nicho e o comportamento alimentar das espécies de mustelídeos levando em consideração os  períodos hidrológicos não chuvoso e chuvoso no baixo rio Xingu. Além disso, comparar o consumo de peixes por parte desses mustelídeos com a disponibilidade dessas pressas, i.e., abundância estimada da ictiofauna presente no rio. Para tal, amostras fecais das duas espécies foram coletadas nos períodos não chuvoso (ago/2012) e chuvoso (fev/2013), totalizando 216 amostras. Em laboratório as amostras foram secas, lavadas, triadas e identificadas utilizando literatura específica e/ou comparando com materiais presentes na coleção de peixes do Grupo de Ecologia Aquática (GEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Para análises da diversidade e abundância dos peixes (i.e., principal fonte alimentar), a ictiofauna foi amostrada simultaneamente nas mesmas áreas e períodos utilizando três conjuntos com sete redes de emalhar cada (20 m x 2 m cada)e com tamanhos de malha entre 2 e 18 cm entre nós opostos. As redes foram colocadas em locais aleatórios no ao por do sol, em áreas de remanso nas margens do rio onde permaneceram por um período de 14 horas sendo verificadas a cada três horas para evitar perdas. Os resultados indicaram que as dietas dos mustelídeos são compostas primariamente por peixes, sendo os peixes da família Anostomidae (piaus e aracus) os mais consumidos por ambos os mustelídeos. A maior amplitude de nicho é apresentada pela espécie Lontra longicaudis. Análises utilizando o índice de Pianka indicaram uma maior sobreposição de nicho durante o período chuvoso. Apesar de mudanças sazonais moldarem o comportamento alimentar dos mustelídeos, a variação sazonal intraespecífica não foi constatada no presente estudo. Apesar da alta sobreposição de nicho, o particionamento trófico entre as duas espécies de mustelídeos é facilitado devido a maior amplitude de nicho da L. longicaudis, que ajuda a evitar a exclusão competitiva entre as espécies. A família de peixe Erythrinidae (traíras e jejus) apresentou eletividade positiva para ambos mustelídeos, no entanto, apresentou uma baixa representatividade nas capturas com malhadeira. Esses peixes apresentam pouca mobilidade, consequentemente maior vulnerabilidade aos predadores tais como os mustelídeos que são predadores oportunistas. A melhor compreensão sobre a diferença de nicho entre os mustelídeos apresentada no presente estudo pode contribuir com a mitigação do status de conservação atual de ambas espécies, pois pode auxiliar em propostas mais eficazes para conservação desses animais. Além disso, vale ressaltar que o presente estudo foi realizado durante a fase pré-construção da UHE Belo Monte, e acredita-se que com a sua construção os status de conservação das espécies tende a piorar. Por esses motivos, fazem-se necessários novos estudos sobre os efeitos de hidrelétricas (bem como a atividades mineradoras, construção de estradas, dentre outras) sobre a disponibilidade de recursos alimentares para esses carnívoros topo de cadeia, pois são de suma importância para a conservação como espécies-chave que garantirão a saúde das comunidades aquáticas.

  • LUMA TAINEE DIAS COSTA
  • ÍNDICE DE INTEGRIDADE BIÓTICA PARA PEIXES DE RIACHOS COM DIFERENTES USOS DE SOLO

  • Data: 28/02/2020
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  • A Amazônia vem apresentando aumento nas taxas de desmatamento nos últimos anos, sendo o principal responsável pela perda e fragmentação de habitat que afeta ecossistemas aquáticos e terrestres. Impactos diretos e indiretos como desmatamento de vegetação ripária e contaminação dos cursos de água também estão atreladas a ocupação humana em toda bacia hidrográfica. O índice de integridade biótica (IIB) é uma ferramenta de se avaliar a intensidade desses impactos em riachos, que por ser ambientes de menor porte, sofrem mais intensamente seus efeitos. Esse índice avalia diversos parâmetros biológicos e ecológicos, em diferentes escalas de organização das comunidades locais, buscando identificar quais e como esses parâmetros respondem aos impactos antrópicos e se distanciam de uma área com características similares, porém em estado íntegro ou bem preservado. Dessa forma é possível entender o grau de degradação que as comunidades biológicas se encontram naquele momento, sendo o IIB, por isso, considerado uma ferramenta de avaliação útil para tomada de decisões associadas a conservação. No Brasil, as bacias hidrográficas com maior quantidade de trabalhos realizados com aplicação e, posteriormente, com criação de índices de integridade estão localizadas no Sul e Sudeste, principalmente com comunidades de peixes. Em adição a isso, atualmente existem problemáticas relacionadas ao uso do solo visto que tais atividades humanas resultam na modificação ou retirada da vegetação nativa de floresta em muitas bacias hidrográficas. Assim, este trabalho tem por objetivo desenvolver um IIB para comunidades de peixes nas bacias dos rios Capim e Acará, PA, com base em dados de imagem de cobertura do solo nas bacias e observar se há uma relação das pontuações com o percentual dos diferentes tipos de vegetação. Nossa hipótese é que o IIB com base na cobertura do solo da bacia é tão eficiente quanto os criados com base em impactos locais, podendo ter seu uso aplicado em maior escala, potencializando sua aplicação e diminuindo a necessidade de grandes esforços físico e financeiro com grandes equipes de campo para aplicação do protocolo físico. Caso nossa hipótese seja corroborada, entendemos que alguns poucos protocolos podem ser construídos para regiões e/ou bacias hidrográficas, aumentando muito a capacidade dos pesquisadores e instituições governamentais em avaliar a qualidade de seus cursos d’água, viabilizando assim medidas de conservação e mitigação para melhorar a qualidades das águas em território brasileiro.

  • ANA CAROLINA MELO RODRIGUES
  • DIVERSIDADE E DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DAS LARVAS DE ANOMURA MacLeay, 1838, AXIIDEA de Saint Laurent, 1979 E GEBIIDEA de Saint Laurent, 1979 (CRUSTACEA, DECAPODA) NA PLATAFORMA CONTINENTAL DO AMAZONAS

  • Data: 27/02/2020
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  • Levando em consideração a importância ecológica e a extensa área de abrangência da pluma amazônica na plataforma costeira amazônica, bem como o importante papel dos Anomura e talassinóideos (Axiidea e Gebiidea) como indicadores de qualidade ambiental, estudos sobre as larvas destes crustáceos na região costeira paraense são de grande relevância para melhor compreender a dinâmica e o ciclo de vida desses crustáceos. O objetivo da tese é identificar a composição específica, estimar a densidade larval e identificar os diferentes estágios larvais dos anomuros e talassinóideos, bem como verificar quais fatores ambientais influenciam na distribuição espacial e temporal dessas larvas na Plataforma Continental do Amazonas (PCA). Objetiva-se também descrever os estágios de zoea de Albunea paretii encontrados nas amostras de plâncton da PCA e fazer uma revisão das descrições disponíveis para a família Albuneidae. As amostras planctônicas foram coletadas trimestralmente de julho/2013 a janeiro/2015, em seis (6) locais de amostragem na Plataforma Continental do Amazonas num transecto perpendicular à costa, através de arrastos horizontais subsuperficiais e oblíquos, com rede de plâncton cônico-cilíndrica (malha de 200 μm), em situações de alta e baixa vazão do rio e diferentes influências de pluma do rio. Simultaneamente às coletas, foram registrados dados de temperatura, salinidade e clorofila-a com um perfilador CTD. Em laboratório, as larvas foram contabilizadas e identificadas em microscópio ao menor nível taxonômico possível. Foram utilizadas análises estatísticas multivariadas para verificar a relação entre a densidade larval e os fatores ambientais, bem como se os parâmetros posição na coluna d’água, vazão do rio, área de pluma e/ou distância da costa afetam a distribuição das larvas. Foram encontrados 20 táxons distribuídos dentro das famílias Diogenidae, Paguridae, Albuneidae, Porcellanidae e Galatheidae (infra-ordem Anomura), a família Calianassidae (Axiidea) e as famílias Axianassidae e Upogebiidae (Gebiidea). Os táxons mais abundantes foram Cheramus marginatus (80%), Albunea paretii (9,73%) e Clibanarius spp. (4,35%) e são os que têm maior contribuição na similaridade entre as amostras. Maiores valores de diversidade foram encontrados em 83 Km de distância da costa e em áreas de pluma externa. A densidade variou entre os meses de coleta, a distância da costa e tipo de arrasto, além de ter correlacionado com as variáveis ambientais (R2 = 0,12; F = 2,67; p = 0,002). Estes dados elucidam a ecologia larval, dispersão, comportamento e o ciclo de vida destes crustáceos, o que constitui uma importante ferramenta como subsídio para adoção de medidas de conservação.

  • OLIVER DOS PASSOS LISBOA
  • Effect of the Xingu River dam on the trophic structure of the fish assemblages

  • Data: 27/02/2020
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  • TEREZA BEATRIZ LIMA DOS SANTOS
  • Padrões de distribuição espacial da meiofauna e nematofauna numa ilha estuarina amazônica (Ilha de Cotijuba, Pará, Brasil)

  • Data: 20/02/2020
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  • As características das partículas de sedimento representam um fator determinante na estruturação da comunidade meiobentônica, de modo que esta costuma diferir entre substratos arenosos e lamosos tanto em termos de distribuição espacial quanto em relação à densidade, riqueza e composição de grupos. O estuário amazônico é um ambiente complexo que apresenta formações fisiográficas muito peculiares. Entretanto, pouco se conhece sobre como e quais fatores controlam os padrões ecológicos da comunidade da meiofauna nestes ambientes, principalmente em regiões de mesomaré. Deste modo, objetivo deste estudo foi comparar a estrutura da comunidade da meiofauna e das associações de Nematoda quanto à composição de grupos, riqueza e densidade em quatro ambientes com características sedimentológicas distintas: duas praias arenosas (Arenoso A e Arenoso B) e duas planícies de maré com sedimento lamoso (Lamoso A e Lamoso B) em uma ilha estuarina situada em uma região de mesomaré. Em cada um dos ambientes foi demarcado um transecto perpendicular à linha da maré alta de sizígia, ao longo do qual, três pontos de coleta foram estabelecidos representando as zonas da região entremarés (médiolitoral superior, médio e inferior). Para as coletas de material biológico e sedimentológico foi utilizado um desenho amostral estratificado em 0-2, 2-4, 4-6, 6-8 e 8-10 cm. A densidade e a riqueza da meiofauna e de Nematoda foram comparadas entre áreas de amostragem, zonas e profundidades do sedimento utilizando análises univariadas (ANOVA’s ) e multivariadas (PERMANOVA, nMDS, SIMPER e BIOENV). Como esperado, a densidade da meiofauna foi significativamente mais alta nos ambientes lamosos do que nos arenosos, uma vez que a disponibilidade de alimento nestes ambientes é maior. A densidade e a riqueza da meiofauna não diferiram entre os estratos de ambos os ambientes arenosos, sugerindo que os indivíduos devem ter migrado para estratos mais profundos que 10 cm, afim de evitar a re-suspensão que ocorre nos estratos superiores pela energia das ondas. Por outro lado, nos ambientes lamosos as maiores densidades e riquezas ocorreram nos estratos superiores do sedimento, pois a disponibilidade de alimento e de oxigênio é maior nos estratos superficiais do sedimento e tende a diminuir com a profundidade em substratos com grãos finos. A ocorrência de afloramentos rochosos em Arenoso A e a presença de vegetação próxima aos pontos de coleta em Lamoso B parecem ter criado condições de heterogeneidade ambiental, afetando positivamente a riqueza da meiofauna que foi mais alta nestes ambientes. Os ambientes Lamoso A e Lamoso B diferiram significativamente de ambas as praias por apresentarem as maiores densidades e riquezas de gêneros de Nematoda, o que pode ser explicado pelo alto enriquecimento por nutrientes nestes ambientes. Não houve diferença significativa na densidade e na riqueza de Nematoda entre as zonas de nenhum dos ambientes provavelmente devido à pequena extensão do médiolitoral, que não favorece a alta variabilidade espacial dos gêneros de Nematoda. A densidade de Nematoda foi significativamente mais alta nos estratos de 0-2 cm de todas as zonas de ambos os ambientes lamosos. Novamente, a disponibilidade de oxigênio e alimento são os fatores mais frequentemente associados a esse padrão. Os gêneros comedores de depósito foram mais abundantes ao longo de todos os estratos de Lamoso A e Lamoso B, pois em planícies de maré, altas concentrações de silte, matéria orgânica e fitopigmentos tendem a favorecer a ocorrência de gêneros desse grupo trófico. Em ambientes com condições ambientais estressantes, como praias, os fatores abióticos tendem a ser mais importantes na estruturação das associações de Nematoda do que a disponibilidade de alimento, por isso a distribuição dos tipos tróficos nos arenosos foi mais equitativa, não havendo um grupo que predominasse a maior parte dos estratos. Estes resultados corroboram a importância das características do hábitat intersticial na estruturação das assembleias do meiobentos e sugerem que condições que criem heterogeneidade ambiental ou que restrinjam a distribuição dos organismos são igualmente importantes.

  • CARLOS AUGUSTO RAMOS CARDOSO
  • DIVERSIDADE DA MALACOFAUNA DO ENTREMARÉS E ECOLOGIA POPULACIONAL DE Leukoma pectorina (LAMARCK, 1818) (BIVALVIA: VENERIDAE) NUM ESTUÁRIO AMAZÔNICO, BRASIL

  • Data: 19/02/2020
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  • O ambiente de entremarés no ecossistema amazônico apresenta diversos microhabitats para invertebrados bentônicos e suas diversas feições morfológicas contribuem de forma relevante na distribuição e na diversidade destes organismos. A dinâmica de comunidades de moluscos nesses ambientes apresenta acentuadas flutuações em termos de composição, riqueza e densidade em resposta às variações ambientais que influenciam na distribuição espacial e temporal. Com base nisso, o presente estudo vida avaliar as flutuações espaciais e temporais desses descritores da malacofauna do entremarés da região estuarina do rio do rio Marapanim, no nordeste do Pará. Conjuntamente, o estudo avaliará os aspectos da ecologia populacional (estrutura de tamanho, recrutamento, crescimento, e produção secundária) do bivalve Leukoma pectorina, uma das espécies mais abundantes da malacofauna da área e utilizada na alimentação das comunidades humanas locais. O estudo foi realizado em uma área de entremarés rochosa (fragmentos rochosos), com amostragens mensais num intervalo de 12 meses (abril/2012 a março/2013). Na área amostral foram estabelecidas duas faixas (zonas) de coleta paralelas a linha d´água, sendo uma superior (mais distante da linha de marébaixa) e outra inferior (mais próxima da linha d’água). Em cada mês, foram retiradas aleatoriamente de cada zona, seis amostras com uso de um delimitador quadrado (0,0625 m2) (6 amostras). Um total de 10464 espécimes de moluscos foram capturados, os quais foram classificados em 42 espécies, sendo 23 pertencentes a Gastropoda (18 famílias) e 19 espécies de Bivalvia (12 famílias). Ao longo do período, em ambos as zonas, dominaram bivalves endofaunais filtradores, contudo a participação de gastrópodes epifaunais (herbívoros e carnívoros) foi mais expressiva na zona inferior. Entre as espécies mais frequentes e abundantes, tiveram destaque: o bivalve L. pectorina (48,9% do total da malacofauna) e os gastrópodes Parvanachis obesa (11,4% do total), Anachis sp.1 (6,7 % do total) e Phrontis vibex (4,6% do total). A zona inferior, apresentou malacofauna mais densa e rica, em praticamente todos os meses. Além das variações quantitativas, modificações significativas na composição e estrutura da malacofauna foram observadas entre as zonas. Em relação as variações temporais, a riqueza de bivalves apresentou maiores médias em meses do período seco, com relação significativa e positiva com a salinidade. Para gastrópodes, não foram observadas variações sazonais significativas para riqueza e abundância, assim como respostas dessas  variáveis à salinidade. Leukoma pectorina apresentou alta densidade média anual (521±44 ind.m-2) que resultou em alta biomassa média anual (35 ±0,14 g PSLC ind.m-2). O rápido crescimento, associado a altos valores de produção (110 g PSLC ind.m-2 ano-1) e da taxa de renovação (P/B = 3,13 ano-1) mostram a grande importância desse bivalve tanto no fluxo de energia do ambiente estudado, como do ponto de vista social, uma vez que essa espécie é utilizada como importante recurso biológico por comunidades costeiras do estado do Pará.

  • LUIZA PRESTES DE SOUZA
  • Histórico da pesca dos grandes bagres migradores na bacia Amazônica: uma trajetória de sobrepesca

  • Data: 14/02/2020
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  • A exploração intensiva dos grandes bagres migradores tem ocorrido entre o estuário e às encostas dos Andes e tem causado a sobrepesca de algumas unidades populacionais, manifestando a baixa eficiência do manejo pesqueiro. Esta tese revisa o histórico de produção pesqueira dos grandes bagres migradores do gênero Brachyplatystoma (B. rousseauxii; B. vaillantii; B. filamentosum e B. capapretum; B. platynemum e B. juruense), considerado a região geopolítica de sua produção e a composição etária por região, e avalia o status de explotação e as medidas de gestão/conservação aplicada para manejar a principal pesca de bagre da bacia amazônica, a pesca de arrasto em parelha na foz Amazônica. A tese é apresentada em dois capítulos, sendo que o primeiro (i) descreve o histórico da pesca dos principais países que capturam esses recursos pesqueiros e (ii) apresenta um padrão espacial entre adultos e sub-adultos em diferentes regiões ao longo do rio Amazonas, (iii) avalia o  rendimento máximo sustentável (MSY), a mortalidade por pesca (F) e a mortalidade em MSY (FMSY) para a pesca de arrasto da piramutaba B. vaillantii no estuário da Amazônia, e (iv) testa as medidas de gestão através da tendência encontrada nos valores históricos de F usando Mann-Kendall. O segundo capítulo (i) avalia o status do estoque da piramutaba no estuário da amazônico usando diferentes conjuntos de dados (informações de biologia, dados de captura e de comprimento e um índice de abundância) na plataforma integrada Stock Synthesis (SS) version 3.30.13, e (ii) investiga o possível efeito de intervenções de manejo nas séries temporais de mortalidade por pesca e biomassa.  A presente tese elucida questões relacionadas a pesca e conservação dos grandes bagres migradores na bacia amazônica, apresenta novas abordagens na avaliação de estoques da pesca de arrasto da piramutaba B. vaillantii e traz à tona a preocupação com a sustentabilidade a longo prazo para essas e outras pescarias em larga escala na Amazônia.

2019
Descrição
  • JULLIANY LEMOS FREIRE
  • Pesca, reprodução e crescimento de Lutjanus purpureus na costa amazônica brasileira

  • Data: 20/12/2019
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  • Caribean red snapper (Lutjanus purpureus Poey, 1866) é um Lutjanídeo de  elevada importância econômica, promovida pelo mercado internacional onde detém alto valor comercial. Entretanto, são escassos os estudos com informações atuais sobre a biologia e pesca da espécie. Deste modo, objetiva-se analisar as características da frota pesqueira, volume de produção anual, bycatch, fluxos de comercialização, reprodução e crescimento. No intuito de  diagnosticar o atual estado de tecnologia empregada, foram  realizados cadastros  dos portos de desembarque pesqueiro, das embarcações, aferições métricas dos apetrechos empregados e entrevistas semi-estruturadas com a tripulação durante as operações de pesca. Para análise da produção pesqueira das temporadas de pesca de 2016 e 2017, foram realizados registros diários dos desembarques nos portos previamente cadastrados. As informações sobre os fluxos e preços (US$) de comercialização, foram obtidas por meio de entrevistas com os armadores de pesca (proprietários ou arrendadores), empresas de processamento, supermercados, bem como os dados de exportação do MIDIC (Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Para aspectos reprodutivos e crescimento, foram realizadas amostragens mensais durante as temporadas de pesca de 2009 a 2011, 2016 a 2018 e amostras adicionais no período de defeso (abril/2017 e fevereiro/2018), no qual foram registrados os dados biométricos, estágios maturacionais e a biomassa das gônadas. Para a análise de crescimento, foi contabilizado o número de anéis etários, incremento marginal e análise do tipo de borda de uma sub-amostra de 150 pares de otólitos sagitta (inteiros e seccionados). A presente tese demonstra que as embarcações pargueiras são predominantemente de madeira (93,7%),  com comprimento maior de 12 m (77,1%). As artes de pesca utilizadas são o espinhel vertical, operado em pequenas embarcações (caicos) ou com auxílio de guincho manual (“bicicleta”), e a armadilha semi-fixa “manzuá”. Apesar da legislação pesqueira limitar o tamanho da frota, existe um alto número de barcos operando ilegalmente, ocasionando problemas no gerenciamento das pescarias. O pargo representa 84,5% das capturas totais (2016: 4629.8 t; 2017: 3982.2 t), sendo Rhomboplites aurorubens (Curvier, 1829) a principal espécie da fauna acompanhante. Os produtos exportados são: peixe inteiro/congelado (97%),  filé/congelado (2.5%) e  fresco ou congelado (0.5%), sendo os Estados Unidos da América o principal comprador. A cerca dos aspectos reprodutivos, observou-se que   proporção sexual de L. purpureus da costa Amazônica é favorável às fêmeas (0.60:1). O índice gonadossomático (GSI) associado com a distribuição dos estágios maturacionais sugerem que as fêmeas estão aptas a reprodução durante todo o ano, com um pico de desova no período chuvoso (janeiro a maio), no qual há uma maior descarga hídrica do rio Amazonas. A presença de fêmeas aptas à desova, capturadas sob o recife Amazônico, indicam a presença de áreas de reprodução e refuta estudos anteriores sobre migração reprodutivas  de longa distância.  O tamanho de primeira maturação sexual  (FL50) foi estimado em 35.2 e 32.1 cm para machos e fêmeas. A alta frequência de indivíduos jovens (< FL50)  capturados pela frota comercial, por meio de vertical longline (33.67%) e Manzuá (42.1%), indicam a baixa seletividade dos apetrechos utilizados pela frota o que pode contribuir para a rápida depleção do estoque pesqueiro. O crescimento analisado por meio  da curva de crescimento de von Bertalanffy, indicam  que  a  espécie apresenta longevidade  média (>30 anos), crescimento lento, com formação dos anéis  ocorrendo anualmente. Diante da importância desse recurso para a região costeira da Amazônia, e as pescarias ocorrem nas áreas de ocorrência dos recifes da Amazônia, o presente estudo apresenta informações relevantes para o gerenciamento das pescarias da espécie.

  • DANIELLE REGINA GOMES RIBEIRO BRASIL
  • Distribuição espacial de biocidas organoestânicos na Amazônia Oriental e impacto de portos sobre o gastrópode THAISELLA CORONATA (LAMARCK, 1816): Um estudo de caso e uma estimativa de vulnerabilidade da espécie no mundo

  • Data: 10/12/2019
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  • O conhecimento sobre a extensão da contaminação por compostos organoestânicos (COEs), que incluem o tributilestanho (TBT) e seus subprodutos de degradação (dibutilestanho, DBT e monobutilestanho, MBT) na região costeira da América do Sul carecia de informações relacionadas a Amazônia Oriental. Da mesma forma, não se tinha um organismo biomonitor estabelecido para o monitoramento deste tipo de contaminação na região. O presente estudo é composto de dois capítulos, sendo o primeiro capítulo referente a análise de distribuição espacial de COEs em sedimentos superficiais obtidos a partir da região estuarina até a costa oceânica no Pará, Amazônia, Brasil. Além dos sedimentos, nas regiões de praia, foram coletados gastrópodes Thaisella coronata para a avaliação de imposex e COEs nos seus tecidos. A amostragem de sedimentos foi realizada em 19 pontos, enquanto amostras de Thaisella coronata foram coletadas em seis locais. Considerando sedimentos superficiais foram encontrados os níveis máximos de COEs de 27,1 ng Sn.g-¹ para TBT, 6,5 ng Sn.g-¹ para DBT e 14,2 ng Sn.g-¹ para MBT. Nos tecidos de T. coronata os níveis máximos de COEs foram de 18 ng Sn.g-¹ para TBT, 94,8 ng Sn.g-¹para DBT e 29,7 ng Sn.g-¹ para MBT. Baixos níveis de imposex (papila peniana) foram registrados em fêmeas de cinco dos seis pontos analisados. No segundo capítulo foi avaliado o Modelo de Nicho Ecológico (MNE) de Thaisella coronata para verificar como ela se distribui diante dos potenciais impactos causados pelos portos e o potencial de mitigação dos efeitos dos contaminantes assim como os COEs sobre a T. coronata em Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). O MNE identificou uma área potencial de distribuição de 4.249.560 km2, sendo apenas 3 % em AMPs e 15 % estão sobre influência de áreas portuárias. Os resultados obtidos no primeiro capítulo indicam a baixa contaminação por COEs comparada a dados outras de áreas portuárias no mundo. No entanto, verificou-se que os organismos de regiões adjacentes às regiões portuárias também são expostos aos contaminantes, apresentando concentrações de COEs em seus tecidos e exibindo efeitos deletérios como o imposex mesmo em locais distantes das fontes diretas de contaminação. Os resultados do segundo capítulo dão indícios de que Thaisella coronata, espécie não avaliada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN), e os serviços ecossistêmicos prestados por esta ela, estão vulneráveis à poluição portuária em grande parte da costa, por exemplo, relacionados a COEs que induzem imposex. Essa tese contribui para a complementação de parte do conhecimento sobre a contaminação por COEs na América do Sul, identifica e estabelece um organismo biomonitor para este tipo de contaminação, Thaisella coronata. Além disso, contribui para a compreensão dos efeitos da poluição sobre Thaisella coronata tanto em uma perspectiva ambiental de contaminantes na costa da Amazônia quanto em uma perspectiva global analisando a vulnerabilidade da espécie em escala de paisagem.

  • KURT SCHMID
  • Baited Remote Underwater Video como ferramenta não-destrutiva em estudos ecológicos e conservação de fauna aquática no Brasil

  • Data: 06/12/2019
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  • O conhecimento dos padrões de distribuição e diversidade de peixes e outra fauna aquática, tais como associações espécie-hábitat, e de mudanças provocadas por impactos antrópicas, são de suma importância para subsidiar o planejamento de medidas de conservação de ecossistemas e biodiversidade aquática ou manejo de estoques pesqueiros. Porém, investigações ecológicas acerca desses temas foram frequentemente limitadas a um ou poucos tipos de hábitats aquáticos e espécies. Uma razão elementar, notadamente no Brasil, foi a deficiência ou inaplicabilidade e o elevado custo de métodos tradicionais de captura ou censo visual para integrar múltiplos e estruturalmente complexos hábitats numa mesma investigação. Nessa tese de doutorado, contendo cinco estudos específicos, empregou-se e avaliou-se o método não-destrutivo de vídeo subaquático BRUV (Baited Remote Underwater Video), para investigar padrões de distribuição e diversidade de fauna marinha e fluvial, em variados hábitats e sob diferentes interferências antrópicas. Foram desenvolvidos três estudo em ecossistemas marinhos e dois estudos em águas continentais. No sistema estuarino da Baía de Todos os Santos (BA) (capítulo 2) foram investigados as associações peixe-hábitat e padrões espaciais de distribuição das espécies relacionadas à ontogenia, ao longo de um gradiente de ecossistemas. No Banco de Abrolhos (BA) (capítulo 3), foram avaliados os efeitos de diferentes manejos (zonas com exclusão de pesca em dois níveis e uma área de multiuso), e da profundidade sobre as assembleias de peixes associadas aos recifes chapeirões. Em Fernando de Noronha (capítulo 4) foi feito um levantamento da ictiofauna em diferentes hábitats bentônicos para criação de um catálogo de espécies com imagens subaquáticas obtidas com BRUV. No rio Xingu (PA) foram investigados os efeitos do barramento pelo empreendimento hidrelétrico na ictiofauna dos habitats lóticos, através da análise comparativa dos dados pré- e pós-barramento (capítulo 5), e foi avaliado o potencial do BRUV como ferramenta para o estudo e monitoramento de herpétofauna e cetáceos de água doce (capítulo 6). A presente tese de doutorado elucida a importância da proteção de hábitats específicos na conservação da biodiversidade aquática, a aplicabilidade do método (BRUV) no estudo ecológico e monitoramento ambiental no Brasil, e contribui para a compreensão e a previsão dos efeitos de impactos antrópicos na ictiofauna.

  • FABIOLA SEABRA MACHADO
  • Diversidade das espécies de peixes do gênero GOBIOSOMA (GOBIIDAE), EROTELIS E ELEOTRIS (ELEOTRIDAE) do Atlântico Ocidental Sul

  • Data: 16/10/2019
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  • Os Gobius constituem um dos grupos de peixes mais diversos e amplamente distribuídos no globo terrestre. Em geral, as espécies são excelentes indicadores ecológicos pois, normalmente, são residentes de ecossistemas, como por exemplo, poças de maré e recifes de coral, os quais sofrem constantes ameaças antrópicas. As espécies de Gobius têm sido alvo de numerosos estudos investigativos sobre a diversidade de espécies, variedade genética, e distribuição geográfica. Nas últimas décadas, na costa do Atlântico Sul, diversas espécies das famílias Gobiidae e Eleotridae têm sido descritas através de análises morfológicas e moleculares. No entanto, muitas espécies ainda permanecem desconhecidas, principalmente aquelas ocultas sob o nome de espécies já descritas devido à grande similaridade morfológica entre esses táxons. O que torna necessário a realização de novos estudos que complemente a diversidade dos gobídeos e eleotrídeos, principalmente daquela diversidade de regiões ainda não contempladas ou pouco conhecidas, como por exemplo, a costa norte do Brasil. Com base na utilização de métodos taxonômicos tradicionais e análises moleculares, no presente estudo, duas novas espécies do gênero Eleotris (Eleotridae) e uma para gênero Gobiosoma (Gobiidae) são descritas. Além disso uma nova linhagem para o gênero Erotelis (Eleotridae) é evidenciada, e é registrado uma ampliação de ocorrência da espécie Gobiosoma spilotum, cuja sua distribuição geográfica era no Panamá e com o presente trabalho amplia-se até a costa norte do Brasil. As amostras dos espécimes de gobius foram coletadas em distintos locais cujo há ocorrência do gênero e exemplares também foram cedidos de diversas instituições de pesquisas. Para análise molecular foi utilizado um pedaço de tecido muscular e seguiu-se o protocolo utilizando marcadores mitocondriais e nucleares. As análises filogenéticas definiram as novas espécies com forte separação entre os clados. Com base em dados morfológicos, as duas novas espécies de Eleotris foram definidas são diagnosticadas pela presença das linhas operculares ot, e diferenciam entre sim pelo tipo e formato de dentes na premaxila. Onde, E. irae sp. nov. apresenta dentes incisivos e com fileira de dentes bem definidas, já E. schneideri sp. nov. possui dentes caninos. A nova espécie do gênero Gobiosoma é diagnosticada pela ausência de escamas no corpo assim como ausência de escamas basicaudal, sendo nomeada como Gobiosoma uca sp. nov. A nova linhagem de Erotelis foi evidenciada para espécimes capturados no Parque Nacional de Jericoacora - CE através de resultados de divergência nucleotídicas, cujos valores variaram entre as espécies com registro no oceano Pacífico e na costa do Brasil, 14,7% (Erotelis sp. vs. E. armiger) e 17,5% (E. armiger vs. E. smaragdus), respectivamente. Com esses resultados o presente estudo contribui com a diversidade da ictiofauna e ressalta importância de pesquisas cientificas que visem contribuir com a fauna e a preservação dos diversos ecossistemas que os abrigam distintos organismos aquáticos.

  • EDMA MAYARA PEREIRA CARDOSO
  • CANAIS DE ENTREMARÉS E SEUS EFEITOS NA DISTRIBUIÇÃO DA MACROFAUNA BENTÔNICA EM UMA PRAIA ARENOSA AMAZÔNICA

  • Data: 30/08/2019
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  • A presença de sistemas barra-e-calha são comuns no entremarés de praias dissipativas de macromarés e são caracterizados pela presença de um número variável de canais que acumulam água durante a maré vazante. Esses sistemas embora claramente modifiquem a heterogeneidade topográfica e os gradientes ambientais são frequentemente negligenciados nos estudos de ecologia de praias. O objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos da presença de canais de entremarés na distribuição horizontal da macrofauna bentônica em uma praia arenosa da costa amazônica do Brasil. Para tanto, em setembro de 2017, foram realizadas amostragens em duas áreas da praia: área I com canais; e área II sem canais. Em cada área, foram estabelecidas sete faixas (A-G) de 50 m ao longo do eixo do médiolitoral superior-inferior. Em cada faixa, foram retiradas aleatoriamente quatro amostras biológicas e duas para caracterização do sedimento (granulometria e conteúdo orgânico), com uso de amostrador cilíndrico metálico – 0,0314 m-2. Na área I, nas faixas A e E as amostragens também ocorreram dentro de canais. Os resultados mostraram que a área I apresentou sedimento mais lamoso e com maiores conteúdos orgânicos, embora os maiores percentuais de areia média e grossa tenham resultado em um maior tamanho médio do grão e menor grau de selecionamento. A macrofauna foi mais rica na área I e os seus canais (em faixas do médiolitoral superior e médio) foram significativamente mais abundantes em organismos quando comparados com as barras arenosas. Na área II não ocorreu diferença para abundância e riqueza entre as faixas, embora ocorra uma tendência de aumento desses descritores em direção à linha de maré baixa. A composição de espécies e grupos tróficos foi também diferente entre as áreas, com presença e alta abundância de táxons típicos de substrato areno-lamoso e maior representatividade de filtradores e comedores de depósito não seletivo na área I. Na área II, foi maior a participação de predadores e de espécies comuns de substrato arenoso. Conclui-se que a presença dos canais altera marcadamente as características do sedimento e os padrões de distribuição horizonal da macrofauna na praia da Corvina.

  • DENYS WILLIANS COSTA DOS ANJOS
  • Dinâmica Populacional de Thaisella coronata (Gastropoda: Muricidae: Rapaninae) em uma praia exposta na zona costeira amazônica equatorial

  • Orientador : MARCELO PETRACCO
  • Data: 05/07/2019
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  • Muricídeos da subfamília Rapaninae são representantes significantes do entremarés de regiões marinhas e estuarinas, onde são geralmente abundantes e agem predominantemente como predadores, desempenhando um relevante papel como estruturadores de comunidades macrobentônicas em geral. A despeito da grande relevância ecológica, estudos acerca dos aspectos biológicos dessas espécies são negligenciados na costa norte do Brasil. O presente estudo avaliou aspectos da estrutura e dinâmica populacional (variação temporal da densidade, estrutura de tamanho, proporção sexual, índice condição, crescimento, expectativa de vida e taxa de mortalidade) em uma população de Thaisella coronata, em uma praia exposta dissipativa, no litoral equatorial amazônico brasileiro. Para esta finalidade, amostras mensais foram realizadas em um afloramento rochoso na praia do Farol Velho (Salinópolis, Pará), entre outubro de 2015 e setembro de 2016, ao longo de três transectos perpendiculares a linha d’água. Os indivíduos coletados na praia do Farol foram mensurados e separados em machos e fêmeas, pesados e medidos quanto ao comprimento da concha. Para comparar os descritores biológicos assim como as variáveis abióticas entre meses e períodos, serão utilizados métodos univariados, como análise de variância (ANOVA). Os parâmetros de crescimento e a taxa de mortalidade da população foram obtidos com uso do programa FISAT. Os resultados mostraram que T. coronata foi mais abundante na praia do Farol Velho durante o período seco, seguindo o padrão geral esperado para a região amazônica. A distribuição de frequências de comprimento não seguiu um padrão temporal claro, sendo multimodal na maior parte do ano, com a presença de indivíduos em diferentes fases do ciclo de vida, indicando um padrão de reprodução contínua. Fêmeas foram maiores e mais abundantes que machos, provavelmente como resultado de estratégias reprodutivas. A relação peso-comprimento e o índice de condição não diferiram entre os sexos, no entanto, o segundo foi maior durante o período chuvoso.

  • BEATRIZ DA COSTA LIMA NASCIMENTO
  • Reprodução e Etnoecologia do tracajá (Podocnemis unifilis TROSCHEL 1848) (Testudines, Podocnemididae) em área sob influência do reservatório da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, Pará- Brasil

  • Orientador : JUAREZ CARLOS BRITO PEZZUTI
  • Data: 25/03/2019
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  • O barramento dos rios para aproveitamentos hidrelétricos afeta o fluxo das águas causando profundas alterações nas áreas utilizadas para a reprodução dos quelônios podocnemidideos. Deste modo, o estudo foi realizado na área sob influencia do reservatório formado pela UHE Belo Monte no Rio Xingu, tendo sofrido profundas mudanças nos sistemas aquáticos e no regime fluviométrico local. Objetivou-se mapear e avaliar o comportamento reprodutivo de P. unifilis, comparando sua dinâmica antes e após o enchimento do lago artificial, com estudo feito abrangendo a mesma área em 2008, incluindo a investigação da percepção dos ribeirinhos residentes quanto aos mesmos aspectos. Para tanto foram monitorados 65 ninhos, em duas campanhas no ano de 2017 (desova e eclosão). No mesmo período, foram realizadas 40 entrevistas semi-estruturadas. O período de encubação variou de 57.52 a 61.67 dias entre 2008 e 2017, tendo a taxa média de eclosão variado entre 0.71 e 0.93. O número de ninhos eclodidos, predados e coletados variou entre os dois períodos investigados (ᵡ²=6.7339; gl=2; p=0.0345) assim como os ambientes utilizados para a desova (G= 85.0269; gl= 5; p= <0.0001), sendo que em 2008, a maioria 95% (N=19) dos ninhos foi depositada em Sarobais e em 2017, em Praias à montante e em Áreas Suprimidas à jusante. As variáveis físicas com diferença estatisticamente significativa foram a altura (Z(U)= 29,314; p= 0,0017; p= 0.0034) e a distância dos ninhos para a vegetação (Z(U)= 70,895; p= <0.0001). A predação (20%, n=13) e a coleta (30,76%, n= 20) foram influenciadas pela altura em relação à linha da água (t= -2,68, p<0.05) e à distância do barramento (t= 2,21, p<0.05), respectivamente. A maior coleta de ninhos ocorreu em Praias (N=9; 45%) e em Áreas suprimidas (N=6; 30%). Já a predação, nas Praias (N=6; 46,15%). Quanto ao conhecimento tradicional, a maioria dos entrevistados (N=26; 89,38%) afirmaram que não se vê mais os animais vadiando no rio, que não veem mais os animais desovando (N=23; 57,50%), que não encontram mais ninhos sendo postos na região (N=24; 61,54%) e que após o reservatório, não há mais locais disponíveis para desova (N=16; 42,11%) ou que barrancos 14 (36,84%) entrevistados e ilhas suprimidas (N=7; 18,42%) estão sendo atualmente utilizados. Como causas de perda, a maioria (N=39; 97,5%) indicou a coleta por moradores como responsáveis. A maioria dos entrevistados (62,65%; N= 25) disseram que após Belo Monte, os tracajás vão sumir região por falta de alimento e locais de desova.

  • THIELY OLIVEIRA GARCIA
  • Uso da terra e influência da paisagem de múltiplas escalas espaciais na assembleia de peixes de riachos da Amazônia Oriental

  • Data: 28/02/2019
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  • Áreas de cabeceiras e zonas ripárias são partes sensíveis da bacia hidrográfica que vêm sofrendo com a alteração do uso da terra na Amazônia. Conhecer sobre os diferentes tipos de uso da terra e sua influência sobre esses ambientes contribuem para determinar melhores práticas mitigadoras e conservacionistas em bacias hidrográficas amazônicas. Sobre essas questões, dois capítulos foram abordados com o objetivo geral: Capítulo 1) Relatar sobre alguns dos mais danosos usos da terra para paisagem de riachos e 2) verificar os efeitos das variáveis ambientais sobre as assembleias de peixes de riachos, resultantes da heterogeneidade ambiental natural ou por mudanças no uso da terra em múltiplas escalas espaciais da bacia hidrográfica. Para alcançar tais objetivos, no Capítulo 1 foram levantadas informações de cinco tipos de uso do solo (exploração madeireira; agricultura de ciclo curto e longo; pecuária; e mineração) e seus impactos sobre ecossistemas de riachos, tais como: principais processos históricos das ocupações, regulamentações, incentivos, etapas do processo de desmatamento para instalação do uso, e principais alterações e influências sobre os riachos e a biodiversidade associada. Para Capítulo 2, foram amostrados dados naturais da bacia, antrópicos de múltiplas escalas espaciais (buffers de drenagem e microbacias) e assembleias de peixes de 76 riachos de quatro bacias hidrográficas da Amazônia Oriental. Para este capítulo nossos resultados destacam que: i) microbacias mais florestadas apresentaram riachos com mais microhábitats, características típica de riachos menos antropizado, influenciadas por aspectos naturais da bacia (ex: sinuosidade); ii) microbacias mais desmatadas, de solo com maior capacidade de degradação e de canais mais arenosos, foram associadas ao uso da terra de distintas escalas espaciais (ex: pasto em 30m de buffer e urbanização da área total da microbacia) que pode estar afetando a estrutura local e influenciado a biota associada. Sendo assim, é possível perceber que os aspectos de vida das espécies de peixes têm uma relação à estrutura local das microbacias, principalmente aquelas mais desmatadas. Portanto as questões abordadas foram importantes para destacar que as pressões antrópicas sobre áreas de cabeceiras e zonas ripárias estão influenciando aspectos naturais locais (estrutura de habitat dos riachos) e a biodiversidade associada, potencializados por aspectos naturais da bacia, como aqueles relacionado a maior sensibilidade do solo a degradação. Através desses resultados, como práticas de manejo e conservação nessas áreas, sugerimos a avaliação do impacto do uso não somente em áreas ripárias, mas na paisagem de riachos com um todo e considerando as particularidades naturais de cada bacia.

  • PRISCILA SOUSA VILELA DA NÓBREGA
  • Diversidade e relações ecológicas de invertebrados capturados em uma pesca camaroeira tropical

  • Data: 28/02/2019
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  • A captura incidental de espécies que não são alvo da pescaria representa uma das maiores ameaças à biodiversidade em nível mundial. A pesca de arrasto do camarão marinho captura as maiores porções desta fauna, quando comparada às demais pescarias. O objetivo deste trabalho foi identificar a diversidade, riqueza, relações ecológicas e distribuição espaço-temporal dos invertebrados capturados na pesca na Plataforma Continental do Amazonas (PCA). As coletas com frequência bimestral, de julho/2015 a junho/2017, são realizadas em embarcações da frota industrial camaroeira da Costa Norte, executadas por um amostrador de bordo contratado pelo Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Norte (CEPNOR/IBAMA). A fauna para análise foi selecionada ao final de cada arrasto a partir do material içado das redes e despejado no convés e os fatores abióticos foram aferidos no momento da coleta. Análises de agrupamento mostraram distinção das condições físico-químicas (temperatura, salinidade e sedimento) entre pesqueiros das regiões norte e sul da área de pesca. Analisamos 20.303 espécimes, compreendidos em 6 filos (Annelida, Cnidária, Arthropoda, Echinodermata, Mollusca e Porifera) e 154 espécies. Há predominância de espécies de baixa ocorrência, visto que a maioria destas (85) são esporádicas, enquanto 68 espécies contribuem para 99% do total de indivíduos. Crustacea é o grupo dominante em todos os agrupamentos obtidos, contudo os padrões de dominância taxônomica e trófica diferem em relação ao tempo e espaço, sendo que os pesqueiros da região Norte têm espécies de maior fidelidade e especificidade. Todos os descritores analisados (riqueza, produção de camarão e esforço pesqueiro) apresentaram aumento gradativo em direção à região noroeste da área pesqueira. A análise de partição de variância entre as variáveis ambientais x espaciais e temporais x espaciais demonstra que o espaço teve a maior proporção de explicação para a riqueza (23 e 38% de explicação, respectivamente). O ajustamento de Modelos Lineares Generalizados identificou os fatores fase da lua e região como os descritores qualitativos mais importantes para explicar a variabilidade da riqueza, bem como as covariáveis profundidade e temperatura. A análise de redundância canônica (RDA) destacou a significância dos mesmos fatores apontados pelo GLM, apontando a associação de 7 espécies com os mesmos. A riqueza biológica e a produção de camarão são grandezas diretamente proporcionais, com elevado grau de correlação (R= 0,77), contudo, há locais com baixa produtividade e elevada riqueza de fauna acompanhante, principalmente áreas com a presença de corais. A fauna de invertebrados capturada incidentalmente apresenta elevada riqueza e diversidade biológica e funcional, com padrões de dominância espaço-temporal diferenciados e com áreas prioritárias para conservação.

  • DEBORA CRISTINA MELO DA SILVA
  • Taxonomia de Pseudosteineria e Steineria (Nematoda, Xyalidae) na Foz do Rio Doce (Espirito Santo, Brasil), incluindo revisão taxonômica dos gêneros

  • Data: 27/02/2019
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  • Nematoda destaca-se como um dos táxons mais abundantes e diversos entre os organismos da meiofauna, porém grande parte dessa diversidade ainda é desconhecida. O estudo taxonômico dos Nematoda apresenta dificuldades principalmente na sua identificação, por serem organismos de corpo diminuto. Grande parte das descrições taxonômicas das espécies de nematódeos marinhos foi realizada no início século XX, e muitas destas baseavam-se em poucos espécimes ou em juvenis e fêmeas com poucos caracteres de valor taxonômico. Deste modo, os poucos detalhes dos trabalhos do passado acabam sendo um impedimento para o progresso taxonômico dentro do filo. Nesta dissertação foram identificados a nível específico os gêneros Pseudosteineria e Steineria (Xyalidae), encontrados na foz do Rio Doce (Espírito Santo, Brasil), descrevendo as principais características morfológicas das espécies, além de fazer uma revisão taxonômica desses grupos. As coletas foram realizadas em duas campanhas, uma em dezembro/2010 e a outra em julho/2011. Em ambas as campanhas foram estabelecidas 20 estações de coleta (nomeadas de Foz 1 a Foz 20) distribuídas num grid regular a partir da Foz do Rio Doce. Em cada estação as amostras foram coletadas com um Van Veen 231L (92x80x40cm), com exceção das estações FOZ 3 e FOZ 5 onde foi usado um box-corer de 50x50 cm. Três réplicas foram retiradas por estação para nematofauna com auxílio de um sub-amostrador de metal de 10x10x10 cm. Cerca de 150 nematódeos foram retirados de cada réplica que passaram por processo de diafanização para montagem de lâminas permanentes. A identificação dos organismos ocorreu primeiramente em nível de gênero, com auxílio de um microscópio óptico e utilizando chave pictórica. Posteriormente as lâminas contendo indivíduos do gênero Pseudosteineria e Steineria foram separados para prosseguir a identificação em nível de espécies. Para a identificação em nível de espécie foi utilizado um microscópio óptico munido de câmara clara para realizar os desenhos das dimensões dos animais e medidas corpóreas. O gênero Pseudosteineria esteve composto por três espécies P. horrida, P. inaequispiculata e P. pavo, cuja diversidade morfológica das estruturas reprodutoras auxiliou a identificar as diferenças entre os táxons. A espécie P. horrida esteve representada por 4 indivíduos machos e 12 fêmeas; já P. inaequispiculata foi representada por 3 espécimes machos e 7 espécimes fêmeas, e P. pavo apresentou 4 machos e 5 fêmeas. Para o gênero Steineria foram identificadas duas espécies válidas (S. ampullacea e S. phimifera) e uma espécie nova. A espécie S. ampullacea foi representada por 23 indivíduos machos e 3 fêmeas. Já S. phimifera apresentou 1 espécime macho e 6 fêmeas. A espécie nova foi representada por um único espécime, porém não foi possível realizar uma descrição detalhada, pois o mesmo encontra-se com o corpo quebrado, o que inviabiliza realizar algumas medidas. A revisão taxonômica dos gêneros resultou em 12 espécies válidas para o gênero Pseudosteineria e 23 espécies válidas para Steineria. Uma lista de espécies válidas é apresentada contendo caracteres diagnósticos, os autores que já descreveram cada espécie e os locais onde já foram encontradas. Além disso chaves de identificação são apresentadas para as espécies em ambos os gêneros.

