Dissertações/Teses

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2021
Descrição
  • MYCKEY KENZY E SILVA GONÇALVES
  • RETENÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS EM ÁREAS INUNDADAS DA AMAZÔNIA

  • Data: 29/03/2021
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  • A poluição dos ecossistemas aquáticos por resíduos sólidos está se tornando rapidamente um dos maiores desafios ecológicos do mundo, causando diversas interações letais à habitats e espécies, além de prejuízos no que se refere a serviços ecossistêmicos e implicações para o bem-estar humano. Entretanto, a maioria das informações sobre esse tipo de poluição vem de pesquisas realizadas em praias e costas oceânicas, já ambientes de água doce e estuarinos permanecem menos estudados. No entanto, dados sugerem que esses sistemas funcionam como sumidouro para resíduos sólidos e são a principal forma veiculação desses para os oceanos. O plástico é o principal componente dos resíduos presente nos oceanos, devido sua alta produção e uso em produtos descartáveis, gerando danos como enredamento e ingestão de detritos plásticos que representam riscos a diversos táxons. Dada a sua posição intermediária entre os ambientes terrestre e marinho, os sistemas estuarinos são especialmente vulneráveis à poluição humana. Os estuários da região amazônica possuem uma série de características únicas, como uma paisagem heterogênea intercalando uma faixa de florestas alagadas pelas marés com bancos de areia e praias. No presente estudo, fornecemos os primeiros dados qualitativos e quantitativos sobre a retenção de resíduos solidos em um estuário amazônico, comparando áreas cobertas por vegetação com áreas de areia. Ao todo, foram coletados 12.003 itens, com densidade média ± DP de 1,69 ± 2,16 itens / m2 e peso médio de 78,08 ± 93,11 g / m2. O plástico foi o principal tipo de material (80,97% dos itens) encontrado nas amostras. O maior número de itens foi encontrado nas florestas inundadas pelas marés (73,11%), o que indica que essas áreas são as mais afetadas pela poluição do plástico. Os resultados do presente estudo fornecem informações importantes para o planejamento de pesquisas futuras e a implementação de políticas públicas eficazes para a conservação e gestão desses importantes ecossistemas.

  • FABIO JOSE TORRES DE BARROS
  • Análise Espermática de Hypancistrus sp. (SILURIFORMES, LORICARIDAE) do rio Xingu, Pará, Brasil

  • Data: 25/03/2021
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  • Hypancistrus sp., conhecido como acari-pão, é uma espécie de pequeno porte da família Loricariidae, endêmico da bacia amazônica, de baixa mobilidade geográfica, com suas populações restringidas a pequenos ecossistemas locais. A espécie habita biótopos de pedrais caracterizados como micro-habitats heterogêneos e os utiliza como locais para proteção e reprodução. Sua grande variedade de cores e características morfológicas trazem implicações para sua classificação taxonômica e são atrativos para a aquariofilia, o que, entre outros fatores, o caracteriza como peixe ornamental. Neste trabalho, foram realizados dois experimentos, o primeiro foi a caracterização seminal da espécie e o segundo avaliou os efeitos da indução hormonal na qualidade seminal. Para o primeiro experimento, foram usados 42 machos divididos em três grupos com 14 animais cada. Os grupos foram extrusados em meses diferentes e reextrusados seis meses depois. Os parâmetros espermáticos avaliados foram: percentual de motilidade, duração, vigor, concentração, integridade de membrana plasmática, morfologia normal e anormal dos espermatozoides, morfometria, densidade, volume relativo, volume total de sêmen coletado e produção espermática. A variância entre as extrusões e reextrusões dos espécimes também foi avaliada. Hypancistrus sp. apresentou volume seminal total de 25,75 ± 19,97 μL, motilidade espermática de 86,40 ± 9,32%, vigor de 2,75 ± 0,58, duração da motilidade de 5,45 ± 1,81 minutos, integridade de membrana de 82,59 ± 21,00%, concentração de 0,73 ± 0,54x106 SPTZ.mL-1, percentual de espermatozoides com morfologia normal de 85,31 ± 7,50%, percentual de espermatozoides com morfologia anormal de 14,69 ± 7,50%, volume relativo 0,94 ± 0,80 μg de reprodutor-1, produção espermática 0,00025 ± 0,00028×108 SPTZ.macho-1 e densidade 1,25 mg.μL-1. No segundo experimento foram usados 40 espécimes, avaliando a influência da ação hormonal artificial pela indução de uma única aplicação intramuscular de Gonadorelina (Profetil@), em três grupos distintos, obedecendo as seguintes concentrações 60, 100 e 120 μL.Kg-1, frente ao controle negativo (C-), sem indução hormonal e ao controle positivo (C+), animais induzidos com Extrato Bruto de Hipófise de Carpa (EBHC), a 3 mg.Kg-1. Em todos os animais induzidos, o sêmen foi coletado após 250° horas grau da injeção intramuscular. Os peixes induzidos com 60 μg.kg-1 produziram maior volume de sêmen (15,72 ± 8,34 μl), maior concentração espermática 1,40x106 SPTZ.mL-1, e consequentemente maior produção de espermatozoides 2,80x106 SPTZ.macho-1, em relação ao controle negativo (P < 0,05), porém estatisticamente igual ao controle positivo. O hormônio Gonadorelina (Profetil@) não afetou o percentual de motilidade, a duração da motilidade, vigor espermático e integridade de membrana em relação ao controle negativo e demais concentrações de Gonadorelina (Profetil@). Considerando o percentual de resposta de peixes induzidos e a similaridade nas características espermáticas comparadas aos controles e outras doses de Gonadorelina (Profetil@), a dosagem indicada para melhorar a qualidade seminal de Hypancistrus sp. é de 60 μg.kg-1, e este pode ser usado como substituto para o EBHC.

2020
Descrição
  • KAROLINA MOTTA DE CAMPOS
  • Vouacapoua americana Aubl. (Fabaceae): PARÂMETROS MORFOLÓGICOS E AMBIENTAIS RELACIONADOS AO DESENVOLVIMENTO DE MUDAS

  • Data: 15/05/2020
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  • V. americana, é uma espécie nativa da Amazônia ameaçada de extinção. Assim, estudos relacionados a sua propagação mostram-se como estratégias de conservação. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar a relação dos parâmetros morfológicos e ambientais no desenvolvimento de mudas. As sementes foram coletadas em Vitória do Xingu - Pará, em seguida, foi mensurado: biometria e taxa de predação de 400 sementes. Essas foram semeadas e acondicionadas em viveiro. Após 30 dias, foi computado a porcentagem de emergência, tempo médio (TM) e indice de velocidade para emergência (IVE). Para analisar o desenvolvimento em viveiro, foi avaliado: a altura da parte aérea; diâmetro do coleto; número de folhas e folíolos; área foliar, clorofila a e b. Para analisar o desenvolvimento em campo, 180 mudas foram transplantadas em áreas com diferentes níveis de radiação e abertura do dossel, sendo a distribuição homogênea com relação ao peso das sementes. Após 60 e 180 foi avaliado a sobrevivência, rebrota e taxas de crescimento relativo (TCR) dos mesmos parâmetros avaliados em viveiro, exceto pela área foliar. As análises estatitiscas foram realizadas no ambiente R. Suas sementes apresentaram baixa emergência (46,5%) e variabilidade biométricas, principalmente o peso (25% CV), sendo que, sementes mais pesadas aumentam a probabilidade de emergência. Foi observado elevada taxa de predação (32,25%), porém, os danos não incapacitaram a emergência. O peso das sementes influência o indice de área foliar apenas nos primeiros dias após emergência (60 dias). Em campo as mudas apresentaram alta porcentagem de sobrevivência (86,33 a 88,33%) e boa capacidade de rebrota (28,33 a 30%). Existe uma baixa relação (6,06%) entre irradiância e TCR de número de foliolos e clorofila, onde locais com maior irradiância ocorre incremento, porém, as mudas também se desenvolveram em áreas sombreadas, mostrando plasticidade nos níveis de irradiância e abertura do dossel avaliadas.

  • PEDRO TARCIO SOUZA ROCHA
  •  

    Espectro de tamanho como potencial indicador dos efeitos de barragens na ictiofauna


  • Data: 29/04/2020
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  • As usinas hidrelétricas são bastante conhecidas por serem um dos principais causadores de impactos nos rios do mundo. Assim como em outras regiões, a construção destes empreendimentos ameaça toda a fauna aquática na Amazônia, com potenciais efeitos nas estruturas das comunidades de peixes. Desta forma, é necessário propor métricas biológicas que sejam efetivamente capazes de detectar alterações na integridade da ictiofauna. Neste estudo se utilizou o espectro de tamanho, como métrica biológica para averiguar as possíveis modificações das assembleias de peixes do rio Xingu antes e após a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A coleta dos dados foi realizada em quatro setores no trecho do rio Xingu influenciado pela UHE de Belo Monte entre janeiro de 2013 a outubro de 2018, compreendendo três anos de coleta antes e três após o barramento do rio. Houve redução da abundância das classes de tamanho entre 15 e 20 cm para a maioria dos setores com a exceção ao reservatório onde teve um aumento na sua abundância, sendo justificado pelo aumento populacional das espécies da família Hemiodontidae. Os espectros de tamanho calculados para cada setor e ano apresentaram um coeficiente b variando entre -2,10 e -1,98, mas não foi possível detectar para nenhum setor diferenças significativas desta métrica entre as fases de pré e pós-barramento. Quando testada a relação entre o coeficiente b dos espectros de tamanho e a vazão do rio em cada setor monitorado, apenas para o trecho de vazão reduzida a jusante da barragem se observou uma tendência significativa. Estes resultados, mesmo preliminares (i.e., apenas três anos de amostragem após a construção da barragem), sugerem que o espectro de tamanho seja uma métrica a ser adotada em programas de monitoramento para avaliar as potenciais alterações na biota aquática.

  • JOSE FARIAS COSTA
  • FIXAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE CARBONO NAS FLORESTAS DO MÉDIO XINGU-AMAZÔNIA ORIENTAL"

  • Orientador : EMIL JOSE HERNANDEZ RUZ
  • Data: 31/03/2020
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  • As florestas tropicais funcionam como os maiores sumidouros de dióxido de carbono, mas podem se tornar também as maiores fontes desse elemento para a atmosfera através da degradação florestal. Por isso, os estudos sobre a quantificação e distribuição espacial do carbono estocado, assim como o potencial de absorção de carbono pelas florestas são de grande importância no âmbito das mudanças climáticas. Nesse contexto, realizamos este estudo com o objetivo de avaliar a distribuição espacial e a dinâmica do carbono, em parcelas de florestas no Médio Xingu. Estimamos a biomassa das árvores com DAP igual ou superior a 10 cm, através de equação alométrica utilizando dados de inventário florestal (realizado utilizando módulos RAPELD, com 42 parcelas de 1 ha), na região de influência do rio Xingu – Amazônia Oriental. Avaliamos a dinâmica da vegetação e do estoque de carbono nos anos 2012, 2014 e 2016, assim como a influência espaço temporal no ganho de carbono. O incremento periódico anual em carbono foi de 2,5 ton ha-1 entre 2012 e 2014 e 1,84 ton ha-1 entre 2014 e 2016. A biomassa da vegetação apresentou forte influência da abundância de espécies de diâmetros inferiores. Identificamos que a floresta não se demonstrou estável, funcionando como sumidouro de carbono, com os incrementos superando as emissões, embora no período 2014 a 2016 a taxa de mortalidade tenha sido bem superior à de recrutamento. Além disso, o efeito temporal demonstrou-se mais importante no ganho de carbono que o efeito espacial.

  • BRENDA TAYNA SOUSA DA SILVA
  • Caracterização química e avaliação de atividade biológica de Mimosa setosa Benth var. Paludosa

  • Data: 26/03/2020
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  • As plantas possuem defesas químicas conhecidas como metabólitos secundários que podem interferir em outros organismos e serem utilizados de diversas maneiras. O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial fitotóxico. citotóxico, genotóxico, antioxidante, fotoprotetor e os teores de fenólicos totais e flavonóides de Mimosa setosa Benth, através de extratos fracionados de suas folhas e extrato bruto de suas raízes, avaliando se os mesmos apresentam substâncias químicas que interferem no desenvolvimento e no índice mitótico da espécie alvo, além de avaliar se as sínteses destas substâncias modificam conforme a sazonalidade. A metodologia utilizada será a produção de extratos das folhas com solventes de diferentes polaridades nas concentrações de 2,5%, 5%, 7,5% e 10%. Para a determinação do potencial alelopático foi realizado um bioensaio de germinação e crescimento e avaliou a biomassa seca e fresca das plântulas. Para   o bioensaio de citotoxicidade e genotoxicidade foram utilizados a parte meristemáticas das raízes de bulbos de cebolas submetidos aos extratos, em que avaliou o índice mitótico e o número de aberrações nas células da cebola.  As atividades antioxidantes foram realizadas pelas técnicas de sequestro do radical livre DPPH e ABTS e atividade fotoprotetora foram realizadas através da absorbância dos extratos nas radiações UVA e UVB em um comprimento de onda de    0 a  420 nm, os teores totais de flavonoides e fenólicos foram quantificado por analises colorimétricas e com leitura em espectrofotômetro, através do método de cromatografia em camada delgada observou as principais classes presentes em M.setosa, foram utilizados testes como ANOVA e TUKEY 5% de probabilidade, quando os dados atenderam os pressupostos de homogeneidade e homocedasticidade e quando não atenderam utilizou-se o teste de KRUSKAL-WALLIS e Skot-Knott ou as análises de multivariância, PCoA, PERMANOVA e PERMIDISP.  Os resultados evidenciaram que M. setosa possui um alto poder fitotóxico, pois interferiu no crescimento e na germinação  das plantas alvos e isso foi corroborado pelo bioensaio de citotoxicidade e genotoxicidade pois  as frações ativas selecionadas diminuiu o índice mitótico e ocasionou aberrações cromossômicas e celulares.   A mesma demonstrou um alto poder antioxidantes e altos teores de flavonoides e fenólicos totais, porém não apresentou capacidade fotoprotetora. Esses resultados demonstram que M. setosa    possui compostos bioativos com ótimos desempenhos e com estudos mais aprofundados e a elucidação dos compostos que a mesma apresenta poderá ser utilizada como um bioherbicida.

  • HILDEGARD DE HOLANDA SILVA
  • Níveis de Mercúrio em Peixes do rio Xingu de Ambientes sob a Influência da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, Amazônia, Brasil

  • Data: 04/03/2020
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  • As usinas hidrelétricas são amplamente conhecidas por seus danos ambientais. Essas obras podem provocar um aumento nos níveis de mercúrio (Hg) nos rios amazônicos, em razão das profundas mudanças que elas podem ocasionar no funcionamento desses sistemas aquáticos. Nosso estudo examinou os teores de Hg na água, sedimento e tecidos de duas espécies de peixes do rio Xingu, em oito pontos de coletas (P1 a P8) afetados pela Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte (Pará, Brasil). As maiores concentrações de Hg no sedimento foram registradas em locais dentro do reservatório, enquanto que as menores foram encontradas a jusante da hidrelétrica. C. melaniae (espécie piscívora) apresentou as maiores concentrações de Hg nos tecidos em comparação com B. xanthellus (espécie detritívora). Ambas as espécies apresentaram a mesma ordem de concentração de Hg nos tecidos: fígado > músculo > brânquia. Em C. melaniae as concentrações de Hg nos três tecidos examinados aumentaram  proporcionalmente com o tamanho corporal. Em B. xanthellus houve uma tendência de declínio nas concentrações de Hg nas brânquias em relação ao comprimento total. O “efeito do represamento” do rio Xingu foi mais evidente em B. xanthellus, que apresentou as maiores concentrações de Hg no P2 (local situado no reservatório) em comparação com os outros locais de coletas. Em C. melaniae as concentrações de Hg nos tecidos não tiveram grandes variações entres os locais de coletas, em que somente as concentrações de Hg nas brânquias apresentaram diferenças entre os pontos P1 (ponto do rio a jusante do reservatório e fora da área de influência da UHE) e P3 (ponto localizado no trecho de vazão reduzida da barragem). As concentrações de Hg nos tecidos musculares das duas espécies investigadas se apresentaram dentro dos limites de segurança estabelecidos pela legislação brasileira, para consumo humano. Essa avaliação nos permitiu avaliar a quantidade de Hg nos peixes, água e sedimento do rio Xingu após a construção da UHE Belo Monte e comparar com demais rios impactados por hidrelétricas no mundo.

