O Estado do Pará possui grande relevância territorial e socioambiental, abrangendo cerca de 29,73% da Amazônia brasileira e apresentando elevado potencial para a bioeconomia devido à sua ampla biodiversidade. Nesse cenário, a valorização de produtos florestais não madeireiros oriundos do extrativismo sustentável tem se destacado como estratégia para o fortalecimento socioeconômico de comunidades tradicionais. A Central Guará de Associações Solidárias de Desenvolvimento da Amazônia (CGASDA), em Bujaru-PA, atua como elo entre comunidades extrativistas e o desenvolvimento científico tecnológico. A associação reúne produtores familiares responsáveis pela coleta e comercialização de espécies amazônicas como andiroba, tucumã, buriti, ucuúba, uxi, bacabi, bacaba e açaí, reconhecidas pelo elevado teor de compostos bioativos com potencial de aplicação nos setores alimentício, cosmético e farmacêutico. O objetivo principal deste estudo é desenvolver um protocolo de controle de qualidade baseado em caracterizações físico-químicas (índice de acidez, índice de peróxido, índice de saponificação e outros), espectroscopia (FTIR, RAMAN e UV-Vis) e cromatográfica (CG-MS) para a valorização de subprodutos, como óleos e manteigas obtidos de frutos e sementes amazônicas produzidos por comunidades extrativistas de Bujaru-PA. A padronização desses materiais busca garantir qualidade, rastreabilidade e agregação de valor, ampliando sua inserção em mercados sustentáveis. A proposta fortalece a bioeconomia paraense ao integrar conhecimento científico e saberes tradicionais, promovendo desenvolvimento regional sustentável alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à redução das desigualdades, geração de renda e uso da biodiversidade amazônica.
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