  • MIANI CORREA QUARESMA
  • ESTRUTURA POPULACIONAL DE Xiphopenaeus kroyeriAcetes marinus E DE FAMÍLIAS DE CAMARÕES (Crustacea, Decapoda) EM UM ESTUÁRIO DA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 27/02/2019
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  • A biodiversidade amazônica possui valor ecológico imensurável, porém o conhecimento sobre a ecologia de camarões neste bioma está aquém do necessário, o que influencia negativamente a gestão de espécies ameaçadas pela pesca nos estuários e plataforma continental, especialmente na Região Tropical. Este estudo foi desenvolvido para investigar a ecologia de camarões que utilizam o estuário em alguma parte do seu ciclo de vida. Amostras mensais foram obtidas em dois habitats: canal principal e infralitoral, com o objetivo de investigar como a estrutura da população de camarões ocorre nesses habitats estuarinos. Foram encontradas as famílias Hippolytidae, Sicyoniidae, Sergestidae e Palaemonidae, totalizando 9 espécies e 8.240 camarões. As espécies Macrobrachium acanthurusMacrobrachium amazonicumMacrobrachium rosenbergii e Nematopalaemon schmitti não diferem na proporção sexual de 1:1, porém para Macrobrachium surinamicum e Xiphopenaeus kroyeri há predomínio de fêmeas nas populações. O tamanho das espécies varia ao longo do ano, sendo que os camarões com menores tamanhos ocorreram no canal principal. Todas as espécies apresentaram camarões em todas as fases de desenvolvimento gonadal. Os camarões com maior frequência de ocorrência, X. kroyeri e A. marinus, habitam regiões estuarinas próximas ao Oceano Atlântico, no período menos chuvoso. Os juvenis de carídeos são mais abundantes no período chuvoso, sendo que M. amazonicumM. surinamicum N. schmitti habitam apenas o estuário superior. O estuário de Marapanim é um ecossistema essencial para recrutamento de diferentes espécies de camarões, o que pode ser explicado pela predominância de juvenis na composição das populações. Esse é o primeiro levantamento sobre ocupação de camarões em diferentes habitats em um mesmo estuário, que resultou na descoberta de que há frequência e abundância distinta entre áreas, sendo o canal principal habitado predominantemente por juvenis e, o infralitoral, por camarões adultos.

  • KEULI ROSE NASCIMENTO CAMPELO
  • Taxonomia de Selachinematidae (Nematoda, Chromadorida) na Foz do Rio Doce (Espirito Santo, Brasil), incluindo revisão taxonômica da família

  • Data: 27/02/2019
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  • O filo Nematoda constitui um dos mais diversos táxons do reino animal e possivelmente o maior filo existente entre os metazoários. Estes organismos podem ser encontrados em diversos ambientes marinhos, desde a região litorânea até grandes profundidades abissais, contudo poucas pesquisas foram realizadas em ambiente de plataforma continental. Apesar da grande abundancia desse grupo os esforços taxonômicos necessários para conhecer toda essa biodiversidade estão muito abaixo dos realizados na atualidade devido a dificuldades taxonômicas encontradas principalmente relacionados ao tamanho desses organismos que medem poucos milímetros. O presente estudo teve como objetivo identificar e descrever os gêneros e espécies da família Selachinematidae encontradas na Foz do Rio Doce (Espírito Santo, Brasil) e fazer uma revisão taxonômica desse grupo. As coletas foram realizadas na plataforma continental da Foz Do Rio Doce, em duas campanhas oceanográficas, sendo a primeira em dezembro de 2010 e a segunda em julho de 2011. Em ambas as campanhas foram amostradas 20 estações de coleta na plataforma continental, distribuídas em um grid regular a partir da Foz do Rio Doce e nomeados de Foz 1 à Foz 20. As amostras foram coletadas com um Mega van Veen 231L (92x80x40cm), com exceção das estações Foz 3 e Foz 5, onde um box-corer de 50x50 cm foi usado por ser um local de sedimento lamoso. No laboratório as amostras de sedimento de nematofauna foram lavadas, os organismos extraídos e quantificados. Cerca de 150 nematódeos foram retirados de cada réplica e passaram por processo de diafanização e montagem de lâminas permanentes. A identificação dos organismos ocorreu primeiramente em nível de gênero, com auxílio de um microscópio óptico e utilizando chave pictórica. Posteriormente as lâminas contendo indivíduos da família Selachinematidae foram separados para prosseguir a identificação em nível de espécies. Para a identificação em nível de espécie foi utilizado um microscópio óptico munido de câmara clara para realizar os desenhos das dimensões dos animais e medidas corpóreas. No presente trabalho foram identificados cinco gêneros (Cobbionema, Demonema, Gammanema, Halichoanolaimus e Latronema) pertencente à família Selachinematidae. No gênero Demonema o único indivíduo encontrado na Foz do Rio Doce foi identificado como Demonema rapax, espécie originalmente descrita por Cobb em 1894, sendo ela bastante semelhante à da literatura. O gênero Gammanema esteve composto por 4 espécies: Gammanema polydota e três espécies novas identificadas como: sp.n.1, sp.n.2 e sp.n.3. A espécie G polydota descrita por Murphy em 1965, esteve representada por 1 indivíduo macho e 1 fêmea; As espécies novas encontradas apresentaram as características do gênero mas elas se diferem das espécies conhecidas no formato da espicula e dos suplementos pré cloacais; G.sp.n.1 foi representada por 6 espécimes machos e 2 espécimes fêmeas; G.sp.n.2 apresentou apenas um indivíduo macho; G. sp.n.3 foi representada por um único indivíduo macho que apresentou estruturas reprodutoras diferentes das espécies conhecidas, no entanto o animal encontra-se em uma posição ruim, impossibilitando a visualização de estruturas necessárias para a descrição detalhada. O gênero Cobbionema apresentou uma única espécie: C.trigamma representado por 2 espécimes machos e 4 espécimes fêmeas. O gênero Latronema foi representado com 14 espécimes machos e 6 espécimes fêmeas sendo identificados como: L.sertatum representado com 1 indivíduo macho e 2 fêmeas; L.orcinum representado com 7 indivíduos machos; L. whataitai apresentou uma única espécime fêmea; L. sp.n.1 com 4 indivíduos machos e 2 fêmeas e L. sp.n.2 apresentando 1 indivíduo macho e 1 fêmea. Para o gênero Halichoanolaimus foram identificadas 3 espécies válidas (Halichoanolaimus consimilis, Halichoanolaimus novergicus e Halichoanolaimus minor). A espécie H.consimilis foi representado por 20 indivíduos machos e 11 fêmeas; H.novergicus apresentou 3 indivíduos machos e H.minor representado por 4 espécimes machos. A revisão taxonômica para a família Selachinematidae resultou em 13 gêneros e 93 espécies validas. Uma lista de espécies válidas é apresentada contendo caracteres diagnósticos, os autores que já descreveram as espécies e os locais onde já foram encontradas assim como tabelas com os valores morfométricos de machos e fêmeas das descrições originais.

  • ANA LAURA PEREIRA SANTOS
  • Ecologia alimentar e etnoecologia de pacus (Serrasalmidae) no Rio Xingu após a implementação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, Pará, Brasil

  • Data: 26/02/2019
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  • A bacia amazônica constitui um típico sistema de pulsos de inundação, e vem sendo impactada pela construção de diversas barragens para a produção de energia elétrica em diversos dos seus principais afluentes. Essas alterações sobre os ambientes fluviais impacta toda a biota do local, especialmente os peixes. Consequentemente,  as populações humanas da Amazônia também são afetadas, visto que elas dependem do peixe como principal fonte de proteína animal. O rio Xingu configura-se como um dos alvos da produção de energia elétrica, sobretudo com a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte. O presente trabalho tem como objetivo analisar a ecologia trófica dos pacus (Serrasalmidae) com base no conhecimento tradicional local dos indígenas Yudjá do médio rio Xingu, e de uma descrição quali-quantitativa da dieta desses peixes. O trabalho foi realizado na Volta Grande do Xingu (VGX), onde fica a Terra Indígena Paquiçamba. Os estômagos foram provenientes de pescarias para consumo desses indígenas em dois períodos do ciclo hidrológico (seca/cheia), logo após as pescarias os pacus foram pesados e identificados, e o trato intestinal coletado. Também foram obtidas informações com os Yudjá sobre a alimentação dos pacus. Além disso, os Yudjá cederam dados de espécimes de pacus de antes do barramento do rio Xingu provenientes do monitoramento pesqueiro da Aldeia Mïratu. Os itens alimentares encontrados nos estômagos foram identificados e pesados, essas informações foram utilizadas para a realização do cálculo de Importância Alimentar. As informações de peso e comprimento dos pacus foram usadas no cálculo do índice de Fulton para a verificação do bem-estar fisiológicos dos espécimes. Foram coletados 133 indivíduos no pós-barramento e obtidos os dados de 107 indivíduos no pré-barramento, de 8 espécies taxonômicas. Houve uma predominância de plantas alóctones e frutas na dieta dos pacus durante os dois períodos, e também macroalgas na cheia. Os yudjá descreveram alguns itens da dieta dos pacus, assim como descreveram que os pacus estão “mais magros” após à UHE Belo Monte. Informações corroboradas pela comparação dos fatores de bem-estar fisiológico, peso e comprimento de antes e após o barramento, que demonstrou que os pacus da VGX já estão sendo impactados pelo empreendimento. Os resultados comprovam que os pacus são dependentes do pulso de inundação para a sua alimentação, e que o amonte de água que está sendo convertido para a VGX é insuficiente para a manutenção dessas espécies de pacus e, consequentemente, dos Yudjá da VGX, visto que os pacus representam a maior fonte de alimento de origem proteica dessas comunidades. Dessa forma faz-se necessária uma revisão do hidrograma proposto para a região, afim de evitar impactos maiores e irreversíveis para essas comunidades, assim para o ecossistema aquático.

  • FABRICIO DOS ANJOS SANTA ROSA
  • INTERAÇÕES ENTRE Nannostomus beckfordi (LEBIASINIDAE: CHARACIFORMES) E SEU PARASITO Artystone minima(CYMOTHOIDAE: ISOPODA)
  • Data: 26/02/2019
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  • Um dos grandes grupos de crustáceos existentes é a família Cymothoidae, representada por organismos capazes de parasitar peixes tanto em ambiente marinho quanto em água doce. Esses isópodes fixam-se externamente ao hospedeiro em diversos locais, além das cavidades bucal, branquial e abdominal. A influência desses parasitos nos seus hospedeiros está geralmente ligada aos primeiros anos de vida em peixes marinhos, e em ambientes dulcícolas existem poucos dados sobre o ciclo de vida e as interações ecológicas para que qualquer afirmação seja realizada. A espécie Artystone minima é descrita como parasito que infecta o peixe-lápis Nannostomus beckfordi. Este isópode é um dos poucos conhecidos a ocupar a cavidade abdominal do corpo do hospedeiro, sendo que pode chegar a representar mais de 25% do volume corpóreo deste. O Rio Jeju, pertencente a amazônia brasileira, no nordeste do Pará, foi a localidade selecionada para um estudo focado na interação parasita-hospedeiro em conjunto com variáveis abióticas. Os resultados apontam a presença do parasito em dois outros hospedeiros, Hypessobrycon rosaceus e Moenkhausia collettii no mês de maio, que foi o período menos chuvoso da amostragem. A prevalência dos parasitos aumenta progressivamente até os maiores comprimentos padrão do hospedeiro, indicando que o parasito infecta o hospedeiro até o fim da sua vida, diferente de outras espécies da mesma família.
  • ERIVALDO BAIA DOS SANTOS
  • Os efeitos da variação sazonal da pluviosidade e intrusão salina na meiofauna e nematofauna na Praia do Vai-Quem-Quer (Ilha de Cotijuba, Estuário do Rio Pará, Brasil).

  • Data: 25/02/2019
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  • A descarga de água doce para o oceano, que é resultante principalmente da pluviosidade, está intimamente relacionada a mudanças na salinidade ao longo de um estuário, influenciando assim a extensão do nível de intrusão salina que ocorre nesses ambientes ao longo do tempo. A salinidade nos ambientes estuarinos aparenta ser um dos fatores controladores mais importantes para a distribuição da fauna intersticial. No entanto, poucos estudos foram feitos em praias estuarinas e aqueles realizados foram feitos na zona costeira de estuários, onde as flutuações na salinidade foram similares as de praias oceânicas. O presente estudo tem como objetivo verificar a resposta da meiofauna e nematofauna aos efeitos da variação sazonal da pluviosidade e intrusão salina numa praia de água doce-oligohalina (Vai-Quem-Quer, Ilha de Cotijuba) situada no estuário do Rio Pará. As amostragens ocorreram bimestralmente ao longo de um ano (setembro e novembro de 2017; janeiro, março, maio e julho de 2018). Os meses de setembro e novembro de 2017 e julho de 2018 são do período de baixa descarga do estuário, enquanto que janeiro, março e maio de 2018 são do período de alta descarga. Dois transectos perpendiculares à linha da maré alta de sizígia foram marcados no médiolitoral e em cada transecto quatro estações foram demarcadas, sendo a primeira estação (S1) localizada mais próxima à linha de maré alta e a última (S4) localizada mais próxima à linha de maré baixa. Para coletar as amostras foi utilizado um corer de 3 cm de diâmetro e 10 cm de comprimento e os organismos coletados foram conservados em formol a 4%. Em cada estação uma amostra adicional de sedimento foi obtida para análise de parâmetros do sedimento. Foi ainda determinada a temperatura do sedimento e a salinidade da água. Os dados de precipitação foram obtidos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Em laboratório a meiofauna foi extraída do sedimento pelo método de flotação por sílica coloidal, contada e identificada e identificada ao nível de grandes grupos. Os 50 primeiros Nematoda de cada amostra foram retirados, diafanizados e montados em lâminas permanentes para sua identificação. Para cada amostra foi calculada a densidade e riqueza da meiofauna e dos diversos gêneros de Nematoda (ind.10cm-2 ). Os descritores foram comparados entre estações, e meses utilizando análises univariadas (ANOVA’s e correlação de Spearman) e multivariadas (PERMANOVA, MDS, SIMPER, e BIOENV). A meiofauna esteve representada por 17 grupos, sendo Oligochaeta, Copepoda e Nematoda os mais abundantes. A variação de densidade da meiofauna ao longo dos meses apresentou relação direta com o aumento de pluviosidade e diminuição de salinidade. Em todos os meses a estação S1 apresentou as maiores densidades, com exceção dos meses de maio e julho, quando a maior densidade ocorreu na S3. O coeficiente de correlação de Spearman demonstrou que a meiofauna total, e os grupos Oligochaeta e Copepoda apresentaram correlação positiva significativa com pluviosidade e correlação negativa com salinidade. A associação de Nematoda esteve composta por um total de 39 gêneros. O número de gêneros de água salobra foi maior em setembro (15 gêneros) e seguiu diminuindo até março; o maior número de gêneros de água doce/salobra ocorreu também em setembro (6 gêneros); já o número de gêneros de água doce foi maior em janeiro (7 gêneros). A associação de Nematoda esteve predominantemente composta pelos predadores (2B), tendo como seu principal representante Enoplolaimus. Entre os gêneros mais abundantes, a correlação de Spearman demonstrou que Limonchulus apresentou correlação positiva significativa com pluviosidade e correlação negativa significativa com salinidade. Já Oncholaimellus e Metadesmolaimus apresentaram correlação positiva significativa com salinidade e correlação negativa com pluviosidade. Tanto a meiofauna quanto a associação de Nematoda variaram entre estações e meses. Os organismos meiofaunais foram fortemente influenciados pela mudança sazonal da pluviosidade e da salinidade tanto ao nível de grandes grupos quanto ao nível de gêneros de Nematoda.

  • FLAVIA CARDOSO NAZARE
  • Ecologia alimentar de Podocnemis unifilis Troschel, 1848 na Volta Grande do Xingu, Pará, sob regime de vazão alterada

  • Data: 25/02/2019
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  • O represamento das águas de um rio altera drasticamente sua hidrologia, causando a descontinuidade das suas características físicas e biológicas. Na Amazônia, barragens afetam diretamente as populações de quelônios aquáticos, pois provocam alterações nos seus sítios de reprodução e nas áreas de alimentação, cujo acesso depende dos pulsos de inundação. O presente trabalho objetivou fazer uma análise integrada da ecologia alimentar de Podocnemis unifilis no trecho de vazão alterada da Volta Grande do Xingu após a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, Amazônia Brasileira. A coleta de dados compreendeu o período entre os meses de outubro de 2017 e abril de 2018. , Foram coletados 20 estômagos do período da seca e 20 do período da cheia, e realizadas entrevistas semiestruturadas com 21 indígenas para obter informações acerca da ecologia alimentar de P.unifilis. Foram também utilizados dados biométricos de indivíduos capturados antes da conclusão do empreendimento, para comparar o fator de condição da espécie entre os dois períodos. Foi calculado o índice de importância alimentar (Ai) para cada item. Utilizou-se uma Análise de Variância (ANOVA) para verificar mudanças no fator de condição K da espécie antes e depois do empreendimento. Foi realizada uma análise de Coordenadas Principais (PCO) para visualizar a similaridade entre a dieta entre os períodos de seca de 2017 e cheia de 2018.Os resultados da dieta mostraram que P. unifilis é uma espécie essencialmente herbívora. Foram observadas diferenças no fator de condição entre os períodos de cheia de 2014 e 2018,seca de 2014 e 2017, seca de 2017 e cheia 2018, entre fêmeas de seca de 2017 e cheia de 2018 e entre machos de seca de 2017 e cheia de 2018. Apesar deste fator se mostrar maior nos anos de 2017 e 2018 se comparado com 2014,estes resultados possivelmente mostram que as condições ambientais alteradas ainda não se encontram refletidas na população de P.unifilis presente na área. Dessa forma, estudos posteriores para o acompanhamento da ecologia trófica dos indivíduos de P.unifilis após o estabelecimento do hidrograma da Volta Grande do Xingu serão essenciais, e os dados e resultados aqui apresentados servirão como uma base comparativa adequada.

     

  • CALEBE MAIA
  • INFLUÊNCIA DOS USOS DA TERRA NA ESTRUTURA DO HÁBITAT E NAS ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE RIACHOS EM UMA AREA DE MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA ORIENTAL 

  • Data: 22/02/2019
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  • As atividades antrópicas de usos da terra como a agricultura e mineração têm ocasionado redução da cobertura vegetal na região amazônica, provocando diversas alterações no estado natural dos ambientes e perda da biodiversidade. Nesse sentindo, o objetivo deste trabalho é responder as seguintes perguntas: Como usos da terra nas microbacias afetam a estrutura do hábitat de riachos na Amazônia Oriental? Os usos da terra na microbacia dos riachos influenciam mais a estrutura das assembleias e os traços funcionas dos peixes que as variáveis do hábitat local em riachos na Amazônia Oriental? A área de estudo compreende riachos na bacia do Rio Capim, no município de Paragominas, sudeste do Estado do Pará. Os 26 riachos amostrados nos anos de 2014 e 2017 foram caracterizados quanto a cobertura florestal e usos da terra em cada microbacia dos riachos, utilizando imagens de satélites, com posterior extração da porcentagem de cobertura florestal e usos da terra em software de geoprocessamento. Enquanto, o hábitat local foi avaliado a partir do protocolo de avaliação de riachos disponível na literatura. Os peixes, foram coletados com redes de mão de 55 cm de diâmetro e malha metálica de 3 mm de abertura entre nós opostos. A diversidade funcional é constituída de grupos tróficos funcionais e de atributos funcionais obtidos a partir de relações dos padrões ecomorfológicos das assembleias de peixes. Uma Análise de Componentes Principais (PCA) foi aplicada nas características dos usos da terra ao longo das microbacias. Os dois eixos da PCA foram mantidos e utilizados nas análises seguintes. As variáveis do hábitat local foram submetidas a um critério de seleção de métricas, onde variáveis com valores iguais a zero em 80% das amostras e com coeficiente de variação abaixo de 30% foram excluídas. Posteriormente, foi realizado um forward selection para retermos as variáveis baseadas nas características das assembleias de peixes. Na sequência aplicamos correlações de Spearmane excluímos variáveis altamente correlacionadas. A diversidade taxonômica é representada pelos valores de riqueza de espécies e composição da ictiofauna. Enquanto a diversidade funcional foi calculada a riqueza funcional (FRic). Além disso, utilizamos o CWM (Community-level weighted means) para calcular os valores médios dos traços funcionais das assembleias de peixes. Para responder primeiro questionamento desse estudo, aplicamos regressões lineares com os eixos da PCA sobre a estrutura do hábitat local, seguidas das correções de Bonferroni. Enquanto, para respondermos o segundo questionamento deste trabalho, utilizamos as regressões sobre a riqueza taxonômica e funcional das assembleias de peixes. Uma Análise de Redundância parcial (pRDA) foi aplicada sobre a composição de espécies. Por fim, aplicamos duas Análises de Redundância (RDA) uma na composição taxonômica e outra sobre os traços funcionais das assembleias de peixes. A área estudada apresenta variados tipos de cobertura vegetal e usos da terra, abrangendo desde áreas agrícolas até extração de bauxita. Essas atividades provocam perturbações na estrutura do hábitat local, reduzindo significativamente a estrutura do sub-bosque lenhoso da vegetação remanescente. Consequentemente, a abertura de clareiras as margens dos riachos aumentam a entrada de luz solar, podendo ocorrer colonização de algas e plantas aquáticas no hábitat local. O total de 9.325 exemplares de peixes foram coletados, distribuídos em 70 espécies pertencentes a 20 famílias de seis ordens. Ocorrendo predominância dos Characiformes com 81,33% dos indivíduos, seguidos dos Cichliformes e Gymnotiformes com 8,28% e 4,48%, da amostra, respectivamente. Neste estudo, evidenciamos que a riqueza taxonômica e a funcional foram positivamente influenciadas pelos abrigos totais que inclui algas e macrófitas. A estrutura do hábitat demonstrou influenciar de maneira significativa a composição das espécies. Além disso, a composição dos traços funcionais foi mais associada as características da estrutura do habitat local. Nossos resultados indicam que os usos da terra provocam mudanças na estrutura do habitat local, refletindo em alterações nas assembleias de peixes frente as novas condições estabelecidas no hábitat local.
  • MONICA SILVA COELHO
  • Avaliação de marcadores moleculares para o desenvolvimento da técnica de DNA ambiental de peixes de água doce neotropicais

  • Data: 22/02/2019
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  • A Amazônia é considera a última barreira de desenvolvimento de negócios agroindustriais no Brasil. Sua grande extensão e formações naturais impendem a realização de inventários faunísticos e/ou florístico devido ao alto custo envolvido em logística. Associado ao fator logístico, até o momento não foi desenvolvida nenhuma técnica que permitisse o inventário total da riqueza de um dado ecossistema em espaço de tempo considerado relativamente curto. Além de que, para um eficaz levantamento das espécies existentes diversas técnicas devem ser empregadas em conjunto o que, aumenta ainda mais o custo de projetos de inventários. Estudos ecológicos que visem o monitoramento das espécies necessitam, além de correta identificação da espécie, dados sobre suas abundâncias o que, para espécies raras e/ou crípticas pode se tornar um grande desafio. Neste sentido, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para um melhor e, mais eficaz conhecimento a cerca da biodiversidade funcional e ecológica de ecossistemas, dentre elas, o uso de análises genômicas envolvendo a extração de DNA em amostras ambientais. Os primeiros estudos envolvendo o uso de eDNA foram aplicados em amostras de solo para a extração de DNA de plantas. Atualmente a técnica já foi testada em ambientes aquáticos de clima temperado com resultados satisfatórios. O monitoramento de espécies através do DNA ambiental pode ser uma alternativa rápida e eficaz, em locais onde a logística é um dos principais problemas na execução de projetos, como a região Amazônica, no entanto, este método não foi aplicado em ambientes aquáticos de ecossistemas tão complexos como estes, onde existe ampla variação nos parâmetros físico-químicos da água. Desta maneira, neste estudo pretende-se utilizar ambientes controlados de aquários como modelo experimental, trabalhando com abundâncias e biomassa conhecidas a fim de testar a capacidade do método. Em segunda intensão, pretende-se reproduzir o modelo gerado de forma experimental em ambientes naturais a fim de recuperar tanto a riqueza como a abundância da ictiofauna local.

  • LUCIANO FARIAS SOUZA
  • Mapeamento Físico e Organização Genômica de Famílias Multigênicas em Espécies da Família Loricariidae (Siluriformes)

  • Data: 20/02/2019
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  • A família Loricariidae apresenta a maior riqueza de peixes bagres neotropicais sendo considerada a maior família dentro da ordem Siluriformes com mais de 900 espécies válidas, compreendendo 100 gêneros, entre eles Panaque, Panaqolus e Scobinancistrus. O DNA repetitivo corresponde a uma parcela considerável do genoma dos eucariotos e possui diversas classes de sequências que por muito tempo foram classificadas como não-codificantes ou “DNA lixo”. Entretanto, atualmente sabe-se que estas sequências podem estar envolvidas na organização estrutural e funcional do genoma em geral. DNAs repetitivos constituem sequências (idênticas ou semelhantes) classificadas nos genomas eucarióticos em codificantes, representadas pelas famílias multigênicas (DNA ribossomal, DNA histônico e pequenos RNAs nucleares) e não codificantes podendo se organizar em blocos (in tandem), incluindo DNAs satélites, ou dispersos no genoma. As famílias multigênicas são sequências de DNA que apresentam similaridade estrutural e funcional, originadas a partir de um gene ancestral comum. Sequências de DNAs repetitivos são altamente conservadas em alguns grupos e bastante variáveis em outros. Os peixes neotropicais possuem uma alta diversidade cromossômica. Desse modo, estudos citogenéticos através do mapeamento dessas sequências revelam-se como uma excelente ferramenta para o estudo da organização genômica. Nesse contexto, foi realizado o mapeamento de sequências de histona H1 e H3 em espécies dos gêneros Panaque, Panaqolus e Scobinancistrus. Nossos estudos demonstraram um padrão de marcação disperso para os genes de histona H1 com a formação de clusters em alguns pares cromossômicos nas espécies Panaqolus sp., Panaque armbrusteri, Scobinancistrus pariolispos e Scobinancistrus aureatus. Ao passo que o mapeamento dos genes de histona H3 evidenciou marcações em blocos em 1 par cromossômico nas espécies Scobinancistrus pariolispos e Panaqolus sp. O padrão de marcação das sequências de famílias multigênicas analisadas no estudo ressalta o papel dos DNAs repetitivos na compreensão da estrutura, organização e evolução dos genomas.

  • DANIELA DE FRANCA BARROS
  • A influência das características ambientais e pesqueiras sobre a pesca de área de várzea da Amazônia brasileira

  • Data: 01/02/2019
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  • As áreas de várzeas da Amazônia brasileira se constituem em um mosaico de florestas inundadas sazonalmente, conectados por lagos e o canal principal do rio Amazonas, rico em sedimentos e nutrientes carreados dos Andes. As várzeas suportam uma alta produtividade pesqueira de grande importância econômica, social e ecológica. Atualmente esses ambientes estão seriamente ameaçados frente as mudanças do uso da terra e do clima. Neste trabalho, investigamos como as variáveis cota do rio, distância da cidade, esforço de pesca e ano interferem nos rendimentos da pesca das principais espécies capturadas nos ambientes de várzea e como a variabilidade hidrológica interferem nas pescarias do curimatã (Prochilodus nigricans), com a finalidade de inferir impactos futuros sobre os recursos pesqueiros. No primeiro artigo, analisamos os dados de captura das principais espécies comercializadas na região (13 taxa), durante um período de 10 anos através de uma análise de covariância múltipla (ANCOVA). Para os 13 taxa, o modelo testado explicou 91% das variações nas capturas (F = 143,20; p<0,001) e foram forte e positivamente associadas com o esforço de pesca, bem como a área da cobertura florestal, distância da cidade, cota máxima mensal e ano de captura. No segundo artigo, o efeito da variabilidade temporal do nível do rio sobre a captura e o esforço de pesca do curimatã foram avaliados através de uma função de correlação cruzada (FCC), durante um período de 12 anos. A análise de correlação cruzada indicou um efeito positivo entre a cota do rio e a captura de curimatã (r=0,40) bem como da cota do rio com o esforço de pesca (r=0,44). As maiores correlações ocorrem com uma defasagem (lag) de 15 meses (p<0,001). Estes resultados indicam que quando a cota do rio for muito alta, 15 meses depois a captura e o esforço da pesca aumentam. Nossos resultados ratificam a complexidade da dinâmica pesqueira dos ambientes de várzea da Amazônia e nos induzem a concluir que os rendimentos da pesca dependem do sucesso do recrutamento dos peixes que, por sua vez, são dependentes da integridade da floresta de várzea e da variação do nível do rio. Mudanças na conectividade hidrológica desses ambientes e na quantidade de água dos rios podem causar efeitos negativos sobre a produção pesqueira no futuro, afetando a seguridade alimentar e renda da população ribeirinha.

  • LUAN FELIPE DA SILVA FRADE
  • CITOGENÉTICA DE Crenicichla HECKEL 1840 (PERCIFORMES, CICHLIDAE)

  • Data: 31/01/2019
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  • Crenicichla é o maior gênero entre os ciclídeos neotropicais, com ampla distribuição geográfica na América do Sul. É constituído de 87 espécies válidas com taxonomia de difícil descrição, devido à semelhança morfológica entre as mesmas. Citogeneticamente, este gênero apresenta conservação do número diploide 2n = 48, com alta frequência de inversões pericêntricas, que podem estar relacionadas à ação de DNAs repetitivos. Visando encontrar marcadores citotaxonômicos e investigar o papel de DNAs repetitivos na evolução cromossômica deste
    gênero, caracterizamos citogeneticamente as espécies Crenicichla johanna, Crenicichla saxatilis, Crenicichla regani e Crenicichla sp. “Xingu I” coletadas no Estado do Pará, Brasil. As espécies analisadas apresentaram 2n=48, mas diferem quanto à fórmula cariotípica e padrão de distribuição de heterocromatina constitutiva. Um par de cromossomos portador de sítios rDNA 18S foi observado na maioria das espécies, com exceção de C. johanna, em que foi registrada extensa variação interpopulacional na quantidade de clusters deste rDNA, e sua intercalação com sequencias teloméricas intersticiais (ITS). Em todas as espécies a AgNOR é simples e o rDNA 5S é localizado na região intersticial de um par acrocêntrico. Este estudo mostrou que apesar de apresentar 2n altamente conservado, as espécies do gênero Crenicichla possuem muitas diferenças microestruturais, resultantes de inversões pericêntricas, que corroboraram o diagnóstico taxonômico. O cariótipo de Crenicicla Xingu I descrito no presente estudo é singular para o gênero por ser constituído apenas de cromossomos acrocêntricos, similar à proposta de cariótipo ancestral de Cichlidae. A origem da associação rDNA 18S-Tel observada em C. johanna é discutida no presente artigo; sugerimos que esta associação possa constituir hot spot de recombinação, favorecendo sua dispersão para outros cromossomos, bem como, rearranjos intracromossômicos nesta espécie.

2018
Descrição
  • STEPHANI FERREIRA DA SILVA
  • MERCÚRIO EM PEIXES COMERCIALIZADOS NO ALTO SOLIMÕES, TRÍPLICE FRONTEIRA DA AMAZÔNIA

  • Data: 28/11/2018
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  • Uma crescente exploração aurífera vem ocorrendo de forma desordenada na Amazônia Ocidental nos últimos anos. Os garimpos ilegais de ouro são uma das principais fontes de poluição por mercúrio (Hg) no meio ambiente. O Hg é um elemento-traço que pode gerar danos para a saúde de animais e humanos em diferentes níveis biológicos, dado seu potencial tóxico e acumulativo. Os peixes são de grande importância socioeconômica, cultural e nutricional para populações da Amazônia, entretanto, eles podem acumular o Hg biodisponível no ambiente e gerar problemas de saúde publica. O trabalho teve como objetivo avaliar a concentração de mercúrio total em peixes frescos comercializados na região do Alto Solimões, nos períodos de maio e novembro de 2017, e suas possíveis implicações para saúde pública. A determinação de mercúrio foi feita em músculo, fígado e brânquias de 17 espécies de peixes, através de Espectrometria de Absorção Atômica com Geração de Vapor Frio (CVAAS). Em maio, as maiores concentrações de Hg foram observadas em Jejú e Tamoatá, e nenhum indivíduo desse período apresentou níveis de Hg acima do estabelecido pela legislação para consumo humano. Em novembro, as maiores concentrações de Hg foram observadas em Traíra, Pescada-branca e Tucunaré, sendo que 10 das 12 espécies analisadas nesse período, apresentaram indivíduos com níveis de Hg acima do estabelecido pela legislação. Os peixes Carnívoros/Piscívoros e Onívoros, foram os que apresentaram as maiores concentrações de Hg nos dois períodos. O fígado foi o tecido com a maior concentração de Hg. Para avaliação da variação sazonal de mercúrio, foram utilizados o Jejú, a Traíra e o Acari-bodó. Durante o período de novembro, foi observado aumento significativo na concentração de Hg nos tecidos das 3 espécies. O risco de exposição a altos níveis de Hg na população da área de tríplice fronteira, através do consumo de peixes, foi maior em novembro. Nesse período, o consumo de espécies, principalmente predadoras, deveria ser evitado ou reduzido, principalmente por indivíduos vulneráveis, como grávida, lactantes e crianças.

  • JEANNE DUARTE PAULA
  • DINÂMICA DA ATIVIDADE PESQUEIRA NA COSTA NORTE DO BRASIL: VARIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA CAPTURA EM RELAÇÃO AO ESFORÇO DE PESCA

  • Data: 18/04/2018
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  • A pesca na Amazônia é dinâmica e diversificada e as variações espaciais e temporais dos recursos pesqueiros determinam a variação na produtividade das frotas pesqueiras. É notório a fragilidade desse setor, provocados pela baixa importância dada a atividade e a exclusão da mesma como prioridade nos programas governamentais de gerenciamento, evidenciados pelas poucas informações estatísticas de monitoramento da atividade e o aumento descontrolado da exploração dos recursos pesqueiros na Amazônia. Com objetivo de identificar as principais áreas de pesca, as espécies-alvo, as tecnologias de captura, esforço de pesca das frotas comerciais ao longo da região costeira e avaliar a variação da captura de rede de emalhar ao longo da costa norte em relação à época do ano e o seu esforço, esse trabalho visa contribuir com uma base de informações que permitam subsidiar futuramente o manejo pesqueiro, garantindo a sustentabilidade da atividade. Os dados foram obtidos das bases banco de dados de desembarque pesqueiro do estado junto a SEPAQ e MPA de Jan/2008 a dez/2010. As informações para o primeiro artigo foram referentes aos dados da produção total dos municípios de Belém, Bragança, Curuçá, São João de Pirabas, Vigia, Viseu, Quatipuru, Salinópolis, São Caetano de Odivelas, Quatipuru, Marapanim, Maracanã, Augusto Correa, Colares, Salvaterra, Barcarena, Soure. Para o segundo capítulo, foram utilizados os dados referentes a frota de rede de emalhe do município de Vigia. O volume total de pescado desembarcado no período de estudo foi de 40.769 t, sendo 56% dos desembarques ocorreram municípios de Belém e Vigia. As principais áreas de produção pesqueira foram a região do Salgado (37%) e a Foz Amazônica (30%), e a principal frota é composta por barcos de pequeno porte (46%), embora os maiores valores de CPUE foram obtidos de barcos de grande porte. A rede de emalhar foi o principal apetrecho de pesca utilizado na amazônica costeira, sendo responsável pela captura de 63% da produção total. Os modelos testados explicam 90% da variação da captura total de rede de emalhe (r²=0.933; p<0,001), 87 e 71% das capturas de Cynoscion acoupa (r²=0.873; p<0,001) e Brachyplatystoma rousseauxii (r²=0.711; p<0,001) e somente 1/3 da variação da captura da Sciades parkeri (r²=0.331; p<0,001). As pescarias de rede de emalhe sofrem efeitos significativos de variações anuais e sazonais (captura total, Cynoscion acoupa e Brachyplatystoma rousseauxii), com exceção da Sciades parkeri. Somente a captura de Cynoscion acoupa indicou uma diferença significativa (p<0,05) em relação às áreas de pesca, sendo que sua maior captura ocorre nas áreas próximas aos pontos de desembarque. Sabe-se que o conceito de uso comum de propriedade, sem gerenciamento, acarreta na exploração dos recu   rsos sem sustentabilidade. As pescarias da rede de emalhar artesanal na costa norte do Brasil exploram recursos importantes para a região amazônica e que ainda não apresentam políticas voltadas para o controle da exploração, deve-se ter cautela no incentivo das pescarias, buscando alternativas em preservar o estoque e a continuidade das atividades pesqueiras, principalmente quando existem poucas informações biológicas e populacionais de algumas espécies.

     

  • ALINE ENIR DE OLIVEIRA LOBATO
  • Quantificação de Mercúrio Total em Músculo de Peixes de Lagos do Rio Trombetas: Avaliação da Exposição ao Resíduos de Bauxita
  • Data: 22/03/2018
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  • A atividade mineradora na Amazônia há décadas tem sido apontada como grande geradora de riqueza e desenvolvimento para a Região. Estes empreendimentos se instalaram principalmente no Estado do Pará, pois concentra boa parte da matéria prima alvo das indústrias. Os efluentes das etapas de extração e beneficiamento dos minérios são despejados diretamente no meio aquático e algumas vezes sem qualquer tratamento. Na cidade de Oriximiná, está localizada a Reserva Biológica (REBIO) do Rio Trombetas e em toda sua extensão existem lagos permanentes. O mais conhecido é o lago do Batata que recebeu por vários anos a carga de rejeitos a partir de atividade de mineração de bauxita instalada na região desde a década de 70. Esses lançamentos cessaram, porém os resíduos permanecem no fundo deste lago com indícios de forte remobilização de partículas finas no meio aquático, principalmente em períodos de seca na região, momentos nos quais a coloração das águas se torna avermelhada. Essas partículas finas podem transportar elementos tóxicos como Arsênio (As), Cádmio (Cd), Chumbo (Pb) e Mercúrio (Hg) e estes podem se acumular nos tecidos de organismos aquáticos como os peixes. Ressaltando que ao redor do lago do Batata residem populações ribeirinhas cujo pescado é a principal fonte proteica, caracterizando uma situação de possível exposição ambiental a esses contaminantes. Neste estudo foram quantificados os níveis de As, Cd, Pb e Hg em músculo de peixes do lago do Batata, espécies coletadas em três campanhas de amostragem nos períodos seca, cheia e transição cheia/seca. Estes foram comparados aos teores encontrados em outro lago da região sem registro de antropismos associados às atividades mineradoras. As análises de metais estão sendo realizadas por espectrometria de massas acoplado com plasma induzido (ICP-MS). Os resultados permitirão avaliar os impactos negativos aos organismos aquáticos e caracterizar a exposição ambiental humana dos moradores desta região, podendo subsidiar futuras tomadas de decisão em relação a esses passivos ambientais.
  • LISBETHE MELO SCKYR AHNDREW
  • Variação espaço-temporal de Cladocera (Crustacea-Branchiopoda) em uma região portuária amazônica (Brasil)

  • Data: 21/03/2018
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  • As regiões portuárias são importantes vias de acesso rápido para a economia mundial, principalmente para os segmentos industriais, os quais transportam suas mercadorias ao longo da costa brasileira. No entanto, essas regiões são expostas a riscos ambientais, devido à produção de resíduos tóxicos deixados pelas embarcações, podendo desencadear alterações na composição natural da biota aquática, como na comunidade planctônica. Dentre os componentes do plâncton, destacam-se os Cladocera, os quais são microcrustáceos zooplanctônicos, considerados excelentes indicadores da qualidade ambiental. Deste modo, o presente estudo objetivou determinar a composição e densidade de espécies de Cladocera da região portuária na cidade de Belém, na Baía do Guajará (Brasil). As coletas foram realizadas trimestralmente nos meses de março, junho, setembro e dezembro, nos anos de 2014 e 2015, durante as marés de enchente e vazante. As amostras foram obtidas através de arrastos horizontais, com rede de plâncton (120µm), em quatro pontos: P1: Forte do Castelo e P2: Ver-o-Rio (Terminal Portuário de Belém) e P3: Sotave e P4: Praia Grande (Outeiro). Em cada estação de coleta foram efetuadas mediações in situ dos fatores físico-químicos da água. Foram realizados cálculos de frequência de ocorrência, densidade total, índice de estado trófico, ANOVA one-way, análise de componentes principais e análise de espécie indicadora. Neste trabalho Cladocera foi representado principalmente pela ordem Anomopoda com as famílias Bosminidade, Moinidae, Daphiniidae, Chydonidae, Ilyocryptidae e Macrothricidae; e pela ordem Ctenopoda com a família Sididae. Além do registro de oito gêneros e 13 espécies. As espécies consideradas constantes (>50%), durante todo período de estudo, foram: Moina minuta (95%), Diaphanosoma birgei (86%), Bosminopsis deitersi (59%). A densidade total teve diferença entre os locais amostrados (H=16,57; p<0,05), onde P4 foi diferente de P1 e P2, e P2 diferiu de P3. Em 2014 a mediana dos locais amostrados classificou os pontos P1, P2, P3 e P4 como eutróficos. E em 2015, os pontos P1, P2 e P3 como supereutróficos, e eutrófico o ponto P4. A análise de componentes principais em seus dois eixos explicaram 46,8% dos dados físico-químicos. Para ambos anos, amostras de dezembro apresentaram maiores valores de vento, pH, condutividade, STD, salinidade e sulfato, e as amostras de março apresentam maiores valores de pluviosidade, turbidez e DQO. A espécie Bosminopsis deitersi (34%) foi considerada indicadora do P3. Os possíveis processos de contaminações e alterações ambientais da região portuária provocam modificações nos padrões de variação de algumas espécies de Cladocera.

  • LEONARDO FERNANDES DA PAIXAO
  • UTILIZAÇÃO DE Sciades herzbergii  COMO BIOMONITOR DA QUALIDADE AMBIENTAL DA ÁGUA NO LITORAL AMAZÔNICO

  • Data: 28/02/2018
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  • A mais de um século a atividade humana vem degradando o meio ambiente aquático, devido a esses riscos ambientais, ocorre o incremento do uso de peixes no programa de monitoramento ambiental da qualidade de água, devido ao fato desses animais possuírem nicho ecológico e mecanismos celulares e fisiológicos bem conhecidos, o que os torna uma ferramenta muito importante neste sistema de avaliação ambiental. O objetivo desse estudo é utilizar a Sciades herzbergii como espécie sentinela da qualidade ambiental da água do litoral amazônico através da disponibilidade de metais em diferentes compartimentos. Esta espécie pertencente a Classe Actinopterygii, a Ordem Siluriformes, Família Ariidae, comumente denominado como bagre azul. As amostras foram coletadas em duas áreas: área I – com histórico de comtaminação – a bacia de São Marcos - MA, onde está localizado um dos maiores complexos portuários do mundo com aproximadamente 30 empresas dentre elas a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Alumar e Petrobrás. Área II – sem histórico de contaminação - localizada no estuário do Rio Caeté (Bragança-PA), situado na região norte do Brasil. As amostras biológicas, de água e sedimento foram agrupadas em dois períodos: seco e chuvoso, para ambos os locais de coleta.  Um total de 704 peixes, 160 amostras de água e 160 de sedimento foram coletados e na região de coleta foram mensurados dados abióticos (Temperatura, Salinidade, pH, Oxigênio Dissolvido, Turbidez, Condutividade). Após a biometria as amostras foram processadas: técnica histológica de rotina - para a avaliação histopatológica de brânquias e fígado; técnicas de imunohistoquímica - para a verificação de morte celular; análises bioquímicas – para avaliar o eventos citotóxicos de dano celular e tecidual; técnicas de genética molecular – para descrição da expressão gênica de Metalotineína e análises de concentração de metais nos tecidos  do peixe (fígado, brânquias e músculo), água e sedimento. Os dados abióticos foram avaliados através de análise de variância (ANOVA twoway), para os dados correlacionáveis foi realizado uma correlação de Spearman (ρ), a análise histopatológica estabeleceu o Índice de Alteração Histopatológica (IAH) onde foi utilizado uma análise multivariada, a concentração de metais no sedimento, água, tecidos do peixe, a expressão de metalotineínas e as respostas bioquímicas, foram avaliados através de uma análise de componente principal (PCA). Foi observado diferença estatísticas (p<0,05) entre turbidez, salinidade, pH e condutividade e relação massa comprimento entre as áreas I e II. A análise histológica demonstrou que apenas 11% dos peixes da área I apresentaram um tipo de lesão branquial (hiperplasia lamelar) e apenas 5% apresentaram hipertrofia do hepatócito, já na área II 95% do peixes mostraram lesões brânquias (hiperplasia, hipertrofia, elevação e fusão lamelar e aneurismas) no fígado, nessa mesma área, em 95% dos peixes foram determinados lesões hepáticas (congestão, centromelanomacrófagos, hepatite, inflamação, infiltrado leucocitário, degeneração e necrose). Foi determinado maior frequência de imunolocalização para caspase-3 em todos os tipos de lesão dos animais da área II em ambos os tecidos. Dentre os dados bioquímicos foi encontrado diferença entre as áreas para catalase no fígado e GST nas brânquias. Na expressão de metalotineínas ocorreu maior expressão no fígado. Foram encontrados também a presença de metais na região com histórico de contaminação. Nesse contexto a utilização da espécie como sentinela é muito importante já que ela mostrou sinais claros da presença e exposição a poluentes e de como essa presença aumenta a suscetibilidade do peixe a doenças e possivelmente a morte.

  • MORGANA CARVALHO DE ALMEIDA
  • Pesca, economia e consumo de proteínas animal no rio Xingu, Amazônia brasileira

  • Data: 28/02/2018
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  • A pesca de águas interiores tem seu potencial subestimado devido a deficiente coleta de dados sobre esta atividade. A carência de informações estende-se também a aspectos econômicos e sociais desta modalidade de pesca. Esta ausência de informações podem dificultar as políticas de decisão para o setor. Desde o ano de 2012 está sendo construída na bacia do rio Xingu, a terceira maior hidrelétrica do mundo – UHE de Belo Monte. Empreendimentos deste porte causam impactos ambientais que afetam a fauna e flora local, com mudanças na atividade de pesca extrativa, podendo comprometer a renda e fornecimento de proteína às populações locais. O presente estudo foi estruturado em três capítulos, com objetivo de estudar a pesca de peixes de consumo, o consumo de proteínas pelas populações locais e os custos e receitas das pescarias. Os dados foram coletados através de: 1) entrevistas realizadas em 21 portos ao longo do rio Xingu, acerca da dinâmica da pesca; 2) registro alimentar dos alimentos de origem proteica consumidos ao longo do ano em quatro comunidades no rio Xingu e 3) entrevistas com pescadores e donos de embarcação em 2 localidades acerca dos custos e receitas oriundos da atividade pesqueira. Em relação à atividade pesqueira monitorada por dois anos, entre abril de 2012 a março de 2014, foram registradas 23.939 viagens de pesca, totalizando uma produção de 1.484 toneladas de pescado, obtidas por quase 3.000 pescadores. A pesca na região tem caráter artesanal de pequena escala, destacando‑se a participação de canoas motorizadas que utilizam um motor de popa chamado “rabeta”. Os barcos motorizados atuam somente na foz do rio Xingu e no rio Amazonas. Tucunaré (Cichla spp), pescada-branca (Plagioscion spp), pacu (várias espécies de Serrasalmidae), aracu (várias espécies de Anostomidae) e curimatã (Prochilodus nigricans) perfazem mais de 60% do total capturado. A captura média por unidade de esforço é de 18 kg.pescador–1.dia–1 e muda dependendo da modalidade de pesca (tipo de embarcação e arte de pesca), do pesqueiro utilizado e da época do ano. Na maior parte dos casos, não encontramos diferenças nos rendimentos de 2012 e 2013. O pescado foi o alimento mais frequentemente consumido, seguido de carne bovina e aves. O consumo de pescado variou de 138 a 555 g.capita-1.dia-1 entre as localidades. Cinco espécies representaram 80% de todo pescado consumido no período de estudo, sendo preferencialmente de peixes com escamas. Até o momento, o consumo de pescado não apresentou diferenças entre anos e nem períodos.  A receita total bruta declarada da atividade pesqueira de consumo, nos desembarques de canoas rabetas do rio Xingu, alcançou R$ 10.152.000,00. As maiores receitas corresponderam à comercialização do pescado nas localidades de Altamira (29%), São Félix do Xingu (31%), seguidos de Maribel (8%). A receita bruta na primeira comercialização sofreu variações ao longo dos anos, seguindo o padrão da produção total. Os preços médios das principais espécies comercializadas apresentaram aumentos acima da inflação. As informações geradas são importantes para subsidiar ações de ordenamento pesqueiro, elaboração de políticas públicas ou medidas de compensação econômicas, bem como para avaliar futuras mudanças que possam ocorrer na atividade frente às transformações ocasionadas pela construção da barragem de Belo Monte.