  • THAIS SOUSA MARTINS
  • DNA Barcode para rastrear o comércio de elasmobrânquios na região costeira amazônica

  • Data: 02/03/2020
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  • RESUMO

     

    A cidade de Bragança tem na atividade pesqueira uma importante fonte de capital, é o terceiro maior porto de desembarque da região Norte, além de apresentar um comércio de pescado expressivo, como o da Feira Livre do município. O comércio neste local é realizado no Mercado e na Feirinha com uma grande riqueza de espécies sendo vendidas diariamente. E embora a comercialização de peixes seja uma importante fonte de renda, é difícil ter a magnitude do quanto e o que se é comercializado de fato. Este problema se torna mais evidente para as espécies vendidas em categoria ou sem seus caracteres corporais, práticas comuns no comércio das categorias cação e arraia. A comercialização dessas categorias é frequente na Feira Livre bragantina, o que se mostra preocupante, pois espécies com diferentes status de conservação estão sendo comercializadas em conjunto. Em consequência desses problemas é importante utilizar alternativas eficazes que possam ser aplicadas para uma identificação precisa dos táxons, como a da ferramenta do DNA Barcode que tem sido aplicada com sucesso para a identificação de peixes. O presente trabalho demonstrou a eficiência da ferramenta DNA Barcode para a identificação inequívoca das espécies de tubarão e arraia, sendo de extrema relevância para rastrear o comércio de espécies ameaçadas.

  • KAREN MONTEIRO MOY
  • EFEITO DAS MUDANÇAS AMBIENTAIS SOBRE AS COMUNIDADES DE GERROMORPHA (HETEROPTERA: HEMIPTERA) EM RIACHOS AMAZÔNICOS


     


  • Data: 28/02/2020
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  • As atividades de agricultura e pecuária tem se expandido nos últimos anos na Amazônia Brasileira, levando a modificações da paisagem e do uso constante da terra. Diversos usos da terra modificam as condições ambientais, ocasionando alterações significativas na biodiversidade aquática. Devido a este cenário, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito das mudanças nas condições ambientais ao longo de um gradiente de diferentes usos da terra sobre a abundância, riqueza e composição de espécies de Gerromorpha em riachos da Amazônia brasileira. Testamos a hipótese de que as variáveis da estrutura do habitat local e da paisagem são melhores preditores do que as variáveis físico- químicas da água para a comunidade de Gerromorpha. Amostramos 45 riachos no município de Paragominas, estado do Pará, onde coletamos as comunidades de Gerromorpha e as variáveis ambientais (habitat local, paisagem e físico-químicas da água). Realizamos seleções de modelo específicos para cada métricas de diversidade (riqueza de espécies, composição de espécies e abundância de indivíduos) juntamente com cada conjunto de variáveis ambientais (habitat local, paisagem e físico-químicas da água). Posteriormente, realizamos a análise de redundância parcial com os dados de composição de espécies e abundância de indivíduos juntamente com o conjunto de variáveis preditores ambientais selecionadas para cada métrica de diversidade, assim como realizamos uma análise de regressão linear simples com os dados de riqueza de espécies com a variável preditora ambiental selecionada. Verificamos que para a riqueza e composição de espécies a variável preditora com maior poder de explicação foi a integridade ambiental, enquanto para a abundância de indivíduos a variável preditora de maior explicação foi a condutividade elétrica. As variáveis da estrutura do habitat, especialmente a integridade do habitat, foram as métricas mais importantes para a comunidade de Gerromorpha, possivelmente porque ela está relacionada a vegetação ciliar onde recursos como suas presas e abrigos são encontrados e com a qualidade ambiental do habitat. Contudo, destacamos que as mudanças em razão do uso da terra modificam as comunidades aquáticas, sendo necessário a implementação de medidas que venham manter e conservar a biodiversidade aquática.

  • PAULA DA CONCEICAO PRAXEDES SANTANA
  • "DNA BARCODE PARA AVALIAR A DIVERSIDADE DE PEIXES COMERCIALIZADA NO NORDESTE PARAENSE, AMAZÔNIA COSTEIRA"

  • Data: 28/02/2020
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  • RESUMO

     

    Na costa Norte do Brasil, Bragança é um importante centro de desembarque e comercialização de pesados. Os peixes que chegam nos portos da cidade são oriundos de pesarias realizada na costa Norte e áreas próximas a Bragança, boa parte deste pescado abastece o comercio local, na Feira Livre da cidade, onde são ofertadas diversas espécies ao longo do ano. Porém, a comercialização ocorre com o nome popular, o que não oferece precisão quanto à espécie comercializada e pode ocultar a diversidade real que é vendida. Portanto, o presente trabalho objetivou a identificação precisa das espécies de peixes comercializada na Feira Livre de Bragança, por meio da ferramenta Dna Barcode. Obteve se um total de 213 sequências, constituindo um banco de 500 pb, dentre as sequências foram recuperados 125 haplótipos. Destas foram discriminadas e delimitadas pelo ABGD e GMYC 88 espécies referente a 72 designações comercias, das quais 12 representam categorias. Registramos a primeira ocorrência de Hoplias missioneira na região Norte brasileira, uma possível nova espécie denominada Menticirrhus sp., comércio de espécies ameaçadas de extinção pela IUCN e de táxons que estavam ocultas por nomenclaturas de comercialização. No presente trabalho, a ferramenta DNA Barcode, mostrou-se extremamente eficiente na discriminação correta das espécies amostradas na Feira Livre de Bragança. Nossos resultados confirmam que nomes comuns e comerciais são imprecisos, subestimam a ictiodiversidade e que podem favorecer substituições e comércio de espécies ameaçadas e que apesar de termos uma normativa para estabelecer a relação de nomes comercias e especifico ela é incompleta e necessita de uma reformulação.

     

  • ANGELINO PEREIRA DE OLIVEIRA JUNIOR
  • "DINÂMICA DE UMA FLORESTA SUBMETIDA À EXPLORAÇÃO MADEIREIRA NA AMAZÔNIA ORIENTAL"

  • Data: 27/02/2020
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  • Estudos de dinâmica realizados em florestas submetidas à extração madeireira são importantes para avaliar a sua sustentabilidade. Aqui, avaliamos a dinâmica de uma floresta submetida à exploração madeireira em uma unidade de manejo localizada no conjunto de glebas Mamuru-Arapiuns, nos municípios de Juruti e Santarém, no estado do Pará. Os dados que analisamos foram coletados em 12 parcelas permanentes de 50 x 50 m (2500 m2). Inventários florestais foram realizados em três ocasiões, no período pré-exploratório no ano de 2012 e nos anos de 2013 e 2015 pós-exploração. Foram medidas todas as árvores com Diâmetro à Altura do Peito (DAP) ≥ 10 cm sendo as mesmas avaliadas segundo as seguintes variáveis: forma de copa, iluminação da copa e presença de cipós. Constatamos diminuição significativa na densidade de árvores por hectare, assim como na área basal da floresta, revelando taxas de mortalidade superiores às taxas de recrutamento. Detectamos uma redução significativa no número de árvores em quase todas as classes diamétricas avaliadas. A comunidade florestal apresentou uma taxa de incremento diamétrico de 0,82 cm ano-1 no período estudado, com as variáveis forma de copa e iluminação da copa influenciando significativamente o crescimento em diâmetro das árvores, com as árvores de copa completa e também aquelas de copa totalmente expostas à iluminação tendo um crescimento superior que aquelas de copa incompleta e totalmente sombreadas respectivamente. Concluímos que a exploração madeireira na floresta analisada impactou sua dinâmica em um nível que levanta dúvidas sobre suas perspectivas de sustentabilidade.

  • LEONARDO MARIO SIQUEIRA MORAIS
  •  "INGESTÃO DE MICROPLÁSTICOS PELA ANÊMONA-DO-MAR BUNODOSOMA CANGICUM (HEXACORALLIA: ACTINIIDAE) NA COSTA AMAZÔNICA"

  • Data: 26/02/2020
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  • A poluição por resíduos plásticos se tornou um problema de proporções globais. Atualmente, estes contaminantes encontram-se amplamente difundido em todos os oceanos e costas do mundo, representando cerca de 80% dos detritos marinhos. A ingestão de partículas plásticas tem sido reconhecida como uma das maiores ameaças à biota marinha e o monitoramento da contaminação por plásticos é essencial para planejar medidas de mitigação e promover o gerenciamento adaptativo. Organismos que possam ser utilizados como biomonitores são estrategicamente relevantes neste processo. O presente estudo verificou a ingestão de microplásticos (< 5 mm) pela anêmona-do-mar Bunodosoma cangicum na costa amazônica, além de avaliar seu potencial como uma possível espécie biomonitora da contaminação por plásticos na região. As coletas ocorreram durante outubro de 2018, quando 90 espécimes (30 em cada uma das três localidades distribuídas ao longo do litoral do estado do Pará: São Caetano de Odivelas, ilha de Algodoal/Maiandeua e Salinópolis) foram amostrados aleatoriamente em afloramentos rochosos da zona entremarés. Os indivíduos foram medidos (diâmetro do disco do pedal, mm) e pesados (peso úmido, g). O conteúdo da cavidade gastrovascular foi extraído e analisado sob estereoscópio. Os microplásticos foram quantificados, classificados, medidos e fotografados. Uma amostra de cada tipo de plástico identificado foi submetida a análise de polímero através da Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR). Um total de 139 microplásticos e 2 de mesoplásticos foram identificados em 68 indivíduos (75,6% do total). Foram encontrados 1,6 ± 1,5 partículas plásticas por indivíduo. As fibras representaram cerca de 84% dos plásticos ingeridos, seguida por fragmentos (~ 12%) e tecidos (~ 4%). O diâmetro das partículas variou de 0,101 a 9,168 mm (média = 1,556 ± 1,231 mm). Uma correlação positiva fraca foi encontrada entre o peso das anêmonas-do-mar e o número de plásticos dentro da cavidade gastrovascular (p = 0,03) e entre o número de presas e a quantidade de plásticos dentro da cavidade gastrovascular (p < 0,001). Os principais polímeros identificados foram: Polietileno tereftalato (PET), polipropileno (PP), poliamida (PA), poliuretano (PU), polietileno (PE), acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS), poliestireno (PS) e Rayon. As anêmonas-do-mar ingeriram significativamente mais detritos plásticos nos locais de amostragem mais urbanizados e populosos. O presente estudo fornece a primeira evidência de contaminação de invertebrados marinhos por microplásticos na costa amazônica. Espécies abundantes como B. cangicum têm o potencial de monitorar os níveis de contaminação plástica na área. Nossos resultados corroboram esse potencial, pois o organismo apresentou uma alta taxa de ingestão de detritos e foi capaz de detectar contaminação por plásticos mesmo em uma área de proteção ambiental relativamente preservada.

  • ORLANDO DE FIGUEIREDO JUNIOR
  •  "CRESCIMENTO DE ESPÉCIES ARBÓREAS AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO EM ÁREAS DE RECOMPOSIÇÃO FLORESTAL"

  • Data: 17/02/2020
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  • No Brasil, existe uma grande lacuna de estudos relacionados às espécies nativas protegidas, desmotivando seu uso em plantios, e consequentemente, favorecendo mais ainda a redução da sua conservação. Nesse sentido, esta pesquisa teve como finalidade analisar os fatores bióticos e abióticos que influenciam no estabelecimento inicial, em plantio de enriquecimento, de cinco espécies florestais ameaçadas de extinção. As áreas de plantio estão localizadas em extensões cobertas por floresta secundária no município de Vitória do Xingu/PA. O perímetro total delineado para o enriquecimento com espécies correspondeu a 147,26 ha. Para avaliação das mudas foram instaladas 147 unidades amostrais de 800 m². O inventário de sobrevivência das espécies e medição da altura foi realizado 30 e 180 dias posteriores ao plantio. Foram avaliadas as condições fitossanitárias das mudas, vestígios de fauna, fertilidade do solo, estrato herbáceo e árvores adjacentes. Entre os principais resultados destacam-se: (i) C. odorata revelou-se com maior índice de mortalidade; (ii) A. leiocarpa foi a espécie que apresentou maior taxa de crescimento absoluto com diferença significativa em relação a B. excelsa; (iii) foi registrada maior mortalidade aos 30 dias do que na segunda avaliação (iv) a presença de animais dentro das parcelas teve influência na mortalidade das mudas; (v) a variabilidade na quantidade de nutrientes do solo entre as parcelas não foi suficiente para gerar comportamento diferente entre as espécies; e (vi) o estrato herbáceo e as árvores circundantes não promoveram nenhuma interferência no crescimento das plantas. Recomenda-se a utilização das espécies avaliadas neste estudo em plantios de enriquecimento.

  • ONASSIS DE PABLO SANTOS DE SOUZA
  • "SOBREVIVÊNCIA E CRESCIMENTO INICIAL DE ESPÉCIES NATIVAS EM PLANTIO DE ENRIQUECIMENTO EM ÁREA DE RECOMPOSIÇÃO FLORESTAL DA UHE DE BELO MONTE"

  • Data: 17/02/2020
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  • O desenvolvimento de espécies arbóreas nativas em plantios de enriquecimento pode ser afetado por uma série de aspectos ecológicos, com impacto direto na escolha das espécies adequadas. O presente estudo teve como objetivo analisar o crescimento e a sobrevivência de seis espécies nativas da Amazônia condicionadas à variação na fertilidade do solo e interação biológica com outras plantas e animais, durante o estabelecimento inicial em campo de um plantio de enriquecimento. Foram instaladas de forma sistemática 147 parcelas de 800 m² em uma área de 147,26 ha localizada no município de Vitória do Xingu, PA. Os dados de sobrevivência e crescimento foram coletados 30 e 180 dias após o plantio. Foram considerados na análise os fatores referentes ao estrato herbáceo, árvores adjacentes, fertilidade do solo, vestígio de fauna e estado fitossanitário das mudas. Dentre os principais resultados obtidos destacam-se: (i) H. intermedia apresentou o maior número de indivíduos mortos; (ii) apesar do C. tocantinum ter denotado maior taxa de crescimento absoluto, o crescimento em altura foi similar entre as espécies; (iii)  o estrato herbáceo e as árvores adjacentes não provocaram nenhuma influência no desenvolvimento das plantas; (iv) a variação na fertilidade do solo entre as parcelas não foi suficiente para influenciar o crescimento das mudas; (v) a ocorrência de animais dentro das parcelas não teve qualquer interferência sobre as plantas analisadas; e (vi) a ocorrência de plantas vivas foi notoriamente predominante em mudas com fitossanidade sadia. Nesse contexto, conclui-se que as espécies analisadas respondem às condições ambientais de maneira equivalente.

  • ERILDA BARBOSA DE SOUSA
  • DESCRIÇÃO DE DUAS ESPÉCIES DE Hypancistrus (SILURIFORMES: LORICARIIDAE) DO RIO XINGU, PARÁ, BRASIL

  • Data: 04/02/2020
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  • Hypancistrus é um gênero de Loricariidae que possui nove espécies descritas até o momento: Hypancistrus zebra, Hypancistrus inspector, Hypancistrus contradens, Hypancistrus furunculus, Hypancistrus lunaorum, Hypancistrus debillitera, Hypancistrus vandragti, Hypancistrus margaritatus e Hypancistrus phantasma. Com exceção de H. zebra, espécie-tipo do gênero, todas as espécies descritas são de bacias que drenam o escudo das Guianas (Essequibo, Orinoco e Alto Rio Negro). Entretanto, parte considerável da diversidade deste gênero encontra-se também nos rios que drenam o escudo brasileiro, como o Xingu e o Tapajós, entre outros. No presente trabalho, material do médio e baixo Xingu foi analisado e duas novas espécies de Hypancistrus foram descritas: Hypancistrus sp. “marrom” e Hypancistrus sp. “pão”. Hypancistrus sp. “marrom” é um loricarídeo de tamanho pequeno que ocorre apenas em uma pequena porção da Volta Grande do Xingu. Diferencia-se dos congêneres pela presença de manchas marrons sobre um fundo bege claro, podendo ser anastomosadas formando padrões de manchas e listras sinuosas ao longo do corpo. Hypancistrus sp. “pão” é amplamente distribuído em todo o baixo Xingu, ocorrendo desde a porção norte da Volta Grande do Xingu até a confluência com o rio Amazonas. Esta espécie atinge tamanhos ligeiramente maiores e o padrão de colorido é extremamente variado, composto por linhas escuras vermiculadas sobre um fundo claro, que podem variar em espessura, tonalidade e padrões de anastomosamento. As três espécies de Hypancistrus ora reconhecidas para o Xingu apresentam diferentes padrões de distribuição geográfica e ocupação do substrato: H. zebra ocorre em profundidades de 0 a 10 metros em rochas granitoides ao longo da Volta Grande do Xingu e porção à montante da Ria do Xingu, Hypancistrus sp. “marrom” entre 15 e 40 metros de profundidade em rochas com encrostramentos lateríticos em um pequeno trecho da Volta Grande do Xingu, sendo muito mais restrita que H. zebra, e Hypancistrus sp. “pão” de 0 a 40 metros em variados tipos de rochas, desde granitoides até arenitos, em toda a porção baixa do rio Xingu, sendo a espécie mais plástica e generalista do gênero.

  • GEYSA KELLY OLIVEIRA VELOSO
  • INFLUÊNCIA DE VARIÁVEIS FÍSICO-QUÍMICAS NA COMPOSIÇÃO E
    RIQUEZA DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS DO RESERVATÓRIO DA USINA
    HIDRELÉTRICA (UHE) BELO MONTE, RIO XINGU

  • Data: 04/02/2020
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  • A distribuição da comunidade de macrófitas aquáticas ao longo dos reservatórios da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é descrita em relação a influência das variáveis ambientais. A dinâmica do rio, é alterada com a implantação de um reservatório hidrelétrico. As macrófitas aquáticas têm influência na estrutura e dinâmica dos ecossistemas aquáticos, contribuindo para a biodiversidade e, portanto, são necessárias estratégias que visem a preservação e conservação de tais comunidades. Conhecer como as comunidades de plantas são influenciadas pelas variáveis limnológicas que caracterizam o ambiente aquático permitem desenvolver melhores estratégias de conservação e manejo. Logo, o objetivo deste estudo foi analisar a relação entre a distribuição de espécies de Macrófitas aquáticas e as características físico-químicas da água, como as variáveis limnológicas influenciam na composição e riqueza de macrófitas aquáticas no lago da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.  Foram amostrados 34 pontos dentro do reservatório e em cada um a riqueza e composição da comunidade de macrófitas aquáticas, junto com as variáveis ambientais (temperatura, condutividade, profundidade, transparência oxigênio dissolvido e pH) foram mensuradas. As variáveis limnológicas que foram identificadas como preditores significativos da composição de macrófitas foram, pH e transparência da água. Verificamos a predominância das espécies de macrófitas emergentes, sendo a transparência a principal variável responsável por esse resultado. Neste estudo as variáveis não exerceram influencia  sobre a riqueza de espécies de macrófitas. Macrófitas emergentes são influenciadas pela disponibilidade de luz apenas nos estágios iniciais de seu desenvolvimento e absorve nutrientes do sedimento, sendo considerada a forma de vida de macrófitas aquáticas menos dependente da qualidade da água. A composição de espécies pode ser explicada por diferentes combinações de parâmetros físico-químicos, onde cada espécie possui respostas individuais, como reflexo de suas adaptações estruturais e fisiológicas. Este estudo pode ser usado para classificar fatores ambientais influenciam a distribuição de macrófitas em reservatórios hidrelétricos e identificar espécies que podem ser utilizadas como indicadores efetivos de mudanças no ambiente aquático.

2019
Descrição
  • ROZINETE FRANCISCA REZENDE
  • PRÁTICA DA CAÇA ENTRE MORADORES URBANOS NA REGIÃO DO MÉDIO XINGU, PARÁ

  • Data: 25/10/2019
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  • A caça é uma atividade importante para as comunidades humanas nas regiões Neotropicais. Apesar de ser uma atividade difusa, a caça é praticada por um grande número de pessoas nas florestas tropicais. Agindo sinergeticamente com a destruição e fragmentação das florestas esta atividade pode ocasionar extinções de determinadas espécies, alterarando as interações entre a fauna local e a vegetação como, por exemplo, no estoque de carbono ou dispersão de sementes. Ainda, os caçadores tendem selecionar as mesmas espécies de presa que os predadores de topo, diminuindo a capacidade de suporte para os carnívoros de grande porte. A caça sempre esteve presente na vida das populações amazônicas, seja de maneira cultural, esportiva ou de subsistência. Produtos derivados de animais silvestres na alimentação representam uma das principais fontes proteicas para algumas comunidades tradicionais e indígenas. As populações que vivem em aglomerados urbanos (e.g. cidades, vilas) também praticam a caça, mas o conhecimento sobre o seu papel é ainda pouco explorado. Os objetivos desse estudo serão avaliar a incidência da caça pelos moradores urbanos na região da Transamazônica no médio Xingu, PA, definir ospadrões de uso e escolha da caça e investigara importância socioeconômica dessa atividade na região. O estudo será realizado nos municípios de Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo. Essa região abriga uma população de aproximadamente140.000 habitantes, sendo que mais da metade desta população vive na zona urbana. A pesquisa consistirá de entrevistas baseadas em questionários semiestruturados, complementados por entrevistas livres e conversas informais com participação voluntária dos caçadores por meio da técnica de amostragem bola de neve. Ao final da pesquisa espera-se diagnosticar a importânciada caça para os moradoresurbanos e para os ecossistemas próximos, bem como a finalidade dessa prática para as comunidades envolvidas.

     

  • JOILSON SILVA DA SILVA
  • Ecologia Reprodutiva do Muçuã (Kinosternon scorpioides) na Ilha de Marajó, Pará, Brasil.

  • Data: 08/07/2019
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  • Kinosternon scorpioides é um dos quelônios mais caçados no estuário Amazônico, sobretudo na microrregião do Arari, Ilha de Marajó-PA, e nesta região não há pesquisas sobre sua ecologia reprodutiva em populações naturais. Estudos sobre os parâmetros reprodutivos, como: época de acasalamento, postura, incubação e eclosão dos ovos, número de filhotes, é fundamental para o entendimento da ecologia reprodutiva do K.scorpioides dinâmica populacional e por consequência da sua capacidade para suportar a pressão de caça. Considerando que K. scorpioides é explorado ao longo de décadas por meio de caça nesta região, fato que poderá levá-lo a extinção local, este trabalho visa o estudo da ecologia reprodutiva desta espécie em vida livre. Para isso, será observado o substrato dos ninhos, assim como aferidas a sua temperatura e umidade, com o uso de coletores remotos de dados (data-loggers). Além de verificar a quantidade de ovos, e os seus parâmetros biométricos, verificados uma vez ao mês. Será realizada captura manual de animais adultos, durante buscas ativas em um período de 9hs/dia. Após a captura, os animais serão mensurados e pesados, e em seguidas soltos. Portanto este estudo, pretende contribuir com informações sobre ecologia reprodutiva em ambiente natural, e servir como fonte para fins de manejo da espécie.

  • SUYANA KARLA FERREIRA DA SILVA
  • Atributos ecomorfológicos e recursos alimentares de anuros na região do Médio Xingu, Pará

  • Data: 11/06/2019
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  • Resumo: Atributos ecomorfológicos e recursos alimentares de anuros na região do Médio Xingu, Pará. Anuros possuem grande diversidade morfológica e ecológica, ocupando tanto ambientes aquáticos como terrestres. Esta diversidade permite a ocorrência simultânea de diversas espécies em uma enorme gama de micro-habitats num mesmo ambiente, sendo a exibição de diferentes formas corpóreas especializadas é prova disto. Desse modo, a ecomorfologia apresenta-se como uma importante ferramenta para compreendermos a correlação entre as formas dos organismos e seus respectivos hábitos de vida. A ordem anura é bastante complexa, sendo a família Hylidae, representada pelas pererecas, a mais diversa, com cerca de 970 espécies. O objetivo neste estudoserá caracterizar e analisar a ecomorfologia e a dieta dos anuros dessa região, buscando entender se aspectos morfológicos estão diretamente correlacionados com a dieta e a exploração do habitat. Os indivíduos serão capturados e sacrificados com uso de anestésico, com especial atenção à fixação dos conteúdos estomacais com injeção de formol. Em laboratório, os estômagos dos indivíduos serão retirados, e seu conteúdo identificado até o menor nível taxonômico. Após isso, serão realizadas 33 mensurações morfométricas. Serão realizadas análises de agrupamento (PCA) para verificar a proximidade morfológica da dieta e taxonômica entre as espécies e uma técnica multivariada (CCA), onde será possível verificar a relação entre uma matriz morfológica e a matriz dieta para verificar se a correlação entre estas. O estudo da ecomorfologia pode nos direcionar na resposta sobre quais aspectos corpóreos-evolutivos apresentam maior importância para o sucesso de colonização e exploração do ambiente.

  • ERIC FABRICIO SANTOS MORAES
  • Rriqueza e abundância florística em áreas com diferentes níveis de perturbação por extração madeireira em floresta ombrófila densa.

  • Data: 30/03/2019
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  • O século XX foi um período em que houve taxas de desmatamento sem precedentes nas regiões tropicais do planeta e atualmente representam o legado de períodos sucessivos de processos de colonização, exploração, cultivo, abandono e crescimento das florestas nativas. A devastação das florestas brasileiras submete muitas espécies ao risco de extinção, tais como microrganismos, animais e plantas devido à descaracterização dos hábitats. A degradação dos ecossistemas e a perda da diversidade biológica são apenas alguns dos problemas ambientais resultantes dos sistemas de produção e consumo mundial. Devido à fragilidade dos ambientes na floresta amazônica torna-se extremamente necessário conhecer e compreender a composição e a distribuição das espécies vegetais nesses ecossistemas, para organizar e realizar de forma eficiente o manejo e a conservação da vegetação nativa. Esta pesquisa objetiva avaliar as alterações na diversidade e abundância da composição florística em áreas de extração madeireira com diferentes níveis de perturbação causadas pelo manejo florestal de impacto reduzido. O estudo será realizado na propriedade “Fazenda Uberlândia” que possui extensão de 135 mil hectares e está localizada na microrregião do Baixo Tocantins, no nordeste do estado do Pará. Esta microrregião encontra-se em uma zona intermediária da Amazônia Central e Amazônia Oriental com vegetação de floresta equatorial densa. Serão utilizadas parcelas permanentes de 50 x 50 metros dentro de cada tratamento, onde serão medidas e contabilizadas todas as árvores e arvoretas com DAP (Diâmetro Altura do Peito (1,3 metros)) a partir de 5 centímetros de diâmetro. Serão coletadas amostras de solos das áreas de acordo com a topografia e realizadas análises físicas, química e matéria orgânica. Das espécies coletadas serão preparadas (Exsicatas) e identificadas com o apoio de especialistas do Museu Paraense Emílio Goeldi. Os dados serão analisados estatisticamente utilizando um DCA. Esperamos que exista diferença entre a riqueza e a abundância na composição florística em áreas com diferentes níveis de extração madeireira de modo que em locais mais alterados tenham menos riqueza e abundancia que aqueles com menor grau de alteração antrópica.

  • ANDRESSA SASHA QUEVEDO ALVES OLIVEIRA
  • Ecomorfologia de anuros da família Bufonidae, Gray 1825 e suas relações

  • Data: 29/03/2019
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  • Anfíbios anuros desempenham um importante papel dentro dos ecossistemas, servindo de alimentos para diversas espécies, atuando no controle populacional diferentes taxa.São ainda bons indicadores de qualidade ambiental, no entanto, a falta de conhecimento sobre suas relações ecológicas e evolutivas, tem dificultado a tomada de decisões sobre estratégias de conservação e manejo destegrupo. Nesse sentido, o estudo da ecomorfologia é de elevada importância para a compreensão de como esses organismos interagem com o meio, e como sua morfologia corporal está relacionada com seu modo de vida.Os indivíduos da família Bufonidae apresentam hábitos terrestres ou semi-arborícolas, e sendo grandeparte das espécies noturnos.Na contramão do “anfíbio padrão”, apresentam a pele rugosa, seca e glandular, com a maioria das espécies exibindo pernas mais curtas e deslocamento desajeitado.No Brasil, encontram-se cerca oito gêneros e 85 espécies, distribuídas na serrapilheira Amazônica, às terras áridas da Caatinga, desde as florestas nebulares do Monte Roraima e Campos Rupestres da Mata Atlântica, ao nível no mar, alimentando-se de pequenos crustáceos. Esta grande diversidade de hábitos e hábitats demonstra uma longa e complexa linhagem evolutiva, apesar de uma morfologia aparentemente conservativa. Assim, o objetivo neste trabalho é verificar se a morfologiadosBufonidae brasileiros corresponde à ecologia e micro-hábitats explorados, biomas e regiões, ou aos agrupamentos taxonômicos atuais. Os animais utilizados são provenientes de coleções zoológicas, e serão mensurados em cerca de 30 medidas, convertidas em aproximadamente 20 índices morfológicos. Análises realizadas com índices morfológicos permitem a comparação entre as espécies independente de diferenças de tamanho. Por exemplo, o “Índice de compressão da cabeça” é o valor do comprimento lateral total da cabeça dividido pela sua altura. Para analisarmos os índices morfométricos, serárealizada uma análisede agrupamento (PCA), e uma análise de correlação (CCA) que irá comparar a matriz morfométrica com a matriz ecológica e verificar quais relações existem entre tais matrizes. Estes resultados possibilitarão identificar pistas sobre padrões de distribuição morfológica e ecológica ao longo das espécies e gêneros, e a identificação de histórias evolutivas dentre os Bufonidae.