  • CARLA CAROLINA MIRANDA DOS SANTOS
  • MODULAÇÃO NATURAL DE BIOMARCADORES DE ESTRESSE OXIDATIVO EM DUAS ESPÉCIES DE INVERTEBRADOS COM POTENCIAL PARA BIOMONITORAMENTO

  • Data: 27/02/2018
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  • Os estuários são ambientes costeiros de grande relevância ecológica e biológica, dentre suas principais cacterísticas destaca-se a formação de gradientes de seus parâmetros físico-químicos, principalmente de salinide. O estuário da Baía do Japerica no estado do Pará possui excelentes condições e manteve-se em condições prístinas por muitos anos. No entanto, atualmente está ocorrendo o funcionamento de uma fábrica de cimento em um dos principais municípios banhados por essa Baía. Nesse contexto, biomonitoramento é uma excelente abordagem de análise da qualidade ambiental sendo uma das principais ferramentas desses estudos os biomarcadores. Logo, o presente estudo tem como objetivo caracterizar a modulação de biomarcadores recorrente da variação físico-química natural e sazonal do estuário em invertebrados aquáticos provenientes da Baía de Japerica em condições prévias à implementação da fábrica. As espécies escolhidas como potenciais biomonitores são o caranguejo uçá Ucides cordatus e a ostra-do-mangue Crassostrea sp., altamente comercializados em todo estado do Pará. As coletas foram realizadas trimestralmente no período de um ano sendo: Período de transição chuvoso-seco (Junho/2013), estiagem (Setembro/2013), transição seco-chuvoso (Novembro2013) e chuvoso (Fevereiro/2014). Foram amostrados três pontos para o caranguejo: a)Tapuã (Estuário superior e próximo ao município de Primavera); b)Telha (Estuário médio) ; c) Japerica (Estuário inferior) e dois pontos para ostra: a)Rio dos Peixes (Estuário superior e próximo ao município de Primavera); b)Borges (Estuário inferior). Como biomarcadores de exposição foram avaliadas as atividades das enzimas GST e GCL bem como a capacidade antioxidante total (ACAP) e a concentração de GSH e como biomarcador de efeito analisou-se a peroxidação lipídica. Para brânquias do caranguejo observou-se diminuição de todos os biomarcadores no período do pico de salinidade (transição seco-chuvoso) para os animais de todos os pontos e aumento durante o período de transição chuvoso-seco para os organismos do estuário inferior e médio. Os maiores níveis de LPO foram observados durante o período chuvoso para os organismos do estuário superior e inferior. Nas brânquias de ostra observou-se diminuição da atividade da GST e do ACAP durante o período chuvoso para organismos de ambos os locais e indução durante o pico de salinidade (transição seco-chuvoso) para os organismos do estuário superior. Os menores níveis de LPO ocorreram durante o período de estiagem nas brânquias de animais de ambos os pontos, no músculo houve aumento do LPO durante o período chuvoso em relação ao transição chuvoso-seco para animais do Borges.  Não houve diferença nem entre pontos nem entre locais para a atividade da GST em músculo sugerindo baixa sensibilidade do tecido. Logo, para os caranguejos o período mais propício a efeitos tóxicos de possíveis poluentes advindos da ação antrópica seria durante o transição seco-chuvoso. Enquanto para ostras o período de maior desafio fisiológico com baixas nas defesas é o período chuvoso abrindo precedentes para efeitos de xenobióticos. Nossos resultados indicam que os organismos com maior viabilidade para uso em biomonitoramentos são os caranguejos devido à plasticidade e eurihalinidade apresentada.

  • MONIQUE COSTA DE SOUZA CHAGAS
  • Estudos Citogenéticos em Trichechus (Mammalia, Sirenia, Trichechidae): Uma Abordagem Evolutiva

  • Orientador : RENATA COELHO RODRIGUES NORONHA
  • Data: 26/02/2018
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  • A ordem Sirenia compreende quatro espécies de mamíferos aquáticos herbívoros pertencentes a duas famílias: Dugong dugong da família Dugongidae e mais três espécies de peixes-boi pertencentes a família Trichechidae: Trichechus inunguis, distribuído na bacia amazônica; T. senegalensis situado no continente Africano e T. manatus presente ao longo do continente Americano com subespécie descrita na Flórida (coloque o nome da subespécie) e na região das Antilhas. As espécies de ocorrência no território brasileiro são T. inunguis (peixe-boi-da-Amazônia) e a subespécie T. manatus manatus (peixe-boi marinho). Seu status de conservação no Brasil, bem como nos outros continentes de ocorrência dos Trichechus, é considerado vulnerável segundo a lista vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature). Ações para a conservação são realizadas para a recuperação populacional, com intuito de contornar essa problemática. Dessa maneira, estudos citogenéticos proporcionam maior compreensão da organização estrutural e funcional do genoma com o uso de marcadores genéticos, tornando-se importante ferramenta para compreender a estrutura populacional, evolutiva e taxonômica das espécies, assim, contribuindo para projetos de conservação e manejo. O presente projeto tem como objetivo mapeamento físico de sequências repetitivas  e realizar análise comparativa com intuito de compreender sua organização cromossômica. Os cromossomos mitóticos foram obtidos mediante cultura de linfócitos. As preparações citológicas foram submetidas às técnicas de citogenética clássica (bandas G e C) e Hibridização in situ Fluorescente (FISH) utilizando sondas de DNA repetitvos de famílias multigênicas, DNA ribossomal 45S (se tiver mais ...precisa especificar),  sequências teloméricas (TTAGGG) e com elementos de transposição LINE-1. Os resultados preliminares confirmam o número diplóide descrito na literatura, onde T. manatus possui 2n=48 e T. inunguis com 2n=56. Inserir dados do híbrido Mediante a técnica de bandeamento G foi possível identificar as homologias dos pares. A heterocromatina constitutiva (HC) foi observada nas regiões pericentromericas de todos os cromossomos. As sondas de sequências teloméricas foram observadas nas regiões distais dos cromossomos. As marcações de DNA ribossomal 45S foram evidenciadas no par 20 de ambas espécies. O retrotransposon LINE-1 apresentou padrão de distribuição disperso ao longo de todos os cromossomos. Os dados apresentados mostram a primeira descrição de análise citogenética molecular com sondas de sequências de DNA repetitivo que contribuirão para estudos de taxonomia, conservação e filogenética.

  • TAMIRES DE ALMEIDA PEREIRA DE OLIVEIRA
  • Influência das Características Ambientais dos Ninhos de Podocnemis unifilis sobre Sucesso Reprodutivo e Razão Sexual no Rio Iriri, Pará

  • Data: 26/02/2018
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  • Os quelônios de água doce do gênero Podocnemis encontram-se amplamente distribuídos na bacia amazônica e possuem grande importância cultural e econômica na região. A biologia das espécies é estreitamente relacionada com o ciclo hidrológico, sendo que a desova ocorre no período de vazante e seca, quando praias e bancos de areia surgem com a diminuição no nível do rio. O conhecimento dos fatores que influenciam a reprodução de quelônios amazônicos é essencial para planejamento dos esforços de conservação sobre as áreas de reprodução dessas espécies, assim como para projetar cenários futuros no âmbito de mudanças ambientas antrópicas, como desmatamento em larga escala e mudanças climáticas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o sucesso reprodutivo e a razão sexual de Podocnemis unifilis no rio Iriri, Pará, através da análise da influência das características ambientais dos ninhos sobre a razão sexual dos filhotes, a taxa de eclosão e a perda dos ninhos. Os dados foram coletados em duas campanhas anuais em 2012 e 2013, durante a desova (segunda quinzena de agosto) e a eclosão (segunda quinzena de outubro). Foram encontrados 151 ninhos nos anos de 2012 e 2013, dos quais 30 ninhos não foram manipulados para comparação da taxa de eclosão com os ninhos manipulados para monitoramento. As variáveis data de postura, número de ovos, data de eclosão, profundidade inicial e final do ninho, distância da água, altura em relação à água, inclinação, cobertura vegetal e granulometria foram mensuradas para 121 ninhos monitorados. Os tipos de perda foram verificados através da observação de rastros em volta dos ninhos e as condições físicas dos ninhos e dos ovos. Assim, classificados em perdas por alagamento, predação por animais, predação humana e ovos encontrados sob diversas condições que podem ter causado a interrupção do crescimento dos embriões foram agrupados na categoria problemas de desenvolvimento. Gônadas de uma amostra de cinco filhotes de cada ninho foram retiradas no ano de 2012 a fim de identificar o sexo dos mesmos para o cálculo da razão sexual do ninho. A profundidade final esteve positivamente relacionada com a taxa de eclosão (t= 2.57, p<0.05), cuja média total foi de 0.76. A diferença das taxas de eclosão entre ninhos manipulados e não manipulados não foi estatisticamente significativa (pseudo-F= 1.15, p> 0.05), apesar da variância das taxas dos não manipulados ter sido menor (0.05) do que a dos ninhos manipulados (0.09). Não observamos a perda de ninhos por alagamento. O sucesso de eclosão foi afetado pela predação por animais (5%), predação humana (4%) e problemas de desenvolvimento (11%). Porém, nenhuma das situações esteve relacionada com as condições ambientais dos ninhos (pseudo-F=0.90, p> 0.05). Entre 2012 e 2013, as médias da taxa de eclosão foram 0.76 e 0.77, respectivamente, não havendo diferença significativa (pseudo-F= 1.06, p> 0.05). As causas de mortalidade de ovos diferiram significativamente entre os anos (pseudo-F= 2.16, p<0.05), porém as variáveis ambientais referentes aos ninhos não exerceram influência sobre a diferença. Quanto à razão sexual, 100% dos indivíduos foram identificados como fêmeas. Dessa forma, concluímos que as condições ambientais podem exercer diferentes influências sobre o desenvolvimento dos quelônios conforme a localidade estudada e, assim, são importantes para um entendimento maior da ecologia reprodutiva da espécie no local de estudo e formulação de planos de manejo de acordo com as características ambientais e culturais de cada região.
  • WANDERSON MICHEL DE FARIAS PANTOJA
  • Etnoecologia e Etnoparasitologia de Peixes em Comunidades de Duas Bacias Hidrográficas do estado do Amapá, Amazônia Oriental, Brasil

  • Data: 23/02/2018
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  • RENATA SILVA DE OLIVEIRA
  • Desenvolvimento ovariano do Mapará, Hypopthalmus marginatus, Valenciennes 1840 (Siluriformes, Pimelodidae): Caracterização estrutural e Imunohistoquimica

     
  • Data: 21/02/2018
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  • Em peixes a maturação gonadal envolve mecanismos que desencadeiam a proliferação e a morte de células a fim de garantir a homeostase tecidual. Para este estudo foi utilizada a espécie Hypophthalmus marginatus, um siluriforme de médio porte pertencente à família Pimelodidae. É um peixe muito apreciado e comercializado na Amazônia Oriental. Deste modo, torna-se necessário estudos que promovam a compreensão do ciclo reprodutivo, produção e preservação da espécie. Diante disso, o trabalho tem por objetivo descrever características estruturais, ultraestruturais e investigar os mecanismos de proliferação e a apoptose celular, durante o desenvolvimento ovariano de H. marginatus. Para isso, foram realizadas coletas no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017 a jusante da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Em campo foi realizado a biometria dos exemplares e remoção das gônadas para identificação do sexo (machos e fêmeas), em seguida fragmentos da região mediana dos ovários foram fixados e processados pela Microscopia de Luz (ML), MEV, MET e imunohistoquímica para verificar a imunolocalização de Caspase-3 clivada, Bcl-2 e PCNA nos ovários da espécie. A análise macroscópica dos ovários sugere que o padrão de vascularização, coloração e volume variam de acordo com o desenvolvimento. As técnicas histológicas permitiram caracterizar cinco estágios de maturação para os ovários e os tipos celulares evidentes ao longo do ciclo reprodutivo. Através da morfometria verificou-se diferenças no diâmetro dos oócitos ao longo do processo de maturação. Além disso, o estudo fornece detalhes sobre as características microscópicas como desenvolvimento e maturação dos oócitos. Através da imunohistoquimica observou-se que durante o desenvolvimento ovariano houve marcação positiva das proteínas PCNA, Bcl-2 e caspase-3 em todos os estágios da maturação ovariana. Onde a imunolocalização de PCNA foi mais evidente em células foliculares, oogônias e núcleo de oócitos. Bcl-2 foi positivo no núcleo de oogônias e oócitos. Já a Caspase-3 teve reação positiva no citoplasma, núcleo de oócitos e em células atrésicas. Dessa forma, concluímos que as proteínas proliferativas (PCNA), apoptóticas (Caspase-3) e anti-apoptóticas (Bcl-2) desempenham importante papel durante o processo de remodelação gonadal, possibilitando a proliferação, reparo e eliminação de células defeituosas ao longo da maturação ovariana. Estes estudos fornecem informações a respeito dos eventos que permeiam a maturação ovariana.

  • JULIANA CAROLINE DIAS PANTOJA
  • INFLUÊNCIA DE FATORES ABIÓTICOS NA OCORRÊNCIA DE APOPTOSE E PROLIFERAÇÃO CELULAR DURANTE A MATURAÇÃO GONADAL DE OSTRA DO MANGUE (Crassostrea gasar)

  • Data: 21/02/2018
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  • Ostras da espécie Crassostrea gasar pertence ao gênero que possui grande importância socioeconômica e ecológica. Nesse sentido, diversos estudos têm mostrado que a espécie possui desempenho satisfatório ao ser comparada com as outras espécies do mesmo gênero, além de ser mais tolerante as variações da salinidade e da temperatura, que são fatores que podem interferir diretamente na fisiologia do animal, especialmente na dinâmica celular durante a espermatogênese. Dessa forma, este estudo teve como objetivo avaliar se há relação entre a variação nos fatores abióticos no processos de degeneração e proliferação nas células da linhagem espermática de C. gasar cultivada em dois estuários em ambientes tropicais. Para isso, foram obtidos um total de 227 ostras, 119 exemplares no município de Augusto Corrêa (Pa) e 108 exemplares no município de Curuçá (Pa), entre junho de 2009 a maio de 2010. Com a técnica de histologia de rotina foi realizada a caracterização gonadal e determinação de estádios de maturação. Réplicas das lâminas previamente identificadas foram utilizadas para identificar a imulocalização da proteína apoptótica (Capase-3) e do antígeno de proliferação celular (PCNA) por meio da técnica de  imunohistoquímica. Posteriormente, foram obtidos os índices apoptótico (IAT) e proliferativo (IPT) por estádio de maturação em cada área de estudo, por meio de contagem das células com marcação positiva para imunohistoquímica. Observamos os dois ambientes apresentavam diferenças significativas em seus fatores abiótico, especialmente a salinidade e a precipitação, que variaram durante todos os períodos sazonais. Também observamos que, em salinidades elevadas os processos celulares se comportam de maneira equilibrada, diferentemente do observado na área onde a salinidade era mais baixa, influenciando na morfologia gonadal, onde se notou diferenças nos diâmetros dos túbulos e das células entre as duas localidades. Concluímos que os eventos de dinâmica celular durante a maturação gonadal de C. gasar são regidos por fatores interno (hormonais ) por fatores externos como a variação sazonal da precipitação e da salinidade, e que esses fatores podem influenciar diretamente nos eventos proliferativo e apoptótico gonadal. Esses resultados, servem de base para aplicações tanto na melhoria do cultivo e produção da espécie, além de fornecer subsídios sobre a fisiologia da espécie, comprovando que a apoptose e proliferação celular podem ser utilizadas com ferramentas biológicas que mostram a adaptação do animal frente a mudanças no ambiente.
  • PRISCILLA DA SILVA BARBOSA
  • Ingestão de Partículas Microplásticas pelo Pacu-Curupeté Tometes kranponhah (SERRASALMIDAE), Peixe Endêmico do Rio Xingu, Brasil

  • Data: 19/02/2018
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2017
Descrição
  • SARITA NUNES LOUREIRO
  • Efeitos da poluição aquática e do ectoparasitismo sobre distintos órgãos de peixes de água doce: uma abordagem em baixo nível de organização biológica

  • Data: 18/12/2017
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  • A grande maioria dos rios amazônicos encontram-se em estado de alteração ambiental, pois são fortemente influenciados por atividades antrópicas relacionadas à construção de usinas hidrelétricas, desmatamento e mineração que levam à perda de habitat, eutrofização, acúmulo de metais pesados, altos índices de doenças parasitárias dentre outras consequências. Nesse contexto, o presente trabalho fez uma abordagem com peixes de diferentes níveis tróficos e com um número maior de tecidos objetivando investigar se os padrões de resposta dos biomarcadores de exposição e efeito expressam tendências semelhantes em um rio com menor histórico de poluição (Xingu) e em um rio com maior histórico de poluição (Itacaiunas) sem a influência do parasitismo, visando proporcionar uma visão mais integrada e complementar da saúde dos organismos. Adicionalmente, foi verificado se existe algum efeito do ectoparasitismo por Isopoda Vanamea sp. sobre a saúde de Serrasalmus rhombeus, utilizando como biomarcadores respostas em baixos níveis de organização biológica (molecular). Para o presente estudo as amostragens de peixes das espécies S. rhombeus e Prochilodus nigricans (curimatá) foram realizadas durante o período seco no rio Xingu e no rio Itacaiunas. Os peixes foram capturados com anzol e tarrafa e em cada rio amostrado foram capturados 40 indivíduos de S. rhombeus e 40 de P. nigricans totalizando em 400 amostras no final do estudo. Em campo os peixes capturados foram pesados (com precisão de 0,01g) e medidos (com precisão de 0,1 cm). Posteriormente, as brânquias e superfície externa do corpo de cada peixe foram examinadas para verificação da presença de ectoparasitas crustáceos. A seguir, músculo, fígado, brânquias e cérebro foram retirados e inseridos em tubos criogênicos e levados ao laboratório em um recipiente contendo nitrogênio líquido para análise de biomarcadores. A partir dos resultados obtidos estão sendo elaborados dois artigos científicos com títulos preliminares: (1) Multi-tissues biomarker responses in two fish with different trophic strategies from two Amazon rivers; (2) Respostas de biomarcadores bioquímicos em tecidos de Serrasalmus rhombeus parasitados por Vanamea sp. (Isopoda).

  • OSWALDO GOMES DE SOUZA JUNIOR
  • PESCA E ETNOECOLOGIA DA PESCADA AMARELA - Cynoscion acoupa (LACÈPEDE 1801) NA COSTA NORTE DO BRASIL

  • Data: 04/12/2017
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  • A pesca na costa norte do Brasil é amplamente direcionada às espécies de maior valor econômico, como a pescada amarela - Cynoscion acoupa (Lecèpede, 1801). A pescada amarela é uma espécie da família Sciaenidae que ocorre em águas tropicais e subtropicais da costa atlântica da América do sul e constitui importante fonte de alimento, comércio e renda para grande parte da população local. O objetivo principal do presente estudo consiste em descrever e analisar o conhecimento ecológico local e as percepções dos participantes da pesca sobre biologia, ecologia, comportamento e dinâmica da pesca da pescada amarela na costa norte do Brasil. O estudo foi realizado na costa norte do Brasil, especificamente na Mesoregião do Nordeste Paraense, em oito municípios da microrregião do salgado (Colares, Curuçá, Marapanim, Salinópolis, São Caetano de Odivelas e Vigia de Nazaré) e Microrregião Bragantina (Quatipurú, e Bragança). Os dados foram obtidos por meio de entrevistas individuais utilizando questionários semiestruturados com 80 pescadores, 80 encarregados e 80 donos de embarcações (n=240), 10 indivíduos por categoria em cada município. Para acesso aos entrevistados foi utilizado o metodo bola de neve (snow ball), pelo qual as pessoas da comunidade e os próprios respondentes indicam outros potenciais candidatos para entrevista. A tese está estruturada primeiramente com uma introdução geral, objetivos e metodologia. O primeiro capítulo aborda a “Biologia, ecologia e comportamento da pescada amarela Cynoscion acoupa (Lacèpede, 1801) segundo o conhecimento ecológico local dos participantes da pesca na costa norte do Brasil”. O segundo capítulo tem como título “Dinâmica da pesca e manejo da pescada amarela – Cynoscion acoupa (Lacèpede, 1801) segundo o conhecimento dos participantes da pesca na costa norte do Brasil. No geral, os resultados apontam que, segundo os entrevistados, o início de desova da pescada amarela ocorre no mês de maio, com o final da desova entre os meses de junho e julho, coincidindo com o período de safra descrito pelos entrevistados, sugerindo que os pescadores podem se confundir nessas afirmações por capturar pescadas ovadas por longos períodos em decorrência de sua desova ser parcelada. Na percepção de 74% dos entrevistados a abundância dos estoques de pescada amarela tem se reduzido. O tamanho médio de primeira maturação segundo o conhecimento dos participantes na pesca foi de 70,3 cm, que se encontra acima dos tamanhos presentes na literatura biológica sobre essa espécie. Os entrevistados mencionaram um total de 38 organismos capturados como fauna acompanhante nas pescarias da pescada amarela, incluindo espécies como a gurijuba (Sciades parkeri) com pesca proibida pela portaria 445/MMA, que é capturada, aproveitada e comercializada tanto nos mercados locais como para outros estados brasileiros, segundo os entrevistados. O defeso foi a medida de manejo com maior citação (59%) pelos participantes da pesca da pescada amarela. O estudo reforçou a importância do conhecimento ecológico local dos atores da pesca na área estudada na geração de informações sobre a pescada amarela, sendo que os entrevistados reconhecem a necessidade da implementação de medidas de manejo da pesca quando relatam a percepção de redução da abundancia dos estoques e sugerem soluções com base em suas experiências na atividade pesqueira. Dessa forma, esse estudo pode conduzir a uma necessária associação entre os saberes locais e científicos na implementação de medidas de manejo na pesca.

  • CRISTIANE COSTA CARNEIRO
  • ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DE PODOCNEMIS EXPANSA (TESTUDINES, PODOCNEMIDIDAE) NO BAIXO RIO XINGU, PARÁ, BRASIL

  • Data: 26/10/2017
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  • Os esforços para a conservação de quelônios amazônicos têm sido direcionados para a proteção e transferência de ninhos, sem que se leve em consideração a influência das variáveis do ninho e do clima sobre características básicas da biologia deste grupo. Além disto, existem lacunas críticas quanto ao conhecimento da ecologia básica deste grupo que seriam essenciais para o planejamento e execução de estratégias de conservação eficientes. Um aspecto crítico se refere ao comportamento destes animais fora do período reprodutivo, principalmente quanto ao uso de ambientes, e migratório das fêmeas antes e depois das desovas. Neste contexto, a região do baixo rio Xingu encontra-se um dos maiores tabuleiros de desova da Podocnemis expansa da bacia amazônica, protegido pelo Estado desde a década de 1970. Mesmo assim, pouco se sabe sobre o comportamento destas fêmeas após a desova, assim como os impactos das variações climáticas sobre seu sucesso reprodutivo. Considerando o atual cenário, o presente trabalho tem como objetivo descrever o padrão espaço-temporal das migrações pré e pós reprodutivas e avaliar os fatores que influenciam no sucesso reprodutivo, contribuindo para o aumento do conhecimento sobre a espécie, para assim subsidiar medidas de manejo. Entre outubro de 2013 iniciamos o monitoramento da rota migratória de 8 fêmeas de tartaruga que nidifica no baixo rio Xingu. As oito fêmeas de tartaruga foram rastreadas por períodos que variaram entre 143 a 1383 dias. O deslocamento total médio variou entre 85 a 1.316 km (média =729, n=8). O tempo médio gasto pelas fêmeas no percurso da área de alimentação até a área de reprodução no rio Xingu variou de 2 a 75 dias (média =44,2, n=9). Identificamos quatro padrões migratórios e cinco áreas de alimentação. As fêmeas apresentaram fidelidade ao sitio de alimentação e desova. Identificamos que as praias do baixo Xingu recebem no período reprodutivo tartarugas que migram da foz e do baixo amazonas. Investigamos por nove anos o efeito das variáveis do clima sobre o sucesso de eclosão nesta grande área de desova. Os dados mostram que a taxa de eclosão diferiu entre os anos e entre as praias. A praia alteada apresentou uma menor taxa de eclosão em todos os anos que foram comparados com praias naturais. A precipitação total, a cota do rio e as temperaturas máximas e mínimas afetaram negativamente a taxa de eclosão. Os resultados atestam para a variação no sucesso de eclosão entre as temporadas reprodutivas e as praias de desova. Recomenda-se o monitoramento continuado dos referidos parâmetros nas principais áreas onde se investe na proteção de sítios reprodutivos de quelônios na Amazônia.

  • DANIELLE VIVEIROS CAVALCANTE BRAGA
  • DISTRIBUIÇÃO E BIOLOGIA POPULACIONAL DA FAMÍLIA LUCIFERIDAE (DECAPODA: SERGESTOIDEA) NA PLATAFORMA CONTINENTAL DO AMAZONAS

  • Data: 29/09/2017
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  • Entre as comunidades biológicas, o zooplâncton desempenha um papel fundamental nas teias alimentares por representar um dos principais elos que transmite a energia sintetizada pelo fitoplâncton para os consumidores de níveis tróficos mais elevados incluindo moluscos, peixes de interesses comerciais e crustáceos. A Família Luciferidae é um componente importante dessa biota e contém sete espécies, com apenas duas registradas na costa brasileira: B. faxoni e L. typus. Este trabalho tem como objetivo principal estimar a abundância espacial e sazonal dos camarões luciferídeos das espécies na Plataforma Continental do Amazonas (PCA). As amostras de plâncton foram coletadas em seis locais da Plataforma Continental do Amazonas, trimestralmente de julho de 2013 a maio de 2015, utilizando para as amostragens redes cônico-cilíndricas de 200 μm e 300 μm, em arrastos superficiais à 0,5 m da coluna d’água e oblíquo, à aprox. 75% da profundidade local. Um total de 79.268 indivíduos foram coletados em todas as fases de desenvolvimento (mysis, juvenis, adultos), mostrando ser um dos táxons mais abundantes na PCA (densidade de mysis = 116,4 larvas/m3 e juvenis e adultos = 55,78 ind./m3). A densidade de B. faxoni não apresentou diferenças significativas em relação ao tipo de arrasto (horizontal ou oblíquo), entretanto L. typus diferiu significativamente ocorrendo unicamente em arrastos oblíquos (H=4,15; p<0.05), o que explica essa espécie não estar presente na maioria dos trabalhos sobre zooplâncton, uma vez que o método de coleta com arrastos horizontais é predominante. Em relação aos meses, houve variação significativa na densidade apenas de mysis de B. faxoni (H= 16,6; p<0.05). A porção intermediária que corresponde à distância de 83 km da costa diferiu significativamente para jovens e adultos de B. faxoni (H= 14,61; p < 0.05). Mysis, jovens e adultos de B. faxoni não apresentaram correlações com as variáveis ambientais. Camarões adultos e juvenis de L. typuscorrelacionam-se positivamente com a salinidade (r=0.23, p <0.05) e negativamente com as demais variáveis: temperatura, clorofila-a e vazão (r= -0,31, r= -0.24, r= -0,22; p <0,05; respectivamente). Os demais resultados ainda estão sendo analisados.

  • MANOELLA GEMAQUE CAVALCANTE
  • MAPEAMENTO CITOGENÉTICO DE DNAS REPETITIVOS EM QUELÔNIOS: PODOCNEMIS EXPANSA E PODOCNEMIS UNIFILIS (TESTUDINES, PODOCNEMIDAE)

  • Data: 31/08/2017
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  • A ordem Testudines é tida como uma das mais antigas entre os répteis existentes. Atualmente, são classificados em 13 famílias viventes com aproximadamente 300 espécies que podem ser encontradas em todos os continentes, com exceção da Antártida. Existem 36 espécies de Testudines com ocorrência conhecida para o território brasileiro, dentre essas, 16 espécies ocorrem na região Amazônica. A família Podocnemidae é representada por 3 gêneros: Erymnochelys, Peltocephalus e Podocnemis. O gênero Podocnemis atualmente inclui seis espécies, todas sul-americanas: P. lewyana, P. vogli, P. sextuberculata, P. unifilis, P. erythocephala e P. expansa. No presente projeto, estudos citogenéticos serão realizados para comparar as espécies Podocnemis expansa e Podocnemis unifilis através da análise de sequências de DNAs repetitivos, que são ferramentas úteis para definir a estrutura e revelar a organização e evolução do genoma. Serão realizados o isolamento e a caracterização de famílias multigênicas (DNAr e genes de histona) e elementos de transposição (transposons e retrotransposons). Os resultados mostram que P. expansa P. unifilis apresentam 2n=28; os cromossomos de P. expansasão constituídos por 20 pares metacêntricos e submetacêntricos : 4 subtelocêntricos : 4 acrocêntricos, e de P. unifilis com 22 pares metacêntricos e submetacêntricos : 2 subtelocêntricos : 4 acrocêntricos. As análises de sequências de DNAs repetitivos por Hibridização in situ Fluorescente (FISH) foram feitas pela primeira vez para as espécies, evidenciando marcações utilizando sondas com gene de histona H3, 5S e U2 e retroelementos, transposon Mariner e retrotransposons da família Rex (Rex1 e, Rex3). Sinais para rDNA 5S foram visualizados organizados em clusters em região centromérica nos pares 1 e 11 em P. expansa (Figura 1a)Marcações com snDNA U2 mostraram sinais semelhantes em P. expansa P. unifilis, localizados no par 6, em regiões centroméricas, para as duas espécies (Figura 2a, b). Os genes de histona H3 hibridizaram em clusters localizados em regiões centroméricas e pericentroméricas em seis pares cromossômicos em P. unifilisP. expansa  mostrou sinais para os mesmos pares que P. unifilis, no entanto, incluindo um par a mais (par 11). O padrão da distribuição do transposon Tc1-Mariner foi disperso ao longo de todos os cromossomos em P. expansa P. unifilis, no entanto, em maior quantidade em P. expansa. Foram observadas acumulações do repetitivo em regiões heterocromáticas nas duas espécies analisadas, porém mais evidente em P. expansa (Fig. 4a, b). Semelhante ao Tc1-Mariner, os retrotransposons Rex1 Rex3mostraram sinais dispersos ao longo do genoma de P. expansa P. unifilis, com algumas acumulações em regiões heterocromáticas para duas espécies. Rex3 apresentou uma maior quantidade de sinais em comparação com o Rex1 para as duas espécies analisadas. . A análise citogenética de Podocnemis mostra pela primeira vez a organização e dinâmica organizacional de DNAs repetitivos e pode contribuir com a compreensão de regulação gênica do grupo.

  • MARIANA NEVES CRUZ MELLO
  • APROPRIACIONISMO E SUBSTITUCIONISMO DOS RECURSOS PESQUEIROS NO ESTADO DO PARÁ: A “PESCA NO PÉ DA BARRAGEM” DA UHE DE TUCURUÍ E O PARQUE AQUÍCOLA BREU BRANCO III

  • Data: 28/07/2017
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  • As políticas públicas de mitigação e incentivo ao agronegócio estimulam a produtividade agrícola e de recursos pesqueiros em todo o território nacional. Na atividade da pesca, as políticas públicas passam do incentivo à extração (década de 1960) ao incentivo ao cultivo (a partir da década de 2000), processo que mitiga a inserção da pesca artesanal na economia de mercado. Dentro do processo de incentivo ao cultivo de recursos pesqueiros, destaca-se a política pública de incentivo à implantação de parques aquícolas em áreas de lagos artificiais. Tal proposta, ao tentar diminuir a influência da natureza na produção, insere práticas exógenas ao cotidiano das populações que vivem nesses territórios, resultando na invisibilidade de saberes e práticas de pescadores artesanais. O modelo de desenvolvimento que se pretende estabelecer prioriza a intervenção da ciência e da tecnologia na produção, reduzindo a interferência da natureza e priorizando a economia de mercado, processo conhecido como apropriacionismo e substitucionismo dos recursos (GOODMAN et al., 1990) no ordenamento pesqueiro brasileiro, onde há a apropriação gradual e insistente de etapas biológicas da produção. Este trabalho aborda tal processo que ocorre no parque Aquícola Breu Branco III, localizado no município de mesmo nome. A tese parte do seguinte problema de pesquisa: Em que medida o Parque Aquícola Breu Branco III pensado dentro do modelo político brasileiro que adota o crescimento econômico como medida para o desenvolvimento se configura como um projeto que consolida os processos de apropriacionismo e Substitucionismo dos recursos pesqueiros através do projeto IPIRÁ? Em que medida a pesca no pé da barragem e o parque aquícola Breu Branco III, que possuem processos entrópicos diferenciados, a longo prazo poderão ser co-viáveis? Os objetivos específicos buscam: a) Analisar em que medida o ordenamento pesqueiro vem impondo transformações nos saberes e práticas do pescador artesanal e os conduzido rumo aos processos de apropriacionismo e substitucionismo dos recursos pesqueiros; b) Analisar em que medida a pesca no pé da barragem se demonstra menos entrópica do que a piscicultura em tanque rede, proposta pelo parque Aquícola Breu Branco III; c) Analisar como em que medida a pesca no pé da Barragem e as novas práticas e ontologias propostas pelo Parque Aquícola Breu Branco III demonstram-se como práticas coviáveis; d) Analisar em que medida a política pública de incentivo a implantação de parques aquícolas torna-se um instrumento político e econômico que promove a gradativa consolidação dos processos de Apropriacionismo e Substitucionismo dos recursos pesqueiros. Para alcançar os objetivos propostos e responder ao problema de pesquisa, o trabalho faz uso da metodologia da ecologia política proposta por Paul Little (2006), as diferentes ontologias e entropias causadas pelas ações das políticas públicas e pelas ações dos próprios pescadores artesanais, evidenciando suas diferenças e proximidades através do estudo de caso do Projeto IPIRÁ.

  • NILSON FELIPE BARROS RODRIGUES
  • Ocorrência de peixes-bois (Trichechus spp.) na Baía de Marajó e o estudo bromatológico da dieta

  • Data: 27/04/2017
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  • O Brasil é o único país onde podem ser encontradas duas das quatro espécies de sirênios viventes no mundo: o peixe-boi-da-Amazônia (Trichechusinunguis) e o peixe-boi-marinho (Trichechusmanatusmanatus), ambas ameaçadas de extinção. No final dos anos 1970 o peixe-boi-marinho foi dado como extinto da região do Marajó. No entanto, a recuperação de um crânio da espécie em 2005 e registros de encalhes de filhotes a partir do ano de 2013 nos municípios de Salvaterra e Soure apontam a Baía de Marajó, costa Norte do Brasil, como área de ocorrência das duas espécies, sendo uma importante área para estudo desses animais. Deste modo, o primeiro capítulo “Ocorrência de peixes-bois (Trichechus spp.) na costa leste da Ilha de Marajó, Pará, Brasil” aborda a ocorrência de peixes-bois e os possíveis fatores que levam à sua presença nesta região, destacando uma possível relação entre currais de pesca e os encalhes desses animais. Para isso, foi feito o levantamento dos bancos de vegetação, fontes de água doce, currais de pesca e registros de ocorrência de peixes-bois nas praias alvo. Os registros de ocorrência (avistamentos ou encalhes) foram obtidos, principalmente, através do programa de monitoramento participativo, no qual a comunidade local informou onde os peixes-bois estavam aparecendo. Com isso, todos os dados obtidos pelo levantamento foram georrefenciados e plotados em ArcGIS, gerando mapas de ocorrência dos peixes-bois e com a ferramenta de mapas de Kernel foi feito a sobreposição da área de ocorrência aos demais fatores, verificando assim a correlação. Já o segundo capítulo intitulado Bromatologia da dieta de peixes-bois (Trichechusspp.) na Baía de Marajó” descreve e discute a composição nutricional e energética de cinco espécies vegetais que compõem a dieta dos peixes-bois de vida livre na costa leste da Ilha de Marajó, Pará, Brasil. Para isso, foi feito um levantamento das espécies presentes nos bancos de vegetação das zonas intertidais de três praias dessa região, onde as cinco espécies mais abundantes foram coletadas para serem analisadas. As espécies vegetais escolhidas foram Blutaparonportulacoides, Creneamaritima, Eleocharisgeniculata, Fimbristylis sp. eSpartina alterniflora, que após coletadas em pontos aleatórios de praias da costa leste da Ilha de Marajó, passaram por análises bromatológicas, obtendo os valores de Matéria Seca (MS), Matéria Mineral (MM), Extrato Etéreo (EE), Proteína Bruta (PB), Fibra em Detergente Neutro (FDN), Fibra em Detergente Ácido (FDA), Carboidratos Não Fibrosos (CNF) e Energia Bruta (EB). Os resultados dos dois capítulos desta dissertação forneceram dados inéditos e de grande importância para a conservação de uma população das duas espécies de peixes-bois que ocorrem no Brasil, uma delas figurando como o mamífero aquático mais ameaçado do país.

  • VICTÓRIA BEZERRA FONTES
  • Ocorrência de Cisto de Microalgas Poterioochromonas malhamensis em Camarão Amazônico  Macrobrachium amazonicum

  • Data: 27/04/2017
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  • O camarão palaemonídeo Macrobrachium amazonicum representa um importante recurso pesqueiro na Região Norte do Brasil, além de ser uma das espécies com expressivo potencial para aquicultura. Assim como em muitas outras espécies aquáticas, estes crustáceos estão sujeitos a diversos tipos de relações ecológicas interespecíficas, que podem trazer benefícios ou por outro lado, prejuízos  implicando no comprometimento do estoque, a viabilidade ecológica, alterações de habitat, saúde do consumidor, como também a sua viabilidade para aquicultura. Entre estas interações bióticas pode-se destacar as microalgas que vivem em simbiose com outros organismos. Exemplos mais atuais, incluem as simbioses de algas com invertebrados, fungos, outras algas, vertebrados e com algumas espécies de plantas vasculares. Em recentes coletas de campo foi observado com frequência indivíduos de M. amazonicum apresentando cistos na porção terminal do abdômen exibindo similaridades com aqueles descritos nas infestação parasitária por microsporídios. No sentido de elucidar este fato, coletas mensais, com matapís e tarrafas, foram realizadas no rio Caeté (Bragança/PA) e em uma região de várzea do rio Guamá (Belém/PA). Estas coletas transcorreram  durante 12 meses, sempre na primeira maré vazante do dia e em um período de quatro horas. Os animais capturados foram necropsiados e analisados em estereomicroscópio e microscopia de luz. Também foram coletados fragmentos de órgãos parasitados e/ou cistos de microrganismos e processados para microscopia óptica e biologia molecular. Foram capturados 611 camarões, destes 46,97% dos indivíduos apresentavam cistos localizados no último segmentos abdominal. Os resultados constataram que os camarões estavam sendo encistado por uma alga flagelada da espécie Poterioochromonas malhamensis não havendo, até o presente, registro de relação entre a microalga com camarão ou mesmo em outro crustáceo. Para outros organismos, há apenas um estudo no qual reporta uma relação simbiótica existente entre esta microalga e o cupim Reticulitermes santonensis no qual desempenha um papel na hidrólise da celulose. Os picos no número de cisto da microalga ocorreram no mês de novembro de 2015, período na região amazônica caracterizado por apresentar pouca chuva, apresentando significância estatística na relação Numero de cistos X Mês (F= 2,042; P<0,05), Período X Ocorrência de cistos (F= 37,75; P<0,05) e para Período X Quantidade de cistos (F= 21,142; P<0,05). Essas alta incidência podem estar relacionadas a má qualidade da água observadas nestes ambientes no período de baixa pluviosidade. Os cistos são arredondados de coloração esbranquiçada, com paredes relativamente lisas e finas. Quando comprimidos entre lâmina e lamínula ou, corados com HE e submetidos a Microscopia de luz, é possível a visualização do organismo  livre. Foi possível obter sequencias com fragmento de 781 pares de base, com 100 % de cobertura quando comparadas com as amostras obtidas no NCBI. A análise de máxima verossimilhança alocou as espécies de Chrysofites em dois grupos principais, fortemente apoiado por alto valor de bootstrap (100%). A sequência da alga crisofíceas identificada no camarão agrupou com as espécies reportadas para  P. malhamensis, com 100% de apoio, que apresentaram entre 100 e 99.95% de semelhança nucleotídica. P. stipitata também apresentou proximidade com o agrupamento, exibindo uma similaridade de 99.9%.

  • LEILIANE SOUZA DA SILVA
  • Composição e Distribuição Espaço-Temporal de Camarões no Plâncton (DECAPODA: DENDROBRANCHIATA) na Plataforma Continental do Amazonas

  • Data: 27/04/2017
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  • Os camarões representam importante grupo taxonômico tanto em sua fase larval planctônica, quanto bentônica/nectônica quando adultos, servindo de base da pirâmide trófica aquática. Os camarões Dendrobranchiata, apresentam grupos preferencialmente marinhos, com muitas espécies com importância econômica. Algumas espécies são tipicamente pelágicas, como as da família Luciferidae, representadas principalmente por Lucifer faxoni Borradaile, 1915. Outras, após se tornarem juvenis, adotam hábito bentônico como a maioria dos camarões Sergestidae e Penaeoidea, representadas por espécies estuarinas e marinhas. Muitas espécies são explotadas pela pesca artesanal e industrial, consistindo em uma das atividades econômicas relevantes para a população do Norte do Brasil. A presente tese objetivou identificar a composição específica, estimar a densidade larval dos camarões Penaeoidea e identificar quais fatores ambientais ou conjunto de fatores melhor explicam a distribuição espacial dessas larvas na Plataforma Continental do Amazonas. Também serão identificados os diferentes estágios de desenvolvimento larval de algumas das principais espécies de camarão com importância econômica na costa Norte do Brasil, verificando como se distribuem. Na região é registrada apenas uma estação chuvosa, de dezembro a maio (período de cheia do Rio Amazonas); e uma estação menos chuvosa, de junho a novembro (período de seca ou ‘vazante’ do Rio Amazonas). As amostragens foram realizadas em 2 anos de coletas trimestrais: abril/2013 (amostragem piloto); julho/2013; outubro/2013; janeiro/2014; maio/2014; julho/2014; outubro de 2014; janeiro/2015, , entre a Foz do Rio Amazonas e a Foz do Rio Pará, partindo-se da zona costeira até proximidades da quebra da Plataforma Continental (enumerados de 1 a 6). Foram coletadas 51.071 larvas de camarão no plâncton. As amostras foram obtidas através de arrastos oblíquos, com rede de plâncton cônico-cilíndrica de malha 200 μm. Simultaneamente a obtenção das amostras de zooplâncton, foram registrados dados abióticos do local com um perfilador CTD com sensores específicos. As amostras foram triadas sob um estereomicroscópio óptico e as larvas de Penaeoidea foram identificadas quanto aos estágios de desenvolvimento. A densidade larval foi expressa em número de larvas por m3. A maior densidade de larvas de camarão Penaeoidea nos estágios de protozoea e mysis ocorreu em maio/14 (208,42 larvas/m3), correspondendo a 78% do total (Total = 268,06 larvas/m3) (teste G = 221,78; p < 0.0001). As densidades das larvas nos estágios de protozoea e mysis corresponderam a 85,4 % (229,03 larvas/m3) e 14,6% (39,02 larvas/m3), respectivamente. Tanto protozoea (89,70 larvas/m3) quanto mysis (20,60 larvas/m3) foram mais densas em maio, no local 4 (180 km distante da costa, aproximadamente). Em maio, na estação chuvosa, tanto os estágios de protozoea quanto de mysis foram registradas nos locais mais distantes da zona costeira. Em outubro, período de seca, as larvas no estágio de protozoea foram registradas nos locais mais próximos da zona costeira, enquanto que as larvas no estágio de mysis foram registradas apenas no local 3 da PCA. Os camarões Dendrobranchiata constituem um grupo muito diverso e a variação da densidade é geralmente relacionada com a salinidade. O que pode explicar a densidade apenas nos locais mais distantes da costa no mês de maio e a densidade apenas nos locais mais próximos da costa no mês de outubro. Além disso, o pico de larvas no estágio de protozoea no local 4 em maio pode nos indicar uma ocasião de desova ou migração de alguma espécie. O conhecimento dos padrões de distribuição das espécies de camarões durante a fase larval é de suma importância para o entendimento do ciclo de vida. Existe uma vasta literatura sobre os camarões adultos, no entanto estudos sobre as larvas de camarões na Plataforma Continental do Amazonas são praticamente inexistentes.
    Financiamento: INCT- AmbTropic (CNPq nº 565054/2010-4).
  • SURAMA PUREZA DA COSTA E COSTA
  • Ontongenia do sistema digestório: Intestino e Fígado do  muçuãKinosternon scorpioides em cativeiro.

  • Orientador : ROSSINEIDE MARTINS DA ROCHA
  • Data: 25/04/2017
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  • A forte ação antrópica em torno dos quelônios, está fazendo com que trabalhos sejam desenvolvidos no campo da ecologia animal, para que possamos entender como se comportam determinados grupos de animais no ambiente ou em cativeiro. Contudo, o sucesso do crescimento e desenvolvimento da espécie em cativeiro, depende diretamente da eficiência dos processos de digestão e absorção dos alimentos ingeridos.O presente estudo teve como objetivo descrever a ontogênese do intestino delgado e fígado de muçuã (Kinosternon scorpioides). Embriões, filhotes, juvenis e adultos foram coletados no criatório científico do Campus Experimental Ermerson Salimos, localizado cerca de 17 km da cidade de Salvaterra – Pará, no período de 2014 a 2016. Os embriões estudados foram coletados de acordo com a época de postura da espécie e foram selecionados aleatoriamente três animais de cada categoria: cria, recria e reprodução e submetidos a 48 horas de jejum para posterior eutanásia e coleta dos fragmentos do intestino delgado e fígado. Realizou-se a biometria dos animas mensurando comprimento da carapaça (CC), comprimento do plastão (CP), largura da carapaça (LC), largura do plastão (LP) e altura (ALT) e morfometria do intestino delgado e fígado. Os embriões e fragmentos biológicos foram fixados em Bouin e posteriormente submetidos ao processamento histológico de microscopia de luz com coloração por Hematoxilina e Eosina e Ácido Periódico-Shiff (PAS) e imunomarcação por Antígeno Nuclear de Proliferação Celular (PCNA). Altura das vilosidades e largura do epitélio foram mensurados para análise de correlação entre desenvolvimento dessas estruturas com o desenvolvimento da espécie. Os dados biométricos e morfométricos foram confrontados em Correlação de Pearson. O tubo duodenal apresentou mucosa, submucosa, túnica muscular e serosa, com presença de vilosidades com diferentes formas e tamanho nos segmentos duodeno, jejuno e íleo. Células caliciformes foram evidenciadas por PAS e notou-se o aumento na concentração dessas células nas vilosidades a medida que se aproxima do íleo. Observou-se presença de centros melanomacrófagos no fígado que aumentaram de concentração quando o animal se apresentou mais velho, hepatócitos bastante vacuolizados e sinusóides com hiperemia sanguínea. Animais da cria apresentaram maior índice hepatossomático quando comparado com os animais da recria e reprodução. A ontogenia da mucosa intestinal mostrou-se linear com correlação positiva em todos os segmentos do intestino, tanto para largura do epitélio quanto para o comprimento da vilosidade. Animais adultos aptos para a reprodução apresentaram uma correlação fraca e negativamente fraca para o comprimento do intestino em relação ao CC, CP, LC, LP e ALT. A falta de conhecimento sobre a biologia, fisiologia e características histológicas do trato gastrointestinal da espécie e seu comportamento na natureza, leva a um manejo inadequado em cativeiro. Esses resultados são essenciais para a elaboração um plano de manejo nutricional em cativeiro adequado para as diversas fases de vida para essa e outras espécies de quelônios.