  • SAMANTHA RIBEIRO DA SILVA
  •  

    USO E COMÉRCIO DE PASSERIFORMES EM ABAETETUBA, PARÁ-BRASIL


  • Data: 21/03/2019
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  • O conhecimento etnoecológico e as práticas de manejo de criadores de Passeriformes podem indicar os possíveis impactos sobre as populações silvestres, e auxiliar nos planos de conservação dessas aves. Esta pesquisa caracterizou o conhecimento etno-ornintológico de criadores de Passeriformes, que capturam e manejam as espécies silvestres em Abaetetuba, Pará, Brasil. Para isso, foram realizadas entrevistas informais, semiestruturadas e observação participante, nas quais pesquisou-se: 1) as espécies utilizadas, valor de uso (VU), valores econômicos, e possíveis influenciadores de preços; 2) descrição do manejo em cativeiro; 3) relato dos conhecimentos ecológicos locais sobre as espécies; 4) identificação da rede de comércio e rota de distribuição; 5) influência de aspectos sócio-econômicos e culturais entre os criadores. A família Thraupidae foi a mais representativa entre as 23 espécies utilizadas no comércio, com predominância de espécies do gênero Sporophila. Sporophila angolensis foi a espécie com maior VU e preço mais elevado (US$ 5.400,00). Características, como o canto e a territorialidade (preseiro), podem ser utilizadas como preditores nos preços. Estas informações podem ser utilizadas como critérios em ações conservacionistas para a escolha de espécies prioritárias. Este estudo constatou tal fato para S. maximiliani, S. angolenses e S. maximus. Os Passeriformes são obtidos de captura na natureza, reprodução em cativeiro ou comércio irregular. São caçados em Abaetetuba, assim como em outros municípios do Pará (Mojú, Tailândia, Acará, Concórdia do Pará, Goianésia, Jacundá, Marabá). As técnicas de captura utilizadas são: 1-gaiola com tampo; 2- gaiola com rede; 3- visgo; 4-preseiro. A rede comercial de aves em Abaetetuba-PA, apresenta cinco grupos bem definidos: 1-caçador; 2-vendedor local; 3-criador local; 4-reprodutor; 5-vendedor externo. Muito embora o perfil social pouco influencie nas diferenças entre as categorias de passarinheiros, os aspectos culturais e econômicos são relevantes na composição das diferentes categorias. Os animais são comercializados em Abaetetuba, em outras cidades do Pará (Belém, Mojú, Igarapé Miri, Cametá, arquipélago do Marajó), no Amapá, e nos países de fronteira (Guiana Francesa e Guiana). Na rota internacional, os valores de venda podem alcançar US$ 5.400,00. Desta forma, constatou-se a existência de uma rede comercial de Passeriformes em Abaetetuba-PA, que alcançam locais além da região imediata do município. Para mitigar os efeitos negativos desta atividade, sugere-se a gestão ambiental aplicada às espécies, que envolva o quadro social local. Além disso, estratégias a longo prazo devem ser almejadas, por exemplo, a implantação de parques ecológicos e práticas de observação de pássaros, oferecer alternativas de participação aos passarinheiros (guias destes locais), com incentivos financeiros a estes.

  • BRENDA STEFANY DOS SANTOS BRAGA
  • DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO E ORGANOGÊNESE DAS GÔNADAS DE Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) (Chelonia: Kinosternidae)

  • Data: 21/03/2019
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  • O Kinosternon scorpioides, muçuã, é bastante consumido no norte do Brasil, principalmente na Ilha do Marajó. Este animal écaçado há décadas, e não existem estudos in situ, nesta região,que indiquem o seu tamanho populacional. Pesquisas ex situ indicam que esta espécie apresenta grande aptidão zootécnica, porém existem empecilhos que dificultam a criação destes animais em cativeiro, como a carência de estudos a respeito da sua biologia reprodutiva. Assim, o intuito deste trabalho é estudar o desenvolvimento embriológico macroscópico de K. scorpioides, e caracterizar morfologicamente a organogênese das suas gônadas. O trabalho está sendorealizado no Campus Experimental Emerson Salimos - CEMES/BAGAM/Embrapa (Salvaterra, Pará, Brasil). Os ovos estão sendo incubados a uma temperatura de 30°C e 80% de umidade. Sendocoletados três ovos fertilizados, para cada fase de desenvolvimento, a partir do 15° dia de incubação. Nos embriões com mais de 35 diasestão sendo coletadas seis amostras. Esses embriõesterão o seu sistema reprodutor dissecado, e as gônadas fixadas em solução de Bouin e Karnovsky. Posteriormente, as amostras serãoprocessadaspara microscopia óptica e eletrônica de transmissão. Será realizada a morfometria do comprimento, largura da carapaça, plastrãodos embriões, e aplicada a elas uma Correlação de Spearman, seguida de uma Análise de Componentes Principais (PCA), a partir de então será realizada uma Regressão Simples, afim de que se determine a função do crescimento dos embriões. Os resultados fornecerão subsídios para o melhor conhecimento sobre o manejo reprodutivo e poderão ser utilizados em estudos futuros a respeito da incubação, eclosão e determinação sexual desta espécie.

  • WILLIAM GERARDO MONTERO FLORES
  • DINÁMICA DE UN BOSQUE MANEJADO EN LA UNIDAD DE MANEJO FORESTAL (UMF) UBERLÁNDIA, PORTEL, PARÁ

  • Data: 07/03/2019
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  • El 59% del territorio de Brasil representa el 12% de la cobertura forestal mundial, cobertura que contribuye al mantenimiento de la biodiversidad, ciclo hidrológico y almacenamiento del carbono mundial. Al mismo tiempo alberga una riqueza florística confirmada de 46.097 de plantas vasculares, las cuales muchas de estas, son aprovechadas forestalmente como productos maderables y no maderables. Sim embargo el aprovechamiento de muchos de estos productos se ha venido realizado de una forma no sustentable, generando degradación forestal, perdida de la biodiversidad y la cobertura. Requiriéndose de una planificación de la producción forestal,  que considere los ciclos de aprovechamiento, la resiliencia del bosque, que permita maximizar sus beneficios económicos, sociales y ambientales sin comprometer la biodiversidad. Esto puede lograrse a través del estudio del crecimiento, reclutamiento y mortalidad del bosque, proceso conocido como dinámica forestal. Pudiendo así, observar los cambios sufridos en la estructura y composición del bosque, producto de la acción humana. El conocimiento de la dinámica del bosque permite adoptar mejores prácticas de los planes de manejo forestal, que permitan la producción forestal y la conservación del recurso. Por esto el objetivo del estudio es “Evaluar la dinámica forestal de la unidad de producción anual número diez (UPA 10), en la Unidad de Manejo Forestal (UMF) Uberlandia, Portel, Para.

  • JHONNES LUCIANO BRITO DOS SANTOS
  • Transposição de peixes: Uma análise cienciométrica sobre utilização no mundo e perspectivas futuras no Brasil.

  • Data: 07/03/2019
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  • A construção de barragens para o aproveitamento hidrelétrico causa efeitos negativos nos ambientes, como a perda de habitat, fragmentação e interrupção do fluxo e continuidade de rios, que afeta diretamente os peixes. Para minimizar os impactos foram criados sistemas de transposição de peixes (STP), cujo objetivo é minimizar o efeito da fragmentação e descontinuidade de rios, mantendo assim a conectividade do rio e proporcionando a manutenção de rotas migratórias para reprodução, forrageio e refúgio. Esses sistemas existem a aproximadamente 300 anos em diversos designs ao redor do mundo. A proposta desse trabalho é avaliar o estado do conhecimento sobre sistema de transposição de peixes nos últimos 100 anos, suas perspectivas e utilização no Brasil e no mundo, identificando as espécies brasileiras que usam o sistema e possíveis características que facilitam ou impeçam o uso. Assim, podemos ter um conhecimento sobre a dinâmica comportamental dos peixes e suas relações com os diferentes tipos do sistema. Além disso, buscamos propor medidas que sejam eficazes para futuras construções de passagens de peixes, permitindo melhor aproveitamento nas avaliações de eficiência de passagem. Para isso, realizaremos buscas bibliográfica usando as palavras-chaves; peixe, represa, passagem para peixes, passagem, escada, canal lateral, migração, salmonídeos, potamódromos, diádromos, telemetria, hidrelétrica, barragem com passagem múltiplas, passagem ascendente, passagem descendente em português, inglês e francês. Os bancos de dados utilizados serão Web of Science, Scielo, Portal Capes e Google acadêmico. Pretendemos com essa pesquisa identificar qual o primeiro sistema criado na literatura e o tempo de latência até a chegada ao Brasil, quantificando o máximo de trabalhos possíveis, especializando os dados por continente e observando a relevância desses dados para as implantações futuras no Brasil. Buscamos também identificar quais são os padrões históricos sobre o tema, identificando se a tendência mundial é a mesma observada no Brasil e contribuindo substancialmente para futuras políticas de gestão e tomada de decisões a respeito do tema abordado.

  • LIRIANN CHRISLEY NASCIMENTO DA SILVA
  • Avaliação das populações naturais de Hypancistrus zebra (Siluriformes, Loricariidae) após a implementação da UHE de Belo Monte, Xingu, Brasil

  • Data: 02/03/2019
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  • O rio Xingu é um rio de águas claras que tem uma variedade de peixes endêmicos, onde se inclui a espécie Hypancistrus zebra. Conhecido popularmente como acari zebra, essa espécie apresenta sua distribuição registrada apenas no trecho da Volta Grande do rio Xingu. Espécies que habitam esse trecho dependem das corredeiras e condições naturais do Xingu, recentemente afetados com a implantação da UHE. Não se sabe como as populações de H. zebra se portaram após o enchimento e as consequências futuras para a espécie. Espécie rara, com populações pequenas, baixa taxa de fecundidade e afetada pela sua alta exploração pode ser mais vulnerável a extinção. Diante disso, esse trabalho tem como objetivo avaliar o estado atual das populações de H. zebra após as alterações ambientais advindas da implementação da UHE de Belo Monte. Para isso, será feito um levantamento de todos os trechos de ocorrência da espécie antes do enchimento da UHE de Belo Monte e com base neste levantamento serão realizadas expedições para revisitar os locais de ocorrência da espécie no período de estiagem (julho a novembro). Em cada local de ocorrência serão efetuados mergulhos com auxílio de câmeras GoPro para registrar presença e ausência da espécie. Novos pontos de ocorrência confirmada da espécie serão plotados em um mapa utilizando-se o software Quantum GIS (QGIS). Apoiado as expedições, em cada local de ocorrência será gravada a profundidade e a temperatura com auxílio de um computador de mergulho, a velocidade da água será mensurada com um fluxômetro, substrato da área caracterizado e serão medidos o pH, condutividade elétrica, turbidez e oxigênio dissolvido da água com uma sonda multiparâmetros (HANNA©). Para testar a ocorrência dos indivíduos com as variáveis abióticas, serão utilizadas as análises estatísticas Análise de Componentes Principais (PCA) e Regressão Logística. E para identificar o tamanho de população mínima viável (PMV) para espécie, estimar a viabilidade das populações e prever a sobrevivência da espécie será feito modelos através da análise de Viabilidade Populacional (AVP) utilizado o pacote de simulação computacional VORTEX versão 10.2.5. Para alimentar os modelos será coleta informações de literaturas brancas e cinzentas, uso dos dados existentes do Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu (LAQUAX)
    e aplicação de questionários para aquaristas e pescadores. Diante disso, espera-se que este trabalho venha informar a atual situação da H. zebra e o futuro das populações diante das alterações ocorrentes com a implantação do UHE. Também que possa cooperar nas tomadas de decisões e o fortalecimento de estratégias de conservação da espécie.

2018
Descrição
  • ALINE PATRICIA SILVA DA LUZ
  • CARACTERIZAÇÃO DOS HÁBITATS AQUÁTICOS DA VOLTA GRANDE DO XINGU

  • Data: 30/10/2018
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  • O Rio Xingu drena áreas do Escudo Brasileiro antes de adentrar nas terras baixas da Amazônia e desaguar no rio Amazonas. A área conhecida como Volta Grande do Xingu abrange a porção final (jusante) do Rio Xingu no Escudo Brasileiro e destaca-se por ter sido o local da instalação da Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) Belo Monte. A Volta Grande do Xingu possui configuração geomorfológica única, caracterizada por uma série de amplas corredeiras e canais múltiplos. Tanto no canal principal, como nas regiões marginais, apresenta diversos tipos de substratos rochosos intercalados a ilhas com vegetação de igapó e bancos de cascalho ou areia. Isto proporciona grande disponibilidade de ambientes aquáticos e de alagamento, com ictiofauna diversa, incluindo espécies endêmicas, tais como o Hypancistrus zebra. A perda de substrato rochoso e mudanças físico-químicas impostas pela alteração do regime hidrológico devido à UHE Belo Monte colocam em risco a conservação de espécies endêmicas da Volta Grande do Xingu. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi caracterizar os ambientes aquáticos da Volta Grande do Xingu, com destaque para os tipos de substrato fluvial e variáveis físico-químicas da coluna d´água no trecho sob influência da UHE Belo Monte. Neste trabalho, foram identificados quatro grandes ambientes aquáticos, os quais abrangem dez sub-ambientes. Os grandes ambientes incluem a ria, os canais sobre leito rochoso, os lagos e canal secundário (igarapé). Os sub-ambientes descritos são canal de substrato lamoso, praias, canal de substrato arenoso, canal de substrato de cascalho (“gorgulho”) e conglomerado de seixos cimentados por óxidos e hidróxidos de ferro (“mocororô”), canal com banco de areia sobre pavimento rochoso, poço em canal, pedral, lago de ilha, lago de planície de inundação marginal e poça sobre pedral. Em relação à coluna d’água, notou-se variação das características físico-químicas médias entre o período seco (nível d'água baixo) e o chuvoso (nível d'água alto). No período de cheia, o pH apresentou média de 6,5, com valor máximo de 7,0 e mínimo de 5,7, enquanto que na seca a média foi de 5,2, com valor máximo de 6,8 e mínimo de 5,0. Interpretou-se que o maior tempo de residência da matéria orgânica na coluna d'água durante o período de seca tenha contribuído para reduzir o pH, decorrente da liberação de ácidos orgânicos da decomposição da matéria orgânica. Os valores médios de turbidez foram de 20,4 uT e de 2,7 uT, respectivamente na cheia e na seca. O aumento da turbidez no período chuvoso ocorre devido à entrada de sedimentos por erosão de solos e das margens. Assim, notou-se condições físico-químicas contrastantes entre os
    2
    períodos de seca e cheia, as quais são importantes para a manutenção dos ecossistemas aquáticos. O tipo de substrato de habitats aquáticos pode influenciar a distribuição das espécies aquáticas da Volta Grande do Xingu. Os ambientes aquáticos descritos neste estudo podem ter um papel importante na distribuição de peixes especialistas em substratos rochosos.

  • TAMYRIS PEGADO DE SOUZA E SILVA
  • PRIMEIRA EVIDÊNCIA DE INGESTÃO DE MICROPLÁSTICOS POR PEIXES DO ESTUÁRIO DO RIO AMAZONAS
    Orientador:

  • Data: 24/08/2018
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  • Os detritos plásticos compõem de 60 a 80% dos detritos marinhos. A presença do material plástico no ambiente é visto como uma ameaça, uma vez que pode gerar casos de emaranhamento e ingestão pela fauna aquática. O objetivo do trabalho foi analisar a presença de itens microplásticos (< 5 mm) no trato gastrointestinal de espécies de peixes do estuário do rio Amazonas. Os peixes analisados fazem parte da fauna acompanhante do arrasto industrial do camarão. No laboratório os peixes foram identificados até o menor nível taxonômico, pesados e tiveram o comprimento total e padrão medidos. Posteriormente os peixes foram dissecados para a retirada do trato gastrointestinal, que foi medido e pesado antes e após a extração do conteúdo. Os conteúdos foram retirados e armazenados em potes com álcool 70% até o momento da análise no estéreomicroscópio. Os itens alimentares foram identificados através de inspeção visual, separados, classificados e quantificados. Posteriormente os itens classificados como microplástico foram submetidos a uma análise física chamada Attenuated Total Reflectance – Fourier Transform Infrared (ATR-FTIR) para a confirmação de que eram plásticos e identificação dos polímeros que os compunham e então foram fotografados e medidos. No total, 228 partículas de microplástico foram encontradas no trato gastrointestinal de 26 indivíduos que pertenciam a 14 espécies, ou seja, 30% dos indivíduos analisados. Os itens microplásticos foram categorizados como pellets (97.4%), tecidos (1.3%), fios (0.9%) e fragmentos (0.4%) que variaram em tamanho entre 0.38 a 4.16 mm. Houve uma correlação positiva entre o comprimento padrão dos peixes e o número de partículas microplásticas encontradas no trato gastrointestinal. Os principais polímeros identificados pelo ATR-FTIR foram poliamida, rayon (um polímero semi-sintético) e polietileno. Esses resultados fornecem a primeira evidência de contaminação por microplástico na biota pertencente ao estuário amazônico e a costa Norte do Brasil.

  • ANTONIO WESLEY BARROS CACADOR
  • DROSOPHILIDAE (DIPTERA) E EUGLOSSINI (HYMENOPTERA, APIDAE) COMO FERRAMENTAS DE MONITORAMENTO AMBIENTAL

  • Data: 14/08/2018
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  • As florestas tropicais estão desaparecendo rapidamente, e com ela grande parte da biodiversidade deste ecossistema. A remoção da cobertura florestal deve-se às atividades humanas, incluindo agricultura, extração madeireira, expansão urbana, mineração, construção de rodovias e usinas hidroelétricas. A remoção parcial, total ou fragmentação florestal contribui para a diminuição da biodiversidade através da reestruturação das comunidades (e.g. extinção, substituição de espécies nativas por exóticas) a um novo equilíbrio biológico. Entretanto, ainda sabemos pouco sobre a relação entre a diversidade, composição e estruturação das comunidades e suas relações com o desmatamento e degradação dos habitats. Vários organismos têm sido considerados como indicadores biológicos de integridade ambiental. Estes bioindicadores respondem às alterações através de variações na abundância, riqueza, diversidade, composição, fisiologia ou morfologia e essas variações podem ser usadas para caracterizar, monitorar e/ou avaliar a integridade do ambiente. Avaliamos a relação entre a abundância de dois grupos de invertebrados alados, Drosophilidae e Euglosssini, com variáveis relacionadas à perturbação ambiental em fragmentos de floresta ombrófila aberta a fim de investigar o papel deles como bioindicadores da integridade ambiental de remanescentes florestais. Drosophila malerkotliana, Scaptodrosophila latifasceaeformis, Zaprionus indianus e uma forma não identificada de Rhinoleucophenga associaram-se às variáveis indicadoras de menor cobertura florestal, enquanto D. willistoni, D. paulistorum, D. prosaltans, D. equinoxialis e D. subsaltans associaram-se às variáveis relacionadas à maior cobertura florestal. Entre as Euglossini, as espécies de Euglossa (incluindo o subgênero glossura) e Exaerete associaram-se às variáveis indicadoras de floresta preservada, enquanto as espécies do gênero Eulaema associaram-se às variáveis indicadoras de áreas degradadas. Essas associações podem indicar que mudanças no nível de degradação ambiental poderiam causar mudanças significativas na composição das comunidades destes grupos neste tipo florestal. Ainda, algumas espécies e/ou agrupamentos de espécies podem ser usadas como indicadores robustos da integridade ambiental em paisagens fragmentadas de floresta ombrófila aberta amazônica. O agrupamento de espécies exóticas (excluindo D. malerkotliana) e as espécies S. latifasceaeformis e Z. indianus (Drosophilidae), assim como o gênero Eulaema, a espécie Eul. nigrita e o agrupamento formado por Eul. nigrita + Eul. Cingulata (Euglossini) podem ser utilizados como indicadores de áreas degradadas. Entre os indicadores de áreas preservadas, destacam-se D. Sturtevanti (Drosophilidae) e as espécies do subgênero Glossura (gênero Euglossa), Eug. imperialis e Eul. Intersecta (Euglossini).

  • DIANINI CAMPOS DA MOTA
  • RESPOSTA DO ZOOPLÂNCTON AOS EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS (ElNiño e LaNiña) E AO AUMENTO DE TEMPERATURA EM UMA PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO NEOTROPICAL

  • Data: 09/08/2018
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  • As mudanças climáticas representam uma ameaça à biodiversidade em sistemas de água doce e deverão afetar desde a escala de indivíduos até ao nível de ecossistema. Em ecossistemas tropicais os efeitos das mudanças climáticas sobre as comunidades aquáticas ainda são pouco compreendidos. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos das mudanças climáticas na comunidade zooplanctônica do Alto rio Paraná, uma Planície de inundação fortemente influenciada pelos eventos extremos (ElNiño e LaNiña) e que sofreu aumento na temperatura da água nos últimos 15 anos. Os impactos das futuras mudanças climáticas sobre a Biodiversidade ainda são incertos, porém este estudo mostra que maiores mudanças afetarão os diversos aspectos da diversidade zooplanctônica em sistemas aquáticos tropicais.

  • LUANA FERREIRA DE JESUS
  • SEDIMENTOLOGIA E GEOMORFOLOGIA DAS PRAIAS DE NIDIFICAÇÃO DE QUELÔNIOS NO REFUGIO DA VIDA SILVETRE TABULEIRO DO EMBAUBAL, BAIXO RIO XINGU

  • Data: 30/07/2018
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  • Características geomorfológicas e granulométricas das praias do refúgio da vida silvestre REVIS Tabuleiro do Embaubal, no baixo rio Xingu compõem fatores determinantes para a reprodução de quelônios aquáticos do gênero Podocnemis. As características granulométricas influenciam, por exemplo, a temperatura dos ninhos do gênero Podocnemis, cujos indivíduos apresentam determinação sexual dependente de temperatura de incubação dos ovos. Já a morfologia das praias influencia os tipos de micro-hábitats, tais como os locais adequados para desova, pois a espécie Podocnemis expansa necessita de espessura mínima de areia de cerca 50 cm acima do nível freático para construção das câmaras de desova.
    Efeitos negativos no micro-hábitat reprodutivo dos quelônios podem ocorrer na REVIS devido à construção e operação da Usina Hidrelétrica de Energia UHE Belo Monte, visto a interferência das barragens na dinâmica sedimentar das praias do REVIS. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi realizar a caracterização geomorfológica e granulométrica de praias do REVIS e de setores a montante no rio Xingu para entender os processos formadores das praias e avaliar o modo como a implantação da UHE Belo Monte poderá afetar as praias de desova de P. expansa.
    Este estudo envolveu praias situadas entre o baixo rio Iriri e a porção jusante do REVIS. A morfologia das praias foi caracterizada por fotografias aéreas e levantamentos de campo. Amostras de sedimentos foram coletadas em 25 praias e em três perfis transversais ao leito do rio Xingu para análise em granulômetro a laser.
    Nota-se que a morfologia das praias do REVIS é fortemente condicionada pela ação de correntes geradas por ondas associadas aos ventos de nordeste. As correntes geradas por onda transportam sedimentos no sentido montante, contrário à corrente fluvial, e promovem a formação de zona de remanso na porção jusante das praias. Esta morfologia única proporciona micro-hábitat protegido para as populações de quelônios. Sob aporte positivo de sedimentos, a ação de ondas também pode favorecer o alteamento natural das praias e promover maior disponibilidade de zonas de desova de P. expansa.
    2
    Resultados granulométricos apontaram que as praias (0-30 cm de profundidade) da área de estudo são dominadas por areia média a grossa (250-1000 μm) e apresentam tendência de diminuição da granulação para o topo, com maior concentração de areia grossa a muito grossa (1000-2000 μm) na parte inferior (30 cm de profundidade) e aumento da proporção de areia média a grossa (250-1000 μm) na superfície. Observa-se que as praias a montante da barragem Pimental apresentam areias mais grossas (diâmetro médio = 420 μm; desvio padrão = 644 μm) que as praias do REVIS (diâmetro médio = 370 μm; desvio padrão = 660 μm). As areias em transporte no canal do rio Xingu a, jusante da UHE Belo Monte apresentam maior proporção de areia fina (diâmetro médio = 235 μm; desvio padrão = 584 μm). Isto sugere que as areias passam por segregação granulométrica significativa ao serem transportadas do fundo do canal para as praias do REVIS.
    Com o funcionamento da UHE Belo Monte, as barragens atuarão como barreira para o transporte de areias provenientes de montante, favorecendo o transporte de sedimentos mais finos ao longo do canal do rio Xingu. Esta mudança poderá afetar as características das câmaras de desova e a disponibilidade de zonas adequadas para nidificação. A redução da granulação da areia pode favorecer o aumento da umidade devido à menor permeabilidade da areia mais fina. Esta condição pode implicar redução da temperatura do sedimento e impactar a razão sexual da população de quelônios do REVIS. A diminuição do aporte de areia ao REVIS causado pelas barragens da UHE Belo Monte pode ainda induzir a erosão das praias pela ação de ondas e reduzir a disponibilidade de hábitats para nidificação de P. expansa.

  • DAMIRES SANCHES PEREIRA
  • DELIMITAÇÃO MOLECULAR DE ESPÉCIES DE ARRAIAS (MYLIOBATIFORMES: POTAMOTRYGONIDAE) DO RIO XINGU

  • Data: 30/07/2018
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  • A família Potamotrygonidae possui espécies de importância ornamental e de grande valor no comercio exterior, tornando-se um dos peixes mais caros utilizados em aquariofília. Apesar da ampla distribuição geográfica de Potamotrygon motoro, P. orbignyi e Paratrygon aiereba, existem muitas espécies endêmicas de uma única bacia, como Potamotrygon leopoldi, com distribuição restrita à bacia do rio Xingu e seus afluentes. Área de constante interferencia antrópica e complexidade de espécies presentes, é de extrema importância a utilização de ferramentas moleculares para uma melhor identificação dessas espécies, fazendo com que assim seja possível entender a variação morfológica existente nas mesmas. Além disso, as demais espécies da família, que ocorrem no rio Xingu, têm mostrado problemas diante da ampla distribuição geográfica e tendência à subestruturação populacional. Muitas dessas espécies são complexos de espécies ou espécies crípticas, o que dificulta o entendimento sobre a real diversidade neste táxon, tornado pertinente a utilização de ferramentas moleculares para uma caracterização precisa e eficiente a fim de gerar informações capazes de auxiliar programas de manejo e conservação para arraias de água doce. Portanto, neste estudo foram abordados três métodos de delimitação de espécies (GMYC, ABGD, PTP) em duas regiões mitocondriais (Cyt b e COI Barcode) em um grupo de cinco espécies de arraias de água doce (Potamotrygon motoro, P. orbignyi, P. scobina, P. leopoldi e Paratrygon aiereba), com amostragens distribuídas em 22 áreas de coleta ao longo da bacia do Xingu, sendo 20 áreas ao longo do rio principal e uma em cada tributário, rio Iriri e Rio Bacajá. Nossos resultados demonstram compartilhamento de haplótipos e associação a distribuição geográfica dessas espécies, com replicação de coloração do dorso em diferentes ramos das árvores de agrupamento de vizinhos, máxima verossimilhança e inferência bayesiana, indicando um possível caso de hibridização entre P. motoro-P. orbignyi-P. scobina no rio Xingu. A comparação entre o DNA mitocondrial Cyt b e COI mostrou que a região Barcode é mais adequada do que Cyt b, sendo eficiente em discriminar espécimes as suas respectivas espécies e também indicando especiação em Paratrygon. O método GMYC utilizando sequencias de COI, mostrou ser mais sensível que os outros métodos, separando as espécies em seus respectivos grupos.

  • SILNARA CARMO BENTO
  • USO DE CAIXAS-NINHO PELA FAUNA DE VERTEBRADOS EM RELAÇÃO ÀS VARIÁVEIS AMBIENTAIS EM UM FRAGMENTO DE FLORESTA AMAZÔNICA EM ALTAMIRA-PA

  • Data: 27/07/2018
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  • A floresta Amazônica é considerada um dos maiores remanescentes de floresta tropical do mundo, mas a exploração acentuada dos recursos naturais na Amazônia tem ocasionado a perda crescente da biodiversidade. Estes impactos têm atingido de forma preocupante a fauna que depende de cavidades naturais presentes em árvores, vivas ou mortas, como locais para nidificação, abrigo ou forrageio. Visando compensar a perda da complexidade ambiental, o uso de caixas-ninho vem sendo utilizada com sucesso, em especial em florestas de regiões temperadas, para diferentes grupos de vertebrados, desde aves a mamíferos. Para a região neotropical, faz-se necessário avaliar a eficiência desta intervenção ambiental através da experimentação e observação quanto ao uso destas caixas-ninho em relação às variáveis ambientais, sendo nosso objetivo desenvolver estas observações em um fragmento de floresta amazônica no Pará. Para o estudo foram utilizadas 30 caixas-ninho de madeira, distribuídas ao longo de um módulo de pesquisa RAPELD localizado em um fragmento florestal na região do médio Xingu, em Altamira. Foram instaladas 8 caixas no transecto um, e 16 no transecto dois, somadas a 6 ao longo de um igarapé. Foram instaladas quatro caixas por parcela, duas no início e duas no final, uma com altura média de 1,5 m, e outra com 5 m em relação ao solo; as caixas instaladas ao longo do igarapé foram fixadas com altura intercalada (1,5 e 5 m) e distância de 50 m uma da outra. Foram mensuradas as variáveis ambientais e espaciais: abertura do dossel, distância da borda, densidade e média do DAP das árvores do entorno, distância do igarapé e altitude. Para verificar a relação entre as variáveis e os locais de instalação das caixas-ninho utilizou-se Análise de Componentes Principais (PCA), também utilizada para relacionar a ocorrência das espécies de aves, anfíbios e répteis, em relação aos locais de amostragens. Sete caixas foram ocupadas por vertebrados, todas com a finalidade de abrigo. Destas, quatro foram mamíferos (Didelphidae e Rodentia), dois répteis (Thecadatilus rapicauda) e um anfíbio (Osteocephalus taurinus). A amostragem abrangeu toda a área de estudo, através da distribuição heterogênea das cavidades artificiais, houve pouca variação entre as variáveis e as caixas-ninho (PCA - 39,50% de explicação dos eixos). Não houve correlação significativa, mas uma tendência de uso quanto aos T. rapicauda ocuparem caixas associadas com as variáveis distância do igarapé e altitude, e mamíferos com a variável cobertura vegetal. Diferentes de outros estudos brasileiros houve baixa ocupação das caixas-ninho, e nossos resultados não foram substanciais para determinar a utilização de caixas-ninho para enriquecimento ambiental em fragmentos ambientais perturbados na Amazônia.

  • ALYSSON ANTONIO DA COSTA LEITE
  • VARIABILIDADE DA COMUNIDADE DE ROTIFERA EM UM TRECHO SOB INFLUÊNCIA DE UM RESERVATÓRIO NA BACIA TOCANTINS-ARAGUAIA

  • Data: 18/05/2018
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  • Devido ao rápido ciclo de vida e adaptação, o zooplâncton é usado como indicador de mudanças ambientais. A comunidade de rotíferos foi descrita e comparada em diferentes compartimentos fluviais conduzidos pelo represamento do Tocantins-Araguaia, Amazônia Brasileira, após a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, há 40 anos. Para investigar a variabilidade temporal e espacial, coletamos o zooplâncton com rede de plâncton de 68 μm em um total de 16 estações a montante, no lago e a jusante da usina durante um ciclo hidrológico (trimestralmente em 2015). Foram obtidas variáveis físico-químicas e ambientais, como temperatura, pH, concentração de Oxigênio Dissolvido, de clorofila-a e índice de estado trófico, entre outras. A biomassa foi estimada durante as estações chuvosa (março) e seca (setembro). Foram encontradas 85 espécies pertencentes a 31 gêneros. Não houve diferença da biomassa entre os compartimentos, somente entre os períodos chuvoso e seco (p = 0,001) e houve diferenças da densidade (org. m-3) entre os períodos e compartimentos (p = 0,001) e na relação período vs compartimento (p = 0,008). Análises multivariadas demonstraram que a variabilidade da comunidade está relacionada a variação temporal, com menor influência da variação espacial, embora espécies indicadoras como Brachionus gessneri, Hexarthra intermedia e Keratella americana foram detectadas no compartimento montante e Asplanchna priodonta, Ptygura libera e Stephanoceros sp.2 no compartimento lago.