  • TAYNA LEAO MIRANDA
  • Conhecimento ecológico local: bases para conservação de peixe-boi (Trichechus sp., Sirenia, Mammalia) na Amazônia

  • Data: 30/03/2017
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  • No Brasil existem duas espécies de sirênios, Trichechus inunguis (peixe-boi-da-Amazônia) encontrado por toda a Bacia do rio Amazonas e Trichechus manatus (peixe-boi marinho) que habita estuários e regiões costeiras. Segundo IUCN as duas espécies estão classificadas como “vulnerável”. Os fatores antropogênicos como degradação de habitat e a pressão de caça sobre a espécie são as principais ameaças ao peixe-boi. O objetivo deste estudo foi registrar os saberes ecológicos locais, usos e percepções sobre o peixe-boi (Trichechus sp.) por pescadores nas áreas insulares de Belém e ilha do Capim, em Abaetetuba, no intuito de compreender a ocorrência e simbologia deste animal nas regiões. As informações etnobiológicas serão coletadas através de entrevistas semiestruturadas, acerca de questões biológicas, interação com pesca; caça da espécie, usos e conservação. Foram realizadas 26 entrevistas na região insular de Belém. De acordo com as características descritas pelos interlocutores a espécie de ocorrência na área de Belém é Trichechus inunguis, pois em todas as citações os pescadores afirmam ter observado animais de cor “preta”, sem presença de unhas. Todas as áreas estudadas foram apontadas como de potencial ocorrência de peixe-boi. Em áreas mais urbanizadas como orla de Icoaraci e Outeiro foi possível coletar material vegetal com marcas de mordida de peixe-boi, classificando como vestígio de ocorrência. A maior frequência de avistamento foi reportada no período chuvoso, em todas as localidades estudadas até o momento.  De acordo com os registros, quando há ocorrência de captura acidental, o animal pode ser solto ou ter seus subprodutos direcionados ao consumo e sua carne distribuída na comunidade ou venda. O conhecimento etnobiológico dos pescadores prova ser uma importante abordagem para estudar espécies como peixes-boi, cujo comportamento é de difícil observação na natureza. Além de o estudo fornecer informações importantes sobre a ecologia e biologia da espécie, contribuirá para projetos e ações de conservação das espécies construídas em parceria com as comunidades locais.

  • IARA RAMOS DOS SANTOS
  • O boto é pescador? As dimensões humanas das interações entre a pesca e os pequenos cetáceos na Amazônia Oriental

  • Orientador : LEONARDO DOS SANTOS SENA
  • Data: 29/03/2017
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  • As interações operacionais são a maior ameaça às populações de cetáceos no mundo e na Amazônia. Além dessa relação com a pesca, os pequenos cetáceos (Inia sp.; boto-rosa e Sotalia sp.; boto-cinza e tucuxi) assumem características simbólicas e quase humanas, sendo animais indesejados  que sofrem retaliações ou não, o que pode estar relacionado ao utilitarismo dessas espécies na atividade de pesca e seu apreço simbólico pelas populações humanas. Nesse sentido, compreender de forma sistêmica e quantificar as interações entre botos e a pesca são fundamentais para a efetivação dos planos nacionais de conservação e para estabelecer planos de manejo voltados à produtividade pesqueira que cause menor impacto às populações de botos amazônicos. Para tanto, foram analisados dados de três regiões tipicamente pesqueiras do Pará, Outeiro/Icoaraci (Região insular de Belém), Ourém (Médio Guamá) e Mocajuba (Baixo Tocantins). Nessas localidades foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com pescadores maiores de 18 anos através para registrar as interações com a pesca e seus contextos, concepções simbólicas e etnoecológicas acerca dos botos amazônicos. As análises estão representadas de forma quantitativa para ordenação das interações e também de forma qualitativa/sistêmica. Percebe-se que a prática pesqueira direciona a percepção dos pescadores e suas inclinações sobre a conservação dos botos, o que reflete o valor utilitarista direcionado a essas espécies na interface real e simbólica, especialmente Inia sp., visto como prejudicial à atividade de pesca e associado a percepções simbólicas negativas. Talvez isso mostre a necessidade de uma abordagem conservacionista multidisciplinar pautada em fatores socioeconômicos, simbólicos e ecológicos não só para os pequenos cetáceos, mas para outras espécies que assumem aspectos negativos nas dimensões humanas.

  • LUCIANA LAMEIRA DOS SANTOS
  • EFEITO DA ESTRUTURA DO HÁBITAT NA ECOMORFOLOGIA DAS ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE RIACHO DA AMAZÔNIA

  • Data: 24/02/2017
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  • MARCELO COSTA ANDRADE
  • Diversidade do clado Myleus e ecologia trófica dos Serrasalmidae de corredeiras em um rio de águas claras Neotropical (Ostariophysi: Characiformes)

  • Data: 24/02/2017
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  • Apesar do seu enorme potencial físico e biológico, a bacia amazônica está sendo seriamente ameaçada pela atividade humana, como a exploração madeireira, atividades agrícolas, pecuária, pesca predatória, mineração e construção de usinas hidrelétricas. Quando comparada com outros biomas, a Amazônia ainda pode ser considerada como relativamente “conservada”. Entretanto, devido o atual modelo brasileiro de exploração dos recursos naturais, que culminam com a perda de ecossistemas, o cenário de profunda crise biológica não está distante de se tornar realidade. Tendo em vista uma proposição de ideias sobre a conservação da biodiversidade reofílica e dos ambientes encachoeirados, a presente Tese de Doutorado visa contribuir com a elaboração de ações públicas para a conservação dos peixes de corredeira e cachoeiras, ambientes sensíveis a ações antrópicas. Os peixes serrasalmídeos de corredeira foram escolhidos por serem de extrema importância social e econômica para a cultura das comunidades tradicionais locais e, devido ao hábito de vida restrito às corredeiras, são representados por espécies particularmente vulneráveis à perda de hábitat como o ocasionado pela construção de usinas hidrelétricas. A Tese de uma compilação de três capítulos elaborados no formato de artigos científicos elaborados durante a vigência do doutorado em questão. Nesse sentido, a Tese segue a seguinte estrutura: (I) introdução geral, onde a comissão irá encontrar uma breve apresentação sobre os peixes Serrasalmidae, incluindo o histórico taxonômico dos Serrasalmidae do clado Myleus, e também um apanhado sobre a diversidade trófica desses peixes; (II) objetivos da Tese; (III) capítulo 1, onde foram descritas duas espécies de Serrasalmidae de corredeira para as bacias do Xingu e Tocantins-Araguaia, que por décadas foram alvo de numerosos estudos, mas sob identidade taxonômica duvidosa; as descrições seguem são acompanhadas ainda de observações sobre taxonomia, distribuição, ecologia e conservação das espécies frente a alterações antrópicas; (IV) capítulo 2, seguindo a mesma ótica do capítulo anterior, foi descrito uma espécie de Serrasalmidae de corredeira do rio Itacaiúnas, Serra dos Carajás, uma das principais sub-bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia; o capítulo traz uma integração entre análises morfológicas e moleculares, e também notas sobre ecologia, distribuição e conservação; (V) capítulo 3, onde foi apresentado a partilha de nicho entre os serrasalmídeos das corredeiras do baixo rio Xingu, baseado em análises de morfologia, dieta e de isótopos estáveis; (VI) considerações finais; e (VII) chaves de identificação dos peixes serrasalmídeos do clado Myleus e correlatos para contribuir com a identificação da diversidade desses peixes.

  • NAIARA RAIOL TORRES
  • INFLUÊNCIA DE VARIÁVEIS AMBIENTAIS DA PAISAGEM SOBRE A ESTRUTURA DAS ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE RIACHOS NA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 24/02/2017
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  • CLAUDIA CRISTINA LIMA MARCAL
  • A PESCA DE CURRAL EM UMA RESERVA EXTRATIVISTA NA ZONA COSTEIRA AMAZÔNICA: COMPOSIÇÃO DA CAPTURA E IMPLICAÇÕES PARA O MANEJO

  • Data: 23/02/2017
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  • Os recursos pesqueiros constituem a fonte alimentar de maior importância à nível mundial e estão intimamente associados aos ambientes costeiros, dentre os quais se destacam os estuários. Os estuários ocorrem principalmente em regiões subtropicais, que estão associadas às variações climáticas e hidrodinâmicas, dentre as quais estão incluídas as fases da lua e o nível das marés. Tais variações se refletem na abundância do estoque pesqueiro, de grande importância para a pesca artesanal, dentre a qual se destaca, na zona costeira paraense, a pesca realizada com cercos fixos, denominados currais. Neste tipo de pesca a eficiência da captura depende do posicionamento do curral e das estruturas que o compõem em relação às correntes de maré. Como o curral não é uma arte de pesca seletiva podem ser capturados indivíduos juvenis e espécies ameaçadas de extinção. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo principal avaliar a composição da captura no estuário da Baía de Maracanã – RESEX Maracanã, com enfoque na abundância das espécies capturadas pela pesca de curral em diferentes fases lunares. A fim de avaliar o impacto da pesca de curral na Baía de Maracanã, foi adotado como indicador a proporção de indivíduos juvenis de Macrodon ancylodon (Bloch & Schneider, 1801) capturados. Para avaliar a composição da captura foram realizadas coletas em 29 currais de pesca ao longo de um ano, durante 12 dias mês, nos períodos de lua nova e cheia. Foram capturados 153.580 exemplares, 34,79 toneladas distribuídos em 11 ordens, 15 famílias, 52 gêneros e 64 espécies. Macrodon ancylodon foi a espécie mais abundante, em biomassa e número de indivíduos. No intuito de verificar se a conformação do curral possui maior grau de importância em relação ao ambiente na eficiência da captura foi utilizada uma Análise de Redundância na qual verificou-se que 20.5% da eficiência da captura pode ser explicada pela variação na conformação e comprimento dos currais. Para verificar se há variação na eficiência da captura em relação às fases lunares (lua nova e lua cheia) foi utilizada uma Análise de Variância Permutacional – PERMANOVA, sendo verificada diferença na variação da taxa de captura de acordo com a fase da lua ao longo do ano, havendo maior variação na lua nova. No intuito de avaliar a distribuição espacial e temporal da ictiofauna capturada pelos currais ao longo da Baía de Maracanã foi utilizada uma Análise de Redundância parcial. As variáveis espaciais foram obtidas usando o método PCNM, considerando as distâncias dos currais ao longo do ambiente estuarino. Houve a explicação de 26% da composição da captura pelos fatores estudados. As variáveis ambientais sem efeito do espaço (ambiente puro) explicaram 6% da variação, as variáveis espaciais (PCNM) sem efeito do ambiente (espaço puro) explicaram 12%  mostrando que o gradiente espacial foi mais importante na composição da captura. O ambiente estruturado pelo espaço apresentou 8 % da explicação e a variação não explicada pelos fatores estudados foi de 74%. Em relação ao impacto da pesca de curral na área de estudo, verificou-se que 82% dos indivíduos mensurados de Macrodon ancylodon eram juvenis. Foram capturadas espécies ameaçadas e vulneráveis, tais como Epinephelus itajara. O estudo denota o impacto da pesca de curral na ictiofauna capturada, uma vez que esta arte de pesca não é seletiva, e tende a capturar todos os indivíduos em seu raio de ação.
  • FRANCIELLY ALCANTARA DE LIMA
  • Composição e Abundância de Larvas de Brachyura em um Estuário Amazônico

  • Data: 23/02/2017
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  • Um dos grupos mais estudados de crustáceos são os carangueijos (Infra-Ordem Brachyura). O ciclo de vida dos representantes de sse grupo é complexo, incluindo estágios larvais bastante representativos na biomassa planctônica, com padrões de distribuição influenciados por características biológicas do desenvolvimento larval e efeitos de variáveis ambientais. Investigamos a composição de espécies e a influência da temperatura, pH e salinidade na densidade e diversidade larval de Brachyura. Foram realizadas coletas bimestrais entre setembro de 2006 e julho de 2007, considerando os períodos menos chuvoso e chuvoso, perfis e zonas do estuário do Rio Marapanim, costa Norte do Brasil, região amazônica. Os táxons registrados foram: Acantholobulus bermudensis, Aratus pisonii, Armases, Goniopsis cruentada, Hexapanopeus cf. angustifrons, Pachygrapsus gracilis, Panopeus americanus, panopeus lacustris, PanopeidaePinnixa gracilipes,Sesarma Curacaoense, Sesarma rectum, Uca burgesi, Uca cumulanta, Uca maracoani, Uca rapax, Uca sp1., Uca sp2., Uca thayeri e Ucides cordatus. Os resultados revelam a existência de três padrões sazonais: espécies que se reproduzem no período menos chuvoso, chuvoso ou de reprodução continuada. Também foi possível detectar espécies com padrão de exportação larval e outras com desenvolvimento larval completo no estuário, sugerindo diferentes estratégias de vida.

  • NAYARA MONTEIRO BARREIROS
  • Diversidade Beta de Insetos Aquáticos ao Longo de Múltiplas Escalas Espaciais nas Corredeiras do Rio Xingu-Pará

  • Data: 21/02/2017
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  • JULIANA RODRIGUES MOLICA
  • Biologia Reprodutiva de Peckoltia oligospila GUNTHER, 1864 (SULIFORMES-LOCARIIDAE): Implicações para o Cultivo.

  • Data: 21/02/2017
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  • O presente estudo teve como objetivo estudar os aspectos e estratégia reprodutiva de P. oligospila. Os indivíduos foram coletados em agosto de 2013 a novembro de 2014. O período de estudo foi dividido em quatro períodos hidrológicos distintos: enchente (janeiro-fevereiro), cheia (março-junho), vazante (julho-setembro) e seca (outubro-dezembro). Um total de 186 espécimes foram analisados, sendo 111 fêmeas e 75 machos. Após a coleta os animais foram pesados e medidos, e logo em seguida foram retiradas as gônadas e submetidas ao processamento histológico. O desenvolvimento gonadal foi classificado em quatro estádios: imaturo, em maturação, maduro, desovada/espermiado. A fluviometria variou durante os períodos estudados, porém não houve influência deste parâmetro sobre a reprodução de P. Oligospila. Durante o estudo foi observada uma proporção sexual de 2:1 no período de seca e enchente e de 1:1 no período de vazante e cheia. A população apresentou crescimento alométrico positivo seguindo um padrão monofásico. O Índice Gonadossomático (IGS) e a frequência relativa dos estádios de maturação indicaram períodos de maturação, desova/espermiado em todos os períodos amostrados, indicando uma reprodução contínua e desova parcelada para a espécie. Foi estimado o L50 para os machos de 9.18 cm. P. oligospila. De acordo com as características reprodutivas a espécie apresenta estratégia oportunista de reprodução, pois apresenta um longo período reprodutivo por apresentar múltiplas desovas, independente do ciclo hidrológico.

  • THAYARA BELO LEAL
  • Efeito da dispersão na comunidade de insetos planctônicos ao longo do rio Xingu

  • Data: 21/02/2017
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  • O movimento de deriva é um mecanismo utilizado por diversos organismos, que consiste no deslocamento dentro da água ocorrendo a locomoção entre diferentes locais. Essa movimentação resultará em uma variação da comunidade de organismos ao longo rio, gerando padrões determinados, como aninhamento de comunidades ou mesmo acúmulo de diversidade nas comunidades encontrados a montante. Baseado nisso testamos a hipótese que a movimentação dos organismos ao longo de um gradiente montante-jusante gerará um padrão de distribuição dos organismos nas comunidades de insetos aquáticos, ocorrendo o aninhamento das comunidades nesse mesmo gradiente. O presente estudo foi realizado em sete pontos de coleta distribuídos ao longo do rio Xingu, e durante as coleta foram mensuradas características físicas e hidrológicas do rio. A coleta ocorreu no período noturno na região do canal do rio (área central). O material coletado foi acondicionado em potes de plásticos devidamente identificados e fixados em álcool a 70%. O material foi transportado ao laboratório foi triado e identificado ao nível de gênero baseado na literatura especifica. Com relação a distribuição de gêneros aos longo do rio não ocorre um aumento da quantidade de gêneros no sentido montante-jusante (F1,5= 1,68, p>0,05). Entretanto, ocorre o aninhamento das comunidades no gradiente montante-jusante, baseado no estimativa do NODF (Nestedness metric based on Overlapping and Decreasing Fill, T=7,97, p<0,01). Com base nos resultados é possível visualizar que o movimento de dispersão gera um aninhamento dos gêneros à jusante do rio, ocorrendo uma confluência para o último ponto de coleta.

  • IVANA KERLY DA SILVA VIANA
  • Aspecto Morfológico e Imunuhistoquímico do Epitélio Germinativo de Hypancistrus zebra (Siluriformes: Loricaridae)

  • Data: 20/02/2017
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  • Hypancistrus zebra é uma espécie de peixe endêmica do Rio Xingu que está ameaçada de extinção devido a alta exploração pela pesca ornamental e recente construção da hidrelétrica na região que poderá afetar o seu ciclo de vida. Este estudo objetiva descrever a oogênese, com abordagem na formação do envelope celular que reveste os oócitos e a influência das proteínas de matriz extracelular (laminina, fibronectina e colágeno IV) no processo de maturação gonadal. 37 espécimes fêmeas de H. zebra foram capturados, e os ovários foram coletados e submetidos ao processamento histológico de rotina para as técnicas de microscopia de luz, eletrônica e imunohistoquimica. Os oócitos em H. zebra foram classificados em quatro tipos (I – IV), com características especificas de núcleo e envelope celular, além de folículos pós ovulatórios e atrésicos. Três estruturas constituem o envelope celular: zona radiata subdividida em três (zr1, zr2 e zr3), células foliculares e a teca (externa e interna). As proteínas de matriz extracelular ao longo da oogênese apresentaram diferentes intensidades na imunolocalização. Esse estudo poderá contribuir para biotecnologia da reprodução, auxiliando na fertilização induzida a fim de apoiar o cultivo em cativeiro e a conservação desta espécie.

  • CLAÍDE LORENA REIS DE SOUZA
  • TRANSPORTE LARVAL DE Neritina zebra (MOLLUSCA: GASTROPODA) EM ESTUÁRIOS DE MACROMARÉS NA AMAZÔNIA

  • Data: 16/02/2017
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  • Para as populações que habitam estuários de macromarés, os processos hidrodinâmicos são um dos principais limitantes do recrutamento larval. Para maximizar a retenção larval, as larvas apresentam diferentes estratégias de migração vertical de acordo com o seu desenvolvimento. O presente estudo avaliou as estratégias de transporte larval em uma espécie bentônica estuarina. O modelo utilizado foi o gastropoda Neritina zebra, que habita um dos maiores estuários de macromarés da Amazônia. Neste trabalho foram investigados: o padrão de distribuição vertical das larvas na coluna d'água (1) em relação às variáveis ambientais físicas (velocidade), e (2) a influência da ontogenia neste padrão. Para determinar a densidade de larvas no plâncton, as amostras foram coletadas com rede cônica de malha de 200 µm. Foram coletadas amostras de plâncton nos meses de novembro (2014) em Barcarena, junho (2015) em TVC e outubro (2015) em Mosqueiro. Foram definidas duas fases de maré: enchente e vazante; e duas profundidades: superfície e meia água. Concomitantemente, foram medidos a velocidade da corrente na coluna d'água através de um ADCP (acoustic doppler current profile) e o perfil de condutividade/temperatura usando um sensor CTD (sensor de condutividade, temperatura e profundidade). Foram estimadas as densidades (ind./m³), o tamanho médio (µm) e os estágios larvais foram divididos em três classes de tamanho para a avaliação do estágio ontogenético. Foi triado um total de 27.643 indivíduos sendo 1.321 larvas em Barcarena, 26.036 larvas em Mosqueiro e 286 larvas em TVC. As maiores densidades foram registradas para Mosqueiro (48.72 ind./m³). Os 3 pontos de coleta apresentaram as maiores densidades registradas na enchente. Quanto à ontogenia as amostras de fundo foram as que apresentaram as larvas de maior tamanho em todos as coletas. A relação entre a velocidade e a densidade ficou clara nas amostras coletadas no fundo durante a maré vazante. Acredita-se que a distribuição vertical das larvas está relacionada com as variáveis físicas e está sincronia pode auxiliar na retenção dos indivíduos no estuário durante as correntes de maré.

2016
Descrição
  • TATIANNE PEREIRA GOMES
  • Estrutura da comunidade de meiofauna e das associações de Nematoda em resposta a variações morfodinâmicas em praias arenosas amazônicas de maromaré.

  • Data: 27/10/2016
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  • Diversos estudos relacionando o triângulo comunidades bentônicas - parâmetros ambientais - estados morfodinâmicos são realizados nas regiões temperadas, no entanto, poucos estudos são direcionados a comunidade de meiofauna de regiões tropicais e menos ainda em praias de macromaré. Considerando tal fato e somado a ele a escassez de trabalhos sobre tais organismos na região amazônica, o presente trabalho objetivou caracterizar as variações espaciais e temporais na estrutura da meiofauna e das associações de Nematoda em praias com distintos estágios morfodinâmicos na Ilha de Algodoal (Pará) e verificar se a estrutura desses organismos de praias arenosas de macromaré varia entre as diferentes latitudes. As coletas foram realizadas em cinco pontos domediolitoral, ao longo de um ano (setembro/2011, dezembro/2011, março/2012 e junho/2012) em três praias: Caixa d’Água (Dissipativa-estuarina), Farol (Intermediária, Banco e calha longitudinal) e Princesa (Dissipativa-oceânica). A meiofauna foi composta por 14 táxons sendo Nematoda o grupo dominante. A densidade média da meiofauna na praia da Princesa diferiu significativamente da praia do Farol sendo tal resultado atribuído a maior oferta de alimento na praia intermediária e a menor disponibilidade alimentar além da maior ação das ondas na praia dissipativa oceânica. Todos os descritores (densidade, riqueza, equitatividade e diversidade) da nematofauna foram mais elevados na praia dissipativa estuarina e mais baixos na dissipativa oceânica. Em relação aos pontos da praia, as maiores densidades médias ocorreram na zona intermaré média e a menor na zona intermaré superior, porém a riqueza, equitatividade e diversidade apresentaram valores máximos na zona intermaré inferior. Foram identificados 131 gêneros de Nematoda. Os gêneros indicados pela dissimilaridade entre as praias foram Daptonema, Odontophora, Adoncholaimus, Trochamus e Ascolaimus. A nematofauna mostrou diferença significativa entre meses e pontos em todas as praias, sendo Daptonema e Theristus os gêneros com os maiores valores de contribuições e constância nas três praias, nos quatro meses e nos cincos pontos da zona intermaré. Foi observado uma clara zonação horizontal, sendo cinco associações na praia dissipativa estuarina, quatro na dissipativa oceânica e duas na praia intermediária. As variáveis ambientais das praias mais bem relacionadas com os gêneros de Nematoda foram conteúdo de água, temperatura do substrato e fração de areia. A hipótese de que a estrutura da meiofauna e Nematoda difere entre as três praias, zonas de intermaré e meses foi confirmada. A zona intermaré média apresentou em geral as maiores densidades independente da morfodinâmica praial e setembro (final do período menos chuvoso) obteve as maiores densidades nas três praias. 

  • NEILA DE JESUS RIBEIRO ALMEIDA-
  • SABERES DA PESCA EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO: OS PESCADORES DA RDS ALCOBAÇA NO LAGO DA USINA HIDRELÉTRICA DE TUCURUÍ/PA

  • Data: 26/09/2016
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  • Esta tese trata da relação entre seres humanos e o ambiente em Unidade de Conservação (UC).Faz uso, como instrumento analítico, das abordagens sobre os saberes tradicionais aplicados à população pesqueira no lago da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no estado do Pará. O trabalho trata  especificamente do cotidiano de pescadores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Alcobaça que residem na área após a formação do reservatório. A A tese analisa como, diante da oscilação das águas do reservatório originadas na ação humana (abrir e fechar das comportas da UHT), saberes e práticas dos pescadores da RDS Alcobaça se definem, redefinem e redesenham, no processo de acesso e uso dos recursos pesqueiros. Busca, ainda, compreender e descrever as diversas formas de interações da população pesqueira com o ambiente. A metodologia da pesquisa fez uso de uma abordagem qualitativa com base nos procedimentos de observação direta e survey a partir de entrevistas informais semiestruturadas. O trabalho conclui que os pescadores conseguem se adaptar no ambiente artificial a partir da redefinição de seus saberes tradicionais construídos e forjados  em ambientes naturais e que, mesmo diante das fortes alterações  criadas no ambiente do Lago e nas pressões da gestão da UC, a população da reserva Alcobaça consegue readequar seus saberes para desenvolver suas habilidades na atividade pesqueira.

  • ANA PAULA OLIVEIRA ROMAN
  • Dinâmica populacional das espécies de Loricariidae do Xingu, Pará, Amazônia Brasileira

  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 29/08/2016
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  • A bacia do Rio Xingu é conhecida por sua riqueza de espécies de peixe e características geográficas e hidrológicas peculiares, as quais favorecem essa alta diversidade da ictiofauna. Este fator contribuiu para o comércio de peixes ornamentais, voltada principalmente para espécies da família Loricariidae, que é uma atividade forte na região e se tornou a principal fonte de renda e emprego para um grande contingente de pessoas. A exploração somada à falta de estudos científicos, gerou um descompasso entre a legislação vigente e as demandas do mercado aquariofilista, neste contexto, há que se considerar às dificuldades vividas pela fiscalização dos órgãos responsáveis, que são um convite ao comércio ilegal de uma grande quantidade de espécies. De modo que, todos esses fatores acabam por colaborar com a ameaça à espécies que não possuem nenhum trabalho sobre sua biologia, ecologia ou dinâmica populacional. Assim, este trabalho teve como objetivo estudar a dinâmica populacional de três espécies da família Loricariidae, alvo da pesca ornamental do trecho médio e inferior do rio Xingu, como forma de gerar informações que possam contribuir para a formulação de medidas de manejo e conservação para estas espécies. Os dados foram oriundos do Projeto de Incentivo à Pesca Sustentável, dentro do âmbito do monitoramento Da hidrelétrica de Belo Monte, além de coletas para pesca experimental com freqüência trimestral, iniciando em Maio (cheia), junho (vazante), setembro (seca) e finalizando em novembro (enchente) do ano de 2013.  Em campo todos os indivíduos foram medidos (comprimento total em cm) e pesados (peso total em gramas). Em laboratório foram retiradas estruturas calcificadas como espinhos de nadadeiras, vértebras e otólitos para leitura de anéis de idade. Para estimar os parâmetros de crescimento será utilizado o modelo de Von Bertalanffy (1938): Lt = L∞.[1 – e- k.(t – t0)], os parâmetros obtidos serão utilizados para estimativas de longevidade e mortalidade. Os resultados obtidos poderão ser utilizados tanto pelas autoridades ambientais como pelas empresas do setor energético, para propor medidas de mitigação e conservação das espécies em questão.

  • VANESSA BARRETO LISBOA
  • Nematofauna da plataforma continental da bacia do Espírito Santo: padrões de diversidade e distribuição por profundidade e sazonalidade

  • Data: 20/06/2016
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  • A Plataforma Continental é um dos habitats de grande escala marinhos. Este ambiente apresenta topografias distintas, o que favorece o surgimento de vários nichos e elevada produção primária. Entretanto, apesar de sua importância ecológica e econômica, esse bioma comparado com outros ambientes marinhos tem sido pouco estudado. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi caracterizar a distribuição da nematofauna, em diferentes escalas, na Plataforma continental da Bacia Espírito Santo, Brasil. As coletas foram realizadas em dois períodos, janeiro 2012 (verão) e julho de 2013 (inverno), nas áreas Norte (N) e Sul (S), nas isóbatas de 25, 40, 50 e 150 metros, totalizando 8 estações oceanográficas. Em cada estação as amostras foram coletadas com um Mega van Veen 231L (92x80x40cm), à exceção da estação S-25 onde foi usado um box-corer de 50x50 cm. Por estação foram retiradas três réplicas para nematofauna com auxílio de um sub-amostrador de metal de 10x10x10cm e uma réplica para análise granulométrica e matéria orgânica com sub-amostrador de 10x10x2 cm. Paralelo à coleta do material sedimentologico, foram aferidos a temperatura e a salinidade da água de fundo com equipamento CTD. Os Nematoda foram triados para estimativa de densidade e identificados ao nível de gênero. Para cada amostra foram determinados densidade (ind/10cm²), riqueza (simples contagem dos gêneros presentes), diversidade (H’ Log2) e equitatividade (J’ de Pielou). Foram encontrados 156 gêneros, distribuídos em 9 ordens e 36 famílias. De modo geral as associações de Nematoda variaram entre períodos, áreas e profundidades. Todos os descritores analisados variaram significativamente, entretanto o padrão de decréscimo da densidade com o aumento da profundidade não foi detectado. Considerando todos os resultados, foi possível observar que a área juntamente com a profundidade agiu em conjunto para a estruturação da nematofauna na região amostrada.

  • JANAYNA GALVÃO DE ARAÚJO
  • ECONOMIA E PESCA DE ESPÉCIES ORNAMENTAIS DO RIO XINGU, PARÁ, BRASIL

  • Data: 17/05/2016
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  • A pesca ornamental é uma importante atividade econômica para as populações pesqueiras da Amazônia, especialmente na região do Rio Xingu, devido à variedade de espécies comerciais e por gerar rendimentos econômicos e ocupação de mão de obra a diversos trabalhadores. O presente estudo foi estruturado em três capítulos, com objetivo de estudar a pesca de peixes ornamentais e suas características expostas nos aspectos econômicos e produtivos. A coleta de dados utilizou instrumentos como questionário aplicado entre os atores sociais envolvidos na pesca ornamental. Em relação à atividade pesqueira monitorada por dois anos, entre abril de 2012 a março de 2014, foram registradas 1.734 viagens de pesca, totalizando uma produção de 206.809 unidades de peixes, sendo Acari amarelinho (Baryancistrus xanthellus), acari pão (Hypancistrus sp “pão”), acari picota ouro (Scobinancistrus aureatus), acari tigre de listra (Peckoltia sp) e acari bola azul (Spectacanthicus punctatissimus) as espécies que representaram maior número de desembarque (71%). A pesca ornamental é realizada com a utilização de canoas com casco de madeira ou voadeiras com casco de alumínio, ambas utilizam o motor do tipo rabeta e a técnicas de captura predominante é a de mergulho com o uso do compressor de ar. Os índices de avaliação econômica foram positivos, evidenciando a viabilidade econômica da atividade, o investimento médio (R$ 14.265,30), custo total (R$ 106,39), receita total (R$ 132,35), lucro líquido (R$ 25,96) e renda do pescador líquida (R$ 70,25) por viagem foram maiores para as embarcações do tipo voadeiras. No entanto, a renda dos pescadores apresenta uma alta variabilidade devido à seletividade, capturabilidade e demandas mercadológicas das espécies maior valor comercial. Verificou-se através da cadeia de comercialização que o mercado internacional é o principal destino dos peixes ornamentais do Rio Xingu, dessa forma, os preços ao longo da cadeia comercial são variáveis e com menor representatividade para os agentes da base (pescadores e atacadistas regionais). A taxa de variação praticada em cada nível da cadeia aumenta em mais de 100% chegando a valores superiores a 1000% quando atingem o mercado internacional, ou seja, a maior parte da lucratividade adquirida com a riqueza biológica extraída do Rio Xingu não circula no ambiente regional. As informações técnicas geradas são importantes para subsidiar ações de ordenamento pesqueiro, elaboração de políticas públicas, mensurar possíveis medidas de compensação econômicas, bem como para avaliar futuras mudanças que possam ocorrer na atividade frente às transformações ocasionadas pela construção da barragem de Belo Monte.

  • PRISCILA SAIKOSKI MIORANDO
  • Ecologia comparada do tracajá, Podocnemis unifilis, em várzea de água branca e rio de água clara na bacia Amazônica (Testudines, Podocnemididae)

  • Data: 29/04/2016
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  • A Amazônia abrange uma diversidade de ambientes aquáticos para os quais as adaptações da fauna ainda são pouco conhecidas. Este estudo teve como objetivo comparar aspectos da ecologia de Podocnemis unifilis entre dois ecossistemas aquáticos distintos da bacia Amazônica: o rio Iriri, típico de água clara, e a várzea do baixo Amazonas, de água branca. Foram comparados os parâmetros tamanho de maturidade sexual, tamanho dos adultos, morfologia da carapaça, investimento reprodutivo, e a ecologia trófica. O tamanho mínimo de maturidade dos machos foi de 184 mm no rio Iriri e 177 mm na várzea, mas os adultos não apresentaram diferença de tamanho (CRC – comprimento reto de carapaça) entre as populações. Nas fêmeas, foi de 301 mm no Iriri e 318 mm na várzea, sendo as adultas significativamente maiores e mais pesadas na várzea do que no Iriri. A morfologia da carapaça diferiu entre os sexos e populações, sendo proporcionalmente mais alta e com plastrão mais longo nas fêmeas em ambas as populações. Machos e fêmeas da várzea foram proporcionalmente mais altos enquanto os do rio Iriri tiveram carapaça mais baixa e larga. Como consequência, os animais da várzea são proporcionalmente mais pesados. Os ninhos na várzea tiveram, em média, maior biomassa total e número de ovos que no Iriri. Contudo, os ovos foram maiores e mais pesados no Iriri do que na várzea. Por fim, o estudo da ecologia trófica a partir da análise de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio mostrou maior amplitude de nicho na várzea, o que reflete a utilização de maior diversidade de fontes primárias nesta área.

  • LUCAS GALLAT DE FIGUEIREDO
  • BIOMARCADORES ASSOCIADOS A POLUENTES E GRADIENTE DE SALINIDADE EM MACROCRUSTÁCEOS DE UM ESTUÁRIO AMAZÔNICO BRASILEIRO

  • Orientador : LILIAN LUND AMADO
  • Data: 28/04/2016
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  • Devido os estuários estarem em zonas de transição do ambiente de água doce e os oceanos, se tornam desafiadores para os organismos, principalmente por possuírem um gradiente de quem podem alterar a biodisponibilidade dos poluentes e sua toxicidade. Para viverem em ambientes que apresentam flutuações de salinidade, esses organismos realizam a osmorregulação, processo que mantém a concentração iônica interna maior que a externa, para assim manter sua homeostase .Assim, o primeiro capítulo deste trabalho teve por objetivo analisar o efeito de poluentes sobre os biomarcadores no camarão Macrobrachium amazonicum (Crustacea, Decapoda), e o segundo capítulo teve por meta avaliar os efeitos combinados da salinidade e poluição no caranguejo Uca mordax (Crustacea, Decapoda). Foram realizadas quatro coletas, jul/14 (transição 1), out/14 (estiagem), fev/15 (chuvoso) jul/15 (transição 2), nos municípios de Abaetetuba (ambiente dulciaquícola sem histórico de contaminação), Barcarena (ambiente dulciaquícola com histórico de contaminação), Belém (ambiente estuarino com histórico de contaminação) e Vigia (ambiente estuarino sem histórico de contaminação). De ambos os animais foram retiradas as brânquias e porções do músculo para se testar os biomarcadores. No camarão a Capacidade Antioxidantes Total (ACAP) em seu músculo mostrou maior atividade no período de estiagem, acompanhada da Glutationa-S-tranferase (GST) que teve, também, maior atividade no mesmo, e a lipoperoxidação se manteve estável em todos os períodos analisados. A ACAP na Brânquia não apresentou grandes variações, já a GST foi mais ativa nos períodos de estiagem, chuvoso e transição 2, e como no músculo, a lipoperoxidação não mostrou grandes variações. Para o caranguejo, a osmolaridade da hemolinfa não manifestou muitas diferenças significativas onde os maiores valores registrados foram no ponto de vigia, quanto aos biomarcadores, a ACAP no músculo do caranguejo apresentou induções nos períodos chuvoso e transição 1, quanto a atividade da GST, esta se mostrou maior nos períodos de estiagem e chuvoso e sem grandes variações na a peroxidação lipídica nesse tecido. A ACAP nas brânquias dos indivíduos mostrou mais variações entre os pontos do que entre os períodos, enquanto que a GST apresentou menor atividade no período e transição 2, e a exemplo do músculo, a peroxidação lipídica não apresentou grandes variações.

  • ANA CAROLINA DE SOUSA
  • A influência do nível de fibra dietária no desempenho zootécnico e na morfohistologia do fígado do Baryancistrus xanthellus (Siluriformes, Loricariidae)

  • Data: 27/04/2016
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  • O objetivo deste trabalho foi estudar a influência das fibras na alimentação do loricarídeo Baryancistrus xanthellus e seus efeitos no desempenho zootécnico, nos parâmetros bioquímicos sanguíneos e na morfohistologia do fígado da espécie. Foram utilizados 90 juvenis de Baryancistrus xanthellus distribuídos em 15 aquários de alimentação com capacidade de 80L. Os peixes foram alimentados com cinco dietas experimentais contendo por substituição 2, 9, 15, 20 e 25% de fibra bruta, em um delineamento com três repetições para cada nível de fibra. No estudo foram avaliados o desempenho zootécnico (taxa de crescimento específico, conversão alimentar, consumo alimentar, ganho de peso e fator de condição relativa) da espécie, as concentrações de glicose, triglicerídeos e colesterol presentes no sangue, além da análise histológica do fígado do animal. Houve maior consumo da ração contendo 25% de fibra pelos Baryancistrus xanthellus, assim como maior ganho de peso. Na análise sanguínea as menores concentrações de glicose e de triglicerídeos foram observadas nos peixes alimentados com as maiores concentrações de fibra (15% a 20%). A análise histológica mostrou que os peixes alimentados com 2% e 9% de fibra apresentaram alterações como hipertrofia e degeneração celular, enquanto que o fígado dos indivíduos alimentados com os demais níveis testados não foram alterados histologicamente. Resultados do presente estudo indicam que o Baryancistrus xanthellus consegue tolerar altos níveis de fibra em sua dieta, sem que haja comprometimento de seu desempenho produtivo, saúde e bem estar.

  • CLEIDE LIMA DE SOUZA
  • Conflito e Enfrentamento Diante das Mudanças Ambientais Decorrentes da Construção de Barragem: Memória Coletiva e Pesca Artesanal no Lago da UHE de Tucuruí/PA

  • Data: 26/04/2016
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  • Este estudo tem como lócus o lago artificial da Usina Hidrelétrica de Tucuruí/PA. Como problema central, investiga a memória sobre as práticas de acesso e uso dos recursos pesqueiros, se o conhecimento sobre o ecossistema anterior à construção do reservatório, permite o enfrentamento das populações locais, no caso os pescadores artesanais ao ambiente fortemente modificado? Em que medida conhecimentos relativos aos recursos aquáticos se aliam a novos, gerando diferentes estratégias de acesso e uso dos recursos pesqueiros? Quais mudanças socioambientais interferem na memória coletiva? Objetiva identificar e analisar a memória coletiva, considerando as mudanças no ambiente natural, decorrentes dos fortes impactos gerados pela UHE Tucuruí/PA, de modo a identificar e analisar a dinâmica entre atores (nativo) antigos e novos (imigrantes) e possíveis cenários de conflitos instalados envolvendo a atividade da pesca artesanal. Os procedimentos metodológicos se dão, a partir da escolha de três dos principais portos de desembarque pesqueiros (Santa Rosa, Pólo Pesqueiro e Onze) utilizando técnicas quanti-qualitativas com aplicação de 80 questionários e 50 entrevistas semi-estruturadas somados ao levantamento documental e bibliográfico de informações anterior a criação do lago assim como, referencial teórico que discorre sobre sociedade e natureza, memória coletiva e pesca artesanal. Os resultados evidenciam a dimensão dos impactos socioambientais causados, marcados pelo uso da memória coletiva que permite a lembrança do ambiente anterior (Rio Tocantins) gestada pela natureza, no processo de enfrentamento ao novo ambiente (lago artificial) que permite a atividade da pesca artesanal em um outro território, agora (re) construído pelos sujeitos com uso da memoria coletiva. Conclui-se que, as formas de vida desses pescadores frente as mudanças que envolve a transformação de um rio para lago, imprime uma ruptura no saber e na relação com a natureza. A memória coletiva, representa uma fundamental ferramenta de continuidade, embora com incertezas, à medida que vincula passado e presente na reconstrução de um novo território da pesca.

  • DANIELLY TORRES HASHIGUTI DE FREITAS
  • Da ecologia reprodutiva ao protocolo do tamanho de primeira maturação sexual em peixes: modelos para um curimatídeo amazônico

  • Data: 07/04/2016
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  • Entender como indivíduos alocam recursos e tempo entre as atividades relacionadas à manutenção, crescimento e reprodução é fundamental para compreender a ecologia de peixes, e considerando que o sucesso biológico é determinado pela capacidade de um indivíduo em estar geneticamente representado na próxima geração, a reprodução é um dos eventos de maior importância dentro do ciclo de vida de uma espécie. Apesar do aumento das pesquisas sobre a reprodução de peixes de água doce no Brasil, existem diversas lacunas a serem preenchidas, e na Amazônia essas lacunas são ainda maiores devido a sua grande extensão e enorme heterogeneidade ambiental, além de um aumento constante na influência humana nos sistemas naturais, que são mais evidentes no ambiente aquático, expondo os organismos a diversos efeitos que provocam consequências muitas vezes imprevisíveis. Os peixes são um grupo extremamente diverso que estão restritos ao ambiente aquático e sujeitos as mais diversas alterações no meio, e por isso são ótimos modelos para estudos fisiológicos, especialmente quanto a reprodução, por ser um processo de alto custo energético e ocorrer somente quando os indivíduos estão em sua zona de conforto ambiental e metabólico, podendo servir como modelo de estudo para a compreensão da influência dos fatores ambientais, naturais ou antropogênicos, sobre os sistemas biológicos. Portanto, compreender os mecanismos adaptativos e os fatores ambientais que os regulam é de grande importância para a elaboração de ações de conservação, manejo e explotação de estoques naturais. Considerando o exposto, este trabalho tem como objetivo (1) descrever os aspectos reprodutivos de uma espécie de peixe detritívora amazônica, (2) comparar e (3) sugerir novas metodologias para estimadores reprodutivos de grande importância em ações de conservação e manejo de peixes tropicais. Para melhor arguição, a caracterização da área de estudo e a metodologia de coleta foram abordadas na apresentação geral, e cada item citado foi trabalhado em forma de artigo. 


  • PAMELA KETRYA BARREIROS BAKER
  • Variabilidade do Gene DQB do Complexo Principal de Histocompatibilade (MHC) de Classe II em Peixes-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis, Sirenia, Mammalia)

  • Data: 30/03/2016
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  • Os peixes-boi marinhos e amazônicos são alvo de extensa discussão quanto sua conservação e manejo. Respectivamente, exemplares de água doce e marinhos são encontrados no Brasil, sendo os espécimes lacustres sendo observados em toda a extensão da região amazônica. Embora encontrem-se na lista de espécies potencialmente ameaçados de extinção da IUCN, tem-se pouca informação acerca de patógenos que possam acometer esses mamíferos, principalmente no campo da imunogenética. O Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC) é um conjunto de genes que constitui uma molécula responsável pela codificação das moléculas histocompatíveis em todos os gnatostomados, fazendo, assim, parte funcional do sistema imune desses espécimes. Em mamíferos placentários, possui cinco genes de classe II reconhecidos por codificar as proteínas de ligação ao peptídeo, dentre eles o gene alvo deste estudo: DQ de cadeia beta (DQB). Tendo em vista a alta taxa de polimorfismos presentes no MHC, o presente estudo buscou estimar a variabilidade de do gene DQΒ em Trichecus inunguis (Peixe-boi amazônico). Para as análises, foram utilizados 16 indivíduos de T.inunguis encontrados em cativeiros no estado do Pará. Foi extraído DNA do sangue total dos animais e, usando reação em cadeia da polimerase (PCR), foram isolados os éxons 2 dos alelos, que codificam o primeiro domínio de suas respectivas cadeias e a parte mais variável da molécula. Os animais eram heterozigotos para o gene, portanto os fragmentos foram clonados e posteriormente sequenciados. Os dados obtidos foram analisados para inferir os padrões filogenéticos e verificou-se se estar havendo seleção positiva na região de ligação ao peptídeo. Espera-se que esses marcadores possam ser utilizados para avaliar a diversidade genética dessas espécies em genes funcionais e possam ajudar a estimar o status de conservação da espécie.

  • JULIANA DE SOUZA ARAUJO
  • BIOMAGNIFICAÇÃO E VARIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DE MERCÚRIO EM PEIXES DO RIO XINGU - PA

  • Data: 29/02/2016
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  • Estudos sobre contaminação de peixes por mercúrio na região amazônica foram direcionados exclusivamente à bacia do Tapajós, bem como aos rios Negro e Madeira, devido ao histórico de atividades garimpeiras e à ocorrência natural do mercúrio no ambiente. Ainda não se tem conhecimento de nenhum estudo sobre contaminação por mercúrio e na bacia do rio Xingu. A bacia do rio Xingu é uma das principais da margem direita do rio Amazonas. Nesta bacia, em particular, há grande atividade de extração de ouro por garimpos clandestinos e enfrenta atualmente a implantação da UHE de Belo Monte além de uma grande empresa mineradora para exploração do metal.  Tendo em vista a escassez de informação, este trabalho teve como objetivo mensurar os níveis de mercúrio total e em peixes de importância ecológica do rio Xingu, caracterizando a biomagnificação na cadeia trófica, bem como variação sazonal e espacial nas concentrações do metal. Para isso, os peixes foram coletados durante o período de seca e  cheia  entre os anos de 2013 e 2014. As concentrações de mercúrio foram determinadas com Espectrometria de Absorção Atômica a Vapor Frio, e o nível trófico das espécies foi determinado a partir de suas respectivas assinaturas do isótopo estável de 15N. Foram capturados 325 indivíduos de 19 espécies, sendo que em média nenhuma espécie apresentou concentração de mercúrio acima do limite de 0,5 mg/kg estabelecido pela OMS. No entanto, pode-se observar a ocorrência de transferência trófica de mercúrio entre os indivíduos analisados (R²=0,34; n= 325; p<0,001). Algumas espécies apresentaram diferenças significativas nas concentrações de Hg entre estações, entre setores analisados, e em outros casos uma interação entre os fatores. 

  • THAYANA AYRES ALVES
  • Mapeamento Físico de DNAs Repetitivos em Espécies da Subfamília Hypostominae (Loricariidae).