  • BRENDA KAROLINA GOMES ALMEIDA
  • ÁCAROS MESOSTIGMATAS ECTOPARASITAS DE MORCEGOS NA AMAZÔNIA ORIENTAL BRASILEIRA

  • Data: 02/05/2018
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  • O conhecimento sobre a acarofauna é exíguo-devido principalmente a dificuldade de acesso ao bioma e à falta de especialistas no grupo. Os ácaros que parasitam a superfície externa dos corpos de hospedeiros da ordem Chiroptera compreendem quatro ordens. Para descrever o padrão de interações entre os ácaros ectoparasitas de morcegos, a ordem de ácaros mesostigmata foi o grupo-modelo. Neste grupo incluem famílias e gêneros de ácaros parasitas exclusivamente de morcegos, ou mesmo os que parasitam outros vertebrados. Realizamos coletas em 14 localidades, cada uma delas visitada pelo menos duas vezes. Caracterizamos a assembleia de ácaros mesostigmatas e os seus hospedeiros quanto a abundância e riqueza de espécies. Visualizamos e analisamos as interações entre Ácaro-Morcego em redes bipartidas usando métricas a nível de rede e de espécies. Obtivemos o registro de novas interações e novas espécies foram reconhecidas. A rede Ácaro-Morcego apresenta uma alta modularidade. A espécie de morcego Carollia perspicillata foi uma importante espécie-chave para as interações registradas, esteve conectando módulos e com ligações dentro do próprio módulo. Constatamos uma alta relação de EXCLUSIVIDADE entre uma espécie de ácaro e uma espécie de morcegos na rede. Estes resultados são um importante alerta para a conservação desses organismos e seus ambientes. Visto que a região de estudo se encontra em constante exploração dos recursos naturais causando alterações abruptas da paisagem. Tais interações são pouco conhecidas. Numa escala evolutiva estas espécies teriam pouco tempo para adaptar-se e deixariam de existir.

  • LEANDRA ROSE PALHETA DA SILVA
  • O efeito da urbanização sobre a comunidade de morcegos e moscas hipobosídeas (Nycteribiidae e Strebilidae) na Amazônia brasileira

  • Data: 28/02/2018
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  • Dípteros parasitas de morcegos são organismos hematófagos, pertencentes ás famílias Streblidae, cinco subfamílias, 32 géneros e 227 espécies e Nycteribiidae, três subfamílias (Nycteribiinae, Cyclopodiinae e Archinycteribiinae), ambas as famílias possuem ampla distribuição geográfica sendo que no Brasil existem registros de 68 espécies da família Streblidae e 24 espécies de da família Nycteribiidae. A infestação de ectoparasitas, em morcegos, esta relacionada a fatores como o tamanho da área de distribuição, a formação de colônias, tamanho corporal e tipo de ambiente em que ele se encontra. A importância do entendimento dos processos ecológicos está ligada a compreensão das interações entre as espécies, tanto na escala temporal quanto espacial, consequentemente para guiar medidas de conservação das espécies, habitat e ambientes. Deste modo os nossos objetivos são: Identificar se a modificação dos ambientes naturais através da urbanização altera as comunidades de Díptera e Quiróptera. Para isso foram realizadas coletas em cinco municípios do estado do Para, Altamira, Vitória do Xingu, Brasil Novo, Bragança e Nova Timboteua, considerando 11 pontos amostrais, seis em ambientes urbanos e cinco em ambientes rurais. Com 42 noites de coleta (25 em área urbana e 17 área rural) e 63.000 m .h de esforço amostral (37.500 m .h área urbana e 25.500 m .h rural) foram capturados 514 indivíduos de 30 espécies de morcegos, distribuídas em seis famílias. Com o estudo, observamos que as comunidades, tanto de díptera quanto de morcegos, apresentaram variação entre os ambientes urbanos e rurais, sendo este estudo o primeiro a avaliar o efeito de ações antrópicas sobre a estrutura da comunidade de dípteras e que a variação observada na comunidade de dípteras e um reflexo da variação observada na de morcegos, uma vez que as comunidades são correlacionadas em 68%. Em relação à variação da abundância entre os ambientes, observamos que a área urbana possui maior abundância de díptera e menor abundância de morcegos, quando comparados com as áreas rurais, apesar da riqueza de espécies serem maior nos ambientes rurais, indicando que a variação da composição é em decorrência da perda de espécies nas áreas urbanas, com a composição das espécies urbanas sendo determinada por poucas, porem abundantes, espécies e que os espécimes urbanos possuem maiores taxas de infestação, corroborando assim com o esperado pela literatura, de que os ambientes degradados contribuem para o aumento das taxas de parasitismo.

  • VICTOR SACCARDI
  • DIVERSIDADE DE MAMÍFEROS E AVES CINEGÉTICAS NA TERRA DO MEIO

  • Data: 28/02/2018
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  • Estudos sobre a abundância das espécies são fundamentais para entender os padrões estruturais e as respostas das comunidades frente as perturbações, seja de longo prazo, pelas mudanças climáticas, ou de curto e médio prazo, pela caça e desmatamento. Milhões de pessoas nas florestas tropicais dependem da fauna para garantir sua ingestão de proteína e assegurar sua segurança alimentar. A Terra do Meio situa-se no centro-sul do Pará, bacia hidrográfica do médio rio Xingu, composta por um conjunto de áreas protegidas que recebem grande pressão de desmatamento, onde habitam populações tradicionais indígenas e ribeirinhas. Com o objetivo de descrever a diversidade de mamíferos de médio e grande porte e de aves cinegéticas de três Unidades de Conservação, foram percorridos 835 km em nove transectos. Também foram feitas comparações entre as áreas, averiguando os impactos da caça, e propostas recomendações para o monitoramento da biodiversidade. Pelo método Distance Sampling foram obtidas estimativas populacionais das espécies. Também foram coletados dados indiretos e instaladas armadilhas fotográficas. Foram registradas 47 espécies. Os resultados sugerem que a caça não afeta drasticamente as populações silvestres na área, podendo indicar que atualmente a caça tende a ser sustentável na região. Este estudo reforça a importância de extensas áreas para a manutenção de populações viáveis e da sustentabilidade da caça nessas regiões. Este estudo apresenta estimativas de densidade nessas áreas, sendo que ele traz as primeiras informações sobre a diversidade de mamíferos e aves cinegéticas da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio.

  • KLEITON RABELO DE ARAUJO
  • Emissão de dióxido de carbono (CO2) pela usina hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, rio Xingu (PA), Amazônia

  • Data: 23/02/2018
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  • Com a implantação de um reservatório hidrelétrico a dinâmica do rio é alterada, em especial sua hidrologia, reduzindo a vazão à jusante. O represamento de rios pode aumentar a concentração de carbono orgânico dissolvido a montante por meio de retenção de matéria orgânica, aumentando a produção de dióxido de carbono (CO2). Já nos primeiros anos após o represamento, as emissões são elevadas, estabilizando-se com o passar dos anos devido à decomposição da matéria orgânica. Muitos fatores controlam o fluxo de CO2 e podem afetar as taxas de emissão através do rio a nível espacial e temporal, tais como geomorfologia do canal, latitude, temperatura, estrutura da comunidade microbiana, entrada de matéria orgânica, turbulência da água, cisalhamento do vento e vegetação pré-represamento. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a variação espacial e temporal de CO2 tanto nos reservatórios da Usina Hidrelétrica de Belo Monte como o padrão de emissão do rio Xingu após seu represamento. A amostragem foi realizada durante os períodos amazônicos de seca e cheia durante os anos de 2016 e 2017. Assim, foram mensurados os fluxos de CO2, a concentração de CO2 na água e variáveis físico-químicas. Na seca, o fluxo diminuiu registrando fluxos negativos no canal principal, embora as áreas inundadas tenham uma emissão e concentração de CO2 similar ao período de cheia. A baixa precipitação durante o período de estiagem afetou as emissões, já que o canal principal deve receber menos entradas de matéria orgânica. Já as áreas inundadas ainda apresentam vegetação em decomposição como fonte de carbono. As emissões em 2016 apresentaram padrão semelhante a 2017, sem flutuações muito discrepantes entre esses anos. A turbulência teve um papel intrínseco na variação de emissões durante a cheia, juntamente com a atividade autotrófica e (ou) heterotrófica. A jusante da barragem de Belo Monte, foi registrado um fluxo elevado durante cheia o que pode indicar um hot spot de emissão durante esta estação. Os resultados deste trabalho irão propiciar um melhor entendimento dos impactos gerados por usinas hidrelétricas a fio d’água em rios de água clara, além uma visão dos efeitos causados no balanço local de carbono.

2017
Descrição
  • MAYSA REIS PAIVA
  • DIVERSIDADE DE USO DA FLORA POR AGRICULTORES FAMILIARES NO PROJETO DE ASSENTAMENTO ASSURINI, ALTAMIRA, PARÁ

  • Data: 28/04/2017
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  • Projetos de assentamento são áreas de novas unidades de produção agrícola que visam o reordenamento do uso da terra. Nos assentamentos, o uso de recursos vegetais representa importante alternativa para melhoria na qualidade de vida, seja na geração de renda ou para o autoconsumo das famílias. O presente estudo visa investigar o conhecimento na população do projeto de assentamento Assurini, sobre as espécies vegetais da região, seus respectivos usos, assim como as partes vegetais mais utilizadas e os principais locais de coleta. Para a obtenção dos dados, procedeu-se a observação participante, aplicação de entrevistas semiestruturadas para obtenção de informações do perfil sócio econômico do entrevistado e conhecimentos etnobotânicos. Também foram realizadas turnês guiadas para coleta botânica. Foram calculados os índices de diversidade de Shannon na base 10 (H’), de equitabilidade de Pielou (J’), Riqueza (RQZ), o valor de uso (VU), o valor de uso para parte utilizada da planta (VPP) e processada a análise de componentes principais (PCA). Foram entrevistados 25 moradores, todos agricultores familiares, sendo 15 homes e 10 mulheres. Foram registradas 183 espécies úteis sendo 75 provenientes dos quintais, 62 das áreas de capoeira, 41 das áreas de mata e 5 das roças. As famílias Fabaceae, Arecaceae, Rutaceae e Lamiaceae obtiveram maior número de citações. As categorias de uso da vegetação foram identificadas em dez tipos: medicinal, alimentício, madeireiro, combustível (lenha e carvão), artesanal, recreativo, místico ou religioso, produção de artefatos (para caça, pesca ou domésticos), cosmético e forrageiro. As categorias de uso mais representativas foram medicinal (42,8%), alimentício (30,6%), madeireiro (15,4%) e combustível (6,6%). Os valores dos índices de Shannon (1,85) e Pielou (0,82) foram altos sugerindo que os entrevistados conhecem uma grande parcela da diversidade local de plantas. A média do valor de uso (0,21) foi baixa. Apresentaram maior valor de uso as espécies Bertholletia excelsa (1,24), Handroanthus impetiginosus (1,20), Vouacapoua americana (1,08), Euterpe oleracea (1,00), Citrus sinenses (1,00) e Mangifera indica (1,00). As partes vegetais mais utilizadas são folhas, frutos, caule e casca do caule. E. oleracea apresentou maior aproveitamento com indicação de uso para seis partes: casca do estipe, estipe, folhas, frutos, sementes e raízes. O índice de riqueza variou entre 0,08 a 0,37. Os valores médios do índice de riqueza foram similares entre homens (RQZ=0,18) e mulheres (RQZ=0,17). A análise de componentes principais evidencia conformidade em relação ao conhecimento sobre plantas entre os entrevistados. Os resultados demonstram que, entre os entrevistados, é amplo o conhecimento das plantas disponíveis localmente, sejam nativas ou exóticas.

  • GLEIDSON PHILLIPPE SILVA FIGUEIREDO
  • ESTUDO DA MORFOLOGIA ENCEFÁLICA DE Bryconops melanurus (BLOCK, 1794), COM UMA ANÁLISE ESTEREOLÓGICA DA ESTRUTURA INTERNA DO tectum opticum.

  • Data: 13/04/2017
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  • O encéfalo de teleósteos tem sido objeto de abordagens que buscam descrever essa
    4 diversidade ainda pouco investigada e encontrar, por exemplo, novas fontes de
    5 caracteres filogenéticos. Contudo, essas descrições ainda são raras na literatura
    6 ictiológica atual. Este trabalho se propôs em descrever a morfologia encefálica
    7 de Bryconops melanurus com ênfase na arquitetura interna do Tectum opticum com
    8 base também em dados estereológicos através do método do Fracionador óptico que
    9 gera estimativas imparciais do número de células segundo critérios de amostragem
    10 aleatória e sistemática. Foi observado que com relação a topografia e a morfologia
    11 geral, o encéfalo estudado é condizente com o modelo generalizado para Characiformes,
    12 porém este também apresentou regiões morfologicamente diferentes, sendo
    13 marcadamente distinto por apresentar: habenula visível, bulbus olfactorius séssil e
    14 semi-fusionados, eminentia granularis com sulco vertical inconspícuo. O tectum
    15 opticum apresentou uma arquitetura interna laminar que recuperou seis camadas
    16 distinguíveis pela coloração de Nissl, elas se estendem no sentido dorso-caudal,
    17 apresentado-se sobrepostas horizontalmente uma em relação a outra. Este foi o padrão
    18 observado nos demais teleósteos e, por conseguinte, em outros vertebrados com dados
    19 disponíveis na literatura. A análise estereológica de cinco camadas nas quais as células
    20 neurais são distinguíveis no tectum opticum não detectou diferenças significativas no
    21 volume e número total de células (neurônios+glia) entre os hemisférios, o que confirma
    22 a simetria desta região, sendo o número de glias muito maior que o de neurônios.

  • RENAN LEAO REIS
  • O ENCÉFALO DE Potamorrhaphis guianensis JARDINE, 1843 (ATHERINOMORPHA: BELONIFORMES: BELONIDAE): NEUROANATOMIA E ENSAIOS ESTEREOLÓGICOS DO TECTUM OPTICUM

  • Data: 13/04/2017
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  • A proposta do presente estudo é descrever a neuroanatomia básica do encéfalo e
    explorar no âmbito estereológico o tectum opticum de um Belonidae Neotropical tendo
    como modelo de estudo a espécie Potamorrhaphis guianensis. Foram mensurados doze
    caracteres morfométricos das subdivisões do encéfalo para estudos da morfologia
    externa e para estudos estereológicos foram feitos cortes histológicos, montadas lâminas
    e corados com cresil-violeta. O tectum opticum compreende a maior estrutura do
    encéfalo seguido do corpus cerebelli, os centros somatossensoriais são pouco
    desenvolvidos e o corpus cerebelli é estendido em sentido rostro-caudal. Em P.
    guianensis o tectum opticum é compostos em seis camadas: (Stratum marginale,
    Stratum opticum , Stratum fibrosum et griseum superficiale , Stratum griseum centrale ,
    Stratum album centrale e Stratum periventriculare, todas as camadas não apresentaram
    diferenças de volume e número de células neurais entre os hemisférios direito e
    esquerdo. O Stratum periventriculare corresponde a camada com maior número de
    células e densidade por mm3, em contraste o Stratum opticum apresenta menor número
    de células. O Stratum griseum centrale corresponde a camada com maior volume e o
    Stratum opticum e Stratum album centrale com menores volumes, respectivamente.
    Nossos dados sugerem que os tamanhos relativos do tectum opticum, eminentia
    granularis e corpus cerebelli, podem estar associados a habilidade de P. guianensis em
    detectar objetos ágeis de fontes alóctones e autóctones, coordenação motora durante o
    nado e agilidade na captura de presas e fugas de predadores internos e externos. Este é
    um dos primeiros esforços em descrever a anatomia externa do encéfalo de um
    Belonidae Neotropical e um dos primeiros em descrever de forma sistêmica, as camadas
    do tectum opticum de um teleósteo com base em estereologia. A continuação de estudo
    com tais abordagens é de grande importância para estudos em biologia comparada,
    evolução anatômica do encéfalo, e discussão com estudos sobre comportamento,ecologia, aspectos funcionais e filogenéticos entre os Teleósteos.