  • Data: 29/02/2016
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  • Os peixes da família Loricariidae constituem o grupo mais representativo entre os Siluriformes de água doce da América do Sul, com mais de 800 espécies conhecidas. No estado do Pará a pesca de peixes ornamentais concentra-se sobre algumas espécies de loricarídeos da subfamília Hypostominae, este grupo demonstra uma grande variação no número diplóide, sítios de genes ribossomais e retroelementos, sugerindo a ocorrência de vários rearranjos cromossômicos direcionando para uma evolução cariotípica bastante divergente. Apesar da importância que estudos citogenéticos, com marcadores moleculares, têm demonstrado para compreender a evolução das espécies de peixes, nenhum trabalho utilizando essa linha de pesquisa foi proposto para as espécies da família Loricariidae com distribuição no Pará. Embora bastante estudados nas últimas décadas, as forças moleculares que governam a evolução dos DNAs repetitivos no genoma  de peixes ainda são muito discutidas.  Estudos têm mostrado, que esse tipo de DNA está envolvido na organização estrutural e funcional do genoma, agindo na regulação gênica, replicação, reparo de DNA, podendo também influenciar fortemente no processo evolutivo de seu hospedeiro, pois a movimentação destes elementos pode promover mudanças estruturais que levariam a eventos como: rearranjos cromossômicos, modificações nos padrões de regulação gênica, além da geração de variabilidade genética, tendo um papel fundamental na evolução dos genes e na estrutura genômica dos peixes em estudo, gerando assim, inovações biológicas. Neste estudo foi feita a primeira descrição cariotípica de Panaque armbrusteri Panaqolus sp. e mapeamento físico de duas classes de famílias multigênicas e elementos transponíveis que também foram adicionalmente mapeados em Scobinancistrus aureatus e Scobinancistrus pariolispos. Foram utilizadas técnicas de coloração convencional, bandeamento C, detecção das NORs e hibridização in situ fluorescente (FISH) com sondas de rDNA 18S e 5S e de elementos transponíveis Rex1Rex3 e TC1-MarinerPanaque armbrusteri e Panaqolus sp. possuem o mesmo número diploide (2n = 52), que também é compartilhado com S. aureatus e S. pariolispos, porém, essas quatro espécies divergem pela fórmula cariotípica, exceto Panaqolus sp. e S. pariolispos, que também demostram compartilhamento do número de cromossomos de cada tipo. Estes dados são concordantes com indícios de que inversões devem ser os principais mecanismos de evolução cromossômica na tribo Ancistrini onde estas espécies geralmente são alocadas. A localização dos sítios rDNA 5S e 18S apresenta dois diferentes padrões entre as quatro espécies analisadas: em Panaqolus sp. estas duas famílias de genes estão ligadas, enquanto que em P. armbrusteri, S. aureatus S. paraolispos estas sequências estão em cromossomos diferentes. Essas diferenças devem ter surgido por eventos de translocação cromossômica ou por efeito de transposição. Os elementos transponíveis Rex1, Rex3 e Tc1-mariner possuem organização predominantemente dispersa no cariótipo das espécies aqui analisadas, o que é característico dessa classe de elementos, devido sua capacidade de mobilização.

  • CAROLINE DA SILVA MONTES
  • USO INTEGRADO DE BIOMARCADORES PARA O MONITORAMENTO DOS EFEITOS DE METAIS PESADOS EM Serrasalmus rhombeusPROVENIENTES DE RIOS AMAZÔNICOS

  • Data: 26/02/2016
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  • Diversos contaminantes tais como: metais, pesticidas e outros compostos orgânicos contribuem para a poluição ambiental. No entanto, em sistemas aquáticos a contaminação por metais pesados tem atraído a atenção de vários pesquisadores, pois este elemento tende a ficar no sistema aquático e acumulam-se nos sedimentos, além disso, pode ser lançado à água através da ressuspensão do sedimento, de oxidação-redução reações, etc. Tais processos potencializam a concentração em solução de metais traço na água. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi analisar as alterações morfológicas, bioquímicas, immunohistoquímicas, genotóxicas em tecidos branquiais e hepáticos em uma espécie nativa da região amazônica, a piranha preta,Serrasalmus rhombeus, como ferramenta de avaliação da qualidade ambiental de rios Amazônicos além de verificar a eficiência desta espécie como organismo bioindicador em monitoramento ambiental. Foram realizadas coletas em rios da região amazônica: O rio Itaciaunas, afluente da bacia do Tocantins, localizado na região do Carajás, este rio sofre influência de efluentes da exploração de minério da região; O rio Crepori e Tropas, afluentes do rio Tapajós, localizado na região sudoeste do Pará, na região do tapajós, esta região apresenta intensa atividade garimpeira e o Rio Xingu, que está sendo construída a Usina Hidroelétrica de Belo Monte, é uma área bastante extensa com pouca influência antrópica. Nos locais selecionados foram coletados além do material biológico (peixes) amostras de água e sedimento para a quantificação  e avaliação das concentrações de metais pesados (Cd, Cr, Cu, Zn, Mn e Hg) para relacionar parâmetros químicos com parâmetros biológicos e verificar a qualidade ambiental das áreas selecionadas. As análises mostraram que as alterações em nível ultraestrutural, histológico e bioquímico e foram eficazes na avaliação da qualidade da água, pois, conseguiram distinguir os animais entre os pontos de coleta. Além disso, a combinação de vários tipos de biomarcadores em diferentes níveis mostrou um panorama geral da saúde dos peixes avaliados. No que se refere à contaminação por metais, dentre os elementos escolhidos o cádmio apresentou maiores valores em todos os compartimentos ambientais, bem como nos tecidos dos peixes. Enquanto o mercúrio não foi tão prejudicial à saúde dos animais do ponto de vista morfofisiológico. Sendo assim, sugere-se que os peixes podem estar respondendo de forma adaptativa ao background de Hg da Amazônia, uma vez que apesar das grandes concentrações de mercúrio nos tecidos, poucas alterações de caráter irreversível foram observadas. Logo concluímos que o biomarcador ainda é uma ferramenta bastante válida e de fácil aplicabilidade. Desta forma, podemos inferir que a qualidade dos rios estudados esta comprometida em função das atividades antrópicas adjacentes. Além disso, a espécie escolhida Serrasalmus rhombeus pode ser utilizada como espécie sentinela em estudos de biomonitoramento.

  • LARISSA ARAGUAIA MONTEIRO DE CASTRO
  • Morfogênese divisional, reorganização fisiológica e filogenia molecular do hipotríqueo Apoamphisiella vernalis (Stokes, 1886) Berger 2006 (Ciliophora, Hypotricha)

  • Data: 25/02/2016
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  • Os Hypotricha Stein, 1859 são um grupo monofilético de ciliados pertencentes à classe Spirotrichea Bütschli, 1889. Tais seres encontram-se adaptados à vida nos sedimentos em sua maioria como generalistas onívoros sendo importantes elos nas cadeias tróficas microbianas. Hipotríqueos apresentam complexos processos morfogenéticos responsáveis pelo crescimento, reprodução e encistamento, e que podem ocorrer como resposta a diferentes condições ambientais. Padrões em tais processos são importantes para a sistemática do grupo por permitirem elucidar a origem da ciliatura somática, facilitando a detecção de estruturas homólogas. O presente estudo caracterizou o hipotríqueo Apoamphisiella vernalis de duas populações brasileiras encontradas em amostras do igarapé Tucunduba (Belém-PA) e em um charco raso eutrófico em CaxambuMG, descrevendo seus processos de morfogênese divisional e reorganização fisiológica (pela primeira vez), com auxílio de microscopia óptica e eletrônica e comparando com dados sobre espécies proximamente relacionadas; foi proposto posicionamento filogenético de A. vernalis a partir de análises do gene 18S-rDNA, conduzidas nos âmbitos da máxima verossimilhança e inferência Bayesiana. Observou-se que os elementos da ciliatura somática de Apoamphisiella se originam por processos conspicuamente semelhantes aos descritos para o complexo Paraurostyla weissei. A ontogenia comparativa e as análises filogenéticas do gene 18S fornecem suporte à classificação de Apoamphisiella dentre os Dorsomarginalia. A sobreposição de características morfológicas diagnósticas entre estes gêneros, somado às distâncias baixas entre as sequências do gene 18S, atrelada ao fato de o gênero Paraurostyla conter diversas espécies nominais díspares entre si levam à conclusão de que a separação entre ambos os gêneros é duvidosa, necessitando de revisão sistemática urgente.

  • KURT SCHMID
  • BAITED REMOTE UNDERWATER VIDEO, UMA PROMISSORA FERRAMENTA NÃO-DESTRUTIVA PARA AVALIAR ASSEMBLÉIAS DE PEIXES EM RIOS AMAZÔNICOS DE ÁGUA CLARA: TESTANDO EFEITOS DE ISCA E HABITAT

  • Data: 23/02/2016
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  • A inacessibilidade dos ecossistemas aquáticos e as dimensões quase continentais da bacia amazônica vêm dificultando historicamente a aquisição in situ de conhecimento científico sobre sua fauna altamente diversificada de peixes neotropicais. Especificamente escassos são dados ecológicos quali-quantitativos e outros estudos ecológicos sobre a ictiofauna reofílica que habita as extensas áreas de corredeiras, típicas para rios amazônicos de água clara. Tais ambientes com elevada energia hídrica são difíceis de navegar e impossibilitam métodos tradicionais de levantamento ictiofaunístico como a pesca e o censo visual em mergulho pelo risco de perda de equipamentos e acidentes. Ainda, os métodos invasivos que envolvem a captura e o sacrifício de elevados números de peixes são indesejáveis em áreas de proteção ambiental e/ou corpos hídricos com presença de espécies endêmcias ou ameaçadas, como é o caso do médio rio Xingu, a área de estudo desta pesquisa. No presente projeto de mestrado foi testado e adaptado um método não-invasivo que emprega técnicas de video subaquático remoto, o BRUV (Baited Remote Underwater Video), para estudar a íctiofauna reofílica em dois habitats aquáticos distinstos do médio rio Xingu. Em específico comparou-se a estrutura da assembéia de peixes (I) entre os habitats de praia e corredeira/pedral e (II) entre cinco tipos de isca de atração (sardinha, pescada branca, comida de gato, milho doce e controle sem isca), testados para desenvolver um protocolo de amostragem com BRUV especificamente para tais ambientes lóticos em rios de água clara da região amazônica e, eventualmente, em outras regiões troipcias do mundo. Em 80 amostras a 120 minutos de vídeo subaquática, coletados em julho de 2014, forma registrados um total de 2460 peixes de 56 taxa, pertencentes à 13 famílias. Diferenças significativas na composição da assembléia, na riqueza de espécies e na abundância relativa foram detectadas entre os tipos habitats e entre as iscas. Os resultados sugerem que a sardinha produz os melhores resultados, mesmo comparada a um peixes local (pescada branca) e deverá ser empregada como isca padrão para a amostragem com BRUV em rios amazônicos de água clara. Os resultados e as imagens de vídeo digital refletem a íctiofauna única e altamente diversa do rio Xingu anterior aos previstos impactos ambientais irreversíveis e de larga escala, oriundos do represamente do rio e da futura operação da usina hidrelétrica de Belo Monte.

  • ANA CAROLINA MELO RODRIGUES
  • DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL, ESTRUTURA POPULACIONAL E PADRÃO DE OCUPAÇÃO DE CONCHAS DO ERMITÃO Clibanarius symmetricus (RANDALL, 1840) (CRUSTACEA; DIOGENIDAE) EM UM ESTUÁRIO AMAZÔNICO EQUATORIAL
  • Data: 22/02/2016
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  • Os ermitões Clibanarius symmetricus estão em grande abundância nas regiões do entremarés estuarino amazônico e pouco se conhece acerca deste grupo na região equatorial brasileira. Esse estudo investiga a distribuição espaço-temporal da densidade, quais variáveis ambientais a influencia, bem como descreve a estrutura populacional e o padrão de ocupação de conchas por C. symmetricus nos afloramentos rochosos do estuário de Marapanim, Pará. Sendo o estuário um ambiente eurihalino, espera-se que a variação da salinidade afete de modo distinto os padrões bioecológicos desta espécie comparado às populações de outras latitudes. As coletas foram feitas mensalmente de agosto de 2006 a julho de 2007, abrangendo dois períodos sazonais (seco e chuvoso), em quatro locais (A1, A2, B1 e B2), dois em cada margem do estuário, três subamostras na zona inferior e três na zona superior no médiolitoral, as quais foram delimitadas por um quadrante de 0,25m2. Os ermitões foram contados, identificados quanto ao sexo e medidas corpóreas aferidas. As conchas de gastrópodes ocupadas pelos ermitões também foram identificadas e medidas. Foram coletados 380 ermitões, cuja densidade foi significativamente maior nos locais com menores valores de temperatura, no período chuvoso, na faixa mais próxima ao mar aberto e na zona inferior do médiolitoral. A população estudada apresentou dimorfismo sexual, com machos maiores que fêmeas, distribuição unimodal e heterocedasticidade, recrutamento juvenil e reprodução contínua. A proporção sexual diferiu de 1:1 em favor dos machos e o tamanho de maturidade sexual da população foi de 3,6 mm de CEC. Um total de sete espécies de gastrópodes tiveram suas conchas ocupadas pelos ermitões, sendo 93,33% Thaisella trinitatensis. Todas as medidas das conchas foram significativas para explicar o padrão de ocupação pelo ermitão, sendo apenas a largura total, a largura da abertura e o peso as que influenciaram significativamente no tamanho do animal. Além disso, o padrão de ocupação foi diverso entre machos e fêmeas e entre juvenis e adultos. A considerável abundância de C. symmetricussomado à presença do recrutamento juvenil ao longo do ano todo, e a disponibilidade de conchas que se ajustam ao tamanho do animal, indicam que o estuário de Marapanim é um local de grande potencial ecológico para o estabelecimento e manutenção desta espécie.

     

     

  • THUAREAG MONTEIRO TRINDADE DOS SANTOS
  • Distribuição espaço-temporal da meiofauna em praias arenosas da Ilha de Trindade com especial referência aos Nematoda Livres.


  • Data: 17/02/2016
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  • A distribuição espaço-temporal da meiofauna e os nematoda de vida livre foi investigada na Ilha de Trindade (Brasil) durante duas estações: agosto (chuvoso) e decembro (seco) de 2014 em quatro praias arenosas. As amostras foram coletadas usando corer cilindro (3,14cm2) nas zonas mediolitoral superior, mediolitoral médio e mediolitoral inferior. Fatores ambientais foram medidos no campo. A comunidade de meiofauna esteve representada por quatorze grandes grupos. Nematoda, Copepoda e Oligochaeta foram os grupos principais. A assembleia de Nematoda foi constituída principalmente por detritívoros não seletivos. A comunidade de meiofauna e a assembleia de Nematoda variaram entre estações mas não entre praias ou zonas. Diversidade e equitatividade não variaram em nenhuma situação. Um esquema de amostragem considerando mais estações e outras praias na ilha é recomendado para futuros estudos, para melhor entender a estrutura da comunidade de meiofauna e da associação de Nematoda na Ilha de Trindade.

     

  • YANNE ALVES MENDES
  • INFLUÊNCIA DA FLUVIOMETRIA NA REPRODUÇÃO DA BICUDA Boulengerella cuvieri (CTENOLUCIIDAE) NO MÉDIO RIO XINGU, AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 17/02/2016
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  • A reprodução consiste em um dos momentos mais importantes à vida das espécies, pois garante a perpetuação destas em ambiente. Para alcançar o sucesso reprodutivo, os peixes exibem uma diversidade de táticas durante o seu ciclo de vida que podem ocorrer de acordo com as variações temporais do ambiente. Em rios tropicais a pluviometria e a fluviometria associados as características ambientais constituem os principais fatores moduladores da reprodução dos peixes que tendem a apresentar diferentes estratégias no ciclo reprodutivo. Neste sentido esse estudo objetivou avaliar a influência da variação fluviométrica do rio Xingu na reprodução da bicuda Boulengerella cuvieri. Foram analisados 140 fêmeas e 113 machos e de acordo com o desenvolvimento gonadal foi estabelecido cinco estádios de maturação para fêmeas e três para machos. Considerando o período como um todo e os diferentes períodos amostrados, foi observado uma proporção de 1:1 na população que apresentou crescimento alométrico positivo seguindo um padrão monofásico. O IGS e a frequência relativa dos estádios de maturação indicaram um pico reprodutivo na enchente do rio e dois momentos de desova. Foi estimado para fêmeas L50 de 25.39cm. Concluímos que a reprodução de B. cuvieri é influenciada pela variação fluviométrica do rio Xingu, com uma sincronia do período reprodutivo na enchente e desova parcelada, revelando ser um padrão comum em Characiformes de regiões tropicais.

2015
Descrição
  • ALEXANDRA FERNANDES COSTA
  • Mamíferos aquáticos da costa Amazônica e Delta do Parnaíba: diversidade e relações tróficas

  • Data: 31/08/2015
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  • O Norte e grande parte do Nordeste são as áreas menos pesquisadas em relação aos mamíferos aquáticos da costa brasileira. A formação de grupos de pesquisa e o incremento na coleta de informações advindas dos eventos de encalhes são aspectos recentes para a região norte e vem contribuindo para diminuir as lacunas do conhecimento deste grupo. Para tanto, devem ser geradas informações sobre aspectos da biologia das espécies, dentre eles citamos o uso do habitat e as relações tróficas. O peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) e o boto-cinza (Sotalia guianensis) sofrem sérias ameaças à sua sobrevivência e necessitam que sejam desenvolvidas estratégias de manejo e conservação tanto para as espécies, quanto para os ambientes nos quais estão inseridas. O primeiro capítulo da tese “Unique cetacean records of the North and Northeastern Brazilian coasts” reporta eventos únicos de encalhes de mamíferos aquáticos registrados de 2003 a 2014. Registramos a ocorrência de quatro novas espécies: Baleia Sei (Balaenoptera borealis), Baleia Fin (Balaenoptera physalus), golfinho-cabeça-de-melão (Peponocephala electra) e Falsa-orca (Pseudorca crassidens), além do primeiro encalhe em massa registrado para o boto-cinza. Com este estudo, ampliamos o número de espécies de mamíferos aquáticos para a costa norte e parte do nordeste, englobando desde golfinhos oceânicos até as maiores baleias existentes. Comparamos nossos registros com comunidades de cetáceos do nordeste do Brasil e Caribe e concluímos que existe uma alta similaridade entre a composição de cetáceos entre Caribe e norte do Brasil. No segundo capítulo “Stable Isotopes of carbon and nitrogen reveal resource partiotioning among Aquatic Mammals from Amazon and Northeastern Coast of Brazil”,a análise de isótopos de carbono e nitrogênio foi utilizada a fim de: 1) investigar o uso do habitat, as relações tróficas entre espécies marinhas e de água doce; 2) avaliar o compartilhamento de nicho isotópico entre as espécies mais representativas para o estuário Amazônico (Sotalia guianensis, Inia sp. e Trichechus inunguis) e 3) estimar as diferenças de nicho isotópico entre estoques ecológicos do boto-cinza no norte (estuário Amazônico e áreas costeiras adjacentes) e nordeste do Brasil (Delta do Parnaíba). Na costa brasileira muitos estudos utilizaram o metodo tradicional da análise de conteúdo estomacal a fim de avaliar aspectos da ecologia trófica de mamíferos aquáticos. Contudo, ainda são poucos os estudos que utilizam os isótopos estáveis como ferramenta para elucidar as relações tróficas entre as comunidades. Neste estudo, foram analisadas amostras de ossos de 14 espécies de mamíferos aquáticos (n=267). Foi observado um padrão espacial costa-oceano para as espécies marinhas, apresentando valores de 13C mais enriquecidos, enquanto as oceânicas mostraram valores mais empobrecidos de carbono. Os estoques de boto-cinza do nordeste e estuário Amazônico apresentaram valores similares de d15N, contudo, o grupo do nordeste apresentou valores mais enriquecidos de d13C. Os resultados mostraram que existe uma grande variação entre os valores de d13C ed15N para as espécies mais representativas e que não existe sobreposição de nicho isotópico. Este estudo fornece a primeira avaliação da composição isotópica de mamíferos aquáticos do norte do Brasil.

  • DAIANE EVANGELISTA AVIZ DA SILVA
  • Os recifes arenosos de Sabellaria wilsoni (Polychaeta: Sabellariidae) na Ilha de Maiandeua-Algodoal, Pará: dinâmica dos construtores e da macrofauna bentônica associada

  • Data: 28/08/2015
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  • Sabellariidae são conhecidos pela capacidade de formar recifes de elevada relevância ecológica em regiões costeiras de diversas partes do mundo. Em contraste com os inúmeros estudos realizados em regiões temperadas, pouco se sabe sobre a ecologia destes em regiões tropicais. O presente trabalho realizou uma caracterização espacial e temporal dos recifes de Sabellaria wilsonina Ilha de Algodoal-Maiandeua (Zona Costeira Amazônica do Pará), estudando aspectos da história de vida de seus construtores, a arquitetura dos seus agregados e suas implicações na estruturação da macrofauna bentônica associada. As coletas foram realizadas por um ano (maio/2008 a abril/2009), acompanhado as mudanças estruturais nos recifes e macrofauna. Adicionalmente uma amostragem ocorreu em setembro de 2010, para a comparação da fauna do recife e do substrato arenoso adjacente. Além da amostragem biológica, foram realizadas coletas (salinidade e material em suspensão na água, textura, clorofila-a, feopigmentos e matéria orgânica do sedimento) e aquisição indireta de dados ambientais (dados climatológicos e modelagem de ondas). Os resultados são apresentados em quatro diferentes capítulos. O capítulo I apresenta os aspectos reprodutivos da espécie construtora (tipo de reprodução, proporção sexual, determinação de estágios de maturação gonadal, período reprodutivo etc.). No capítulo II o ciclo morfológico foi caracterizado para uma mancha de recife, avaliando-se seus principais efeitos sobre a estrutura da macrofauna associada.  O capítulo III estuda os efeitos da morfologia (plataforma vs. ball-shaped structures), exposição hidrodinâmica (praias exposta vs. protegida) e da desestruturação dos recifes sobre a fauna associada. Por fim, o capítulo IV descreve mudanças na estrutura da comunidade macrobentônica devido à presença dos recifes em uma praia arenosa da ilha. Os resultados indicaram que a espécie construtora é dióica, com reprodução sexual e com alta capacidade reprodutiva (maturidade precoce, desova contínua, maior número de fêmeas etc.), como forma de ocupar e persistir em ambientes instáveis. O período chuvoso foi caracterizado pela alta densidade de sabelarídeos e crescimento dos seus recifes, enquanto o período seco, devido ao aumento da hidrodinâmica, foi marcado pela destruição das construções. Os recifes suportaram uma comunidade bentônica complexa, mais densa e diversa que o substrato arenoso das praias. O estágio estrutural (tipo morfológico e fases estruturais) influenciou significativamente no estabelecimento da fauna associada. De forma geral, a fauna foi mais densa e diversa em recifes com maior complexidade estrutural (ball-shaped structures e erodidos/destruídos). O presente estudo é um passo importante para o entendimento do funcionamento do habitat em regiões tropicais, de sua importância para a diversidade local e do papel das flutuações ambientais na estruturação das comunidades bentônicas na costa amazônica.

  • CLEIZE SALES DA SILVA
  • Endoparasitos em um peixe Serrasalmidae reofílico: variações sazonais, ontogenéticas e ao longo do trato intestinal

  • Data: 30/06/2015
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  • A composição da fauna parasitária de peixes está relacionada, entre outros fatores a sazonalidade e ao habito alimentar dos peixes. O objetivo do trabalho foi investigar a fauna parasitária do trato intestinal de Tometes sp. ‘krânponhã’ na área de influência do empreendimento da UHE de Belo Monte, localizado no Rio Xingu, Pará. Foram estudados 30 espécimes de Tometes sp. ‘krânponhã’ (15 espécimes do período de cheia e 15 do de seca), distribuídos em três classes ontogenéticas: juvenil, sub-adulto e adulto. Na análise parasitológica considerou-se quatro porções do intestino: uma do intestino anterior, duas do intestino médio e uma do intestino posterior. Para fins comparativos as abundancias dos endoparasitos foram expressas em densidades (ind./mm³). Foram encontrados 177.011 endoparasitos pertencentes a seis morfotipos do filo Nematoda e um do filo Platyhelminthes (Trematoda). O Nematoda sp.1 foi o morfotipo mais comum representando 99,93% da abundancia total. A composição e a densidade dos endoparasitos do trato intestinal desses peixes não apresentaram diferenças com as três classes ontogenéticas, no entanto, foi observada diferença destes fatores ao longo do trato intestinal e com o ciclo hidrológico. O presente estudo sugere que os endoparasitos podem estar ajudando na absorção de celulose ou degradando restos alimentares do peixe.

  • ISABELLE MARIA DAS CHAGAS SILVA
  • A REDE DA PESCA QUE CAPTURA GENTE: O CASO DA COMUNIDADE CAJUEIRO NA ILHA DE MOSQUEIRO/PA"

  • Data: 14/05/2015
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  • Este trabalho foi elaborado partindo da premissa de que as pessoas queriam se afastar da pesca. Tendo como objetivo geral descrever o distanciamento das novas gerações da pesca e compreender em que medida o discurso de insatisfação com a atividade pesqueira, recorrente na fala das mulheres, vem distanciando, ou não, as atuais gerações do exercício dessa atividade. A comunidade escolhida para a realização deste estudo foi a do Cajueiro, localizada na ilha de Mosqueiro, um distrito de Belém. Como resultados foi identificado a pesca como principal atividade da área e como estruturadora da comunidade. Na comunidade os apetrechos mais usados foram a rede de emalhar e o matapi. A única forma de comercialização identificada na área foi a com intermediário. Nesta área foi observado que a tradição da pesca na família, a identificação do indivíduo com a pesca, a proximidade física de parentes e de outras pessoas com a mesma ocupação, e outros fatores estreitam os laços do indivíduo com a comunidade, com a família e com a pesca. E apesar de estarem presentes no discurso os riscos e as dificuldades das “pescarias”, percebe-se através das gerações que os indivíduos continuam como pescadores, seja por falta de outras opções de trabalho ou por escolha.

  • EVELYN RAFAELLE DE OLIVEIRA SOUZA
  • DISTRIBUIÇÃO DA DENSIDADE LARVAL DE Petrolisthes armatus (Gibbes, 1850) (DECAPODA) NO ESTUÁRIO DE CURUÇÁ, LITORAL AMAZÔNICO BRASILEIRO

  • Data: 06/05/2015
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  • As larvas de crustáceos decápodes sofrem influência das variáveis ambientais e seus estágios larvais podem indicar indiretamente a presença de adultos, como também os períodos e locais de reprodução. O objetivo deste trabalho foi estimar a densidade das larvas de Petrolisthes armatus no estuário do Rio Curuçá, Pará, e verificar quais variáveis influenciam significativamente a abundância deste grupo no mesozooplâncton. As larvas foram coletadas em março e maio (período chuvoso) e em setembro e novembro (período menos chuvoso) de 2003, em oito locais, quatro no Furo Muriá e quatro no Rio Curuçá, na maré vazante, com rede de plâncton de 200um com fluxômetro acoplado, através de arrastos horizontais subsuperficiais durante três minutos. As amostras foram acondicionadas, fixadas em formaldeído neutralizado com tetraborato de sódio. Foram aferidas a temperatura, a condutividade, o pH, o oxigênio dissolvido (OD), a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e a salinidade. As medianas dos fatores abióticos, exceto OD, diferiram significativamente entre os meses mas não entre os locais. Todos os fatores abióticos apresentaram maiores valores no período menos chuvoso, exceto o OD. Foram identificadas 123 larvas de P. armatus, 117 zoea I e 6 zoea II. As zoés foram mais abundantes no período menos chuvoso. Não houve diferença significativa para a mediana das densidades entre os locais ou meses. As larvas zoea I correlacionaram-se positivamente com os fatores abióticos, exceto OD. As zoea II correlacionaram-se positivamente apenas com DBO e pH. A distribuição larval no estuário do Rio Curuçá foi influenciada principalmente pela variação da temperatura, DBO, condutividade, pH e salinidade durante os períodos chuvoso e menos chuvoso. Fato inédito éa zoea I correlacionar-se significativamente com a salinidade e a zoea II não, indicando que a zoea II está adaptada às flutuações da salinidade no estuário, sugerindo retenção larval.

  • JOSE LEOCYVAN GOMES NUNES
  • Estimador da produtividade para as pescarias artesanais do Rio Xingu

  • Data: 04/05/2015
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  • Resumo A captura por unidade de esforço (CPUE) de uma pescaria é um indicador freqüentemente usado para avaliar a abundancia dos estoques pesqueiros e, portanto incluída na avaliação da sustentabilidade da explotação pesqueira. O monitoramento ao longo do tempo da abundancia de um recurso pesqueiro que se encontra sob um esforço de captura, permite estabelecer medidas de ordenamento. No entanto, o uso de CPUE tem uma série de problemas e as suas estimativas nem sempre podem ser consideradas como proporcional à densidade dos estoques. As informações sobre captura e esforço pesqueiro, são normalmente obtidas da frota comercial. Geralmente são colhidos dados durante os desembarques nos portos e o esforço pode ser expresso em número de dias viajando, número de artes de pesca, número de pescadores, etc. O uso da CPUE supõe uma relação linear entre a captura ( ) e esforço ( ), onde , sendo o coeficiente de capturabilidade, que deve ser constante. No entanto, frotas que possuem diferentes tamanhos de embarcações, ou motores de diferentes potencias, possuem diferentes poderes de pesca, o que obviamente afeta a capturabilidade e impede a comparação entre essas unidades de produção. Este trabalho pretende avaliar a melhor unidade de esforço para representar a intensidade da pesca, assim como, descobrir o melhor índice de abundancia/produtividade a ser utilizado. Alem disso, pretende observar a melhor distribuição estatística do erro da CPUE total, utilizando para isso dados coletados de forma censitária nos principais portos de desembarque do rio Xingu. Portanto, usando a captura por unidade de esforço pretende-se descobrir qual a melhor forma de estimar a CPUE, para condições padronizadas de pesca (mesmo tipo de barco, arte de pesca e época do ano). Os dados de captura deste trabalho serão obtidos a partir de desembarques pesqueiros, realizados entre abril de 2012 e marco de 2014, obtidos pelo Projeto de Incentivo à Pesca Sustentável, que faz parte do Plano Básico Ambiental da UHE de Belo Monte. Com isso, este trabalho pode fornecer uma metodologia mais apropriada para ser integrada nos monitoramentos futuros da pesca na região.

  • ANTONIO LEONILDO NASCIMENTO DERGAN
  • Biomarcadores bioquímicos em duas espécies amazônicas na avaliação da qualidade de ambientes com histórico de contaminação por arsênio

  • Data: 04/05/2015
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  • RESUMO: A atividade humana em ambientes estuarinos tem impactado negativamente seus componentes bióticos e abióticos através da liberação de compostos tóxicos e modificação de suas características naturais. Na foz do rio Amazonas, uma contaminação histórica por arsênio (As), liberado no sistema hídrico como rejeito do beneficiamento de hidróxidos de manganês e ferro, nunca foi avaliada do ponto de vista biológico. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar, em nível biológico, a qualidade ambiental de dois rios pertencentes ao estuário amazônico: o Rio Amazonas (00° 03' 13,3" S 051° 11' 26,7" W - município de Santana/AP, região mais próxima à empresa de beneficiamento de Manganês) e o Rio Mazagão (00° 007' 23,8" S 051°16' 53,4" W - município de Mazagão/AP, distante 15 Km do primeiro ponto). As duas localidades estão sob influência da mineração de Manganês e, portanto, representam um gradiente de contaminação de As. Para comparar a influência da poluição por As nos biomarcadores analisados, o Rio Campumpema (01° 44' 21,2" S 048° 54' 09,9" - município de Abaetetuba/PA) foi escolhido como ponto referência externo, por não apresentar histórico conhecido de contaminação por este metal e ter características abióticas semelhantes. Os parâmetros bioquímicos analisados incluem biomarcadores de exposição: atividade das enzimas antioxidantes catalase, glutationa S-transferase, glutationa S-transferase Ω e glutamato cisteína-ligase; capacidade antioxidante total contra radicais peroxil e concentração total do antioxidante não enzimático glutationa, além dos biomarcadores de efeito: lipoperoxidação e oxidação de proteínas. Como espécies biomonitoras, nas quais os biomarcadores serão analisados, foram escolhidas o mandi-branco (Propimelodus eigenmanni) e o camarão regional (Macrobrachium amazonicum). Estas espécies são amplamente distribuídas no estuário amazônico, de fácil captura e representam distintos níveis tróficos. Além disso, o camarão regional é utilizado para consumo pela população local e tem grande apelo comercial. No mandi-branco, os biomarcadores estão sendo avaliados no fígado, brânquias, cérebro e músculo. Para o camarão, os biomarcadores estão sendo avaliados nas brânquias e no músculo. A coleta destes organismos contempla cinco períodos pluviométricos: seco (novembro/ 12), chuvoso (abril/13), chuvoso-seco (agosto/13), seco (novembro/13) e seco-chuvoso (fevereiro/14), sendo que quatro campanhas já foram realizadas. Além dos biomarcadores bioquímicos, também serão caracterizadas as concentrações de As e de suas espécies químicas tóxicas (arsenito e arsenato) presentes na água em todos os períodos pluviométricos amostrados. Os resultados preliminares indicam uma forte influência do aumento da precipitação no aporte de contaminantes nos pontos amostrados, já que tanto a atividade da glutationa S-transferase (GST), uma enzima antioxidante e de detoxificação, como os níveis de lipídeos peroxidados (biomarcador de dano oxidativo) aumentam no período chuvoso em órgãos dos dois organismos biomonitores empregados neste estudo.

  • UALERSON IRAN PEIXOTO DA SILVA
  • ECOLOGIA DA ASSEMBLÉIA DE PEIXES DOS CANAIS DE MARÉ DAS ILHAS DO ESTUARIO AMAZÔNICO

  • Data: 01/04/2015
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  • Os canais de maré das ilhas do estuário amazônico são ambientes dinâmicos e instáveis que tem seu pulso de inundação totalmente dependente do regime de maré, mesmo apresentando estas características rigorosas, estes ambientes possuem uma fauna ictica diversa e bem adaptada que utiliza estes ambientes como área de desova, recrutamento e/ou alimentação. Um dos grandes objetivos em ecologia é determinar os processos estruturadores e a distribuição espacial da diversidade. Com este objetivo, a diversidade beta auxilia a analisar a dissimilaridade entre locais amostrados, nos permitindo avaliar a variação entre as assembléias de peixes amostradas através da composição de espécies e associá-la às características ambientais, geográficas ou hidrológicas. Assim, esta dissimilaridade pode ser causada tanto pelas diferenças espaciais, quanto pelas características físico-químicas da água ou ambientais. Outra ferramenta que pode auxiliar no entendimento da estrutura das assembléias de peixes é o estudo do uso do habitat e a ecomorfologia das espécies; estas abordagens podem fornecer respostas sobre as estratégias e ciclo vida dos organismos e suas variações morfológicas, refletindo assim, sua adaptação ao ambiente. A ecomorfologia avalia as relações existentes entre a morfologia do individuo (fenótipo) e sua ecologia (uso dos recursos e posição no ambiente). Esta abordagem possibilita a identificação de diferenças nos caracteres morfológicos das espécies e sua relação com os fatores ecológicos relacionando as espécies ao ambiente. Este trabalho procura aumentar o conhecimento ecológico das assembléias de peixes dos canais de maré das ilhas do entorno de Belém, estimando sua diversidade, avaliando suas características ecomorfologicas, composição e distribuição bem como o conhecimento do uso do ambiente pela assembléia de peixes, gerando informações que subsidiem futuras medidas de manejo e conservação das características físicas do ambiente e diversidade de peixes das ilhas do entorno de Belém.

  • MYLENA NEVES CARDOSO MATOS
  • EFEITO DO CORTE DE MADEIRA SOBRE AS COMUNIDADES DE NINFAS DE EPHEMEROPTERA (INSECTA) EM IGARAPÉS DA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 27/03/2015
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    A Amazônia Oriental brasileira está inserida em uma região conhecida como “Arco do Desmatamento” que sofre alterações decorrentes da exploração madeireira convencional. Um dos problemas decorrentes dessa atividade é a remoção da vegetação ripária, que afeta diretamente os ecossistemas aquáticos. Desta forma, o manejo de impacto reduzido pode minimizar os efeitos da extração de madeira possibilitando a recuperação de áreas degradadas e a conservação de espécies nesses ambientes. Com o objetivo de analisar os efeitos do corte convencional sobre as comunidades de Ephemeroptera e se o corte manejado é eficaz para manter a qualidade do ambiente, investigamos os efeitos dessas alterações sobre a estrutura física e físico-química de igarapés da Amazônia Oriental, além de avaliar se atributos das comunidades de efemerópteros, como riqueza, abundância e diversidade funcional, podem ser influenciados por mudanças provenientes desse tipo de atividade de extração. Para tal, foram amostrados 50 igarapés (13 de referência, 26 manejados e 11 convencionais) localizados no Rio Capim (Paragominas-PA). Os espécimes foram amostrados utilizando um rapiché, e os dados de estrutura física e físico-químicos foram mensurados através de uma sonda multiparâmetros Horiba e de um protocolo de integridade física. A exploração de madeira afetou principalmente a condutividade e o dossel do canal do ambiente, causando declínio na diversidade, uma vez que espécies especialistas foram substituídas por generalistas, corroborando com a teoria que ambientes degradados são mais homogêneos, e beneficiam espécies com maior amplitude de nicho e tolerantes às alterações. A composição dos igarapés convencionais diferiu da composição dos igarapés manejados e referentes, que por sua vez são similares. Houve maior compartilhamento de espécies entre manejo e referência, que por sua vez apresentam maior diversidade taxonômica, com espécies exclusivas de gêneros diferentes, já o convencional foi mais limitado a espécies de Brasilocaenis. Os índices funcionais não foram diferentes entre as áreas amostradas, no entanto foram observadas relações entre os traços funcionais medidos e as áreas de corte convencional. Portanto, o manejo é uma boa estratégia para exploração madeireira, que não afeta significativamente a floresta e a biodiversidade aquática, haja visto, que manteve as condições ambientais similares aos igarapés referências.  

     

     

  • DANIELLE REGINA GOMES RIBEIRO BRASIL
  • AVALIAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL DE REGIÃO DO MÉDIO RIO XINGU (AMAZÔNIA, BRASIL) INFLUENCIADA POR ATIVIDADES ANTRÓPICAS

  • Data: 10/03/2015
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  • O rio Xingu (Amazônia, Brasil), apresenta uma grande diversidade de espécies endêmicas. Tais espécies estão expostas aos diversos tipos de atividades antropogênicas. Na região do município de São Félix do Xingu, situado no médio Xingu, a atividade antropogênica predominante é a extração mineral de cassiterita. O processo de extração libera para o ambiente diversos metais e metaloides que tem o potencial de acumular nos distintos compartimentos ambientais (água, sedimento, solo e biota). Uma vez acumulados, muitos são capazes de induzir efeitos tóxicos nos organismos residentes. Os efeitos tóxicos primários de metais e metaloides envolvem alterações em baixos níveis de organização biológica (respostas bioquímicas, celulares ou fisiológica). Tais alterações podem ser usadas como biomarcadores, servindo como um aviso antecipado de efeitos que a longo prazo podem vir a atingir níveis de organização biológica superiores e com maior relevância ecológica. Em ecotoxicologia, os biomarcadores são tradicionalmente aplicados em organismos biomonitores, residentes no local alterado.  Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade ambiental de distintos pontos na região do médio Xingu através de parâmetros químicos e biológicos.  Para tanto, foram realizadas 5 coletas em sete pontos: Bom Jardim, Canópus, Chico Rogério, Cidade, rio Fresco, Taboca 1 e Taboca 2. Duas coletas foram realizadas na cheia (março e abril) e 3 coletas na seca (junho, julho e agosto), com o intervalo de 15 dias entre cada coleta. Foi coletado água, sedimento e solo em todos os pontos, no entanto apenas em Bom Jardim, Chico Rogério e Canópus, foi realizada a captura dos organismos através de anzol e tarrafa. Foi determinada a concentração de metais e metaloides (Cu, Pb, Cd, As, Cr e Hg) em solo, água, sedimento do rio ou do seu entorno. Em termos biológicos, foram analisados biomarcadores bioquímicos de exposição (capacidade antioxidante total) e efeito (lipoperoxidação-LPO e micronúcleos), em diferentes órgãos/tecidos (fígado, brânquias, cérebro, músculo e sangue) dos organismos biomonitores selecionados (Cichla melaniae - carnívoro e Myloplus rubripinnis - onívoro/frugívoro). Os resultados demonstram que a concentração de Arsênio (As) está acima do recomendado pelo CONAMA (0,14 ug/L) para águas doces de classe II (com atividade de pesca) em todos os pontos amostrados. Os elementos Cr, Chumbo (Pb) e Níquel (Ni) no solo e sedimento de Canópus encontram-se altos e, na maioria dos casos, acima dos valores de prevenção estabelecidos pelo CONAMA. Os resultados de biomarcadores apontam para uma boa condição dos organismos analisados independente da origem dos mesmos. Apesar disso, os dados de cérebro demonstram uma maior LPO nos animais de Canópus, sugerindo um possível efeito de danos neuro-degenerativos. Mesmo que as espécies analisadas apresentem uma boa condição em termos gerais, cabe ressaltar que não indica que espécies mais sensíveis não estejam sofrendo danos mais severos.

     

     

     

  • MARIA DE NAZARÉ BENTES DE LIMA
  •  Biologia Reprodutiva e Crescimento da Ostra-do-Mangue Crassostrea gasar Adanson (1757) (MOLLUSCA: BIVALVIA) cultivada em manguezais da costa Amazônica (Curuçá e São Caetano de Odivelas)

  • Data: 26/02/2015
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  • O presente trabalho foi dividido em três capítulos sendo o capitulo 1 (artigo 1) intitulado de “A influência dos fatores físico-químicos da água no Ciclo Reprodutivo de Crassostrea gasar cultivada em manguezais na Costa Amazônica, Brasil” aborda como os estudos das variações sazonais dos fatores ambientais são imprescindíveis para a compreensão da influência destes fatores no desenvolvimento de C. gasar cultivada em manguezais. Durante doze meses foram mensurados os parâmetros físico-químicos da água de cultivo a fim de correlacionar estes dados com o ciclo reprodutivo da ostra do mangue no Rio Pereru, município de São Caetano de Odivelas. Amostras de tecido gonadal foram processadas segundo técnicas histológicas de rotina. Os estádios de desenvolvimento gonadal foram determinados de acordo com a forma, tamanho e coloração das células germinativas. A maturação das gônadas ocorre durante o período transicional chuvoso/seco, enquanto que a desova e espermiação ocorre na estação seca. No capítulo 2(artigo 2) intitulado “Desempenho do cultivo da ostra-do-mangue Crassostrea gasar em sistema fixo na Costa de Manguezais de Macromarés da Amazônia, Brasil”, o objetivo foi comparar o incremento de tamanho e a mortalidade da ostra do mangue em dois cultivos experimentai.s Para a análise do crescimento foram implementados cultivos experimentais durante doze meses no Rio Tijoca (águas mais interiores) e no Rio Pereru (mais próximo da costa). Podemos inferir que as diferenças sazonais nas taxas de crescimento estão relacionadas com a precipitação, pois a baixa salinidade do período chuvoso ocasiona a diminuição nas taxas de filtração em ostras; e áreas mais próximas à costa são mais favoráveis ao cultivo de ostras, pois ostras se desenvolvem melhor em salinidades mais altas. O capítulo 3 foi feito em forma de cartilha intitulada Cultivo de Ostras em Manguezais do Pará. Essa cartilha foi o produto gerado no Projeto Cultivo de Ostras do Mangue, da Rede de Pesquisas Aplicadas para Suporte ao Desenvolvimento Integrado e Sustentado da Pesca e Aquicultura no Estado do Pará (REPAPAq), desenvolvido pelo Laboratório de Ultraestrutura Celular do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará através do convênio 070/2008 FAPESPA/UFPAFADESP/SEDECT. Nosso objetivo com essa cartilha é de mostrar o ciclo de reprodução e crescimento das ostras e como esses conhecimentos podem ajudar no cultivo da espécie.

     

  • BRENDA NATASHA SOUZA COSTA
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    MICROZOOPLÂNCTON COMO INDICADOR DE ALTERAÇÕES AMBIENTAIS EM UM PÓLO INDUSTRIAL E PORTUÁRIO NA REGIÃO AMAZÔNICA

  • Data: 06/02/2015
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  • RESUMO:

    Na região amazônica, norte do Brasil, os estuários são formados pelos rios Amazonas, situado na porção norte, e Tocantins, ao sul. Esses corpos d’água constituem juntos a maior bacia hidrográfica mundial. Na região central da Zona Costeira Amazônica, está localizado o estuário do rio Pará. Em decorrência da elevada descarga dos seus afluentes (rio Tocantins, Guamá e Acará-Moju) possui águas turvas e doces, com uma zona de mistura, e elevada produção primaria, devido à elevada disponibilidade nutrientes advindos dos rios e pela transparência das águas oceânicas, que permitem a penetração de luz necessária para a intensa fotossíntese das algas. A ação antrópica inadequada vem resultando na poluição dos ambientes aquáticos e entre os organismos afetados, pode-se destacar o zooplâncton, os quais são extremamente diversificados morfologicamente, com curto ciclo de vida e alteram suas taxas reprodutivas de acordo com a disponibilidade de alimento, considerados excelentes indicadores da qualidade da água, portanto, este estudo objetiva determinar a estrutura da comunidade zooplanctônica e correlacionar as variáveis ambientais com a composição e densidade desses organismos em diferentes drenagens localizadas em um estuário com influência de um complexo industrial e portuária na região Amazônica. As coletas foram realizadas na região de Barcarena (Pará-Brasil), nos rios Pará, Murucupi e Arapiranga, num trecho que compreende uma área industrial e portuária, trimestralmente no ano de 2012. A comunidade zooplanctônica do rio Pará foi composta por 64 espécies. De acordo com a freqüência de ocorrência nas amostras totais, a taxa encontrada foram classificados como muito frequente (18%), frequente (25%) pouco frequente (35%) e esporádicos (22%). Taxa classificada como muito frequentes foram: Brachionus mirusFilinia terminalis, Calanoida sp1, Filinia terminalis, Copepodito de Calanoida, Cyclopoida sp1, Copepodito Cyclopoida, Keratella americanaKeratella cochlearis, Nauplio de crustáceos. As maiores densidades foram nos meses de fevereiro (962.400 org / m3) e novembro (889.000 org / m3), ambos no período mais chuvoso. Em todos os meses, as maiores densidades foram registradas no P3, situado à frente ao complexo industrial e portuário. Essa intensificação na produção primária no ponto P3 evidenciou a existência de fatores oriundos dessas atividades que influenciam na densidade e composição destas comunidades. As densidades referentes aos meses de maior precipitação apresentaram boa correlação com o N-NO3- (r: 0.75; p: 0.01), que é facilmente carreado pela água da chuva no processo de lixiviação, e favorecem o crescimento da biomassa fitoplanctônica e do zooplâncton. Em relação ao ponto em frente ao porto (P3), este foi correlacionado com fosfato e nitrato, nutrientes importantes no crescimento do zooplâncton, uma vez que este também favorece a intensificação da produção primária, e sua entrada pode ser favorecida pela atividade portuária e industrial. O teste IndVal mostrou que a espécie Filinia opoliensis (IndVal=0.86, p=0.02) tem elevada fidelidade e especificidade ao ponto a frente do complexo industrial, tornando-se possível bioindicadora da qualidade ambiental. Pouco se conhece a respeito da fisiologia desta espécie, porém alguns trabalhos destacam o fácil desenvolvimento e adaptação desta aos ambientes eutrofizados.

     

     

     
  • FERNANDO GERALDO DE CARVALHO
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    EFEITO DA PLANTAÇÃO DE PALMA DE DENDÊ SOBRE A ASSEMBLEIA DE ODONATA (INSECTA) NA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 21/01/2015
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  • A monocultura de palma de dendê é um dos cultivos de larga escala e de mais rápida expansão na Amazônia, devido as condições climáticas e edáficas favoráveis, bem como, incentivos dos empresários e governantes visando o desenvolvimento regional. Diante disso, essa pesquisa tem como objetivo avaliar seus efeitos na assembleia de Odonata, testando a hipótese de que as alterações nas variáveis físico-químicas d’água e na estrutura do hábitat físico dos igarapés, a riqueza, abundância e a composição de odonatas serão afetadas negativamente, ocorrendo uma substituição de espécies especialista por espécies generalistas em virtude das exigências ecofisiológicas da ordem. Foram coletados em 23 igarapés, sendo 15 em áreas de plantação de dendê e oito em floresta primária. A hipótese de que a monocultura afeta as variáveis físico-químicas e o hábitat físico, foi corroborada uma vez que o resultado da PCA apresentou dois grupos distintos, igarapés de floresta possuem maior quantidade de resíduos de madeira dentro e fora do canal e por outro lado, igarapés de palmas apresentam maior impacto humano não agrícola e pH. As variáveis temperatura da água e cascalho grosso afetaram negativamente a riqueza de espécie. Já o potencial de oxidação, sedimento fino, número de madeira dentro e fora do canal afetaram positivamente a riqueza de espécies. A composição de espécie foi afetada positivamente pela temperatura da água e potencial de oxidação. A hipótese que a riqueza e a abundância de espécies são maiores nos igarapés de floresta não foi corroborada. Mas houve diferença na composição de espécies, uma vez que a floresta apresentou oito espécies exclusivas e 18 compartilhadas. Nossos resultados sugerem que as plantações de palma de dendê afetam as variáveis ambientais e causa uma substituição de espécies especialistas por generalistas de hábtats, uma vez que houve mudança no conjunto de composição de espécies da ordem após a conversão de floresta para a plantação de palma.

     

    Palavras-chave: Uso do solo, óleo de palma, diversidade e conservação.

  • THIAGO PEREIRA MENDES
  •  INFLUÊNCIA DO MANEJO FLORESTAL DE IMPACTO REDUZIDO EM ASSEMBLEIAS DE LARVAS DE ODONATA (INSECTA) NA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 20/01/2015
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  • Avaliamos se a retirada de madeira manejada minimiza o efeito desta atividade sobre a riqueza, composição e abundância de larvas de Odonata e, quais são os fatores abióticos que estruturam a assembleia. Partimos das seguintes hipóteses: (i) a retirada de madeira nas áreas de corte manejado afeta negativamente a riqueza de larvas de Odonata; (ii) as variáveis ambientais físico-químicas e físicas são preditoras de variações na abundância, composição e riqueza de larvas de Odonata. A área de estudo está localizada no nordeste do Estado do Pará, município de Paragominas. Assim, para testar nossa primeira hipótese foram usados os 13 igarapés da área controle e 26 igarapés de áreas de corte. Verificamos através da análise de regressão linear, que não houve diferença significativa na riqueza de larvas de Odonata entre os anos de corte. O teste t-student demonstrou não haver diferença na riqueza e abundância de Odonata entre os tratamentos. Não foi corroborada a hipótese de que a riqueza, composição e abundância de larvas de Odonata e suas infraordens diferem no gradiente de 10 anos de exploração florestal. Ao testarmos o efeito do corte na composição, os resultados da análise de PERMANOVA corrobora as ordenações da PCoA, mostrando que a variação na composição pode ser explicada pelo acaso. As métricas de diversidade não expuseram diferenças nas assembleias, portanto, demonstra que a retirada de madeira manejada pode ser uma alternativa para minimizar os efeitos causados pela exploração madeireira nas assembleias de larvas de Odonata.

     

  • ANA PAULA JUSTINO DE FARIA
  • ALTERAÇÃO AMBIENTAL EM IGARAPÉS AFOGADOS DA AMAZÔNIA ORIENTAL SOBRE A ASSEMBLEIA DE INSETOS AQUÁTICOS


  • Data: 20/01/2015
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  • A Amazônia brasileira comporta a maior rede hidrológica da Terra. Esta vem sofrendo intensa pressão antropogênica, principalmente por práticas de uso do solo, como agricultura e exploração madeireira. Nesse estudo o objetivo foi avaliar o efeito das atividades humanas realizadas na região da baía de Caxiuanã, relacionados à agricultura familiar e à retirada de madeira por ribeirinhos, sobre os ecossistemas aquáticos, utilizando as assembleias de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera (EPT) como indicadores ecológicos. Nossa hipótese é de que a riqueza e abundância de EPT decrescem em locais que apresentam influência de atividades humanas, havendo também uma diferenciação na composição de gêneros quando comparado com ambientes mais íntegros. A diversidade e composição de EPT foram amostradas em 34 igarapés afogadosda Baía de Caxiuanã, dos quais 17 são íntegros e 17 alterados. As condições ecológicas dos igarapés apresentaram uma estreita relação com a influência antropogênica do entorno, sendo refletida na estrutura dos habitats físicos e nas comunidades aquáticas. A análise de componentes principais (PCA) explicou 41,1% da variação ambiental em seu primeiro eixo, sendo possível distinguir agrupamentos das áreas íntegras e alteradas. Nos 34 igarapés amostrados foram coligidos 2,261 exemplares EPT, distribuídos em 13 famílias e 27 gêneros. A ordem Ephemeroptera contribuiu com 81,9% dos indivíduos amostrados. A abundância e riqueza de EPT não foi influenciada pela agricultura familiar. Por outro lado, a composição de gêneros mostrou ser sensível para detectar tanto alterações antrópicas quanto modificações na estrutura física dos ecossistemas aquáticos, sendo eficaz para avaliar alterações ambientais. A riqueza de gêneros de EPT foi explicada pelas variáveis de hábitat físico, o modelo de regressão múltipla explicou 45% da variação da riqueza entre os locais. A vegetação de sub-bosque de ervas foi relacionada negativamente com a riqueza. Para a abundância de indivíduos o modelo gerado explicou 42% da variação, no qual a vegetação de sub-bosque de erva e a madeira estiveram relacionadas negativamente com a abundância. A integridade estrutural dos igarapés, um fator importante na estruturação das assembleias de EPT, foi fortemente afetada pelas atividades agrícolas de subsistência e pela modificação na morfologia dos igarapés por processos de escavação.

2014
Descrição
  • WILSON MARTINS DA SILVA
  • Ecologia trófica de duas espécies de acaris reofílicos (Spectracanthicus punctatissimus Steindachner, 1881 e Spectracanthicus zuanoni Chamon e Py-Daniel 2014 Loricariidae) no rio Xingu, Amazônia, Brasil
  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 30/05/2014
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  • RESUMO Um dos aspectos mais interessantes nos estudos de ecologia no ecossistema aquático amazônico busca responder como as variações hidrológicas afetam a biologia alimentar da comunidade íctica. O objetivo deste trabalho foi estudar o efeito das variações sazonais do ciclo hidrológico sobre a biologia alimentar de duas espécies do gênero Spectracanthicus. Exemplares deste grupo de acaris, conhecidos vulgarmente como bola branca (Spectracanthicus zuanoni) e bola azul (Spectracanthicus punctatissimus), foram capturados mensalmente de setembro de 2012 a junho de 2013, através de mergulho com compressor, em um trecho do rio Xingu, Pará, situado entre as localidades Gorgulho da Rita (3º18'25,98”S – 52º11'14,36”O) e a Fazenda do Benigno (3º15'11,38”S – 52º02'09,18”O), próximo à cidade de Altamira. Os indivíduos capturados foram pesados e medidos (peso total e comprimento padrão). Os estômagos foram retirados, pesados e fixados em formol 10%, depois conservados em álcool 70%, para posterior análise em laboratório. O canal alimentar de uma parte da amostra também foi retirado e medido o seu comprimento total para obtenção do quociente intestinal (Qi) que auxiliou na caracterização do regime alimentar. Depois foi analisada a ecologia trófica das espécies. Foi obtido o índice de repleção (IR) para as duas espécies. Este indicou que a intensidade alimentar é relativamente constante durante o período e classes de tamanho. A análise do conteúdo estomacal mostrou que os itens mais consumidos na dieta foram detritos/sedimentos, sendo complementados por diatomáceas, clorofíceas, algas filamentosas, invertebrados e esponjas. Para a análise de ecologia trófica dos acaris foram utilizadas a frequência de ocorrência (Fi), frequência volumétrica (Vi) e frequência numérica (Ni), indicadores estes que compuseram o índice de importância relativa (IRI) para as duas espécies. Além disso, foi calculada a amplitude alimentar (BA) que retornou valores muito baixos caracterizando um alto grau de especialização na dieta. A sobreposição alimentar (O), foi considerada alta, contudo, atenuada pela partilha de recursos alimentares entre as espécies. Notou-se variações quanto ao tamanho dos indivíduos em relação ao quociente intestinal, mostrando uma tendência a um aumento da detritivoria com o aumento dos acaris estudados. Observou-se quanto ao índice alimentar que o período da Cheia possui menor abundância e diversidade de itens em relação aos outros períodos, sendo notável a influência do ciclo hídrico sobre a alimentação das duas espécies de Spectracanthicus no rio Xingu, Altamira, Pará.
  • ESTHER MIRIAN CARDOSO MESQUITA
  • PESCA E DINÂMICA POPULACIONAL DA PESCADA BRANCA Plagioscion squamosissimus (HECKEL, 1840) NO RIO XINGU, PARÁ, BRASIL

  • Data: 30/05/2014
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  • Resumo: A pesca extrativa continental do Brasil tem aumentado significativamente nos últimos anos. Nesse âmbito, destaca-se o rio Xingu pela sua importante participação na produção pesqueira do estado do Pará. Entre as espécies de importância comercial na região, destaca-se a Plagioscion squamosissimus. Com a construção da UHE Belo Monte no rio Xingu, a produção pesqueira poderá sofrer alterações. Para compreender essas alterações, estudos acerca da pesca, dinâmica populacional e avaliação do estado do estoque pesqueiro se fazem necessários. O presente estudo conta com três capítulos, sendo o primeiro sobre a pesca da P. squamosissimus ao longo do rio Xingu. O segundo aborda a dinâmica populacional da P. squamosissimus do rio Xingu. E o terceiro contém uma descrição das principais artes de pesca utilizadas ao longo do rio Xingu. Para o primeiro capítulo foram utilizados dados do Projeto de Incentivo à Pesca Sustentável e Projeto de Monitoramento da Ictiofauna, ambos executados no marco do Plano Básico Ambiental da UHE de Belo Monte. Outros dados referidos nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA’s) da UHE de Belo Monte foram utilizados para comparação e referência com os resultados obtidos. Para os estudos de dinâmica populacional da P. squamosissimus foram realizadas medições dos comprimentos totais e peso total da espécie em 6 portos de desembarque (Altamira, Belo Monte I e II, Vitória do Xingu, Vila Nova e Senador José Porfírio), entre os meses de set/2012 a ago/2013. Para descrição das artes de pesca foram realizadas entrevistas com os pescadores, ao longo do rio Xingu.

  • ADAUTO DOS SANTOS MELLO FILHO
  • Padrão espaço-temporal da captura de piramutaba, Brachyplatistoma vaillantii, pela frota de arrasto em parelha, na costa Norte do Brasil
  • Data: 28/05/2014
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  • RESUMO A piramutaba, Brachyplatistoma vaillantii, é um bagre de água doce amplamente distribuído na bacia amazônica, que representa um importante recurso para as populações que vivem ao longo dos seus afluentes, sendo assim alvo da pesca de subsistência e da pesca comercial, representada principalmente pela frota industrial. Com objetivo de testar a distribuição espaço-temporal da espécie no estuário amazônico, se faz necessário a identificação de áreas ou períodos em que a captura de juvenis sejam maior, podendo assim subsidiar medidas de ordenamento mais adequadas. Para isso foram realizadas amostragens a bordo de embarcações da frota industrial, durante o projeto Monitoramento da Pesca Industrial entre dezembro de 2008 a agosto de 2011, onde eram registrados o posicionamento geográfico, a produção e a profundidade inicial e final para cada arrasto. Para a biometria, eram amostradas 5 basquetas com piramutaba, sendo registrado o comprimento furcal. Os fatores temporais foram considerados analisando a distribuição da frota, o período de defeso e a sazonalidade de chuvas e do rio Amazonas, determinantes para a distribuição da espécie no estuário. A variação espaço-temporal do comprimento médio foi verificada a partir de uma Análise de covariância, considerando a variação entre períodos, áreas de pesca (variação latitudinal) e setores internos e externos (variação longitudinal) dentro das áreas de pesca. A partir dos dados de comprimento os indivíduos foram agrupados em grupos etários 01 (até 1 ano), 02 (entre 1 e 2) 3 (entre 2 e 3) e 4 (acima de 3 anos) e estimados seu peso a partir da relação peso comprimento. Foram criados índices de rejeição potencial baseados em número e em peso para verificar a proporção de juvenis e recrutas, geralmente rejeitados pela pesca industrial, e analisados pelo teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. Foram realizados um total de 1632 arrastos no estuário amazônico. A análise da pluviosidade e vazão do Amazonas, permitiu a categorização em um período chuvoso, de dezembro a abril e um período seco, de maio a agosto. A análise espacial dos arrastos permitiu a identificação de três áreas de pesca, uma área Sul, localizada entre 0.0º e 0.4º uma área Central, localizada entre 0.4º e 1.0º e uma área Norte entre 1.0º e 1.6º, de maior importância onde a frota realizou 67% dos arrastos. A analise da composição etária demonstrou que o grupo 3, que são os indivíduos entre 2 e 3 anos são os mais abundantes nas pescarias 65% de ocorrência, e que 85% do total. A análise espaço-temporal do comprimento médio verificou que durante o período chuvoso existe uma variação latitudinal evidente, com indivíduos menores na área Central, enquanto que no período seco os indivíduos maiores saem dos setores externos e sem aproximam da foz do rio Amazonas. Os resultados evidenciaram os padrões de deslocamento dos indivíduos em relação ao ciclo migratório descrito para a espécie na literatura. Os índices de rejeição potencial confirmam a variação latitudinal no período chuvoso, sendo verificado que os setores centrais apresentam maiores índices de descarte, chegando a 1/3 de toda a piramutaba capturada. Os resultados demonstraram os padrões de deslocamento da espécie dentro do estuário amazônico e sugerem que uma restrição espacial para a área Central pode ser adotada para minimizar a captura de juvenis dessa espécie, um resultado que contradiz as premissas das restrições espaciais existentes, que diz que os indivíduos menores estão associados a costa, o que não foi verificado nesse trabalho.
  • MARIO ALEJANDRO ZULUAGA GÓMEZ
  • Diversidade funcional e características tróficas da assembleia de peixes de ambientes de corredeiras do rio Xingu
  • Data: 06/05/2014
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  • RESUMO: As espécies reofílicas neotropicais apresentam histórias evolutivas divergentes e possuem morfotipos funcionais diferenciados, porem ocupam nichos ecológicos semelhantes. Neste estudo foi aplicada uma abordagem integrando analises das características morfológicas e relações de isótopos estáveis (13C, 15N) para investigar se a assembleia de peixes que habitam os ambientes de corredeiras do rio Xingu, revela um padrão de convergência ecomorfologica. Sendo de fato, corroboradas as relações entre a diversidade funcional e a diversidade trófica. Do mesmo modo, foram identificadas as principais fontes primárias para esses ambientes. O grupo morfológico tipificado pelos loricariídeos apresentaram as maiores contribuições pelas fontes primárias de origem autóctone. No entanto, o grupo morfológico formado por represetantes da família Cichlidae, apresentou pouca resolução sobre o uso de fontes basais, expondo uma relação com outros ambientes do rio. O presente estudo demonstrou que existe relação entre as características morfológicas e ecológicas, fornecendo evidencias de um alto grau de divergência e partilha de recursos alimentares entre as espécies de peixes que apresentaram morfologias homólogas que coexistem nos ambientes de corredeiras no período de seca. Estas relações negativas ocorrem já que alguns indivíduos experimentam fortes trade-offs entre largura de nicho e capacidade adaptativa, o que facilita a seleção disruptiva e especialização individual. Da mesma forma, os movimentos de indivíduos entre habitats pode contribuir com esse tipo de resultados, algumas espécies que são essencialmente transitórias com maior numero de traços funcionais mas, que se possuem um nicho trófico restrito.
  • KAROLINE ALMEIDA DA SILVA
  • BIOLOGIA REPRODUTIVA DE Protothaca pectorina (Lamarck, 1818), (BIVALVIA: VENERIDAE) NO LITORAL DE MARAPANIM (PA)
  • Orientador : ROSSINEIDE MARTINS DA ROCHA
  • Data: 25/04/2014
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  • RESUMO O presente estudo estabeleceu a relação e a influência dos fatores abióticos e períodos sazonais sobre os estádios de maturação gonadal de Protothaca pectorina de um estuário Amazônico. Os meses de coleta foram agrupados em dois períodos: seco e chuvoso. As variáveis físico-químicas foram analisadas mensalmente dentre elas a salinidade, a temperatura, o índice pluviométrico. Um total de 360 indivíduos, 30 espécimes por mês foram coletados no período de abril de 2012 a março de 2013. Após a coleta os indivíduos foram transportados vivos até o laboratório. Foi realizada a morfometria da concha em comprimento ântero-posterior. A gônada foi fixada em solução de Davidson por 24h e posteriormente realizado o processamento histológico. A análise microscópica gonadal de P. pectorina permitiu a classificação em quatro estádios de maturação: imaturo, em maturação, maduro e desovado (fêmeas) e espermiado (machos). Com relação aos estádios gonadais e as variáveis físico-químicas da água, apenas a salinidade e a precipitação pluviométrica apresentaram diferenças significativa. No período de baixa salinidade e alta precipitação pluviométrica (período chuvoso) foram encontrados machos espermiados e fêmeas desovadas. No período de alta salinidade e baixa precipitação pluviométrica (período seco) apresentou a maior freqüência de fêmeas em maturação e machos maduros. Diante disso, a salinidade e a precipitação pluviométrica afetam diretamente o sucesso reprodutivo da espécie, sendo estes fatores primordiais para a biologia do animal.
  • HÍNGARA LEÃO SOUSA
  • Efeito da alteração do hábitat físico sobre assembleias de peixes em igarapés afogados da Amazônia Oriental.
  • Data: 26/02/2014
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  • Resumo Os ecossistemas aquáticos naturais constituem sistemas complexos que estão sendo expostos a uma variedade de perturbações. Na região Amazônica, por exemplo, o uso dos recursos e ocupação da terra tem alterado a estrutura física do hábitat de ambientes aquáticos, especialmente os de pequeno porte, influenciando a estrutura e composição de suas comunidades. Isso tem levado ao desenvolvimento de pesquisas e programas de avaliação a fim de verificar como as alterações ocorrentes nesses ambientes afetam as comunidades bióticas, testando quais características do hábitat respondem às alterações. Com isso, o presente trabalho teve como objetivo descrever e mensurar atributos físicos do hábitat de igarapés afogados e verificar como as assembleias de peixes respondem aos diferentes níveis de integridade física apresentados pelos igarapés. Adotamos a hipótese de que ambientes estruturalmente mais íntegros suportam uma ictiofauna mais diversa do que ambientes impactados, em virtude destes apresentarem uma diminuição na complexidade ambiental, limitando o potencial ecológico do ecossistema, uma vez que a qualidade do meio físico forma um conjunto dentro do qual as comunidades biológicas se desenvolvem. O estudo foi realizado em 34 igarapés, sendo 17 situados dentro do território da Floresta Nacional de Caxiuanã, e 17 no entorno, localizados próximos aos centros urbanos dos municípios de Portel e Melgaço (PA). As coletas foram realizadas com redes de mão em um trecho de 150 metros por igarapé e em um tempo determinado de seis horas (dividido entre os segmentos e entre os coletores). O hábitat físico foi avaliado seguindo um protocolo padronizado de avaliação de riachos. Apesar de detectarmos um conjunto de métricas que responderam ao gradiente de alteração local, estas não se mostraram suficientes na redução ou aumento do número de espécies ao longo dos níveis de preservação, mantendo praticamente constante a riqueza e abundância para os três grupos (alterado, intermediário e preservado), mas com diferença significativa para a composição. Nossos resultados mostram que, quando consideramos a comunidade como um todo, riqueza e abundância de espécies podem não responder às alterações ambientais, sendo a composição o elemento chave para tais avaliações. A degradação do ambiente físico, mesmo que em escalas menores, acaba favorecendo a ocorrência e maior abundância de espécies tolerantes e com grande plasticidade fenotípica, como por exemplo, espécies da família Poeciliidae. Além disso, acaba favorecendo a ocorrência e aumento populacional de algumas espécies consideradas oportunistas, como foi observado para Hoplias malabaricus. A avaliação da integridade biótica da comunidade é uma alternativa para identificar fortes efeitos da alteração do hábitat sobre as espécies, principalmente considerando a peculiaridade da região e a falta de informações acerca da ictiofauna local.
  • MÁRCIO CUNHA FERREIRA
  • Efeito da monocultura de dendezeiro (Elaeis guineenses Jacq.) na integridade física e nas assembleias de peixes de igarapés da Amazônia Oriental."
  • Data: 25/02/2014
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  • Resumo O objetivo da presente dissertação é avaliar o efeito do monocultivo de dendezeiro Elaeis guineenses JACQ. na integridade física e nas assembleias de peixes de igarapés de terra firme da Amazônia Oriental. Os sítios de amostragem foram estabelecidos em trechos (150 m) de 23 igarapés da bacia do rio Acará-Mirim, Nordeste do Estado do Pará. De acordo com os resultados do índice de integridade física, dos 23 igarapés amostrados, todos que drenam áreas de fragmentos florestais foram classificados como preservados (IIF = 5,00 – 4,00), enquanto que os 15 igarapés que drenam plantações de dendezeiro foram classificados como alterados (IIF = 3,67 – 2,67). Foram coligidos 9.734 espécimes de peixes pertencentes a seis ordens, 24 famílias, distribuídos em 64 espécies. As espécies mais abundantes durante o estudo foram Microcharacidium weitzmani, Apistogrammagr. pertensis, Trichomycterus hasemani, Hyphessobrycon heterorhabdus e Copella arnoldi. A riqueza observada em igarapés que drenam plantações foi superior (S = 61) a encontrada em igarapés que drenam fragmentos florestais (S = 42). Os resultados da PERMANOVA evidenciam que existe diferença entre os ambientes amostrados (G.L. = 22; pseudo-F = 2,44; P = 0,01), no entanto o ordenamento produzido pelo NMDS demonstra que essa diferença é sutíl (stress=0,19). Resultado semelhante foi obtido utilizando-se a abundância dos GTFs (stress=0,18). Há uma maior distribuição e abundância das espécies em locais mais alterados. Para os GTFs, os coletores de substrato, raspadores, parasitas, predadores de espreita, coletores navegadores e atacadores de superfície foram menos abundantes em locais mais alterados. Os resultados do TITAN indicam que os limites ecológicos das espécies estão bem próximos (z- = 3,67 e z+= 3,84). Aequidens tetramerus, Apistogramma agassizii e Microcharacidium weitzmani estão associadas a igarapés que drenam plantações de dendezeiro e são boas indicadoras de locais com menor integridade do hábitat físico (p < 0,05; pureza > 0,95; confiabilidade > 0,95), enquanto que as espéciesHyphessobrycon heterorhabdus e Helogenes marmoratus demonstraram ser indicadoras de hábitats mais íntegros (p < 0,05; pureza > 0,95; confiabilidade > 0,95). A avaliação da integridade física de igarapés situados em áreas de monocultivo de dendezeiro no Nordeste do Estado do Pará, Norte Brasileiro, por meio de um índice de integridade física se mostrou eficaz, pois foi possível classificar e diferenciar os igarapés quanto à estrutura do hábitat físico e destacar quais métricas devem ser analisadas para isso. A composição, distribuição, abundância de espécies e de grupos tróficos funcionais devem ser analisadas conjuntamente com informações sobre a estrutura física do hábitat para a avaliação da situação do ambiente e assim gerar subsídios para ações de manejo, conservação e preservação.
  • PRISCILA SOUSA VILELA DA NÓBREGA
  • Composição, distribuição espaço-temporal de Brachyura (Crustacea) e estrutura populacional de Pachygrapsus gracilis (Grapsidae) nos substratos rochosos do estuário de Marapanim, Pará, Brasil
  • Data: 20/02/2014
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  • RESUMO O conhecimento integrado das relações que as comunidades bentônicas estabelecem com o meio ambiente e como se distribuem no tempo e no espaço auxilia a compreensão do funcionamento do equilíbrio ecológico no ambiente intertidal. Os representantes da infra-ordem Brachyura (caranguejos e siris) são excelentes modelos para estudo, pois apresentam abundância expressiva e ampla distribuição nestes ambientes. Nesta perspectiva, investiga-se a composição, distribuição espaço-temporal, influência da temperatura e salinidade na densidade da comunidade de Brachyura, assim como a estrutura populacional e densidade de adultos e larvas do caranguejo Pachygrapsus gracilis (Grapsidae), coletados nos afloramentos rochosos do estuário de Marapanim, litoral paraense. A amostragem foi realizada mensalmente entre agosto de 2006 a julho de 2007, em seis locais para o plâncton e quatro para os caranguejos bentonicos, sendo dois perfis (margens do estuário) e três zonas distribuidas ao longo de um gradiente de salinidade. Para o bentos foram amostradas ainda as regiões superior (S) e inferior (I) do médiolitoral, cada uma com três réplicas, sendo delimitadas por um quadrante de 0.25m², enquanto as larvas de P. gracilis foram obtidas em arrastos por uma rede cônico-cilindrica na água sub-supercial. Foram totalizados 2.253 caranguejos, distribuídos em 6 famílias e 14 espécies. Análises multivariadas mostraram que a composição diferiu entre zonas, perfis, regiões do médiolitoral e períodos do ano, sendo a zona mais salina, a margem de maior erosão, o mediolitoral superior e a estação chuvosa os de maior densidade e homogeneidade. Os padrões de distribuição espaço-temporal das espécies são discutidos. Larvas e adultos de P. gracilis seguem um padrão similar de distribuição da densidade, caracterizados pelos maiores valores nas zonas de maior salinidade, no perfil de maior deposição e no período chuvoso, apesar da ausência de diferenças significativas no último. A ocorrência de fêmeas ovígeras é restrita a apenas seis meses, sendo majoritária no período chuvoso, contudo a presença de larvas durante todo o ano indica reprodução contínua. A espécie ocupou exclusivamente a porção superior do mediolitoral. A distribuição de frequência de largura da carapaça apresenta distribuição unimodal e normal, sem distinção entre os sexos. A proporção sexual não difere significativamente do esperado de 1:1. O estuário de Marapanim apresentou grande potencial ecológico para o estabelecimento das populações de Brachyura, corroborando a hipótese que a salinidade, as chuvas e a zonação são fatores importantes na estruturação dessas comunidades. P. gracilis apresenta população estável e utilizando o estuário para a reprodução, desenvolvimento das fases planctônicas e bentônicas e responde as condições ambientais através de flutuações de abundância e padrões distintos de distribuição no espaço e no tempo.
2013
Descrição
  • WALTER HUGO DIAZ PINAYA
  • A PESCA DE MULTIESPÉCIES DE REDE NA MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS E SUAS RELAÇÕES COM A VARIABILIDADE CLIMÁTICA REGIONAL E GLOBAL
  • Data: 18/11/2013
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  • Resumo. O objetivo deste trabalho é estudar a variabilidade espaço-temporal da captura dos principais recursos pesqueiros no rio Amazonas e lagos do Baixo Amazonas, assim como relacionar a CPUE (Captura por Unidade de Esforço) com anomalias das variáveis do sistema rio-atmosfera-oceano, determinando a influência do ambiente sobre a pesca ou capturabilidade desses recursos. Os dados sobre pesca foram coletados nos desembarques das regiões pesqueiras de Obidos, Santarém e Monte Alegre, localizados no Baixo Amazonas, de janeiro de 1993 à dezembro de 2004. Foram empregadas técnicas de correlação cruzada, ondeleta, ondeleta cruzada, análise de variância (ANOVA), análise de correspondência destendenciada (DCA), análise de redundância (RDA) e modelo aditivo generalizado (GAM) para análise das séries temporais. A Amazônia tem alta entropia em escalas sazonais e interanuais. A vazão do rio é altamente correlacionado com fenômenos El Niño - Oscilação Sul (ENOS). Entretanto, este estudo demonstra que a dinâmica do ciclo hidrológico da Bacia Amazônica é dependente de outros fenômenos que atuam não só sobre a variabilidade sazonal, mas também em escalas de tempo mais longos, como os períodos interanuais e quasi-decadal. Isto é especialmente relevante durante a estação seca, quando há uma contração do ambiente aquático e uma escassez de alimentos disponíveis neste ambiente. As variáveis ambientais ou um conjunto delas agem de maneira distinta sobre os estoques pesqueiros e o sucesso das capturas de cada área de pesca estudada. Apesar da pesca covariar com as variáveis ambientais em escala anual, bianual e interanual, seu tempo de resposta mais intenso ocorre em uma escala infra-anual, indicando que as variações sazonais afetam fortemente o sucesso das pescarias. A produção pesqueira no Baixo Amazonas apresenta diferenças de acordo com o ambiente, sendo no rio aproximadamente a metade do que a produção em lagos de várzea. Essa variabilidade ocorre tanto ao longo da região do Baixo Amazonas (gradiente longitudinal) como lateralmente em cada município estudado (gradiente latitudinal). No Baixo Amazonas, a produção pesqueira no rio Amazonas é aproximadamente a metade que a produção em lagos na várzea. A constante mudança da paisagem na várzea amazônica tem indicado que as áreas de pesca e consequentemente os estoques pesqueiros estão mais vulneráveis as mudanças climáticas locais, regionais e globais. Os resultados devem ajudar em futuras políticas de gestão pesqueira que visem proteger ictiofauna e os diversos ecossistemas aquáticos.
  • FABIOLA SEABRA MACHADO
  • ICTIOFAUNA DE POÇAS DE MARÉ AO LONGO DO LITORAL DO BRASIL: UMA ANÁLISE LATITUDINAL
  • Data: 30/08/2013
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  • RESUMO Padrões de distribuição espacial da fauna terrestre e aquática podem ser influenciados por diversos fatores ambientais regionais e locais. As variáveis ambientais, como, por exemplo, a temperatura e a latitude, normalmente, explicam padrões de distribuição de espécies com elevada mobilidade e com ampla distribuição, como os peixes. No entanto, outras variáveis ambientais e de paisagem também interferem na distribuição das espécies de peixes em diferentes escalas geográficas. O presente estudo teve como objetivo investigar os processos de distribuição da ictiofauna de poças de maré com substrato rochoso, entre as latitudes 00° e 22°S, em um trecho de 4.900 km do litoral Brasileiro. O total de 21 locais de coleta foram amostrados utilizando um protocolo padronizado. Com base em características ambientais, a área de estudo foi dividida em quatro biorregiões, sendo estas: Estuário Amazônico (EA), Manguezal do Norte (MN), Nordeste Semiárido (NS) e Atlântico Tropical (AT). Em cada local, durante o período de maré baixa, foram escolhidos, aleatoriamente, oito poças de maré, totalizando 168 amostras. Um total de 5.113 espécimes de peixes foram capturados, distribuídos em 30 famílias e 74 espécies. A composição da ictiofauna variou entre as biorregiões e os locais amostrados, sendo que entre os locais houve uma maior variabilidade. As categorias ambientais que melhor explicaram a distribuição da composição da ictiofauna foram a paisagem (25% da variação da composição da fauna explicada) seguida pelo substrato (19%). Um total de 19 variáveis ambientais influenciou na distribuição da ictiofauna entre as latitudes 00° a 22°S. As variáveis: tamanho da plataforma continental, porcentagem da cobertura algal, orientação do afloramento rochoso (razão Ortogonal - L1/Paralelo - L2) e a amplitude de maré foram as que mais contribuíram na distribuição da fauna de peixes. Ao longo do litoral, a riqueza relativa da ictiofauna (n° de espécies/m3) apresentou uma relação positiva com o tamanho da plataforma continental. A espécie com maior distribuição foi Bathygobius soporator, ocorrendo em 19 dos 21 locais amostrados. Lupinoblennius paivai ampliou o seu registro de ocorrência em 3.030 km. Para seis espécies de peixes foi determinado pela primeira vez as relações de peso-comprimento e comprimento-comprimento. Os resultados deste estudo indicam que a composição da ictiofauna de poças de maré, entre as latitudes 00° e 22°S, possui tanto variabilidade local quanto entre as biorregiões.
  • ANA CAROLINA BORGES DE ANDRADE
  • Histopatologia do fígado de piranhas (Serrasalmus spp.) como biomarcador da qualidade da água de uma área de mineração.
  • Data: 10/05/2013
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  • Resumo A ocorrência do mercúrio (Hg) em ambientes aquáticos da Amazônia é considerada por muitos autores de origem natural, com suas concentrações iniciais geralmente não tóxicas, porém em altas concentrações eleva progressivamente a níveis subletais e letais. Substâncias tóxicas nos ecossistemas aquáticos são capazes de interagir com o organismo vivo causando múltiplas alterações que podem gerar graves consequências desde nível molecular até ecossistêmicos, o que varia de acordo com o grau de contaminação e o tempo de exposição. O rio Itacaiúnas, principal acidente geográfico da Serra de Carajás, percorre uma área de intensa atividade de extração mineral, recebendo ao longo dos anos efluentes industriais carregados de substâncias que podem se acumular na coluna d’água, no sedimento e nos peixes. Assim, objetiva-se analisar alterações histopatológicas do fígado de Serrasalmus spp. (piranha) e relacioná-las com a concentração de Hg nos tecidos muscular e hepático de Serrasalmus spp. (piranha) e no sedimento de fundo, como instrumento de avaliação da qualidade da ambiental do rio Itacaiúnas, Carajás/PA.
  • MARLLEN KARINE DA SILVA PALHETA
  • Participação e Conhecimentos Femininos na Inserção de Novas Espécies de Pescado no Mercado e na Dieta Alimentar dos Pescadores da RESEX Mãe Grande em Curuçá/PA.
  • Data: 30/04/2013
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  • RESUMO Este trabalho tem como objetivo principal descrever como o conhecimento tradicional da mulher marisqueira e pescadora de rio e mar, da localidade de Caratateua, RESEX Marinha Mãe Grande de Curuçá - PA, contribui na inserção e comercialização no mercado de novas espécies de pescado. Para tanto, o trabalho utiliza uma metodologia quali-quantitativa , dispondo de dados que apontam para um quadro de escassez das espécies há muito apreciadas no mercado local, assim como apresenta o conhecimento tradicional feminino sobre as espécies chaves que compõe a dieta dos pescadores como uma das formas de inserção de novas espécies no mercado local. O trabalho descreve, ainda, as espécies que foram inseridas no sistema a partir do conhecimento feminino. A coleta dos dados ocorreu no período de março a agosto de 2012. As técnicas metodológicas foram entrevistas semiestruturadas e observação participante. Para caracterizar a comunidade socioeconomicamente foram aplicados 76 questionários junto aos moradores. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas com as pescadoras/marisqueiras da comunidade, sendo aplicados 10 questionários e no mercado do município de Curuçá foram aplicados 9 questionários junto aos vendedores de pescado. As entrevistas apresentaram as mudanças ocorridas ao longo dos anos, evidenciando a escassez das espécies tradicionais, tanto da mesa do pescador quanto do mercado consumidor. Salienta, especialmente, como a mulher apresenta um papel fundamental na inserção de novas espécies em ambos os setores, por haver uma maior percepção acerca dos recursos naturais disponíveis ao consumo.
  • ALINE LEMOS GOMES
  • BIODIVERSIDADE E DENSIDADE DE CIANOBACTÉRIAS EM UMA REGIÃO PORTUÁRIA E INDUSTRIAL NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO, PARÁ, BRASIL
  • Data: 29/04/2013
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  • RESUMO As cianobactérias desempenham um importante papel nos processos funcionais do ecossistema e na ciclagem de nutrientes, habitando os mais diferentes ecossistemas entre eles o estuarino. Em determinadas condições ambientais (eutrofização) podem formar florações, liberar toxinas, havendo a necessidade do constante monitoramento. Sendo assim, este estudo teve como finalidade conhecer a estrutura da comunidade de cianobactérias e correlacionar as variáveis ambientais com a composição e com a densidade destes organismos em um estuário com influência de área portuária e industrial no estado do Pará, Amazônia brasileira. As coletas foram realizadas no período de janeiro de 2009 a agosto de 2010, durante as marés enchente e vazante em seis drenagens: rios Pará, Arrozal, Murucupi, Dendê, Arapiranga e Arienga. No Rio Pará, foram definidas três estações de amostragem (RPA 1, RPA 2, RPA 3), nos meses de abril e julho de 2009, abril e agosto de 2010. Nas drenagens menores, foram estabelecidas duas estações de amostragem (cabeceira e foz) distribuídas nos rios Arrozal (ARZ 1, ARZ 2), Murucupi (MUR 1, MUR 2), Dendê (DEN 1, DEN 2), Arapiranga (ARP 1, ARP 2) e Arienga (ARI 1, ARI 2) nos meses de janeiro, abril, julho e outubro de 2009. As amostras destinadas ao estudo qualitativo foram obtidas com rede de plâncton (20 µm) e analisadas em microscópio óptico. Já as amostras quantitativas e à quantificação da clorofila-a foram coletadas amostras na superfície da coluna água sendo analisadas em microscópio invertido e espectrofotômetro, respectivamente. O levantamento taxonômico realizado nas drenagens Pará, Arrozal, Murucupi, Dendê, Arienga e Arapiranga esteve composto por 39 espécies, das quais 30 ocorrendo no rio Pará, com espécies da ordem Chroococcales se destacando em termos de riqueza. Os gêneros Aphanocapsa, Dolichospermum, Microcystis, Pseudanabaena, Komvophoron e Merismopedia constituíram espécies muitos freqüentes ao longo do período estudado, sendo que os quatro primeiros gêneros sãos descritos na literatura como potenciais produtores de toxinas. As densidades de cianobactérias para o rio Pará foram mais elevadas durante o período de menor precipitação, apresentando também uma variação inter-anual, com os maiores valores sendo encontrados durante o ano de 2010. Enquanto que entre as demais drenagens, a composição ficológica, a densidade e a biomassa só foram observadas variações entre os meses analisados, não apresentaram diferenças entre drenagens ou sazonal. As correlações demonstraram que a dinâmica de cianobactérias foi influenciada principalmente pelo pH e temperatura. Assim, os resultados obtidos representaram um primeiro registro sobre a dinâmica de variação das cianobactérias e os fatores que as influenciam, fornecendo subsídio para estudos posteriores na região amazônica.
  • CELLY JENNIFFER DA SILVA CUNHA
  • Variação Espacial e Temporal do Fitoplâncton do Reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí – Pará, Brasil.
  • Data: 26/04/2013
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  • RESUMO Os reservatórios são ecossistemas artificiais complexos e dinâmicos, com interações entre seus componentes estruturais, físico-químicos e biológicos que, em conjunto respondem de maneira rápida a qualquer alteração em seus mecanismos de funcionamento. A comunidade fitoplanctônica por ser sensível a qualquer tipo de alteração no ambiente é uma excelente indicadora da qualidade ambiental dos ecossistemas aquáticos. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi caracterizar taxonomicamente a comunidade e identificar padrões de variação espacial e temporal da densidade e biomassa fitoplanctônica no gradiente horizontal e vertical do Reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (Pará, Brasil). As amostras foram coletadas em dois períodos sazonais de maior e menor precipitação pluviométrica (Fevereiro e Julho) no ano de 2011, respectivamente, em seis locais de amostragem, onde foram realizados três extratos verticais com três réplicas para cada extrato para as amostras quantitativas e de clorofila a. Para a obtenção do material qualitativo foram realizados arrastos horizontais com rede de plâncton de 20 e 64 µm, sendo fixado com Solução Transeau e para as amostras quantitativas foi realizada a coleta da água com auxilio da garrafa de Van Dorn e o material foi fixado em solução de Lugol Acético. A mesma metodologia de coleta foi aplicada para a obtenção das amostras de clorofila a, porém sem fixador. A comunidade fitoplanctônica esteve representada por 286 espécies distribuídas em 12 classes e 85 gêneros, sendo Zygmatophyceae a classe mais representativa. Houve uma diferença na riqueza de espécies em relação aos períodos sazonais. Com relação à densidade da comunidade, os maiores valores foram encontrados para o período seco, sendo que a classe que mais contribuiu para a densidade total foi a Cyanophyceae com 59, 38%. Vale ressaltar que a espécie do gênero Geitlerinema foi a que mais se destacou contribuindo com 80,56% para a densidade total da classe. Em relação à diversidade e equitabilidade, foi observada alta diversidade em 100% do total das amostras, sendo os menores valores encontrados para o período chuvoso. Enquanto que para a clorofila a, os menores valores foram encontrados para o período seco. Diante da importância do desenvolvimento de pesquisas de abordagem ecológica com ênfase no desenvolvimento estrutural e dinâmico da comunidade fitoplanctônica, o presente estudo visa o melhor entendimento na relação entre alguns fatores ambientais e o desempenho da distribuição destes organismos sazonalmente e ao longo da coluna d’água (verticalmente).
  • JERONIMO CARVALHO MARTINS
  • SELETIVIDADE DE CAPTURA, DINÂMICA POPULACIONAL, ANÁLISE DE ESTOQUE E SUSTENTABILIDADE DA PESCA DE Hemiodus unimaculatus (BLOCH, 1794) A MONTANTE DA BARRAGEM DE TUCURUÍ, BRASIL
  • Data: 23/04/2013
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  • RESUMO Hemiodus unimaculatus (Bloch, 1794) está entre as principais espécies desembarcadas na área de influência da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHE Tucuruí), contudo são poucas as informações existentes sobre a pesca e biologia da espécie na área. Logo, o trabalho se propõe a verificar a mudança espaço-temporal, determinar as curvas de seletividade das redes utilizadas e calcular alguns parâmetros da dinâmica populacional de H. unimaculatus. O local de estudo corresponde à área localizada a partir da barragem da UHE Tucuruí, compreendendo reservatório (zona de inundação) e montante. As coletas foram efetuadas trimestralmente nos anos de 2001, 2003, 2005, 2006 e 2007 e semestralmente nos anos de 2002 e 2004, em cinco locais no reservatório e dois na montante, utilizando bateria de redes de emalhar de 50 m de comprimento e 3 m de altura, com malhas de 40, 60, 80 e 100 mm entre nós opostos. O teste de Kruskal-Wallis foi utilizado para comparar o comprimento total e o peso dos espécimes ao nível de significância de 5%; a variação espaço-temporal foi determinada pela análise de Cluster e pelo SIMPER; a seletividade pela construção das curvas de seleção; e os aspectos populacionais com o auxílio do programa FISAT II. Os resultados demonstraram que as fêmeas são maiores e mais pesadas que os machos. No período inicial (2001+2003) a espécie dividia a área de estudo em zona de desova e crescimento, enquanto no período final (2005+2007) não havia diferença quanto o uso do espaço. A malha de 60 mm é a mais indicada para a pesca, considerando a captura de 50% de indivíduos adultos. A proporção sexual de 1,44:1 foi favorável as fêmeas (χ2c = 28,86; p < 0,0001). As relações peso total/comprimento total apresentaram correlação positiva, diferindo entre os sexos (t = 2,18; p = 0,031), sendo que os machos exibiram crescimento alométrico positivo e as fêmeas alométrico negativo. O fator de condição não foi diferente entre os pontos de coleta, portanto a espécie utiliza toda a área de estudo como zona de alimentação. Os parâmetros de crescimento de von Bertalanffy foram L∞ = 358 mm, k = 0,55 ano-1 e t0 = -0,15 ano. As médias de mortalidade total e natural foram de 3,52 ano-1 e 0,7 ano-1, respectivamente. A taxa de explotação foi estimada em 0,8 e o rendimento por recruta mostrou que a taxa de exploração do estoque de H. unimaculatus deve ser reduzida em 46,25% para manter o recrutamento e a desova. Assim, com todas as informações geradas, é possível notar que as mudanças na estrutura e dinâmica espaço-temporal de H. unimaculatus são um processo de adaptação contínuo e o manejo pesqueiro adequado se torna essencial para a preservação da espécie. Para atingir esse objetivo, faz-se necessário rever a legislação pesqueira atual, buscando uma otimização do tamanho de malha para a captura da espécie, diminuir a taxa de exploração e monitorar regularmente a seletividade e os parâmetros populacionais.
  • VALDIMERE FERREIRA
  • BIODIVERSIDADE E VARIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA ABUNDÂNCIA DAS POPULAÇÕES DE CAMARÕES E ESTRUTURA POPULACIONAL DE Farfantepenaeus subtilis (Pérez-Farfante, 1967) (PENAEIDAE) EM UM ESTUÁRIO DO LITORAL AMAZÔNICO BRASILEIRO
  • Data: 22/04/2013
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  • RESUMO Foram estruturados dois artigos, que abordam as seguintes temáticas: 1) A densidade e a biomassa dos camarões foram correlacionadas às variáveis ambientais (temperatura, salinidade e pH da água, profundidade da coluna d’água granulometria e matéria orgânica do sedimento) com o intuito de explicar qual ou quais variáveis influenciam significativamente a distribuição espaço-temporal das populações destes crustáceos no Estuário de Marapanim (PA), Amazônia brasileira e 2) A estrutura populacional de Farfantepenaeus subtilis (camarão-rosa do norte do Brasil) foi determinada calculando-se a razão sexual, a distribuição de freqüência em classes de tamanho e estimando-se o período de recrutamento de juvenis ao Estuário de Marapanim (PA), dados inéditos na literatura. Como objetivos específicos, estimou-se a biodiversidade de camarões encontrada no Estuário de Marapanim (PA) em diferentes ambientes das regiões intertidal e subtidal (Perfis A e B; setores Médio-Superior, Médio e Inferior); relacionou-se a abundância aos períodos seco e chuvoso e às regiões intertidal e subtidal (Perfis A e B; setores Médio-Superior, Médio e Inferior) e correlacionou-as aos fatores ambientais (temperatura e salinidade da água, granulometria e matéria orgânica do sedimento); investigou-se a época de recrutamento de juvenis e a frequência de adultos de F. subtilis no estuário verificando também a proporção sexual e a distribuição de frequência em classes de tamanho e; investigou-se os estágios gonadais de F. subtilis através da análise do estádio de desenvolvimento gonadal de fêmeas e machos.
  • ANA PAULA BAÊTA FERNANDES
  • SUCESSO REPRODUTIVO DO TRACAJÁ (Podocnemis unifilis) (TESTUDINES, PODOCNEMIDIDAE) NO RIO XINGU, PARÁ, BRASIL
  • Data: 27/03/2013
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  • Resumo As características do ambiente selecionado para oviposição tem importante efeito na probabilidade de sucesso da prole. O objetivo desta pesquisa foi investigar a distribuição espacial e as causas das perdas de ovos e filhotes de P. unifilis, na região do médio e baixo rio Xingu e rio Bacajá, Pará, Brasil, para avaliar como as características dos ambientes selecionados pelas fêmeas para a desova afetam na probabilidade de sobrevivência e na taxa de eclosão dos filhotes. As desovas de P. unifilis foram monitoradas nos trechos do médio Xingu (áreas 1, 2 e 3) e rio Bacajá (área 4) no período de 02 a 21 de setembro de 2008, durante quatro dias em cada região, e no trecho do baixo Xingu (área 5) de 17 a 27 de outubro de 2008, com um total de 10 dias de coleta. Para cada ninho encontrado, foram registradas as características ambientais locais além dos eventos de eclosão, emergência e perda de ninhos. Foram monitorados 309 ninhos, sendo 28 deles localizados em sete praias na região do Iriri, 32 em oito praias no trecho Iriri-Altamira, 67 em 25 praias na Volta Grande, 57 em 20 praias no Bacajá e 125 em seis praias no Tabuleiro. Foram detectados quatro diferentes ambientes de desova: praias, sarobais, barrancos e folhiço. Foi verificado que o período de postura teve início a montante da área de estudo, seguindo a descida do rio Xingu, até a região do Tabuleiro, área a jusante do estudo. O tamanho da ninhada registrada no estudo foi bem abaixo do encontrado em outros estudos com P. unifilis. As regiões diferiram significativamente quanto à profundidade, altura em relação à cota do rio, distância da margem do rio e da vegetação, inclinação dos ninhos e taxa de eclosão. Nos ninhos das quatro regiões do médio Xingu houve influência da profundidade e da altura dos ninhos sobre a taxa de eclosão. Já no Tabuleiro, essa influência foi relacionada ao período de postura. Do total de ninhos monitorados, 170 (55%) foram perdidos, e os ninhos com desenvolvimento completo apresentaram uma taxa de eclosão média de 82%. A principal causa de perda foi a coleta de ovos, seguida da predação, alagamento, chuva e invasão na câmara de ovos por raízes de vassourinha. A perda por alagamento e pela chuva ocorreu apenas na região do Tabuleiro. O estudo apresentou diferenças em relação a outros realizados com P. unifilis, o que demonstra a grande influência do ciclo hidrológico e das características ambientais de cada local na reprodução da espécie.
  • RAFAEL PAIVA DE OLIVEIRA DIAZ
  • AS POPULAÇÕES PESQUEIRAS E A MARICULTURA: UM OLHAR SOBRE OS ROCESSOS DE DIMINUIÇÃO DOS RECURSOS PESQUEIROS NO LITORAL PARAENSE – RESEX MÃE GRANDE DE CURUÇÁ
  • Data: 07/03/2013
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  • RESUMO Este trabalho disserta sobre como as populações pesqueiras do litoral paraense, a partir do acesso e uso dos recursos naturais, podem contribuir para a efetivação de estratégias exitosas na diminuição da pressão sobre os recursos naturais de uso comum. Para tanto o trabalho se volta à vila de Lauro Sodré, localizada na RESEX Mãe Grande de Curuçá, Município de Curuçá, litoral nordeste do Pará. A vila de Lauro Sodré se encontra às margens do Rio Tijoca. Possui uma vegetação composta por florestas de manguezais exuberantes, o que proporciona à comunidade a atividade de extração de recursos do mangue, além de condições favoráveis à maricultura, que se estabeleceu a partir de 2006, com a criação da Associação dos Aquicultores da Vila de Lauro Sodré (Aquavila) para o cultivo de ostras. Para a coleta de dados o estudo contou com a observação direta em campo das atividades de maricultura, assim como fez uso de questionários com perguntas objetivas e entrevistas semi-estruturadas junto aos associados, no que se refere à extração e cultivo das ostras. A maricultura vem sendo utilizada como uma das estratégias adotadas pela Fundação das Nações Unidades para a Agricultura e Alimentação (FAO), para frear a pressão sobre os recursos marinhos de uso comum em todo o mundo. Objetivou-se neste estudo contribuir para uma reflexão sobre como as populações do litoral amazônico, a partir de suas relações com a natureza, constrói processos produtivos exitosos ou não para frear a diminuição dos recursos pesqueiros da região. Foi possível observar quanto é diverso e complexo o cenário da utilização dos recursos comuns no Município de Curuçá, mais especificamente na vila de Lauro Sodré, na RESEX Mãe Grande de Curuçá. Apresentaram-se como principais dificuldades para a efetivação do cultivo, a disponibilidade de recursos na natureza favorecendo o extrativismo e a falta de incentivo por parte do Estado. É possível perceber que estão intrínsecos ao modo de vida dos moradores locais os saberes e técnicas indispensáveis para que a maricultura se consolide como uma estratégia eficaz para frear a exploração dos recursos marinhos no litoral paraense.
  • CAROLINA DE NAZARE ALEIXO FIDELLIS
  • A pesca de curral no município de São Caetano de Odivelas-PA
  • Data: 22/02/2013
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  • RESUMO A pesca de curral é uma das artes de pesca mais tradicionais e produtivas da costa paraense e com uma produção que chega a representar 10% da produção pesqueira do Nordeste paraense (Santos et al., 2005). Sua produtividade depende tanto do modo como o curral é feito quanto do local onde é instalado. Para a realização desse trabalho, 12 currais de pesca foram selecionados em relação ao tipo (coração, enfia e cachimbo), ao local de instalação (“de beira” ou “de fora”) e ao tipo de ambiente em que se encontra (beira de rio, beira de praia e banco de areia), foram georreferenciados e tiveram sua produtividade pesqueira acompanhada durante o período de safra (junho, julho e agosto) de 2012. Na comunidade de São João de Ramos, foram monitorados 3 currais de beira do tipo coração, instalados as margens do rio Paruipema, e 3 currais de fora do tipo enfia, instalados em bancos de areia nas praias do rato e do marinheiro. Na comunidade do Aê, foram monitorados os 6 currais classificados como currais de beira, sendo 3 do tipo coração e 3 do tipo cachimbo, e todos se encontravam instalados na praia Ponta de Itaipu. Foram capturados 4.274 indivíduos, distribuídos em 9 ordens, 20 famílias e 43 espécies de peixes. A ordem Perciformes foi a que apresentou o maior número de famílias (10 famílias ou 50% do total), o maior número de espécies (19 ou 44%) e o maior número de indivíduos (3.190 ou 75% do total). As famílias Sciaenidae e Ariidae são as mais abundantes na região tanto em número de espécies quanto em indivíduos. A família Sciaenidae foi a que apresentou o maior número de indivíduos (2.855 ou 67%), mas apresentou menos espécies (8 ou 19%) que a família Ariidae, com 10 espécies ou 23% do total. Das 43 espécies capturadas, as quatro mais representadas foram: Macrodon ancylodon (51%), Arius couma (9%), Cynoscion virescens (9%) e Mugil incilis (4%). A comparação da captura entre os currais e localidades ao longo dos meses de monitoramento indicou que a produção total dos currais diferiu entre os tipos de currais associados com sua localidade. ABSTRACT The corral is one of the most traditional and productive fishing gear from the coast of Pará. Its production reaches about 10% of fisheries production of Northeastern of Pará (Santos et al., 2005). The fishing productivity depends on the type of the corral and as the place where it is installed. To achieve this work, 12 fishing corrals were selected and classified according to the type (heart, shoves and pipe), the place of installation ("edge/brink" or "out") and the type of environment in which it is (riverbanks, the edge of the beach and sandbar/banks), were georeferenced and had its fishing productivity accompanied during the period of harvest (June, July and August) from 2012. In the community of San Juan de Ramos, were found roadside corrals 3 of type heart, installed on the banks of the Paruipema River, and 3 corrals out of type shoves, installed on sandbanks in the beaches mouse and of the sailor. In the community of Aê, were monitored 6 classified as corrals of the edge, 3 of type heart and 3 of type pipe, and all met installed in beach Ponta de Itaipu. 4.274 individuals were captured, distributed in 9 orders, 20 families and 43 species of fish. The order Perciformes was the one that presented the largest number of families (10 families or 50% of the total), the largest number of species (19 or 44%) and the largest number of individuals (3,190 or 75% of the total). Sciaenidae and Ariidae families are the most abundant in the region both in number of species and individuals. The Sciaenidae family was presented the highest number of individuals (2,855 or 67%), but had fewer species (8 or 19%) that the family Ariidae, with 10 species or 23% of the total. Of the 43 species caught, the four most represented were: Macrodon ancylodon (51%), Arius couma (9%), Cynoscion virescens (9%) and Mugil incilis (4%). The comparison of the catch between the Stockyards and localities over the months of monitoring indicated that the total production of corrals differed between the types of corrals associated with your location.
  • MARCELO COSTA ANDRADE
  • Revisão Taxonômica de Tometes Valenciennes, 1850 (Characiformes : Serrasalmidae) das drenagens do Escudo das Guianas, com descrição de uma nova espécie do gênero e uma visão geral sobre o grupo Myleus Müller e Troschel, 1844, peixes reofílicos habitat dependentes
  • Data: 21/02/2013
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  • RESUMO O gênero Tometes Valenciennes, 1850 foi descrito originalmente para abrigar a espécie tipo T. trilobatus, por apresentar dentes incisiformes bi a tricuspidados. No entanto, o gênero foi colocado como sinonímia de Myleus Müller e Troschell, 1844 onde ficou por aproximadamente um século e meio até a sua revalidação. A revalidação do gênero e da espécie tipo propiciou na descrição de mais duas espécies, T. lebaili e T. makue. Todas as espécies de Tometes são estritamente reofílicas e ocorrem exclusivamente nas zonas encachoeiradas dos rios de escudo, biótopos complexos, frágeis e ameaçados por ações antropogênicas. No presente estudo, apresenta-se uma revisão taxonômica de Tometes com a descrição de uma nova espécie para a bacia do rio Trombetas, ampliando a diversidade e a área de distribuição do gênero. As conclusões deste estudo destacam o desafio urgente a compreensão das relações espécies/habitat
2012
Descrição
  • ROBERTA SA LEITAO BARBOZA
  • Etnoecologia, pesca e manejo comunitário de quelônios aquáticos na várzea do Baixo rio Amazonas