  • KEILA XAVIER MAGALHAES
  • DELIMITAÇÃO DE ESPÉCIES DE Baryancistrus RAPP PY-DANIEL, 1989 (SILURIFORMES: LORICARIIDAE) DO RIO XINGU E FILOGEOGRAFIA DE Baryancistrus xanthellus RAPP PY-DANIEL, ZUANON E OLIVEIRA, 2011

  • Data: 07/04/2017
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  • A diversidade de padrões de coloração em Baryancistrus varia de acordo com a sua localidade, fazendo com que uma mesma espécie apresente vários morfotipos reconhecidos com códigos-L no comércio de peixes ornamentais. Baryancistrus xanthellus, conhecida popularmente como acari-amarelinho possui grande importância no comércio de peixes ornamentais. Entretanto, ao longo de sua distribuição é possível observar diferentes padrões de pigmentação amarela em formato de pontos, distribuídos ao longo do corpo dos indivíduos, levantando suspeitas em relação à taxonomia da espécie. Apesar da importância comercial desta espécie, pouco se sabe sobre a genética de populações de B. xanthellus, devido à escassez de trabalhos. Os objetivos do presente estudo foram delimitar as espécies do gênero Baryancistrus que ocorrem na bacia do rio Xingu através da utilização de sequências de um fragmento do gene mitocondrial Cytocromo b e utilizar marcadores mitocondriais e nucleares para realizar inferências sobre a diversidade genética, estrutura populacional e história demográfica da espécie B. xanthellus. Nossos resultados demonstraram a existência de sete Unidades Taxonômicas Operacionais Molecular (Molecular Operational Taxonomic Unit, MOTU) de Baryancistrus para esta bacia, sendo que a suposta espécie nova Baryancistrus sp. “verde”, na verdade, trata-se de uma variação de coloração da espécie conhecida como B. xanthellus, ressaltando a importância da taxonomia integrativa combinando informações baseadas em identificação morfológica com dados moleculares. Os resultados das análises populacionais revelaram a existência de cinco haplogrupos de B. xanthellus distribuídas ao longo do rio, padrão que pode estar relacionado a possíveis variações fisiográficas do rio Xingu resultantes de mudanças hidrológicas ocorridas na Amazônia durante o Quaternário tardio.

  • MARIA DAYANNE DA SILVA LIMA
  • A PESCA DE PEIXES ORNAMENTAIS EM DUAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO SUSTENTÁVEL DA AMAZÔNIA (PARÁ, BRASIL)

  • Data: 05/04/2017
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  • Dentre as categorias de pesca na Amazônia, a pesca ornamental se caracteriza como uma atividade artesanal voltada para a manutenção de peixes vivos. No rio Xingu, os peixes da família Loricariidae são distribuídos em 60 espécies, pertencentes a 26 gêneros. Apesar da importância que essas espécies possuem para o mercado ornamental, algumas delas se encontram ameaçadas devido a perda de ambientes de pesca na região de Altamira, decorrente do barramento do rio Xingu, a qual pode influenciar a migração da pesca de peixes ornamentais para áreas a montante da barragem, como as áreas das reservas extrativistas (Resex) rio Xingu e rio Iriri. A quantidade de informações que existem sobre a biologia, ecologia e diversidade das espécies ornamentais, além de características da pesca nas áreas de estudo, é bastante escassa. Com isso, o objetivo desta pesquisa é inventariar as espécies de peixes com potencial ornamental nas Reservas extrativistas rio Xingu e rio Iriri, além de, compreender o processo de exploração das espécies por meio do conhecimento dos pescadores de peixes ornamentais dessas áreas. Foram coletadas 38 espécies de Loricariidae nessas reservas por meio de mergulho com compressor de ar e mergulho livre (apnéia). A composição de espécies variou conforme o método de coleta, períodos sazonais e drenagens das Resex. O método de captura de peixes por apnéia apresentou maior riqueza de espécies (df=36; p= 0,004). O período de seca apresentou maior variação na composição de espécies (F= 10,5; p= 0,001). As áreas de estudo apresentaram alta diversidade de espécies de peixes em ambientes de corredeiras, podendo, assim, ser uma possível alternativa para fortalecer o mercado ornamental local. Além de oferecer outra fonte de renda para os moradores dessas reservas. Quanto à característica da pesca ornamental nas áreas de estudo, as 25 entrevistas semi-estruturadas feitas com pescadores mostraram que a pesca ornamental depois da criação das reservas, deixou de ser a principal fonte de renda para a maioria das famílias. Entretanto, esses entrevistados mantém o conhecimento acerca dos apetrechos de pesca e do manejo em viveiros das espécies ornamentais. A retomada desta atividade é um anseio dos moradores, que acreditam que essa ocupação pode descentralizar os esforços da pesca comercial. O presente estudo mostrou o quanto as áreas de reservas podem ser importantes para a manutenção da biodiversidade dos peixes de corredeiras do Xingu. Além de apontar que o conhecimento dos pescadores é de fundamental importância para acessar informações sobre a pesca ornamental.

  • JANIO DA SILVA CARNEIRO
  • DIVERSIDADE E ABUNDÂNCIA DE ENDOPARASITOS EM ESPÉCIES DE PEIXES DOS GÊNEROS Myloplus e Tometes (Cichlidae: Serrasalmidae), NA VOLTA GRANDE DO RIO XINGU, ESTADO DO PARÁ, BRASIL

  • Data: 30/03/2017
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  • Estudos com parasitos em populações de peixes podem ser utilizados como indicadores da qualidade da água e de alterações ambientais. O presente estudo tem por objetivo identificar e quantificar endoparasitos dos peixes Tometes ancylorhynchus (15 ind.), Tometes kranponhah (15 ind.), Myloplus rubripinnis (16 ind.) e Myloplus schomburgkii (14 ind.) na Volta Grande do Rio Xingu, bem como, analisar a relação parasito-hospedeiro quanto aos efeitos da comunidade parasitária, na condição relativa de saúde dos hospedeiros. É esperado que a abundância e diversidade de parasitos tragam prejuízos à saúde dos peixes, mais especificamente ao fator de condição relativo (Kn). Com os dados dos parasitos calculamos a prevalência, abundância e índice de diversidade e o fator de condição relativo dos peixes. Em cada hospedeiro ocorreram pelo menos três espécies de endoparasitos, totalizando seis espécies, sendo três pertencentes ao filo Nematoda, Myleusnema sp., Procamallanus (Spirocamallanus) sp. e Rondonia rondoni e três pertencentes ao filo Platyhelminthes, classe Trematoda, subclasse Digenea, família Cladorchiidae. Nosso estudo é o primeiro a registrar a presença do Nematoda da ordem, Procamallanus (Spirocamallanus) sp. em Tometes kranponhah e Tometes ancylorhynchus. Por outro lado, o Nematoda Rondonia rondoni, foi a espécie mais frequente, com abundância de 830,16 indivíduos (830,16±229,05) por peixe, representando um percentual de 96,55% do total endoparasitos. A espécie de parasita menos abundante foi o Procamallanus (Spirocamallanus) sp., com três indivíduos. Encontramos uma correlação significativamente positiva entre a diversidade de parasitos e o fator de condição relativo dos peixes (p<0,05), sugerindo que a diversidade parasitária influencia a relação peso-comprimento. Verificamos também que o parasito com maior abundância e prevalência (Rondonia rondoni) não influenciou significativamente o fator de condição dos peixes, e que existem diferenças significativas na composição de espécies de parasitos entre os gêneros de hospedeiros Tometes e Myloplus.

  • GEUSIVAM BARBOSA SOARES
  • DACTILOGIRÍDEOS (PLATYHELMINTHES, MONOGENOIDEA) PARASITOS
    DAS BRÂNQUIAS DE HASSAR GABIRU BIRINDELLI, FAYAL ET WOSIACKI,
    2011 E HASSAR ORESTIS (STEINDACHNER, 1875) (SILURIFORMES,
    DORADIDAE) DA BACIA DO RIO XINGÚ, PARÁ, BRASIL

  • Data: 29/03/2017
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  • Esta dissertação foi elaborada no formato de artigo, separada em dois capítulos, conforme formatação proposta pelo do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação, Universidade Federal do Pará, Campus Universitário de Altamira (instrução normativa 01/2016). No Capítulo I é apresentada uma breve contextualização sobre as características do rio Xingú e os problemas ambientais que este ambiente vem sofrendo pela ação antrópica, principalmente referente à comunidade íctica. Um enfoque é dado à diversidade de espécies de peixes do Gênero Hassar (Siluriformes, Doradidae) e seus parasitas metazoários, destacando os platelmintos parasitas da Classe Monogenoidea (Platyhelminthes, Cercomeromorpha). Em seguida, são apresentados os objetivos e metodologia geral utilizada para a obtenção dos resultados que culminou com a elaboração de um artigo, que será submetido para a publicação. Já o Capítulo II, trata do reconhecimento da diversidade de monogenóideos parasitos de peixes doradídeos do rio Xingú e rios adjacentes. Quatro novas espécies de monogenóideos até então desconhecidas da comunidade científica são descritas para Hassar gabiru e H. orestis. Cosmetocleithrum bifurcum Mendoza-Franco, Mendoza-Palmero et Scholz, 2016 descrito para as brânquias H. orestis da Amazônia Peruana é reportada pela primeira vez para águas brasileiras e para um novo hospedeiro, H. gabiru. O gênero Vancleaveus Kritsky, Thatcher et Boeger, 1986 é aqui emendado, assim como, uma chave dicotômica para as espécies de monogenóideos parasitas de doradídeos é apresentada. Finalmente, no presente estudo, a distribuição parasito/hospedeiro sugere que não somente componentes associados à coevolução (i.e., coespeciação) seriam responsáveis pelos padrões observados, mas também componentes biológicos, ecológicos e biogeográficos poderiam influenciar a distribuição destes parasitos em seus respectivos hospedeiros.

  • CINTHIA MAGALI MOREIRA HOFFMANN
  • Conhecimento etnoecológico sobre o peixe-boi da Amazônia, Trichechus inunguis Natterer, 1883 (Mammalia, Sirenia) na RESEX Verde Para Sempre, Porto de Moz, Pará, Brasil


  • Data: 20/02/2017
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  • Há duas espécies de peixe-boi no Brasil, Trichechus manatus manatus, peixe-boi marinho e Trichechus inunguis, peixe-boi da Amazônia.O peixe-boi amazônico, maior mamífero aquático dulcícola da América do Sul, é encontrado nos principais rios da bacia amazônica. Por estar intrinsecamente relacionado a caça tradicional, compreende parte integrante da memória de um povo, que o usou durante muitos anos como fonte de subsistência. Atualmente, a espécie está em declínio e ainda há muito a estudar sobre ela, tornando-se necessário o entendimento sobre os seus aspectos biológicos e ecológicos. Bem como o uso da espécie pelas pessoas reconhecidas como os principais detentores do conhecimento ecológico local. Por ser um animal raramente observado, devido à dificuldade em seu avistamento, fez-se necessário estudá-lopor meio de entrevistas semi-diretivas. Durante os anos de 2015 e 2016, 31 moradores foram entrevistados. Observações sobre as características físicas, comportamentais, alimentação, e uso do peixe-boi, serviram de base para a percepção de que a caça e o consumo não são constantes na área de estudo.Tais resultados demonstram que esta espécie foi utilizada de forma sustentável por muitos anos. Contudo, desde a criação da Reserva Extrativista Verde Para Sempre, há o declínio da caça, porém, emalhamentos de filhotes ainda são casuais. Por outro lado, existem áreas possíveis para refúgio, com poucas ações antrópicas. Os resultados demonstram que são necessárias medidas de conscientização direcionadas aos pescadores no uso de redes de pesca.  Assim como programas de educação ambiental dentre outras medidas, para que a caça do peixe-boi amazônico seja mitigada na região.

  • SOLANGE HENCHEN TREVISAN
  • ECOFISIOLOGIA E ANATOMIA DO ACAPU (Vouacapoua americana Aubl.), AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 08/02/2017
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  • A Amazônia vem passando por alterações ambientais que têm levado a uma série de alterações morfológicas e fisiológicas nas plantas. Portanto, o objetivo geral desse trabalho foi avaliar os aspectos ecofisiológicos e anatômicos dos estágios de muda, vara e arvoreta de Vouacapoua americana no município de Medicilândia, Pará, Brasil. A temperatura do ar mais elevada em 2,5°C, observada no período de estiagem, resultou em valores mais elevados de temperatura da folha e de déficit de pressão de vapor, além de valores mais baixos de umidade da folha, condutância estomática e transpiração. Ademais, foi observado que cada estágio de desenvolvimento de V. americana se comportou de determinada forma às variações ambientais, em que varas e arvoretas apresentaram respostas mais favoráveis às variações de temperatura e umidade do ar, estando mais bem adaptados ao meio em que vivem. Quanto às estruturas anatômicas, foi verificado que vara e arvoreta apresentaram nervura mais espessa que muda. Ademais, a arvoreta também apresentou maior espessura do limbo e do parênquima tendendo a paliçádico. Na epiderme foi possível observar que os estômatos ocorrem somente na face abaxial (folha hipoestomática), com frequência média de 719 estômatos por mm². A epiderme é unisseriada, com presença de papilas e tricomas. A região mediana do limbo apresentou uma camada de parênquima paliçádico, uma ou duas de parênquima esponjoso e uma de parênquima tendendo ao paliçádico (adjacente à face abaxial). Estruturas secretoras estão presentes em todo o limbo foliar. Na região da nervura central e do pecíolo foi observado que o xilema ocupa a parte central da nervura, apresentando formato de arco. O floema circunda todo o xilema e possui fibras esclerenquimáticas em sua periferia. Portanto, os resultados desse estudo indicam que no período de estiagem, as plantas apresentaram altos valores de temperatura da folha, DPV elevado e baixas taxas de transpiração e condutância estomática. Por outro lado, no período chuvoso, a umidade da folha e a condutância estomática foram mais elevadas. As variáveis ecofisiológicas apresentaram um padrão distinto ao logo do dia, com exceção da condutância estomática e da transpiração no período de estiagem, e da clorofila em ambos os períodos sazonais. Vara e arvoreta exibiram valores mais altos para condutância estomática e transpiração no período chuvoso. Quanto à anatomia foliar, V. americana apresentou dados condizentes com os citados para a subfamília Caesalpinioideae. Apenas as variáveis: espessura da nervura, do limbo e do parênquima tendendo a paliçádico, apresentaram diferenças significativas entre os estágios de desenvolvimento.