  • Data: 13/11/2012
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  • RESUMO O presente estudo descreve, registra e compara estratégias de pesca e manejo comunitário de quelônios aquáticos em três comunidades da várzea de Santarém. Avaliouse também o consumo de quelônios, incluindo preferências, rejeições e tabus alimentares, e uso destes como recursos terapêuticos na medicina popular. As técnicas de pesca de quelônios empregadas foram descritas, compreendendo variações espacial e sazonal de uso e espécies capturadas e seletividade das técnicas fundamentadas nos saberes locais. Analisaram-se ainda o rendimento das pescarias e as relações entre investimento e retorno das mesmas. Os dados foram coletados entre junho de 2007 a julho de 2008. Realizaram-se conversas informais, acompanhamento das atividades pesqueiras e observação participante nas comunidades. Entrevistas semi-estruturadas também foram realizadas adotando-se o método recordatório alimentar, monitoramento do consumo anual de quelônios e recordações das últimas pescarias de quelônios. Os primeiros relatos de manejo de quelônios na Amazônia são datados da época do contato entre populações ameríndias e europeias. Na década de 70 ações do governo brasileiro foram implementadas fundamentadas no gerenciamento centralizado no poder do Estado. Hoje, práticas de comanejo de quelônios ocorrem em vários lugares na Amazônia, como nas comunidades Ilha de São Miguel, Costa do Aritapera e Água Preta. Mesmo pautados na demanda comunitária os manejos dessas três comunidades apresentam perspectivas diferenciadas em virtude do variado grau de experiência com sistemas de manejo comunitário. A Ilha de São Miguel já realiza o manejo de quelônios há cerca de 40 anos com certo grau de sucesso, enquanto na Água Preta o co-manejo vem sendo estabelecido há 22 anos de forma menos rigorosa e na Costa do Aritapera não se obteve êxito em sua recente implementação. De modo geral, a inclusão dos principais usuários dos recursos naturais em seu manejo ainda se constitui uma tarefa de difícil execução. O grande desafio para o manejo de quelônios e outros recursos da fauna cinegética na Amazônia é o reconhecimento legal de seu uso. O consumo de quelônios é uma tradição nraizada na cultura amazônica, entretanto é criminalizado, constrangendo a maior parte da população a assumir seu uso. Por ser considerada atividade ilegal não há estimativas da quantidade de animais explorados, tornando difícil a implantação de formas de manejo comunitário sustentáveis. Percebeu-se na dieta dos ribeirinhos desse estudo a participação de peixe como principal fonte de proteína animal, enquanto o consumo de quelônios registrado foi relativamente pequeno. Constataram-se diferenças quanto às espécies de quelônios consumidas. Em geral, tracajá (Podocnemis unifilis) (carne e ovos) configura-se como quelônio mais consumido nas três comunidades, sendo a pitiu (Podocnemis sextuberculata) (carne e ovos) consumida principalmente na Costa do Aritapera. As tartarugas (Podocnemis expansa) são pouco utilizadas, não houve registros de coleta de seus ovos, sendo sua carne consumida principalmente na Ilha de São Miguel. Tais variações podem estar relacionadas à combinação de fatores ecológicos e ao histórico do manejo presentes em cada comunidade. Não foram observadas diferenças culturais nas comunidades estudadas quanto ao uso de quelônios. Tartaruga é a espécie mais rejeitada, usada principalmente na medicina popular; tracajá e pitiu em geral são os quelônios preferidos, sendo os três considerados reimosos (animais sujeitos a tabus alimentares em algumas circunstâncias, como doenças, menstruação, gravidez e pós-parto). A espécie mais capturada foi o tracajá, seguindo-se a pitiu e em menor proporção a tartaruga. O tracajá é encontrado em vários ambientes, sendo coletado durante o ano todo nas três comunidades; pitius são capturadas principalmente na Costa do Aritapera no período da seca e da vazante, quando estão concentradas durante a migração ao saírem das áreas inundáveis em direção aos rios e às praias de desova, enquanto tartarugas são pescadas nos lagos protegidos da Ilha de São Miguel, na enchente e na cheia. As técnicas de pesca apresentam uso diferenciado em função do nível do rio. Os pescadores reconhecem tais variações sazonais, as quais aliadas a um conjunto de saberes locais são utilizadas na seleção das técnicas de pesca de quelônios. A pesca de quelônios é realizada em geral de modo oportuno, durante as pescarias de peixes. O rendimento das pescarias de quelônio foi maior quando estas não incluíram a captura de peixes e quando realizadas com uso da mão. O rendimento com base na CPUEN diferiu entre as comunidades estudadas e entre os períodos de pesca, porém não houve diferença significativa no rendimento das pescarias entre esses parâmetros quando a biomassa foi utilizada nos cálculos de CPUE. O pescador, em geral, não está preocupado em maximizar seu rendimento, já que a maior parte das pescarias não se destina a comercialização. O rendimento, desta forma, acaba refletindo mais o acerto de um bom local de pesca do que o esforço de deslocamento empregado na mesma.Quando a mancha era boa os pescadores gastavam pouco tempo, enquanto em manchas menos produtivas gastavam mais tempo. Alguns pontos a serem adotados com vistas à concretização e sucesso do manejo comunitário são sugeridos nesse estudo: (1) definição clara dos direitos de acesso aos recursos e das sanções em caso de infração dos acordos; (2) estabelecimento de programas de capacitação de lideranças comunitárias; (3) criação de um fundo comunitário para desenvolvimento de outras atividades econômicas e investimento na melhoria da qualidade de vida dos moradores e nas próprias ações envolvidas no manejo; (4) reconhecimento e uso do conhecimento ecológico local e do direito de se utilizar o recurso; (5) ampliação regional do modelo comunitário para outras áreas, considerando que algumas espécies realizam grandes migrações; (6) onitoramento das populações exploradas; (7) avaliação periódica da efetivação do manejo e seu papel para os moradores locais; (8) repartição dos beneficios entre os omunitários. No caso específico dos quelônios recomendam-se também a proteção de outros ambientes além das áreas de nidificação e a determinação de um sistema de cotas voltado ao aproveitamento de ovos que seriam perdidos com possibilidade de comercialização para criadores.

  • LUCIANA SANTOS DE MELO
  • USO DOS RECURSOS ALIMENTARES POR POPULAÇÕES QUILOMBOLAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
  • Data: 31/08/2012
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  • ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO A dissertação foi elaborada em formato de artigo, conforme formatação do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aquática e Pesca da Universidade Federal do Pará. No Capítulo Geral é apresentada uma revisão bibliográfica sobre os aspectos gerais do consumo de proteína animal em comunidades tradicionais de pescadores e caçadores e as características das atividades de extrativismo animal em diversos ambientes. Em seguida, apresentam-se os objetivos desta pesquisa que nortearam e serviram como base para a elaboração do próximo capítulo. O Capítulo 1 Apresenta características gerais das comunidades estudadas, sua dieta e suas formas de obtenção. O objetivo principal deste capítulo foi caracterizar o uso dos recursos naturais de origem proteica animal em comunidades quilombolas residentes em áreas da Reserva Biológica do Rio Trombetas e no seu entorno. Na etapa final da dissertação apresenta-se como este trabalho poderá ser útil para estudos futuros sobre consumo de proteína de origem animal em áreas de Unidades de Conservação com populações humanas residentes. O intuito social deste é preencher lacunas de conhecimento subsidiando estratégias de manejo dos recursos animais para conservação tanto da biodiversidade quanto das populações humanas que os utilizam.
  • JULIO CESAR SA DE OLIVEIRA
  • ECOLOGIA DA ICTIOFAUNA E ANÁLISE ECOSSISTÊMICA DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA DIRETA DA UHE COARACY NUNES, FERREIRA GOMES – AP
  • Data: 26/06/2012
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  • RESUMO O reservatório da UHE Coaracy Nunes no rio Araguarí está localizado entre os municípios de Ferreira Gomes e Porto Grande no estado do Amapá-Brasil, distando 200 km do Oceano Atlântico. A usina Coaracy Nunes foi a primeira hidrelétrica a ser construída na Amazônia brasileira, tendo suas obras iniciadas em 1967. O rio Araguari é o principal rio do estado do Amapá e representa fonte de geração de renda através da pesca, atividades agropecuárias em sua várzea, navegação, mineração, geração de energia e lazer. O presente estudo teve por objetivo avaliar as alterações impostas pela construção do reservatório da UHE Coaracy Nunes, através das assembléias de peixes de quatro áreas de influência direta desta usina. Para isso, no período de maio de 2009 a julho de 2010, foram realizadas coletas bimensais, de peixes, com redes de malhas padronizadas variando de 1,0 a 10,0 cm entre nós adjacentes e outras técnicas auxiliares. A partir destas coletas, no capítulo 1 foi verificado a composição, abundância (CPUEn) e biomassa (CPUEp) relativas da ictiofauna, eficiência amostral (curva do coletor, curva de rarefação e Jacknife) e descritores ecológicos de comunidades (riqueza, diversidade, equitabilidade e dominância) das assembléias das quatro áreas. Foram efetuadas análises de variância (ANOVA: bifatorial), Kruskal-Wallis, teste-T e Mann-Whitney para verificar se havia diferenças significativas dos descritores entre as áreas e períodos sazonais. Estas análises foram corroboradas por análises multivariadas de agrupamento (cluster), ordenamento (MDS), Anosim e Simper. No capítulo 2, os estados ecológicos das quatro áreas foram verificados utilizando como indicadores: curvas espécie abundância, curvas K-dominância e curvas ABC, assim como modelos espécie-abundância serie geométrica, log serie, log normal e broken stick, e modelo de regressão linear de espectros de tamanho. No capítulo 3, a estrutura trófica foi estimada a partir da categorização das espécies de cada área em 5 guildas: piscívora, onívora, detritívora, carnívora e herbívora. A abundância, biomassa e índices ecológicos destas guildas foram estimados e verificados suas variações espaço-temporais, por análises de variância (ANOVA: bifatorial e Kruskal- Wallis) e teste t. No capítulo 4, a dieta das espécies mais abundantes das assembléias de cada área foi verificada e suas variações espaço-temporais detectadas por análise de variância (ANOVA: bifatorial e Kruskal-Wallis). Também foram estimados a amplitude e sobreposição de nicho das espécies mais abundantes, assim como a existência de competição entre as espécies através de modelagem nula. No capítulo 5 foi realizada a avaliação ecossistêmica das quatro áreas através de modelos de fluxo de biomassa na rede trófica do ecossistema, usando como instrumento de modelação o software Ecopath. Essas análises tinham por objetivo descrever as variações dos atributos ecológicos que quantificam as propriedades de maturidade, estabilidade e resiliência ecossistêmica que pudessem refletir os estados ecológicos dessas áreas. O modelo incluiu compartimentos funcionais desde produtores primários até predadores de topo. No geral, todas as análises indicaram sensíveis alterações na ictiofauna atribuídas à implantação da UHE Coaracy Nunes, que se refletem nos três níveis de organização: ecossistema, comunidade (assembléia) e guilda. Os resultados indicaram a captura de 1.977 peixes distribuídos em 2 classes, 9 ordens, 23 famílias, 73 gêneros e 108 espécies. As curvas de acumulação de espécies e curvas de rarefação individualizadas demonstraram que houve suficiência amostral nas áreas Reservatório e Lacustre. Os resultados mostraram que a área Jusante foi mais rica, diversa e equitativa em relação às demais e que a sazonalidade não influenciou na variação destes índices. A abundância relativa (CPUEn) foi superior nas áreas Reservatório e Lacustre e a biomassa relativa (CPUEb) foi superior na área Jusante, não havendo diferenças sazonais para esses descritores em todas as áreas. As análises de agrupamento (cluster) e ordenamento (MDS) da ictiofauna permitiram identificar a formação de três assembléias distintas: Jusante, Montante e uma assembléia que compreende as áreas Reservatório e Lacustre, ratificando a similaridade dessas duas áreas. Os resultados das curvas whitakeplot, ABC e K-dominância, assim como o ajuste satisfatório do modelo broken stick e os padrões das currvas de espectro de tamanho para a assembléia da área à jusante indicam 15 que esta área foi a mais equilibrada em termos ecológicos. Nas áreas Lacustre e Reservatório, os resultados tanto do ajuste ao modelo série geométrica, quanto os resultados das curvas whitake-plot, ABC e K-dominância e o espectro de tamanho, assim como os resultados das curvas e ajustes ao modelo logserie e menor espectro de tamanho para a assembléia da área Reservatório, refletem que os peixes destas áreas, em sua maioria, são indivíduos pequenos com elevada dominância e baixa equitabilidade, caracterizando comunidades típicas de áreas impactadas. A estrutura trófica das assembléias de peixes das áreas represadas (Reservatório e Lacustre) foram formatadas em função do barramento do rio, que isolou e fragmentou o ambiente, determinando sua modificação física, impondo o estabelecimento de uma ictiofauna de espécies pré-adaptadas às condições ambientais de represamento, diferente, em parte, da estrutura da ictiofauna fluvial pré-barramento, destacando as piscívoras, onívoras e detritívoras, que foram as mais ricas e abundantes em função da disponibilidade, nas duas áreas, dos recursos alimentares de sua preferência. Os resultados demonstraram que as dietas das assembléias de todas as áreas foram similares quanto ao predomínio do consumo de peixes e detritos, seguidos de alimento vegetal alóctone, revelando um padrão com poucos nichos amplos e uma concentração maior de espécies com nichos mais estreitos. Contudo, o padrão de baixa amplitude trófica foi evidenciado pelo predomínio da guilda piscívora, somada às guildas detritívora e herbívora. A sazonalidade pouco influenciou na alimentação da maioria das espécies em todas as áreas. Os padrões comparativos da dieta entre as áreas Montante e Jusante com as áreas Reservatório e Lacustre indicam que a maioria das espécies das áreas represadas pertenciam às guildas piscívora, onívora e detritívora antes do barramento do rio, que colonizaram estes ambientes, influenciadas, principalmente, pela abundância dos recursos alimentares de suas preferências e das condições físicas ambientais favoráveis. Interações competitivas foram evidenciadas pelos modelos nulos, sugerindo que a competição também foi um fator importante na estruturação das assembléias. Ecossistemicamente, os quatro modelos de fluxo de biomassa representam ecossistemas com elevada produção primária oriunda da floresta ripária e algas filamentosas, que são utilizadas parcialmente. A cadeia trófica baseada em detrito apresentou ser mais importante que a que tem como base aprodução primária nas áreas Reservatório e Lacustre. A maioria dos fluxos ocorre nos compartimentos de níveis tróficos baixos. As propriedades ecossistêmicas da área Jusante indicam que este ambiente se encontra mais desenvolvido e maduro em relação aos outros, caracterizado por resiliência e entropia altas. As áreas represadas (Reservatório e Lacustre) apresentaram atributos ecossistêmicos que lhe conferiram características de menos resiliente e menos maduro que as áreas de rio. A área Montante apresentou um padrão intermediário de resiliência, estabilidade e maturidade. Esses resultados evidenciam que após quarenta anos da construção da barragem do reservatório de Coaracy Nunes, a fragmentação do ambiente proporcionou alterações ecossistêmicas negativas, refletidas nas assembléias de peixes das áreas acima do barramento e na análise ecossistêmica, evidenciando que a área jusante apresenta características de ambiente em bom estado ecológico, com baixa alteração de origem antrópica e capaz de suportar distúrbios.
  • ROBERTO VILHENA DO ESPIRITO SANTO
  • "Produtividade e rentabilidade da frota artesanal que captura serra, (Scomberomorus brasiliensis, Collette, Russo & Zavalla-Camin,1978), na costa norte do BrasilB
  • Data: 25/06/2012
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  • RASUMO O estado do Pará aparece como o segundo mais importante do Brasil em produção pesqueira com destaque para as pescarias de pequena escala, atuando em toda a costa norte. A serra (Scomberomorus brasiliensis), é uma espécie nerítica que forma cardumes com importância econômica nas pescarias do Pará. Com a finalidade de caracterizar a atividade de pesca de serra, foram acompanhados 561 desembarques ocorridos entre abril de 2008 e março de 2010, nos portos de Bragança-Pará. A produção de serra é sazonal e possivelmente está relacionada com processos migratórios reprodutivos e/ou alimentares da espécie. A maior duração das viagens de pesca, o aumento do número de embarcações e a quantidade de redes tem ocorrido e isso deve ter impacto sobre a exploração deste recurso. O crescimento do esforço de pesca aumentou o tamanho das redes ultrapassando o máximo permitido por lei. O aumento de produção média por viagem é resultado da exploração de áreas mais distantes, por barcos maiores, com uma maior quantidade de artes de pescas em viagens mais longas. As pescarias de serra são bastante seletivas e geram uma fauna acompanhante pouco volumosa. De janeiro a março, a serra tende a migrar para o hemisfério sul aumentando sua abundancia na costa norte brasileira e de julho a setembro, ocorre uma migração de retorno, diminuindo a disponibilidade deste recurso na costa norte. A formulação de estratégias de manejo e conservação para os estoques deste recurso são necessários, já que estes são compartilhados e explorados por frotas pesqueiras de diversos países.
  • CHRISTIAN NUNES DA SILVA
  • GEOTECNOLOGIAS APLICADAS AO ORDENAMENTO TERRITORIAL PESQUEIRO
  • Data: 12/06/2012
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  • RESUMO O presente trabalho pretende refletir geograficamente sobre a atividade pesqueira, apresentando algumas categorias de análise territorial que podem ser trabalhadas na pesca, levando em consideração os modos de vida dos pescadores; a abrangência territorial sob sua influencia da pesca e os mecanismos de representação espacial em ambiente computadorizado que estão disponíveis na atualidade, capazes de alcançar os padrões espaciais dessa abrangência. Esta análise partiu da consideração de que a atividade pesqueira é de extrema importância para o abastecimento dos centros urbanos, sendo a principal fonte de subsistência e de renda de populações de pescadores artesanais na região amazônica. Novos procedimentos metodológicos e processos tecnológicos têm engendrado à pesca uma significância cada vez maior, tanto pela aparente exaustão dos recursos, quanto pelo reconhecimento protéico e funcional, que os produtos pesqueiros têm ganhado nos últimos anos, como forma de alimentação adequada para a manutenção da qualidade de vida do consumidor. Dessa forma, o principal objetivo desse trabalho está em verificar e discutir sobre a viabilidade do uso de geotecnologias no atual modelo de ordenamento pesqueiro que se observa na região amazônica, buscando entender como esse ordenamento territorial na pesca pode integrar: geotecnologias; informações sobre equipamentos de pesca utilizados na captura do pescado; o conhecimento de pescadores e a legislação brasileira vigente. As pesquisas bibliográficas e de campo (na baía do Caeté e no rio Ituquara, estado do Pará), integradas aos trabalhos em laboratório, com utilização de técnicas de geoprocessamento sobre produtos do sensoriamento remoto permitiram mapear o momento dinâmico de algumas relações sócio-espaciais e estruturais por que passa a pesca, por isto, é importante o enfoque em mecanismos de auxilio ao ordenamento dos recursos pesqueiros. As tecnologias da chamada ciência da geoinformação, vem apresentando maior visibilidade nos estudos ambientais e por isto devem ser inseridas na atividade pesqueira como importante mecanismo de monitoramento, fiscalização e pesquisa em prol de manejos futuros. Palavras-chave: Ordenamento Territorial Pesqueiro, Geoinformação e Geotecnologias, Atividade Pesqueira na Amazônia. ABSTRACT The present work aims to reflect on the fishing activity geographically, with some categories of territorial analysis that can be worked in fishing, taking into consideration the livelihoods of fishermen, the territorial scope of its influence on fisheries and the mechanisms of spatial representation in environment computer that are currently available, capable of achieving the spatial patterns of coverage. This analysis was based on the consideration that the fishery is of utmost importance for the supply of urban centers, the main source of livelihood and income of populations of fishers in the Amazon region. New methodological procedures and technological processes have generated a significant fishing increasing both the apparent exhaustion of resources, and the recognition and functional protein, fish products that have gained in recent years, as a means of proper nutrition for the maintenance of quality of the consumer. Thus, the main objective of this study is to verify and discuss the feasibility of using geotechnology in the current planning model that can be seen fishing in the Amazon region, seeking to understand how this land use in fishing may include: geo; information about equipment fishing used to catch fish, knowledge of fishermen and the Brazilian legislation. Literature searches and field (in the Caeté bay and river Ituquara, Pará state), integrated to work in the laboratory, using geoprocessing techniques of remote sensing products allow mapping the dynamic moment of some socio-spatial relationships and structural by passing fishing, so it is important to focus on mechanisms of assistance to the planning of fishery resources. The technology called “geoinformation” science, has shown greater visibility in environmental studies and therefore should be included in the fishing industry as an important mechanism for monitoring, surveillance and research for the future management strategies. LÉ RESUME El presente trabajo tiene como objetivo reflectir sobre la actividad pesquera geográficamente, con algunas categorías de análisis territorial que se puede trabajar en la pesca, teniendo en cuenta los medios de subsistencia de los pescadores, el ámbito territorial de su influencia en la pesca y los mecanismos de representación espacial en el medio ambiente equipo que están actualmente disponibles, capaces de alcanzar los patrones espaciales de la cobertura. Este análisis se basó en la consideración de que la pesquería es de suma importancia para el abastecimiento de los centros urbanos, la principal fuente de sustento y los ingresos de las poblaciones de pescadores en la región amazónica. Los nuevos procedimientos metodológicos y procesos tecnológicos han generado un significativo aumento de la pesca tanto en el aparente agotamiento de los recursos, el reconocimiento y la proteína funcional, los productos pesqueros que han ganado en los últimos años, como un medio de una nutrición adecuada para el mantenimiento de la calidad del consumidor. Así, el objetivo principal de este estudio es verificar y analizar la viabilidad de la utilización de geotecnia en el modelo actual de planificación que se puede ver la pesca en la región amazónica, tratando de entender cómo este uso de la tierra en la pesca pueden incluir: la geoinformación sobre el equipo de pesca utilizado para capturar peces, el conocimiento de los pescadores y la legislación brasileña. La búsqueda bibliográfica y de campo (en la bahía del Caeté y el río Ituquara, estado de Pará), integrada a trabajar en el laboratorio, el uso de técnicas de geoprocesamiento de los productos de teleobservación permiten mapear el momento dinámico de algunas de las relaciones socioespaciales y estructural al pasar de pesca, por lo que es importante centrarse en los mecanismos de asistencia a la planificación de los recursos pesqueros. La tecnología denominada geociencias de la información, ha demostrado una mayor visibilidad en los estudios ambientales y por lo tanto debe incluirse en la industria pesquera como un importante mecanismo para el seguimiento, vigilancia e investigación de las estrategias de gestión futuras.
  • CRISTIANE VIEIRA DA CUNHA
  • DISTRIBUIÇÃO E ECOMORFOLOGIA DE NERITINA ZEBRA (BRUGUIERE, 1792) (MOLLUSCA: GASTROPODA:NERITIDAE), EM UM ESTUÁRIO AMAZÔNICO, PARÁ, BRASIL.
  • Data: 25/05/2012
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  • Resumo: A presente dissertação foi elaborada em formato de artigos e dividida em dois capítulos, conforme opção do regimento do programa de Pós Graduação em Ecologia Aquática e Pesca. Um Capítulo Geral é apresentado contendo uma revisão bibliográfica sobre os aspectos gerais do tema e as principais informações sobre a distribuição de organismos em regiões costeiras em substratos consolidados. Os principais padrões e processos atuantes neste habitat são apresentados, assim como o uso da morfometria geométrica como ferramenta para compreensão dos processos ambientais atuantes na morfologia da concha em moluscos. Em seguida é apresentado o conhecimento atual sobre a espécie alvo e os objetivos da pesquisa desenvolvida nesta dissertação. O Capítulo 1 apresenta os padrões de distribuição de Neritina zebra em substratos consolidados e a zonação deste no ambiente de entremarés em três localidades na costa do estado do Pará (Icoaraci, Mosqueiro e Colares). Neste capítulo é caracterizada a distribuição ontogenética (juvenis e adultos) da espécie em dois substratos dominantes (rocha e argilito) e a zonação em um gradiente vertical do entremarés. O Capítulo 2 apresenta as variações na plasticidade da concha de Neritina zebra em indivíduos adultos em relação aos diferentes locais amostrados. O objetivo deste capítulo foi verificar se os espécimes coletados apresentavam diferentes morfologias de concha em relação às condições ambientais encontradas nos locais amostrados utilizando-se a morfometria geométrica. No capítulo final são apresentadas as Conclusões Gerais e Perspectivas de continuidade de estudos com a espécie Neritina zebra para melhor compreensão de sua distribuição e como esta distribuição influência nas diferentes morfologias da concha.
  • CRISTIANE COSTA CARNEIRO
  • "Influência do ambiente de nidificação sobre a taxa de eclosão, duração de incubação e razão sexual em Podocnemis (reptilia, podocnemididae) no Tabuleiro do Embaubal rio Xingu, Pará".
  • Data: 14/05/2012
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  • RESUMO Nos quelônios, as características do ambiente de nidificação têm forte influência sobre a temperatura de incubação dos ovos e, consequentemente, sobre o sucesso reprodutivo. Foram investigados o efeito do ambiente de nidificação sobre a taxa de eclosão, a duração de incubação e a determinação sexual dos filhotes de Podocnemis expansa, Podocnemis unifilis e Podocnemis sextuberculata no Tabuleiro do Embaubal, rio Xingu, estado do Pará, Brasil, em 2007, 2008 e 2010. As praias foram monitoradas entre setembro e janeiro, com o acompanhamento dos ninhos marcados desde o dia de postura, em cada ciclo reprodutivo. As seguintes variáveis foram mensuradas: dia da desova, a profundidade final, a altura do ninho em relação ao nível da água no dia da desova a granulometria e a temperatura de incubação. A taxa de eclosão diferiu entre os anos para as três espécies. A duração de incubação variou entre anos apenas para P. sextuberculata. A razão sexual de P. expansa em 2007 foi 0.08 e em 2008 e 2010 todos os filhotes produzidos foram fêmeas. Para P. sextuberculata a razão sexual em 2007 foi 0.34, e em 2008 e 2010 foi 0.06. A razão sexual de P. unifilis em 2007 foi de 0.41, 0.65 em 2008 e 0.02 em 2010. Todas estas diferenças foram estatisticamente significativas. A altura do ninho com relação ao nível do rio apresentou correlação positiva com a taxa de eclosão das três espécies em 2008 e uma relação negativa com a taxa de eclosão de P. sextuberculata em 2010. O número de dias após o início das desovas influenciou a duração de incubação de P. sextuberculata e P. unifilis em 2008. A temperatura média, o número de horas/grau acima de 32°C e o tamanho do sedimento influenciou a razão sexual de P. expansa. Os resultados atestam para a variação no sucesso de eclosão, no desenvolvimento embrionário e na proporção sexual produzida entre os anos. Ainda, observou-se que a influência de variáveis microclimáticas dos sítios selecionados para desova, embora influenciem nas características térmicas e nas variáveis de interesse, podem variar de ano para outro. Recomenda-se o monitoramento continuado dos referidos parâmetros nas principais áreas onde se investe na proteção de sítios reprodutivos de quelônios.
  • LEONARDO FERNANDES DA PAIXAO
  • Estudo da Biologia reprodutiva de Crassostrea gasar (Adanson, 1757) no nordeste paraense
  • Data: 30/04/2012
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  • Resumo O presente estudo analisou o ciclo reprodutivo e estabeleceu a relação dos fatores abióticos com os estádios de desenvolvimento gonadal de Crassostrea gasar criadas no estuário amazônico. Foram coletados mensalmente cerca de 20 ostras no período de agosto de 2009 a dezembro de 2010. Os meses de coleta foram agrupados em quatro períodos sazonais (seco, transicional seco/chuvoso, chuvoso e transicional chuvoso/seco). No local da coleta foram mensurados in situ salinidade, pH, temperatura e oxigênio dissolvido. A gônada foi dissecada e submetida ao procedimento histológico.Um total de 351 animais foram coletados, sendo 190 fêmeas, 161 machos e 2 hermafroditas. Histologicamente machos e fêmeas foram classificados em quatro estádios gonadais: I- imaturo, II - em maturação, III - maturo e IV - desovado (fêmeas) e espermiado (machos). Dentre os fatores abióticos analisados apenas a salinidade e a precipitação pluviométrica apresentaram diferenças estatisticamente significantes durante o estudo. Houve correlação entre esses dois fatores e a maturação gonadal, sugerindo que esses fatores estejam influenciando na reprodução, visto que foram encontrados predominância de indivíduos maturos (III) no período chuvoso e transicional chuvoso/seco (baixa salinidade e alta precipitação pluviométrica). Nos períodos seco e transicional seco/chuvoso (alta salinidade e baixa precipitação) foram encontrados indivíduos nos estágios imaturo (I), em maturação (II) e desovado/espermiado (IV). Por conseguinte, para o cultivo é indicado que a coleta de sementes seja feita nos períodos seco e transicional seco/chuvoso.
  • KEILA RENATA MOREIRA MOURAO
  •  

    ABORDAGEM MULTICRITERIAL E INDICADORES ECOLÓGICOS E
    ECONOMICOS UTILIZADOS NA IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS
    PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA ICTIOFAUNA NO ESTUÁRIO
    AMAZÔNICO, BRASIL.

     

     

     

     

     

     

    ABORDAGEM MULTICRITERIAL E INDICADORES ECOLÓGICOS E ECONOMICOS UTILIZADOS NA IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA ICTIOFAUNA NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO, BRASIL

     

     

     

  • Data: 25/04/2012
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    18
    RESUMO
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem se
    consideradas como um único ambiente. Quanto a abordagem multicriteral adotada,
    não há precedentes para o estuário amazônico. Esta metodologia mostrou-se eficaz
    ao oferecer, através dos diferentes cenários, uma gama de opções que
    18
    RESUMO
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem se
    consideradas como um único ambiente. Quanto a abordagem multicriteral adotada,
    não há precedentes para o estuário amazônico. Esta metodologia mostrou-se eficaz
    ao oferecer, através dos diferentes cenários, uma gama de opções que
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    RESUMO
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem se
    consideradas como um único ambiente. Quanto a abordagem multicriteral adotada,
    não há precedentes para o estuário amazônico. Esta metodologia mostrou-se eficaz
    ao oferecer, através dos diferentes cenários, uma gama de opções que
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser
    RESUMO
    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço
    temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo
    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a
    estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3)
    utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como
    critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir
    áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As
    coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os
    anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a
    junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e
    tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e
    Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que
    corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12
    ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois
    aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A
    distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico
    e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá
    em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação
    aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os
    dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o
    canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número
    para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi
    maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e
    crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os
    indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa
    (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram
    prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.
    Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram
    uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da
    ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As
    metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,
    enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser

    RESUMO

    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo

    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3) utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12 ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo. Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo, enfatizando a  heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser  consideradas como um único ambiente. Quanto a abordagem multicriteral adotada, não há precedentes para o estuário amazônico. Esta metodologia mostrou-se eficaz ao oferecer, através dos diferentes cenários, uma gama de opções que permite ao tomador de decisões explorar a problemática da melhor forma possível ou então utilizá-la como parte integrante de um processo de tomada de decisão.

    Este estudo foi dividido em três etapas: (1) caracterização da distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e marinho (capítulo

    1); (b) utilização de descritores de comunidade como forma de determinar a estrutura da comunidade e o uso do habitat pela ictiofauna (capítulo 2) e (3) utilização dos descritores da comunidade estudados nos capítulos 1 e 2, como critérios na elaboração de indicadores (integrados em ambiente SIG) para definir áreas prioritárias e cenários para a conservação da ictiofauna (capítulo 3). As coletas da ictiofauna ocorreram no canal principal e nos canais de maré entre os anos de 2004 a 2011 nos períodos seco (julho a dezembro) e o chuvoso (janeiro a junho), utilizando-se, como artes de pesca, a rede de emalhe, rede de arrasto e tapagem, em três importantes zonas do estuário Amazônico: as baías de Guajará e Marajó e foz do rio Guamá. Foram capturados um total de 41.516 exemplares que corresponderam a uma ictiofauna composta de 136 espécies, 38 famílias e 12 ordens. A eficiência da amostragem foi consideravelmente boa, pois aproximadamente 90% da ictiofauna foi coletada em cada área de estudo. A distribuição espaço temporal da ictiofauna na área de transição do ambiente limnico e mesohalino, mostrou que a riqueza de espécies aumenta no sentido do rio Guamá em direção à baía do Marajó, juntamente com o aumento da salinidade. Em relação aos grupos funcionais tróficos, piscívoros (PV) e zoobentívoros (ZB) foram os dominantes em todas as áreas. Os descritores da comunidade revelaram para o canal principal, os maiores valores de abundância relativa em biomassa e número para a baía do Marajó. Em relação ao canal de maré, a abundância em biomassa foi maior para a baía do Guajará. O canal principal é utilizado para criadouro e crescimento de juvenil, com 90% dos indivíduos em estágio gonadal imaturo. Os indicadores diversidade do ambiente (DA), uso do habitat (UH), abundância relativa (CPUE), saúde do ambiente (SA) e relação com a pesca (RP), apresentaram prioridades de conservação considerada média e alta, ao longo da área de estudo.Assim como os cenários ecológicos e econômicos que, respectivamente, mostraram uma prioridade considerada média-alta e alta-muito alta de conservação da ictiofauna na porção mais ao norte da baía de Marajó e para o período seco. As metodologias aplicadas determinaram a importância ecológica da área de estudo,enfatizando a heterogeneidade entre as mesma e que portanto, não podem ser consideradas como um único ambiente. Quanto a abordagem multicriteral adotada, não há precedentes para o estuário amazônico. Esta metodologia mostrou-se eficaz ao oferecer, através dos diferentes cenários, uma gama de opções que permite ao tomador de decisões explorar a problemática da melhor forma possível ou então utilizá-la como parte integrante de um processo de tomada de decisão.