2016
Descrição
  • FABIOLA ANDRESSA MOREIRA SILVA
  • USOS TRADICIONAIS DA FLORA NATIVA NA RESEX RIOZINHO DO
    ANFRÍSIO, ALTAMIRA, PARÁ

  • Data: 14/10/2016
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  • USOS TRADICIONAIS DA FLORA NATIVA NA RESEX RIOZINHO DO
    ANFRÍSIO, ALTAMIRA, PARÁ
    As RESEX são Unidades de Conservação que visam garantir o uso sustentável dos
    recursos naturais por populações tradicionais. O uso múltiplo dos recursos naturais é
    uma das estratégias de subsistência comum entre as populações que vivem na floresta.
    O presente estudo visa identificar as espécies vegetais úteis e seus usos na Reserva
    Extrativista Riozinho do Anfrísio, Altamira, Pará, localizada em um complexo de Áreas
    Protegidas, chamado de Terra do Meio. Foram visitadas 19 localidades. A coleta de
    informações se deu através da observação participante e da aplicação de formulários
    semiestruturados, onde foram obtidas informações sobre o perfil dos entrevistados, as
    espécies úteis, seus usos e percepções sobre a RESEX. Os Índices de Valor de
    Importância (IVs) e de Valor de Consenso de Uso (UCs) foram calculados para as
    análises qualitativas e para a quantitativa foi utilizado o Índice de Diversidade de
    Shannon-Wiener (H’). Identificaram-se 161 espécies botânicas, pertencentes a 53
    famílias. Fabaceae e Arecaceae foram as famílias com maior número de citações. As
    espécies Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl., Attalea speciosa Mart., Carapa
    guianensis Aubl. e Euterpe precatoria Mart. apresentaram os maiores Índices de Valor
    de Importância. Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl. apresentou os maiores valores de
    IVs=1 e UCs=2,1. As categorias de uso mais citadas foram alimentar, medicinal e
    comércio. O índice de diversidade de Shannon-Wiener foi de H’= 2,15, demonstrando
    uma alta diversidade de conhecimento das espécies. A fartura e a sensação de segurança
    foram apontadas como as maiores motivações para se viver na RESEX. Para os
    entrevistados a maior conquista com a criação da RESEX foi a garantia de posse da
    terra e o acesso à educação e saúde. A exploração ilegal de madeira foi apontada como a
    principal ameaça à sustentabilidade das atividades extrativistas na RESEX Riozinho do
    Anfrísio.

  • MATHEUS WATANABE GLINS
  • EVOLUÇÃO DA FORMA CORPORAL EM BAGRES DO GÊNERO PHREATOBIUS (SILURIFORMES:PIMELODOIDEA) NA AMAZÔNIA SUBTERRÂNEA

  • Data: 13/10/2016
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  • O gênero Phreatobius possui três espécies formalmente descritas e quatro ainda não descritas distribuídas na bacia do rio Negro. Geralmente habitam o lençol freático, podendo ser encontrados ocasionalmente em poços escavados a mão ou no ambiente hiporreico, com distribuição ampla na bacia Amazônica. O gênero apresenta características de peixes hipógeos, além de suas características únicas, que levou a várias incertezas sobre sua alocação familiar e dentro do próprio gênero. Neste estudo focaremos em apenas quatro espécies, as três formalmente descritas (Phreatobius cisternarum, P. dracunculus e P. sanguijuela) e em uma potencial nova espécie,Phreatobius sp. “Viruá”. Utilizamos morfometria geométrica para analisar a variação na forma corporal nestas espécies. Foi observado que P. cisternarum, P. dracunculus e P. sanguijuela apresentam padrão corpóreo semelhante, havendo diferença apenas na ponta do focinho e na altura da cabeça. Enquanto que Phreatobiussp. “Viruá” apresentou um corpo mais comprimido dorso ventralmente que as demais espécies congêneres. Esta diferença pode estar relacionada ao habitat, uma vez que Phreatobiussp. “Viruá” habita zona hiporreica com espaços diminutos e irregulares na serapilheira,em contrastecom as demais espécies associadas ao freático, com condutos em forma de microcavernas. Além disso, observamos uma diferença entre o agrupamento formado por P. dracunculus e P. sanguijuela,em relação a P. cisternarum, relativaàs posições das nadadeiras dorsal, inserção da nadadeira pélvica e nadadeira anal.Phreatobius sp. “Viruá” se mostrou a espécie mais morfogeometricamente distinta das demais, além do corpo comprimido dorso ventralmente na região posterior do corpo, outras variações encontradas foram nas posições das nadadeiras dorsal, pélvica e anal. As espécies recém descritas P. dracunculus e P. sanguijuelaapresentaram semelhança morfológica em todos os landmarks testados.Desta forma, pudemos observar que existe diferenças geomorfometricas informativas para a taxonomiadas espécies de Phreatobius, bem como variação da forma corporal que podem estar relacionadas a fatores ecológicos e habitat. Além disso, mostrar a eficiência damorfometria geométrica como ferramenta para distinção de espécies de peixes subterrâneos.

  • ROBERTO PORTELLA DE ANDRADE
  • RELAÇÃO ENTRE ACESSIBILIDADE E ABUNDÂNCIA DE MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE NA TERRA DO MEIO, ALTAMIRA-PA, BRASIL

  • Data: 23/09/2016
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  • A literatura indica que áreas de caça próximas a vilas e assentamentos na Amazônia são usadas mais frequentemente pelos caçadores do que áreas mais distantes, indicando uma depleção populacional das espécies caçadas correlacionada com a distância aos assentamentos. Baseados nessas informações, procuramos analisar os efeitos da acessibilidade sobre a abundância relativa das ordens e a biomassa das espécies de mamíferos de médio e grande porte ao norte da Estação Ecológica Terra do Meio e na Terra Indígena Cachoeira Seca, as quais são adjacentes, pertencem a diferentes categorias de proteção e estão localizadas no baixo Rio Iriri, na área conhecida como Terra do Meio, Pará, Brasil. Neste estudo utilizamos o método de transecção linear complementado com armadilhas fotográficas e registros complementares. A abundância relativa das espécies e ordens registradas nos transectos lineares foi expressa na forma de taxa de avistamentos/10 km percorridos. A biomassa adulta avistada (biomassa/5 km percorridos) das espécies, por área, foi obtida multiplicando o número de indivíduos adultos avistados a cada 5 km por seu peso corporal. O coeficiente de acessibilidade foi elaborado a partir do cálculo da média das proporções das distâncias dos rios navegáveis e estradas trafegáveis para o ponto central das trilhas percorridas, sendo utilizado o teste de correlação de Spearman para analisar os efeitos dessa acessibilidade sobre a abundância relativa das ordens e a biomassa das espécies avistadas nas áreas estudadas. Das 52 espécies indicadas na literatura para a região de estudo, 34 foram confirmadas (65,4%), sendo: 26 espécies por dois ou mais métodos. Na EETM, foram registradas 29 espécies pertencentes a 26 gêneros e 07 famílias. Já, para a TICS, registramos 31 espécies distribuídas em 29 gêneros de 07 famílias. Ao longo dos 240 km percorridos nas quatro trilhas, foram obtidos 269 registros de 19 espécies, com uma taxa de avistamentos de 11,21/10 km; resultado similar aos registrados em estudos regionais. A análise dos efeitos da acessibilidade sobre a abundância relativa das ordens e a biomassa adulta avistada nas áreas estudadas não apresentou diferença estatística significativa, o que pode estar indicando que a biota estudada precisa de grandes áreas para desenvolver suas atividades. Por outro lado, não foi detectada diferença entre as áreas preservadas, mais sim entre os transectos estudados, o que indica que a Terra Indígena Cachoeira Seca e a Estação Ecológica Terra do Meio correspondem a mesma unidade biogeográfica, mas com diferenças nas suas unidades de paisagem. A espécie com maior número de avistamentos pelo método de transecto linear e registros em armadilhas fotográficas foi Dasyprocta leporina (cutia). A análise de componentes principais (PCA) para os transectos indicou uma forte correlação da ordem Rodentia com a trilha EETM 2, considerada a mais preservada (menos acessível), enquanto que a ordem Primates teve associação positiva com a trilha TICS 2, classificada como a mais perturbada antropicamente. Concluímos então que as áreas estudadas possuem boas condições de conservação, entretanto, a manutenção de atividades de caça, exploração florestal e deflorestamento na terra indígena pode a levar, em médio prazo, a uma maior redução nas densidades de algumas populações e até a extinções locais, como já observado em outros estudos.

  • JOYCE ERNESTINA MONTEIRO BRAZ
  • Efeitos da oligotrofização sobre a estrutura de tamanho de microcrustáceos planctônicos

  • Data: 12/09/2016
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  • 1.      A fim de contribuir para o entendimento das respostas do zooplâncton à redução da carga de nutrientes (oligotrofização)foi realizado um experimento durante 23 dias, utilizando mesocosmos preenchidos com água do rio Paraná.Inóculos de fitoplâncton e zooplâncton foram coletados nos ambientes da planície de inundação do alto rio Paraná e foram submetidosa combinações detratamentosde nutrientes e transparência.

    2.      Foi testado se a limitação de recurso e a transparência afetam a estrutura de tamanho da comunidade através de seus efeitossobre as interações de competição e predação. De acordo com a Hipótese da Eficiência de Tamanho (HTE), a oligotrofização deve diminuir a estrutura de tamanho das assembleias de microcrustáceos planctônicos.

    3.      Os resultados obtidos para o cenário oligotrófico indicaram a diminuição da estrutura de tamanho do zooplâncton,devido à limitação de recurso alimentar e de seu efeito na eliminação dos grupos mais competitivos.Adicionalmente, a transparência contribuiu para este padrão de resposta devido ao seu efeito no aumento da pressão de predação.

    4.      A resposta da estrutura de tamanho à pressão de predação suportou as predições da HTE, enquanto a eficiência competitiva do zooplâncton de grande porte foi determinada pela disponibilidade de recurso alimentar, o que gerou resultados contrários aos esperados.

    5.      Concluímos que a oligotrofização interfere nas relações de predação e competição, reduzindo tanto o tamanho quanto a abundância do zooplâncton. Além disso, a redução da carga de nutrientes gera implicações ecológicas diferentes das observadas em ambientes enriquecidos, de modo que as predições das interações bióticas assumidas para ambientes enriquecidos não podem ser integralmente aplicadas a sistemas oligotróficos.

  • ANA CAROLINA SILVA
  • EFEITO DA CORRENTEZA E TIPO DE SUBSTRATO NA DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE LORICARIIDAE (ACTINOPTERYGII, SILURIFORMES) NAS CORREDEIRAS DO RIO XINGU

  • Data: 03/08/2016
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  • No presente estudo, foi avaliada a distribuição de Loricariidae em vários trechos do médio rio Xingu, com intuito de evidenciar associação deste grupo de peixes com os diversos tipos de substratos e velocidade da correnteza. Foram realizadas duas coletas no período de seca no mês de outubro dos anos de 2014 e 2015. Por meio da caracterização fisiogeográfica de cada local amostrado foram encontrados desde ambientes com substrato rochoso até ambientes com fundo arenoso ou composto por gorgulho e complexo de seixos (mocororô). As análises univaridas demonstraram que a abundância e riqueza entre os sítios amostrados não foi homogênea. As análises multivariadas, permitiram verificar que todas as variáveis preditivas mensuradas influenciaram significativamente (p= 0,0001) na composição da ictiofauna. As variáveis: mocororô, gorgulho, laje, velocidade da correnteza, blocos médios foram as mais influentes explicando 30% da variabilidade na estrutura da ictiofauna. A análise cluster e o mapa de calor indicando a contribuição em abundância das espécies mais representativas revelaram diferentes níveis de similaridades espacial entre os sítios de coleta.

  • SAMUEL SILVA DE CRISTO
  • COMÉRCIO E ETNOECOLOGIA DO MUÇUÃ (Kinosternon scorpioides, LINNAEUS, 1776) NO ARARI, ARQUÍPELAGO DO MARAJÓ, PARÁ

  • Data: 02/08/2016
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  • Nesta pesquisa, investigamos as características socioeconômicas do comércio e a etnoecologia do muçuã (Kinosternon scorpioides) no Arquipélago do Marajó– Pará, Brasil. Entre abril/2015 e março/2016, foram realizadas entrevistas livres e semiestruturadas com aplicação de questionários, e observação participante, nos centros urbanos das cidades de: Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari e Santa Cruz do Arari. Pesquisou-se: a) o perfil socioeconômico dos comerciantes e de sua atividade; b) a procedência, forma, frequência de comercialização do muçuã; c) a demanda pela compra desses produtos; e d) o conhecimento ecológico local. A caça de muçuãs é realizada segundo os interlocutores através de coleta com a mão (100%), com a mão e a soca-soca (62%) e com a mão e queimadas (54%). Os animais são caçados tanto para o consumo próprio como para a comercialização nos centros urbanos. Os caçadores conhecem os aspectos empíricos da biologia da espécie em vida livre, tais como: o habitat, a ecologia trófica, e a reprodução, dentre outros. Inferimos que o comércio de K. scorpioides ainda encontra-se em forte atividade na região, e que as normativas legais não são suficientes para inibir essa prática que representa uma ameaça ao equilíbrio ecológico da espécie. São necessárias, a intervenção educativa e a agregação de valor econômico a espécie silvestre pela implantação de criatórios legalizados, engendrando o surgimento de novas tecnologias que visem o emprego, a renda familiar, a segurança alimentar e a conservação da população natural desta espécie.

  • NAYRA GLAIS PEREIRA TRINDADE
  • EFEITO DE DIFERENTES INTENSIDADES DE COLHEITA DE MADEIRA E DE ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS DO SOLO SOBRE A COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E ESTRUTURA DE UMA FLORESTA OMBRÓFILA DENSA NA AMAZÔNIA ORIENTAL

  • Data: 13/07/2016
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  • Este estudo teve como objetivo avaliar as alterações florísticas e estruturais de uma floresta ombrófila densa sob efeito de diferentes intensidades de corte seletivo de madeira, bem como, as possíveis correlações entre a composição florística e as condições edáficas e topográficas em uma área de manejo florestal. A pesquisa foi realizada no PDS Virola Jatobá, em Anapu, Pará, onde foram definidos cinco tratamentos, o primeiro se refere à área controle e os quatro restantes correspondem às áreas submetidas à exploração florestal, em diferentes períodos e intensidades. Em cada tratamento foram instaladas 10 parcelas de 10x50m, onde foram inventariados todos os indivíduos arbóreos com DAP ≥ 10cm. Para caracterização da composição florística e fitossociológica, utilizou-se: (i) diagrama de Whittaker, (ii) estimativa dos parâmetros de densidade, frequência, dominância e Índice de Valor de Importância (IVI), (iii) distribuição dos indivíduos por classe de diâmetro, e (iv) curva de espécie por área. Para verificar o efeito das diferentes intensidades de corte comparou-se o número de espécies, gêneros, famílias botânicas e indivíduos entre os tratamentos, por meio da Análise de Variância (ANOVA). Utilizando-se a Análise Multivariada Permutacional de Variância (PERMANOVA) para comparar a distribuição dos indivíduos dentre as classes de diâmetro. A diversidade e a uniformidade dos tratamentos foram analisadas por meio dos perfis de diversidade, e, a similaridade florística foi calculada através do índice de Jaccard. Para analisar o efeito das variáveis ambientais realizou-se a PERMANOVA, com base em uma matriz de similaridade Bray-Curtis, e a Análise de Redundância parcial (RDAp), utilizando-se o Programa VEGAN na Plataforma R, versão 3.1.2. Foram registrados 1.899 indivíduos (760 ind.ha-1), pertencentes a 127 espécies distribuídas em 92 gêneros e 37 famílias botânicas. Fabaceae, Lecythidaceae e Sapotaceae foram as famílias com maior número de indivíduos. Dos 1.899 indivíduos amostrados, 55,5% apresentaram DAP < 20cm. A espécie Licania impressa Prance apresentou o maior índice de valor de importância. Em todos os tratamentos, o grupo de indivíduos compostos por espécies secundárias tardias apresentou maior densidade. A área testemunha apresentou maior diversidade de espécies em relação a três, das quatro áreas submetidas à exploração de madeira. A similaridade florística entre as áreas apresentou valores do índice de Jaccard variando de 50 a 62%. A PERMANOVA indicou que a abundância das espécies foi influenciada somente pela intensidade de corte, não havendo influência significativa entre a declividade e a textura do solo. Na RDAp os dois primeiros eixos foram responsáveis por 21,53% na variação dos dados de abundância das espécies. Portanto, conclui-se que, de modo geral, a intensidade de corte adotada no PDS Virola Jatobá não foi tão intensa ao ponto de provocar grandes alterações florísticas e estruturais. Ademais, as variáveis físico-químicas do solo foram responsáveis por uma pequena parcela da variação na abundância das espécies da área de manejo.

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