  • PAULO ARTHUR DE ABREU TRINDADE
  • Influência do ambiente de nidificação sobre a taxa de eclosão, duração de incubação e razão sexual em Podocnemis (reptilia, podocnemididae) no Tabuleiro do Embaubal rio Xingu, Pará
  • Data: 25/04/2012
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  • RESUMO A presente pesquisa tem a finalidade de contribuir para o conhecimento da biologia e ecologia trófica da espécie H. unimaculatus no rio Araguari, na área de influência da UHE Coaracy Nunes, Amapá, Brasil. A região de estudo corresponde a uma porção da bacia do rio Araguari. As coletas foram realizadas bimestralmente entre Maio de 2009 à Julho de 2010. Foram utilizadas baterias de redes de malhas (2; 2,5; 3; 4; 5; 6; cm entre nós opostos com 10 m de comprimento x 1,5 m de altura) e tarrafa (15 e 20 mm). As malhadeiras ficaram expostas por 17 h, com revistas a cada 3h. Os exemplares capturados foram conservados no gelo e fixados em formalina 10%. Os mesmos foram pesados (PT) e medidos (CT). O sexo foi identificado a partir da análise macroscópica das gônadas, onde foram pesadas e fixadas em formol 10%. Os estômagos foram pesados e conservados em álcool 70%. O ambiente foi caracterizado através de análises multivariadas. A estrutura em comprimento da população, relação peso-comprimento, proporção sexual, abundância e biomassa relativa foram avaliados. O local e período de reprodução, tamanho de primeira maturação e tipo de desova, também foram estudados. A ecologia trófica foi avaliada pela atividade alimentar, e conteúdo com matéria orgânica. Os itens alimentares foram analisados pelos métodos de frequência de ocorrência (Fi), grau de preferência alimentar (GPA) e índice alimentar (IAi). Os resultados obtidos mostraram que na área a jusante da represa e na área lacustre houve maior transparência da água, no reservatório predominou a profundidade e na montante houve valores maiores de pH. O comprimento médio foi 193.74 mm (80-258 mm ± 22.71 mm) e o peso médio foi de 70.90 g (10-160 g ± 23.99 g). Houve diferença significativa do comprimento em relação aos períodos do ano. O crescimento relativo da espécie foi alométrico negativo (b = 2.34). A proporção sexual foi de 2:1 a favor das fêmeas. A abundância e biomassa relativa foram maiores no reservatório e na área lacustre. A desova ocorreu entre os meses de novembro 2009 e janeiro 2010; preferencialmente os indivíduos desovam no reservatório e no lago. O tipo de desova é total e o tamanho de primeira maturação é a partir de 157.5 mm. A espécie tem hábito alimentar iliófaga-detritívora com tendência a onivoria. A estratégia alimentar é generalista, mas dominante para os itens fitoplâncton e detrito. A espécie H. unimaculatus, adaptou-se com sucesso ao represamento e ua dieta pode ter sofrido alteração frente às mudanças causadas pelo ambiente.
  • LUCIANA SOARES DA SILVA
  • DIVERSIDADE E DISTRIBUIÇÃO DO GÊNERO ALVANIA (MOLLUSCA, ASTROPODA: RISSOIDAE) NO LITORAL BRASILEIRO
  • Data: 13/04/2012
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  • RESUMO Os Rissoidae Gray, 1847 são compostos por conchas pequenas ou micro-conchas, abundantes nos mares de todo mundo. Uma grande diversidade das espécies desse grupo é encontrada nas zonas de maré baixa e ao longo do litoral, onde há a maior ocorrência de algas, rochas, corais e outros locais que fornecem abrigo, todavia muitos ocorrem também em zonas de mar profundo. Em Rissoidae, Alvania é um dos mais diversos quanto ao número de espécies, sendo frequentes as descrições ou re-descrições dentro desse gênero. O objetivo desse trabalho foi determinar a diversidade e a distribuição de Alvania, para assim descrever e ampliar o conhecimento sobre a fauna no litoral brasileiro, através das análises conquiológicas, além da distribuição geográfica e batimétrica das espécies desse gênero. Todo o material é proveniente de coleções de museus, campanhas oceanográficas e também de material coletado no segundo semestre de 2010 e em 2011. Anteriormente, foram listadas 7 espécies para a costa oeste do Atlântico, sendo que no presente trabalho três dessas espécies não foram encontradas. Foram analisados 3599 indivíduos pertencentes a dez espécies: Alvania auberiana (Orbigny, 1842); Alvania cancapae Bouchet & Warén, 1993; Alvania colombiana Rommer & Moore, 1988; Alvania faberi De Jong & Coomans, 1988; Alvania tarsodes (Watson, 1886), Alvania valeriae Absalão, 1993, além de quatro possíveis novas espécies: Alvania sp. nov. 1, Alvania sp. nov. 2, Alvania sp. nov. 3, Alvania sp. nov.4.
  • DANIELLE VIVEIROS CAVALCANTE BRAGA
  • BIOLOGIA E ECOLOGIA DO CAMARÃO DULCÍCOLA Macrobrachium surinamicum HOLTHUIS, 1948 (DECAPODA: PALAEMONIDAE) NO ESTUÁRIO GUAJARÁ, PARÁ, COSTA NORTE DO BRASIL
  • Data: 29/02/2012
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  • RESUMO Macrobrachium surinamicum é uma espécie de camarão do Atlântico cuja biologia ainda é pouco conhecida. Na Amazônia ele é frequentemente capturado como fauna associada à M. amazonicum, espécie predominantemente dulcícola amplamente comercializada na região amazônica pela pesca artesanal, atendendo as necessidades alimentícias e econômicas da comunidade ribeirinha. Com o objetivo de caracterizar a distribuição espaço-temporal do camarão dulcícola M. surinamicum na Baía do Guajará e Ilha de Mosqueiro, correlacionando a abundância desta espécie com fatores abióticos (temperatura e salinidade) e, além disso, investigar a estrutura populacional, as principais relações biométricas e elucidar alguns aspectos da reprodução desta espécie, foram realizadas expedições mensais na Baía do Guajará e na Ilha de Mosqueiro de maio/2006 a abril/2007. As amostragens foram realizadas com utilização de armadilhas conhecidas localmente como matapis. Um total de 361 camarões foram capturados sendo a maior abundância em dezembro e a menor em julho de 2006. A maior captura foi na Ilha de Arapiranga e menor na Ilha de Mosqueiro. A abundância diferiu significativamente em dezembro/06 e nenhuma variável estudada teve influência significativa na abundância de M. surinamicum. Os machos foram maiores que as fêmeas e a proporção sexual total não diferiu significativamente do esperado de 1:1. A frequência de fêmeas e machos entre locais e meses foi maior em dois períodos do ano, denotando dois prováveis períodos de recrutamento: um maior de novembro a fevereiro e outro menor, de abril a maio. As relações entre o comprimento do cefalotórax (CC) e as demais variáveis indicaram crescimento alométrico positivo. A maturidade sexual de M. surinamicum ocorreu em tamanhos diferentes para fêmeas e machos, sendo que o tamanho médio da primeira maturação (L50) de fêmeas foi 5,47 mm de CC e de machos 8,85 mm, sendo 6,08 mm para os sexos agrupados. A combinação das maiores freqüências de estágios maturos, ovígeras e desovadas de fêmeas, com os picos de fator de condição relativos (Kr) indicam que as desovas são intermitentes, apresentando, no entanto, um pico desova em janeiro e fevereiro, coincidindo com a maior pluviosidade na região. A Baía do Guajará, especialmente os locais mais abrigados como a Ilha de Arapiranga e do Combu, propiciam o desenvolvimento de M. surinamicum, o que indica que esta espécie tenha preferência para áreas menos antropizadas, se mantendo no estuário tanto nas etapas juvenis quanto adulta, que todos os estádios de maturação gonadal foram encontrados o que torna a Baía de Guajará e a Ilha de Mosqueiro locais importantes para a conservação desse crustáceo.
  • RORY ROMERO DE SENA OLIVEIRA
  • DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA ICTIOFAUNA DE POÇAS DE MARÉ DE UM ESTUÁRIO AMAZÔNICO: INTERAÇÃO DE FATORES
  • Data: 28/02/2012
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  • RESUMO A ictiofauna de poças de maré tem sido bem estudada em regiões temperadas e tropicais do Pacifico. No Brasil, ainda é incipiente o conhecimento ecológico das poças de maré e das assembléias de peixes que as habitam. O presente estudo pretendeu investigar a composição e distribuição espaço-temporal das assembléias de peixes associadas às poças de maré em habitats de afloramento rochoso, floresta de mangue e marismas da Ilha do Areuá, estuário inferior do rio Curuçá, Norte do Brasil. Amostragens trimestrais foram realizadas entre fevereiro e novembro de 2009, durante a maré baixa de sizígia (lua nova), utilizando metodologia padronizada. As variáveis ambientais sofreram modificações ao longo do gradiente vertical e foram responsáveis pela distribuição espacial e temporal da ictiofauna no afloramento rochoso. A salinidade, profundidade média e heterogeneidade do substrato foram as variáveis que mais explicaram as variações na distribuição da ictiofauna. A comparação entre os habitats de afloramento rochoso, floresta de mangue e marismas evidenciou que as assembléias de peixes do afloramento rochoso são claramente distintas daquela presente nos habitats vegetados (floresta de mangue e marismas). Os resultados deste estudo sugerem que há preferências pela ictiofauna por determinados habitats em função das variáveis ambientais e heterogeneidade do substrato, porém mais estudos devem ser realizados levando em consideração relações inter e intra-especificas.
  • SARITA NUNES LOUREIRO
  • SEGREGAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DAS ASSEMBLÉIAS DE PEIXES EM AMBIENTES DE ENTREMARÉ NÃO VEGETADO E CANAL SUBTIDAL DE UM ESTUÁRIO DE MACROMARÉ NO NORTE DO BRASIL
  • Data: 28/02/2012
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  • Os diversos ambientes estuarinos estão hidrologicamente e ecologicamente conectados e fornecem funções vitais para muitos organismos aquáticos. Segregações espaciais e temporais foram observadas na estrutura das assembléias de peixes (biomassa média) nos ambientes de canal subtidal e de entremaré não vegetado do estuário do rio Marapanim, Norte do Brasil. Amostragens mensais de peixes foram conduzidas de agosto de 2006 a julho de 2007 nos ambientes de canal subtidal e de entremaré não vegetado usando arrasto de fundo e puçá de arrasto, respectivamente. Um total de 41.496 indivíduos pertencentes a 29 famílias e 76 espécies foi coletado. A riqueza das espécies apresentada no ambiente subtidal (71 espécies) foi superior ao observado de entremaré não vegetado (51 espécies). Diferentes associações na composição das espécies e guildas funcionais foram observadas entre os ambientes de canal subtidal e de entremaré não vegetado, através da Análise de Correspondência Destendenciada. Diferenças significativas na composição das assembléias de peixes foram encontradas entre os ambientes, períodos e zonas através da análise de similaridade (ANOSIM). Foi verificado que os sedimentos finos (silte-argila), areia e salinidade foram os fatores mais importantes estruturando as assembléias de peixes. Em síntese, esses resultados podem estar associados à tolerância a fatores ambientais e aos diferentes tipos de alimentação.
  • MILTON GONCALVES DA SILVA JUNIOR
  • ECOLOGIA DA ICTIOFAUNA DO ESTUÁRIO DO RIO PACIÊNCIA, ILHA DO
    MARANHÃO – BRASIL
    ECOLOGIA DA ICTIOFAUNA DO ESTUÁRIO DO RIO PACIÊNCIA, ILHA DOMARANHÃO – BRASIL

  • Data: 23/02/2012
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  •  

    RESUMO
    Os sistemas estuarinos funcionam como importante habitat para várias espécies de peixes,
    através das redes de canais de maré. Sob o ponto de vista ecológico, a comunidade
    ictiofaunística desempenham importante função no balanço energético dos vários níveis
    tróficos dos ecossistemas estuarinos. Neste contexto, o presente estudo objetivou: determinar
    as distribuições espaço-temporais da ictiofauna; explicar suas características comportamentais
    e ecológicas; comparar a composição da biomassa relativa, guildas ecológicas e funcionais em
    diferentes sistemas estuarinos da costa Norte; investigar a influência das variáveis bióticas e
    abióticas e sua correlação com os padrões biológicos da ictiofauna e identificar alterações na
    integridade biótica dos canais de maré estudados, utilizando a ictiofauna. Os dados foram
    obtidos a partir de amostragens bimestrais nos canais de maré Iguaíba, Grande e Cristóvão, no
    período de janeiro/2006 a setembro/2007, utilizando redes de emalhar e tapagem.
    Paralelamente, foram tomadas amostras na camada superficial da água para determinação das
    variáveis físico-químicos e dos nutrientes inorgânicos dissolvidos. Na caracterização ecológica
    das espécies, foram empregados índices que estimam a diversidade, equitabilidade e riqueza.
    O Índice de Integridade Biótica foi aplicado para avaliar os efeitos das possíveis alterações
    ambientais na ictiofauna. Técnicas univariadas (ANOVA, Kruskall-Wallis) e multivariadas
    (Cluster, nMDS, SIMPER, COIA e curvas ABC) foram usadas para comparar as espécies e os
    locais de capturas. No total foram capturados 12.219 peixes distribuídos em 55 espécies e 27
    famílias. As famílias Sciaenidae, Ariidae, Carangidae, Engraulidae e Mugilidae apresentaram
    maior riqueza de espécies. Ariopsis bonillai e Cetengraulis edentulus, apresentaram maior
    contribuição para a formação de grupos mais similares; Stellifer naso e Cynoscion acoupa
    foram responsáveis pela dissimilaridade entre os grupos formados. Cerca de 66% dos peixes
    capturados foram representados por indivíduos jovens, confirmando a condição de berçário dos
    sistemas estuarinos. Os registros ictiofaunísticos entre o Golfão Marajoara e Maranhense
    apontam a ocorrência de 140 espécies. Espécies marinhas visitantes ocasionais e de água
    doce ocorreram ocasionalmente. Marinhas estuarino-oportunistas e estuarino dependentes
    apresentaram maior contribuição no Golfão Maranhense, já as estuarino residentes
    apresentaram biomassa elevada em todos os sistemas estuarinos investigados. Detritívoros
    ocorreram principalmente no Pará e zoobentívoros no Maranhão. A ocorrência de piscívoros foi
    inversamente proporcional à abundância de juvenis. A co-estrutura formada entre variáveis
    ambientais-peixes foi significativa. As variáveis salinidade, pH, silicato, amônio, fosfato e nitrato
    influenciaram na estrutura da ictiofauna. Nenhuma espécie se associou a ambientes com
    elevadas concentrações de nutrientes inorgânicos. As curvas ABC demonstraram que o
    ambiente estuarino encontra-se moderadamente perturbado, enquanto o índice de integridade
    caracterizou a qualidade ambiental dos canais de maré entre muito pobre a regular. O estudo
    mostrou que os canais de maré são importantes áreas de criação devido à dominância de
    juvenis; a ictiofauna apresenta sazonalidade em relação aos períodos hidrológicos; a
    comunidade peixes presente nos canais de maré pode atuar como indicadora da qualidade de
    ecossistemas submetidos a pulsos de marés. Considera-se, portanto, a proteção dos canais
    entre-marés dos manguezais uma ação essencial para o manejo dos recursos pesqueiros, uma
    vez que existe uma forte relação entre abundância da ictiofauna e a composição estrutural do
    habitat.
    Palavras-Chave: Assembléia de peixes, canais de maré, variáveis ambientais,
    integridade biótica, estuário do rio Paciência.
    16
    ABSTRACT
    Estuarine systems constitute an important habitat for different species of fish. From the
    ecological standpoint, the ichthyofauna plays an important role in the energy balance
    between trophic levels in estuarine ecosystems. Thus, the following were aims of the
    present study: determine the spatiotemporal distribution of the ichtyofauna; explain
    behavioral and ecological characteristics; compare the composition of relative biomass,
    ecological and functional guilds in different estuarine systems in northern Brazil;
    investigate the influence of biotic and abiotic variables and correlations with the
    biological patterns of the ichthyofauna; and identify changes in the biotic integrity of the
    tidal creeks studied. Data were acquired through bimonthly sampling in the Iguaíba,
    Grande and Cristóvão tidal creeks between January 2006 and September 2007, using
    gillnets and block nets. Samples were also taken of the surface water for the
    determination of physicochemical parameters and dissolved inorganic nutrients.
    Diversity, evenness and richness indices were employed for the ecological
    characterization of the species. The biotic integrity index was used to assess the effects
    of possible environmental changes on the ichthyofauna. Univariate (ANOVA, Kruskall-
    Wallis) and multivariate (Cluster, nMDS, SIMPER, COIA and ABC curves) statistical
    methods were used to compare species and capture sites. A total of 12,219 individuals
    distributed among 55 species and 27 families were caught. The families Sciaenidae,
    Ariidae, Carangidae, Engraulidae and Mugilidae had the greatest species richness.
    Ariopsis bonillai and Cetengraulis edentulus made the greatest contribution to the
    formation of similar groups. Stellifer naso and Cynoscion acoupa were responsible for
    the dissimilarity between the groups formed. Approximately 66% of the fish caught were
    juveniles, thereby confirming the use of estuarine systems as nurseries. The records
    between the Marajoara and Maranhão Gulfs indicate the occurrence of 140 species.
    Marine occasional visitors and freshwater species occurred occasionally. Marine
    estuarine-opportunists and estuarine dependents species made the largest contribution
    to the Maranhão Gulf, whereas estuarine residents species had high biomass values in
    all estuarine systems investigated. Detritivores occurred mainly in the state of Pará and
    zoobenthivores were found mainly in the state of Maranhão. The occurrence of
    piscivores was inversely proportional to the abundance of juveniles. The co-structure
    formed between environment-fish parameters was significant. Salinity, pH, silicate,
    ammonium, phosphate and nitrate exerted an influence over the structure of the fish
    community. No species were associated with environments with high concentrations of
    inorganic nutrients. The ABC curves revealed that the estuarine environment is
    moderately disturbed and the integrity index characterized the environmental quality of
    the tidal creeks as very poor to fair. The presence of juveniles demonstrates the
    importance of tidal creeks to fish development. The ichthyofauna analyzed in the
    present study exhibits seasonality with regard to hydrological periods. The fish
    community in tidal creeks can serve as an indicator of the quality of ecosystems
    submitted to tidal pulses. Therefore, the protection of tidal creeks in mangroves is
    essential to the management of fishery resources, considering the strong association
    between ichthyofauna abundance and the structural composition of the habitat.
    Keywords: fish assemblages, tidal creeks, environmental variables, biotic integrity,
    Paciência estuary.

     

    RESUMO

     

    Os sistemas estuarinos funcionam como importante habitat para várias espécies de peixes, através das redes de canais de maré. Sob o ponto de vista ecológico, a comunidade ictiofaunística desempenham importante função no balanço energético dos vários níveis tróficos dos ecossistemas estuarinos. Neste contexto, o presente estudo objetivou: determinar as distribuições espaço-temporais da ictiofauna; explicar suas características comportamentais e ecológicas; comparar a composição da biomassa relativa, guildas ecológicas e funcionais em diferentes sistemas estuarinos da costa Norte; investigar a influência das variáveis bióticas e abióticas e sua correlação com os padrões biológicos da ictiofauna e identificar alterações na integridade biótica dos canais de maré estudados, utilizando a ictiofauna. Os dados foram obtidos a partir de amostragens bimestrais nos canais de maré Iguaíba, Grande e Cristóvão, no período de janeiro/2006 a setembro/2007, utilizando redes de emalhar e tapagem. Paralelamente, foram tomadas amostras na camada superficial da água para determinação das variáveis físico-químicos e dos nutrientes inorgânicos dissolvidos. Na caracterização ecológica das espécies, foram empregados índices que estimam a diversidade, equitabilidade e riqueza. O Índice de Integridade Biótica foi aplicado para avaliar os efeitos das possíveis alterações ambientais na ictiofauna. Técnicas univariadas (ANOVA, Kruskall-Wallis) e multivariadas (Cluster, nMDS, SIMPER, COIA e curvas ABC) foram usadas para comparar as espécies e os locais de capturas. No total foram capturados 12.219 peixes distribuídos em 55 espécies e 27famílias. As famílias Sciaenidae, Ariidae, Carangidae, Engraulidae e Mugilidae apresentaram maior riqueza de espécies. Ariopsis bonillai e Cetengraulis edentulus, apresentaram maior contribuição para a formação de grupos mais similares; Stellifer naso e Cynoscion acoupa foram responsáveis pela dissimilaridade entre os grupos formados. Cerca de 66% dos peixes capturados foram representados por indivíduos jovens, confirmando a condição de berçário dos sistemas estuarinos. Os registros ictiofaunísticos entre o Golfão Marajoara e Maranhenseapontam a ocorrência de 140 espécies. Espécies marinhas visitantes ocasionais e de águadoce ocorreram ocasionalmente. Marinhas estuarino-oportunistas e estuarino dependentes apresentaram maior contribuição no Golfão Maranhense, já as estuarino residentes apresentaram biomassa elevada em todos os sistemas estuarinos investigados. Detritívoros ocorreram principalmente no Pará e zoobentívoros no Maranhão. A ocorrência de piscívoros foi inversamente proporcional à abundância de juvenis. A co-estrutura formada entre variáveis ambientais-peixes foi significativa. As variáveis salinidade, pH, silicato, amônio, fosfato e nitrato influenciaram na estrutura da ictiofauna. Nenhuma espécie se associou a ambientes com elevadas concentrações de nutrientes inorgânicos. As curvas ABC demonstraram que o ambiente estuarino encontra-se moderadamente perturbado, enquanto o índice de integridadecaracterizou a qualidade ambiental dos canais de maré entre muito pobre a regular. O estudo mostrou que os canais de maré são importantes áreas de criação devido à dominância dejuvenis; a ictiofauna apresenta sazonalidade em relação aos períodos hidrológicos; a comunidade peixes presente nos canais de maré pode atuar como indicadora da qualidade de ecossistemas submetidos a pulsos de marés. Considera-se, portanto, a proteção dos canais entre-marés dos manguezais uma ação essencial para o manejo dos recursos pesqueiros, uma vez que existe uma forte relação entre abundância da ictiofauna e a composição estrutural do habitat.

     

    ABSTRACT

    Estuarine systems constitute an important habitat for different species of fish. From the

    ecological standpoint, the ichthyofauna plays an important role in the energy balance

    between trophic levels in estuarine ecosystems. Thus, the following were aims of the

    present study: determine the spatiotemporal distribution of the ichtyofauna; explain

    behavioral and ecological characteristics; compare the composition of relative biomass,

    ecological and functional guilds in different estuarine systems in northern Brazil;

    investigate the influence of biotic and abiotic variables and correlations with the

    biological patterns of the ichthyofauna; and identify changes in the biotic integrity of the

    tidal creeks studied. Data were acquired through bimonthly sampling in the Iguaíba,

    Grande and Cristóvão tidal creeks between January 2006 and September 2007, using

    gillnets and block nets. Samples were also taken of the surface water for the

    determination of physicochemical parameters and dissolved inorganic nutrients.

    Diversity, evenness and richness indices were employed for the ecological

    characterization of the species. The biotic integrity index was used to assess the effects

    of possible environmental changes on the ichthyofauna. Univariate (ANOVA, Kruskall-

    Wallis) and multivariate (Cluster, nMDS, SIMPER, COIA and ABC curves) statistical

    methods were used to compare species and capture sites. A total of 12,219 individuals

    distributed among 55 species and 27 families were caught. The families Sciaenidae,

    Ariidae, Carangidae, Engraulidae and Mugilidae had the greatest species richness.

    Ariopsis bonillai and Cetengraulis edentulus made the greatest contribution to the

    formation of similar groups. Stellifer naso and Cynoscion acoupa were responsible for

    the dissimilarity between the groups formed. Approximately 66% of the fish caught were

    juveniles, thereby confirming the use of estuarine systems as nurseries. The records

    between the Marajoara and Maranhão Gulfs indicate the occurrence of 140 species.

    Marine occasional visitors and freshwater species occurred occasionally. Marine

    estuarine-opportunists and estuarine dependents species made the largest contribution

    to the Maranhão Gulf, whereas estuarine residents species had high biomass values in

    all estuarine systems investigated. Detritivores occurred mainly in the state of Pará and

    zoobenthivores were found mainly in the state of Maranhão. The occurrence of

    piscivores was inversely proportional to the abundance of juveniles. The co-structure

    formed between environment-fish parameters was significant. Salinity, pH, silicate,

    ammonium, phosphate and nitrate exerted an influence over the structure of the fish

    community. No species were associated with environments with high concentrations of

    inorganic nutrients. The ABC curves revealed that the estuarine environment is

    moderately disturbed and the integrity index characterized the environmental quality of

    the tidal creeks as very poor to fair. The presence of juveniles demonstrates the

    importance of tidal creeks to fish development. The ichthyofauna analyzed in the

    present study exhibits seasonality with regard to hydrological periods. The fish

    community in tidal creeks can serve as an indicator of the quality of ecosystems

    submitted to tidal pulses. Therefore, the protection of tidal creeks in mangroves is

    essential to the management of fishery resources, considering the strong association

    between ichthyofauna abundance and the structural composition of the habitat.

    Keywords: fish assemblages, tidal creeks, environmental variables, biotic integrity,

    Paciência estuary.

2011
Descrição
  • PAULO MARCELO DE OLIVEIRA LINS
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Data: 18/08/2011

  • ALANY PEDROSA GONCALVES
  • Ecologia e etnoecologia de Hypancistrus zebra (Siluriformes: Loricariidae) no rio Xingu, Amazônia brasileira
  • Data: 05/08/2011
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  • RESUMO H. zebra é uma espécie de peixe da família Loricariidae, subfamília Ancistrinae, endêmica da bacia do rio Xingu, com distribuição desde Belo Monte até a confluência dos rios Xingu e Iriri. Por ser uma espécie com grande valor no mercado aquariofilista ornamental, sua captura tornou-se desenfreada, tornando-o uma espécie ameaçada de extinção. Apesar da forte pressão exercida sobre H. zebra, ainda são escassos os estudos sobre a espécie. Assim, perante a escassez de informações básicas e as constantes ameaças, conhecer aspectos da biologia e ecologia de H. zebra, agregando aos resultados das pesquisas científicas, também o conhecimento ecológico local dos pescadores ornamentais sobre esta espécie torna-se uma ferramenta fundamental para a conservação da espécie. A distribuição de H. zebra é restrita a um pequeno trecho do rio Xingu, entre Gorgulho da Rita e Itaubinha, e não ocorre de forma homogênea, dependendo da presença de blocos rochosos. Um total de 283 indivíduos de H. zebra foi visualizado nos afloramentos rochosos da área estudada, dos quais 232 foram capturados. A menor abundância média foi em Gorgulho da Rita, em oposição ao sitio Jericoá com a maior abundância. Entre os períodos, verificou-se uma maior abundância na seca do rio e menor valor para o período de enchente. Os fatores ambientais não apresentaram influências significativas sobre a abundância de H. zebra. H. zebra é uma espécie generalista, alimentando-se principalmente de algas perifíticas, detritos, restos vegetais e esponjas, enquanto que nematódeos e miriápodes foram considerados itens ocasionais. Não houve diferenças significativas na composição e abundância da dieta de H. zebra, quanto aos sítios de coleta, períodos do ano e ontogenia. Considerando a composição e abundância da dieta, H. zebra pode ser considerada uma espécie iliófaga-onívora, e com possibilidades de adaptação as mudanças na disponibilidade de alimento com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Os pescadores ornamentais zebra evidenciam conhecimento especializado quanto à distribuição e abundância, hábitat, alimentação, predação e reprodução da espécie, o qual pode ser aproveitado para otimizar trabalhos futuros e para facilitar medidas de manejo.
  • DALILA COSTA SILVA
  • DINÂMICA POPULACIONAL E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE PETROLISTHES ARMATUS GIBBES, 1850 (CRUSTACEA; PORCELLANIDAE) DO ESTUÁRIO DE MARAPANIM, LITORAL AMAZÔNICO
  • Data: 16/06/2011
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  • RESUMO Apesar de P. armatus ter ampla distribuição na zona costeira do Atlântico Ocidental, há apenas um trabalho sobre a abundância dessa espécie em uma área estuarina tropical. Este trabalho tem como objetivo estudar a flutuação na densidade populacional de P. armatus ao longo do ano e em relação a um gradiente de salinidade de um estuário amazônico brasileiro. Coletas mensais foram efetuadas de agosto de 2006 a julho de 2007 junto ao substrato consolidado da região superior e inferior do médiolitoral (MS e MI) do estuário de Marapanim, Pará, litoral norte brasileiro. Em cada um dos quatro locais de coleta foram realizadas três amostragens, totalizando 288 amostras [4 locais (A1, A2, B1 e B2) x 2 porções (MS e MI) x 3 amostragens x 12 meses]. A salinidade variou de 0 a 44 nos períodos chuvoso e seco, respectivamente, apresentando as menores médias em fevereiro e março de 2007. A menor temperatura (27ºC) também ocorreu em fevereiro de 2007 e a maior (29,7ºC) em agosto de 2006. Os valores mínimos de salinidade e temperatura em fevereiro é resultado do aumento da precipitação pluviométrica comum na região equatorial neste período. Apesar disto, a densidade de P. armatus não mostrou correlação significativa com nenhum destes fatores. O presente estudo revelou uma considerável abundância de P. armatus, com maior densidade média em janeiro de 2007 (1.427,33 ind./m2), período seco. Em relação as regiões do entremarés (superior e inferior) a densidade não diferiu significativamente, indicando que esta espécie se estende por toda essa região de maneira uniforme. A maior densidade de P. armatusno perfil B (lado leste) do estuário talvez esteja relacionada ao fato de que além dele ser mais salino que em A, ele fornece um ambiente mais abrigado, com menor interferência antrópica. O local A1 apresentou uma significativa densidade de P. armatus (1.320, 66 ind.m2), isto pode ter ocorrido pelo fato de A1 apresentar semelhanças com o perfil B quanto ao substrato e também por ser mais salino que os outros locais. O local A2 foi o que diferiu dos demais por apresentar uma configuração muito diferenciada tanto em relação a salinidade (menor) e quanto ao substrato: a porção inferior do médiolitoral possui pequenos fragmentos de rochas que estão em grande parte recobertos por lama, dessa maneira não oferecendo condições adequadas à presença desses porcelanídeos, e na porção superior, as rochas não são cobertas por lama, no entanto são de tamanhos muito diminutos não fornecendo abrigo aos porcelanídeos, além de serem muitos instáveis quanto ao batimento das ondas e mais suscetíveis a altas temperaturas.
  • MILENA DAISY RIBEIRO MONTEIRO
  • Estrntura da Comunidade Microfitoplaoctônica da Area de Influência da UHE de Tucuruí - Pará".
  • Data: 02/06/2011
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  • RESUMO A água é o bem de consumo mais importante para a humanidade e sua importância perpassa pela economia, bem estar social além de constituir um recurso natural de valor estratégico (Sousa et al., 2008). As águas continentais ou interiores apresentam como valor estratégico as suas importantes utilizações como recreação, turismo, pesca, aquicultura, transporte, abastecimento de água para consumo humano e geração de energia elétrica (Matsumura-Tundisi, 2007). No Brasil o barramento de rios para a geração de energia e abastecimento público ocorreu no ano de 1889 com a construção da 1° usina hidrelétrica localizada no rio Paraibuna (Juiz de Fora-MG) e se intensificou durante as décadas de 1960 e 1970, com vários rios sofrendo alterações com a construção de barragens (Hahn & Fugi, 2007). Estudos relacionados a estas alterações ecológicas são muito importantes, uma vez que contribuem para compreensão da sucessão de comunidades, padrões de colonização e efeitos dos pulsos em sistemas que sofreram mudanças rápidas (Tundisi, 2007). É importante entender o ambiente dos reservatórios, pois são complexos, apresentam um padrão dinâmico, onde ocorrem mudanças rápidas no que diz respeito aos mecanismos de funcionamento e gradientes horizontais e verticais (Tundisi, 2007). Para Barbosa & Espíndola (2003), as represas são ecossistemas intermediários entre rios (lóticos) e lagos (lênticos) e possuem características específicas, as quais dizem respeito às forças antrópicas inerentes a este ecossistema que são os mecanismos específicos de circulação horizontal e vertical gerados pela operação da barragem (Moro et al., 2003). Desta forma, as comunidades biológicas aquáticas do ambiente de reservatório sofrem transformações na sua estrutura, pois as espécies presentes no pré-enchimento diferem das que predominam no ambiente alterado (Tôha et al., 2007), também ocorrem grande proliferação de algumas espécies e redução ou até eliminação de outras (Hahn & Fugi, 2007). Nesses ambientes, Overbeck (2000) afirma que a teia alimentar organiza-se de forma simplificada com a presença dos organismos produtores (fitoplâncton e macrófitas, macroconsumidores (peixes) e microconsumidores (zooplâncton), além de bactérias e fungos responsáveis, entre outros, pela decomposição da matéria orgânica. São necessários estudos cuidadosos sobre os organismos destes ambientes, pois segundo Straskraba & Tundisi (2000) o conhecimento dos organismos aquáticos e da cadeia alimentar de reservatórios é muito importante, porque a presença ou ausência de algumas espécies e a composição da comunidade existente é um forte indicador da qualidade do corpo d’água, haja vista que a fertilidade do ambiente hídrico depende fortemente da comunidade fitoplanctônica (Tundisi, 2003). Alguns dos trabalhos mais recentes sobre a comunidade fitoplanctônica na região amazônica são os de Souza et al., (2007) sobre desmídias de lago de inundação localizado no parque nacional do Jaú no estado do Amazonas; Ferrari et al. (2007) que realizou estudo florístico de espécies de Eunotiaceae de igarapés de Manaus e Presidente Figueiredo (Amazonas);Ribeiro et al., (2008) sobre diatomáceas de sedimento da praia de Itupanema no estado do Pará; Melo et al., (2009) descreveram espécies do gênero Euastrum e Micrasterias de um lago de inundação situado na cidade de Manaus (Amazonas); Melo & Souza (2009) realizaram estudo sobre a flutuação anual e interanual da riqueza de espécies de desmídias de um lago de inundação amazônico de águas pretas, o lago Catiuaú, localizado no estado do Amazonas; também no lago Cutiuaú foi realizado por Raupp et al., (2009) estudo do controle do pulso de inundação sobre a composição e abundância das diatomáceas planctônicas; Carmona et al., (2009) analisou a variação espaço-temporal do microfitoplâncton dos furos Ostra e Grande localizados nos canais de maré do estuário do Caeté na cidade de Bragança (Pará); também na cidade de Bragança (Pará) foi verificada a variação temporal do fitoplâncton e parâmetros hidrológicos da zona de arrebentação da ilha Canela por Sousa et al., (2009); ao longo de São Miguel do Guamá e Belém (Pará) foi analisada a composição e densidade do microfitoplâncton por Monteiro et al., (2009); Costa et al., (2010) tratando do microfitoplâncton do lago Água Preta localizado no parque ambiental de Belém, estado do Pará, durante o período chuvoso da região. Na Amazônia existem cinco usinas hidrelétricas, sendo a usina hidrelétrica de Tucuruí a maior e mais importante, a qual sofre monitoramento desde 1986 com verificações anuais da distribuição espacial dos bancos de macrófitas aquáticas a partir de séries históricas de imagens digitais TM/Landsat (Abdon e Meyer, 1990). Dentre os trabalhos realizados na região da UHE de Tucuruí destacam-se o de Fearnside (1997) com um paralelo sobre as fontes de energia hidrelétrica e alternativa, em 1999 há o trabalho de Petri Porvari onde verificou os níveis de mercúrio nos peixes do reservatório e no rio Moju no Pará, no mesmo ano Fearnside realizou verificações sobre os impactos sociais provenientes da construção da barragem, o mesmo publicou trabalho em 2001 também na região de Tucuruí com objetivo de determinar os impactos ambientais gerados pela represa e por fim em 2004 realizou pesquisa sobre as emissões de gases de efeito estufa pelo reservatório. Já estudos sobre as comunidades biológicas são insipientes ressaltando os estudos de Braga (1990) sobre monitoramento da produtividade primária por meio de análises de sátelite e de Espíndola et al. (2000), sobre a distribuição do zooplâncton no reservatório. A existência de poucos trabalhos sobre a comunidade planctônica da área de influência da UHE de Tucuruí contrapõe-se a importância e caráter dinâmico destes organismos, os quais apresentam elevadas taxas de reprodução e perda, respostas rápidas às alterações físicas e químicas do meio e complexas relações intra e interespecíficas na competição e utilização do espaço e dos recursos (Valiela, 1997), portanto, realizar estudos sobre este componente biológico torna-se importante, pois confere a possibilidade de inferir sobre as condições ecológicas do meio. A fim de verificar a heterogeneidade espacial do microfitoplâncton relacionando aos parâmetros físico-químicos para assim compreender a dinâmica do reservatório da UHE de Tucuruí-Pará o presente estudo foi realizado.
  • DEBORAH ELENA GALVAO MARTINS
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Data: 18/05/2011

  • CAROLINE DA SILVA MONTES
  • UTILIZAÇÃO DE PEIXES NATIVOS DA AMAZÔNIA COMO BIOMARCADORES NA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DE UMA ÁREA INDUSTRIAL NO RIO PARÁ - PA - BRASIL

  • Orientador : ROSSINEIDE MARTINS DA ROCHA
  • Data: 27/04/2011
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  • A água é um recurso natural de extrema importância para os organismos vivos, entretanto tal recurso vem sofrendo grandes impactos em função em função de atividades antropogênicas poluidoras nas últimas décadas (ABEL, 1996). Este sistema é considerado o mais susceptível à contaminação, pois ele é o receptor final de centenas, talvez milhares de poluentes que afetam o ambiente aquático e cujos efeitos são preocupantes e a compreensão detalhada dos efeitos destes diferentes tipos de efluentes nos corpos d’água receptores é essencial para o controle da poluição (ADAMS e GREELEY, 2000). Dentre eles podemos destacar: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs), bifelinas policloradas (PCBs), compostos organoclorados (OCPs) e metais pesados, causando desestruturação do ambiente físico e químico, consequentemente queda acentuada na biodiversidade e alterações na dinâmica e estrutura das comunidades biológicas (VAN DER OOST et al., 2003).
    A presença de composto xenobiótico no sistema aquático não significa necessariamente que este vem sofrendo efeitos nocivos, sendo necessáros o estabelecimento de conexões entre tempo de exposição, grau de contaminação e efeitos nas comunidades biológicas (JESUS e CARVALHO, 2008). Entretanto, ainda são insuficientes os métodos capazes de determinar a extensão e a severidade da contaminação (DE LA TORRE et al., 2005), tendo se intensificado a aplicação de programas de monitoramento ambiental em que pesquisadores estão cada vez mais preocupados em identificar novos compostos

    orgânicos e seus metabólitos e determinar seus impactos na vida aquática (ZAGATTO e BERTOLETTI, 2006).
    Refletindo a crescente preocupação dos efeitos dos xenobióticos sobre os organismos, surgiu a ecotoxicologia, definida como estudo da ocorrência, natureza, incidência, mecanismos e fatores de risco dos efeitos deletérios de agentes químicos no meio ambiente (OGA et al., 2008). A ecotoxicologia baseia-se principalmente na resposta dos organismos aos agentes químicos, tendo como objetivo central verificar o comportamento e as transformações desses agentes no ecossistema, bem como seus efeitos sobre os organismos vivos, evidenciados pelas modificações estruturais, morfológicas, fisiológicas e bioquímicas (AZEVEDO e CHASIN, 2003).
    O monitoramento da qualidade da água realizado por meio de organismos bioindicadores envolve o levantamento e avaliação de modificações na riqueza, diversidade e abundância de espécies resistentes; perda de espécies sensíveis; medidas de produtividade primária e sensibilidade a modificações abióticas ou a concentrações de substâncias tóxicas entre outros. (GOULART e CALLISTO, 2003; ARIAS et al., 2007). A utilização de peixes em programas de avaliação da qualidade dos ambientes aquáticos tem se destacado nos últimos anos (FLORES e MALABARBA, 2007). Estes animais são definidos como bons bioindicadores por terem a biologia e a ecologia bem conhecidas; possuírem mecanismos celulares de resposta ao estresse químico semelhantes aos dos mamíferos e estarem presentes em ambientes poluídos (SCHWAIGER, 2001).

    A poluição aquática ocorre normalmente de forma crônica, com concentrações subletais de poluentes causando nos peixes efeitos deletérios:
    14
    mutagênicos, estruturais e funcionais em vez de mortalidade em massa dos organismos (POLEKSIC e MITROVIC-TUTUNDZIC, 1994). Essas alterações morfo-funcionais têm sido muito utilizadas como biomarcadores para indicar tanto a exposição quanto os efeitos de poluentes ambientais (MARTINEZ e SOUZA, 2002; ALMEIDA et al., 2005).
    A avaliação da qualidade da água por biomarcadores tem sido aplicada há mais de 40 anos, uma vez que a verificação apenas por meio de parâmetros físicos e químicos é insuficiente (FLORES e MALABARBA, 2007).
    Os biomarcadores são definidos como respostas biológicas adaptativas aos estressores, sendo que duas características importantes destacam-se: a) identificar as interações que ocorrem entre os contaminantes e os organismos vivos; b) verificar os efeitos sub-letais. Esta última permite por em prática ações remediadoras ou preventivas e incorporar esse tipo de análise em programas de avaliação da contaminação ambiental (TRIEBSKORN et al., 2008)A dissertação foi elaborada no formato de artigo, intitulado de “Immunohistochemical and structural biomarkers in two fish species exposed to the industrial area in Amazon Estuary”, submetido à revista Environmental Monitoring and Assessment, formatado segundo os padrões da revista.

  • DANIELA MAYUMI KIYATAKE
  • AVALIAÇÃO SANITÁRIA DE ÁGUA DE CULTIVO E DE OSTRAS DA ZONA DO SALGADO, NORDESTE DO ESTADO DO PARÁ- BRASIL
  • Data: 19/04/2011
  • Visualizar Dissertação/Tese   Mostrar Resumo
  • RESUMO O cultivo de espécies de ostras do gênero Crassostrea está em expansão no nordeste do estado do Pará, Brasil. Este estudo analisa a qualidade sanitária das ostras e da água em que são cultivadas nos municípios de São Caetano de Odivelas e Curuçá. As coletas foram realizadas mensalmente entre junho de 2009 e maio de 2010. As amostras de águas foram coletadas nas marés enchente e vazante, e cerca de 15 ostras foram obtidos a cada mês durante a maré vazante. Concentrações de coliformes foram determinadas usando a Técnica de Fermentação de Tubos Múltiplos, seguida pela identificação bioquímica das bactérias e determinação do perfil de suscetibilidade de Escherichia coli isoladas a partir de amostras de águas e ostras. A média geométrica das concentrações de coliformes termotolerantes na água foi de 119 mL MPN/100 em São Caetano de Odivelas e 163,21 MPN/100 mL em Curuçá, valores bem acima do limite de 43 mL MPN/100 estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente Brasileiro (CONAMA). Como a legislação brasileira relacionada à qualidade sanitária dos moluscos bivalves destina-se apenas ao produto processado, foi adotada a legislação da União Europeia, que classifica as ostras para o consumo cru em três classes sanitárias. Em São Caetano de Odivelas, apenas duas das amostras coletadas durante este estudo foram atribuídas para a classe A, sete amostras para a classe B e três amostras para a classe C. Enquanto em Curuçá três amostras foram atribuídas à classe A, sete amostras para a classe C e duas amostras para a classe C. Os resultados sugerem a necessidade de medidas mitigatórias para garantir a qualidade sanitária das ostras, tais como a aplicação de métodos de depuração.
  • GISELE CAVALCANTE MORAIS
  • ESTRUTURA DAS ASSEMBLÉIAS DE MACROINVERTEBRADOS DE SUBSTRATOS ROCHOSOS NO LITORAL DE CURUÇÁ, NORDESTE DO PARÁ, BRASIL

  • Orientador : JAMES TONY LEE
  • Data: 15/04/2011
  • Mostrar Resumo
  • A dissertação foi elaborada no formato de artigos, separados em capítulos,
    conforme formatação do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aquática e
    Pesca da Universidade Federal do Pará.
    No Capítulo Geral é apresentado uma revisão bibliográfica sobre os aspectos
    gerais das regiões costeiras rochosas e as principais informações de estruturação
    das assembléias existentes para estes ambientes, com enfoque nas pesquisas
    realizadas em áreas de fragmentos rochosos entremareais. Foram abordados os
    diferentes padrões e processos que ocorrem neste tipo de habitat e as implicações
    para a conservação dos habitats rochosos no litoral amazônico. Em seguida
    apresentam-se os objetivos desta pesquisa que serviram de base para a elaboração
    dos demais capítulos.
    O Capítulo 1 contém uma avaliação dos padrões de diversidade dos
    macroinvertebrados em área de fragmentos rochosos no entremarés da Ilha de
    Areuá no litoral amazônico. Neste capitulo, as assembléias foram caracterizadas em
    termos de abundância, riqueza e diversidade dos organismos em relação ao
    gradiente vertical do entremarés, os períodos de amostragem e a
    complexidade/heterogeneidade estrutural do substrato.
    O Capítulo 2 apresenta os padrões de distribuição e densidade do
    caranguejo porcelanídeo Petrolisthes armatus em relação ao gradiente vertical do
    entremarés, os períodos de amostragem e a composição do substrato. O principal
    objetivo deste capítulo foi verificar se os padrões desta espécie dominante na área
    de estudo auxiliariam na compreensão dos padrões observados no Capítulo 1 para
    as assembléias de macroinvertebrados.
    Na etapa final foram apresentadas as Conclusões Gerais e Perspectivas de
    continuidade de estudos com assembléias macrobentônicas em áreas de
    fragmentos rochosos na Zona Costeira Amazônica. Com este conjunto de
    informações, este trabalho poderá ser útil para o planejamento de futuros estudos
    nas áreas de fragmentos rochosos com o intuito de preencher as lacunas ou até
    mesmo subsidiar estratégias de manejo para conservação destes importantes
    habitats costeiros na região amazônica.

  • GISELE CAVALCANTE MORAIS
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : JAMES TONY LEE
  • Data: 15/04/2011

  • ATILLA MELO DO NASCIMENTO
  • VARIAÇÃO ESPAÇO TEMPORAL DA COMUNIDADE ZOOPLANCTÔNICA EM VIVEIROS DE CULTIVO DE CAMARÃO BRANCO, Litopenaeus vannamei (BOONE, 1931), NO MUNICÍPIO CURUÇÁ, PARÁ-BRASIL.
  • Data: 04/04/2011
  • Visualizar Dissertação/Tese   Mostrar Resumo
  • RESUMO Este trabalho apresenta a dinâmica da comunidade zooplanctônica em viveiros de cultivo de litopenaeus vannamei em uma fazenda comercial no norte do Brasil durante um ciclo de cultivo. Foram realizadas coletas semanais de plâncton e medidas das variáveis abióticas em dois viveiros durante um ciclo de cultivo (11 semanas). Em cada viveiro foram selecionados três (3) pontos de coleta com duas coletas (pseudo-replicas) cada, durante o período noturno e diurno. Ao final do cultivo a produção em kg foi de 5.247 para o viveiro 1 e 4.365 para o viveiro 2, sendo a conversão alimentar 1,73 e 1,79 respectivamente. A densidade fitoplanctônica total teve média de 561330,7 org/L. O zooplâncton esteve distribuído em 38 grupos taxonômicos, sendo que os mais abundantes foram Copepoda Calanoida e Ciclopoida no viveiro 1, após o primeiro mês, a abundância de todos os grupos diminuiu, porem os Copepoda continuou sendo mais abundante, seguido de Cirripédia e Brachiura para o viveiro 1, já no viveiro 2 ocorreu a dominância de Copepoda em algumas amostras porem a outros grupos se destacam Outros (Larvas de polichaeta) e rotífera (Brachionus picatilis) a densidade variou de 0,14 a 215,13 org/L. A analise canônica de correspondência apresenta um gradiente horizontal ligado à época do cultivo e a renovação de 4000m3 água após o primeiro mês, e o eixo vertical com gradiente que separa os viveiros amostrados. As variáveis utilizadas na ordenação explicaram 38,99% da variação total dos dados.
  • ANA PAULA OLIVEIRA ROMAN
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 18/02/2011

2010
Descrição
  • PAMELA MELO COSTA
  • ACORDOS DE PESCA: DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO EM ÁREAS DE VÁRZEA DO MUNICÍPIO DE GURUPÁ, PARÁ, BRASIL
  • Orientador : VOYNER RAVENA CANETE
  • Data: 03/08/2010

  • BRENDA OLIVEIRA DA COSTA
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : ROSILDO SANTOS PAIVA
  • Data: 18/06/2010

  • DANIELLY BRITO DE OLIVEIRA
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : JUSSARA MORETTO MARTINELLI LEMOS
  • Data: 08/06/2010

  • LEILIANE SOUZA DA SILVA
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : JUSSARA MORETTO MARTINELLI LEMOS
  • Data: 08/06/2010

  • CRISTIANE TEIXEIRA CONTENTE
  • O Estudo das larvas de peixes na Reserva Biológica do Lago Piratuba
  • Data: 25/05/2010
  • Mostrar Resumo
  • O Estudo das larvas de peixes na Reserva Biológica do Lago Piratuba
  • MORGANA CARVALHO DE ALMEIDA
  • COMPOSIÇÃO, ABUNDÂNCIA E PESCA DA ICTIOFAUNA COMO INDICADORES DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO DE DOIS LAGOS DE VÁRZEA NO BAIXO RIO AMAZONAS (BRASIL)
  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 07/04/2010

  • CLARISSA MARIA DA SILVA WANDERLEY
  • DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DAS LARVAS DE PEIXE E SUA RELAÇÃO À HIDRODINÂMICA E À QUALIDADE DA ÁGUA NO ENTORNO DAS ILHAS DO COMBU E MURUCUTU, BELÉM - PA
  • Orientador : VALERIE SARPEDONTI
  • Data: 05/04/2010

  • LUDMILLA COSTA FERREIRA PEREIRA
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Data: 19/03/2010

  • BARBARA HECK SCHALLENBERGER
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : FLAVIA LUCENA FREDOU
  • Data: 26/02/2010

  • DANIELLY TORRES HASHIGUTI DE FREITAS
  • A ICTIOFAUNA E A ATIVIDADE PESQUEIRA NA ILHA DAS ONÇAS, BARCARENA - PARÁ
  • Orientador : THIERRY FREDOU
  • Data: 26/02/2010

  • MANOELA WARISS FIGUEIREDO
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE

  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 26/02/2010
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  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE

2009
Descrição
  • CRISTIANE TEIXEIRA CONTENTE
  • O Estudo das larvas de peixes na Reserva Biológica do Lago Piratuba
  • Data: 22/08/2009
  • Mostrar Resumo
  • O Estudo das larvas de peixes na Reserva Biológica do Lago Piratuba
  • PRISCILA HOSHINO
  • AVALIAÇÃO E COMPARAÇÃO DE PROJETOS COMUNITÁRIOS DE OSTREICULTURA LOCALIZADOS NO NORDESTE PARAENSE
  • Orientador : DAVID GIBBS MCGRATH
  • Data: 18/08/2009

  • ERICA MOEMA SILVA DA ANUNCIACAO
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : VALERIE SARPEDONTI
  • Data: 11/08/2009

  • JOSE BRUNO ARAUJO DE ALMEIDA
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : VICTORIA JUDITH ISAAC NAHUM
  • Data: 10/08/2009

  • ADRIANA DA SILVA PINTO MARQUES
  • Distribuição espaço-temporal das larvas de camarões (Decapoda) no estuário do Rio Marapanim, Pará
  • Orientador : JUSSARA MORETTO MARTINELLI LEMOS
  • Data: 19/07/2009

  • YLANA PRISCILA DA COSTA MELO
  • CARACTERIZAÇÃO DA ICTIOFAUNA DURANTE O PERÍODO SECO, NA BAÍA DO GUAJARÁ E BAÍA DO MARAJO
  • Orientador : THIERRY FREDOU
  • Data: 03/07/2009

  • THATILA CELESTINO GIRARD
  • NÃO EXISTIA INFORMAÇÃO NO SIE
  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • Data: 10/06/2009

  • VIVIANE FERREIRA MONTEIRO
  • EFICIAÊNCIA DE DIFERENTES ABORDAGENS METODOLÓGICAS E CARACTERIZAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES MACROBETÔNICAS ESTUARINAS DA ZONA COSTEIRA AMAZÔNICA
  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • Data: 10/06/2009

  • NEUCIANE DIAS BARBOSA
  • DETERMINAÇÃO DO USO DA ÁREA ADJACENTE AO TEREMINAL DE VILA DO CONDE (BARCARENA - PA) COM A ZONA DE REPRODUÇÃO DA PESCADA BRANCA PLAGIOSCION SQUAMOSISSIMUS E PESCADA CURUCA PLAGIOSCION SURINAMENSIS (SCIAENIDAE)
  • Orientador : FLAVIA LUCENA FREDOU
  • Data: 29/04/2009

  • FABIO FERREIRA CARDOSO
  • DINÂMICA DA COMUNIDADE MICROFITOPLANCTÔNICA RELACIONADA COM OS PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS DO ESTUÁRIO DO RIO GUAJARÁ-MIRIM (VIGIA-PA).
  • Orientador : ROSILDO SANTOS PAIVA
  • Data: 31/03/2009

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